02 de Setembro de 2026
EM FOCO
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Os desempenhos da agropecuária e da indústria extrativa contribuíram para o resultado positivo, informou ontem o IBGE. Os investimentos e o consumo do governo também avançaram. Por outro lado, o consumo das famílias teve recuo, impactado pela taxa básica de juro em patamar elevado e pelo endividamento das empresas e das pessoas físicas
PIB do Brasil desacelera e cresce 0,5% no segundo trimestre
O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, frente ao período imediatamente anterior. O resultado, que corresponde a R$ 3,4 trilhões, foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado representa uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando havia subido 1,1%. No acumulado de quatro trimestres, o PIB nacional teve expansão de 1,9%.
O crescimento no segundo trimestre foi puxado pelo setor da agropecuária, seguido de serviços e indústria. Ao mesmo tempo, também chamou a atenção o recuo no consumo das famílias. De acordo com a agência de classificação de risco Austin Rating, o Brasil teve o quinto melhor desempenho no segundo trimestre dentro de um ranking de crescimento considerando as informações de 50 países.
- O crescimento da agropecuária foi o principal destaque do trimestre. Os serviços e a indústria também cresceram, mas em ritmo mais moderado - afirmou o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes.
Impacto da Selic
O principal motivo da desaceleração da economia brasileira é o patamar elevado da taxa básica de juros (Selic) - atualmente em 14% ao ano - por um longo período. Os juros altos, além de afetarem o investimento das companhias e encarecerem o consumo das famílias, têm levado a um endividamento das empresas e das pessoas físicas.
O PIB pode ser calculado pela ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do consumo (gastos e investimentos). Pela ótica da produção, a agropecuária foi destaque, com variação positiva de 2,8% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Em 12 meses, a alta chega a 6,2%.
A indústria variou positivamente 0,1% do primeiro para o segundo trimestre e 1,4% em 12 meses. Dentro da indústria, o principal motor foi a indústria extrativa, que saltou 3,4% entre os trimestres seguidos.
Variação nos serviços
O setor de serviços, que mais emprega na economia, cresceu 0,2% entre os trimestres seguidos e 1,7% no acumulado de 12 meses.
Detalhando os dados do setor, os segmentos de serviços que mais cresceram foram informação e comunicação (2,1%), transporte, armazenagem e correio (1,1%) e atividades imobiliárias (0,2%). O comércio ficou estável, ou seja, variação nula (0%).
Houve variação negativa no segmento administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,4%) e em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,3%).
Pela ótica da demanda, o consumo do governo subiu 0,4%, enquanto o das famílias recuou (-0,4%). No setor externo, as exportações caíram (-0,8%), e as importações subiram 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2026. A formação bruta de capital fixo, indicador que representa os investimentos, cresceu 1,2% no trimestre.
O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, Estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais. O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida. _
Os dados
Principais índices do PIB brasileiro no segundo trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre deste ano
Agropecuária +2,8%
Serviços +0,2%
Indústria +0,1%
Consumo do governo +0,4%
Consumo das famílias -0,4%
Investimentos +1,2%
Exportações -0,8%
Importações +1,8%
Evolução do PIB nos últimos trimestres em relação ao período imediatamente anterior
1º trim./2024 0,7%
2º trim. 1,7%
3º trim. 0,9%
4º trim. 0,1%
1º trim./2025 1,3%
2º trim. 0,4%
3º trim. 0,1%
4º trim. 0,2%
1º trim./2026 1,1%
2º trim. 0,5%
Fonte: IBGE
Emater estima safra de verão maior no RS - Caroline Souza
A produção gaúcha de grãos deve chegar a 35,6 milhões de toneladas na safra de verão 2026/2027, conforme estimativa da Emater apresentada ontem, durante a 49ª Expointer, em Esteio. O volume representa alta de 8,6% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 32,8 milhões de toneladas.
A soja, principal cultura da agricultura gaúcha, deve responder por 21,15 milhões de toneladas da produção, o que representaria alta de 15,3% em relação à safra passada, quando foram colhidas 18,34 milhões de toneladas. A recuperação ocorre mesmo com redução de 0,9% na área plantada, que deve passar de 6,7 milhões para 6,65 milhões de hectares.
No conjunto das quatro principais culturas consideradas pela Emater (soja, milho, arroz e feijão 1ª safra), a área plantada deve permanecer praticamente estável, com redução de 0,37%, de 8,46 milhões para 8,43 milhões de hectares. A expectativa de aumento da produção, portanto, está relacionada principalmente à perspectiva de melhores resultados por hectare.
O milho aparece como outro destaque positivo. A área plantada deve chegar a 896,4 mil hectares, alta de 7,4% em relação aos 834,4 mil hectares do ciclo anterior. A produção projetada é de 6,91 milhões de toneladas, crescimento de 7,2%.
No arroz, por outro lado, a Emater projeta redução tanto na área quanto na produção. O cultivo deve ocupar 861,8 mil hectares, queda de 3,4%, enquanto a colheita estimada é de 7,53 milhões de toneladas, 5,5% abaixo do ciclo anterior. A primeira safra de feijão também deve ter redução na área plantada, de 6,4%, para 24,6 mil hectares. Mesmo assim, a produção deve crescer 1,2%, para 43,2 mil toneladas.
Segundo Mateus Soares da Rocha, diretor técnico da Emater/RS e superintendente técnico da Ascar, a projeção atual reflete um ciclo positivo.
- Estamos entrando numa terceira safra favorável, o que é muito positivo para o caminho da autossuficiência do Rio Grande do Sul. Na soja, temos diminuição de área, mas aumento de produtividade. O cenário do El Niño nos preocupa, mas traz a vantagem da disponibilidade hídrica. Apesar disso, ele nos traz a necessidade de pensarmos no manejo de solo e de água na propriedade. Ter um solo adequado e preparado é essencial para qualquer cultura - avaliou Rocha.

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