sexta-feira, 28 de março de 2025


28 de Março de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Trump derruba ações nos EUA

A mais irracional tarifa anunciada por Donald Trump, sobre todos os carros feitos no Exterior, derrubou ações de empresas americanas e levou o dólar a novo recorde ontem. A onça-troy, medida básica do metal precioso, fechou em US$ 3.071,30, máxima histórica diária. Como se sabe, é um ativo para o qual os investidores correm quando avaliam que o risco subiu demais.

No Brasil, o dólar teve subida leve, de 0,38%, para R$ 5,754. Pouco perto do estrago nos EUA. O anúncio havia sido feito na quarta-feira, depois do fechamento do mercado financeiro, por isso o impacto ocorreu no dia seguinte.

As ações da indústria automobilística tiveram quedas só comparáveis às registradas em grandes crises: GM - a que mais importa peças do México - desabou 7,3%, Ford tombou 3,9%.

Apelo sem resultado

As montadoras americanas haviam apelado que Trump não avançasse nesse caminho, por temer represálias e porque quase a metade dos cerca de US$ 400 bilhões em "carros" que entram nos EUA são, na verdade, partes e peças usadas na indústria local.

Há crescente percepção de que decisões de Trump estão fazendo efeito contrário ao esperado. Em vez de tornar a "América grande outra vez", contribuem para encolher a chamada "riqueza disponível", que inclui os ganhos na bolsa.

O índice S&P 500 da bolsa de Nova York, o mais abrangente, tem queda acumulada perto de 10% desde a posse do novo governo.

Se quase todas as tarifas prejudicam tanto os países afetados quanto a economia americana, esta é a que mais provoca danos autoinfligidos. É tão ilógica e contraproducente que se discute, nos EUA, se foi anunciada para desviar a atenção da acusação de vazamento de informações de defesa, considerada a primeira crise séria da atual administração. _

R$ 180 milhões para data centers

Dona de projeto anunciado de R$ 3 bilhões na Região Metropolitana, a Scala vai investir R$ 180 milhões para comprar equipamentos e materiais para expansão de seus data centers.

A empresa já tem empreendimento em Porto Alegre e prevê construir outro em Eldorado do Sul, que seria o passo inicial para formação de uma "cidade de data centers", a Scala AI City. Os recursos vêm de crédito contratado por meio do programa Máquinas e Serviços do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

- O financiamento se somará aos mais de R$ 10 bilhões já investidos pela Scala, que continuarão crescendo e habilitando o futuro da tecnologia no país - detalha o CFO da Scala, Clayton Malheiros.

- O BNDES apoia a ampliação da oferta de data centers no Brasil, pois são importantes para o processamento, armazenamento, tratamento e distribuição de dados no ambiente digital - afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

A Scala também tem operações e projetos de data centers em Barueri, Campinas e Jundiaí (SP), Rio de Janeiro e Fortaleza.

A primeira fase do projeto no Estado inclui a construção de um empreendimento em Eldorado do Sul com capacidade para 54 megawatts e potencial de gerar cerca de 3 mil empregos - 2 mil nas obras e 1 mil na operação. _

Gerdau e seu "pré-South Summit"

No dia 8 de abril, véspera da abertura do South Summit Brazil 2025, a Gerdau fará a primeira edição do Gerdau Innovation Day.

O evento está previsto para ser realizado no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.

Palestras e painéis vão reunir executivos da Gerdau e convidados externos para discussões sobre futuro, tecnologia, transformação digital e parcerias de marca, com programação das 14h às 19h.

Para participar, é preciso entrar no site do Gerdau Innovation Day, onde também está disponível a programação completa de painéis. As inscrições são gratuitas, mas há limite de vagas. _

Um Pacto

Alegre mais robusto com a institucionalização de sua estrutura

A 10ª Mesa do Pacto Alegre, reunião de todas as instituições representadas nesse movimento para transformar a Capital, trouxe ontem um novo desafio, o da institucionalização da estrutura. Veio com duas novas adesões de peso.

Foram anunciados o ingresso do empresário Jorge Gerdau Johannpeter ao conselho consultivo e a adesão da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para se somar a UFRGS, PUC-RS e Unisinos, que estão na raiz do Pacto Alegre com a Aliança para Inovação.

Segundo Jorge Audy, representante da PUC-RS na Aliança para Inovação, todas as ações do movimento ainda são executadas por meio das universidades, mas é hora de ter uma estrutura mais robusta. O Pacto Alegre foi criado em 26 de março de 2019. _

Entrevista

Antonio Lacerda

Diretor-geral de celulose no Brasil da CMPC

"Vamos repovoar, recuperar a flora do RS"

Será lançado hoje o projeto Reflora, para reconstruir uma das mais importantes riquezas do Estado: sua cobertura vegetal, que absorve não só gás carbônico mas também o excesso de umidade depois de chuva forte. Vítima das perdas por inundação, a CMPC tomou a iniciativa com governo do Estado, Universidade Federal de Viçosa e Embrapii.

? Como nasceu o Reflora?

É uma discussão de alguns meses. Com a enchente, várias áreas foram degradadas. Muitas árvores foram perdidas. Com o governo do Estado e a Universidade Federal de Viçosa (MG), vamos repovoar essas áreas com 30 espécies nativas e produzir 3 mil mudas. Como temos pressa, não será com sementes, mas por enxertia, técnica antiga mas muito eficaz.

Como será executado?

Vamos buscar material genético das árvores das áreas afetadas. Vamos fazer o enxerto nos nossos viveiros, para ter desenvolvimento rápido e replantar em várias áreas do RS. Serão beneficiados 250 mil hectares, porque 44% da área da CMPC é de florestas nativas. Vamos repovoar, recuperar a flora do Estado.

Qual será o investimento?

Cerca de R$ 7,5 milhões, com o governo do Estado, a Universidade Federal de Viçosa. Dá muito orgulho de fazer parte disso.

? Será só em áreas da CMPC?

A ideia é partir com 3 mil mudas nas áreas da CMPC atingidas pela enchente. O começo precisa de condições controladas. Depois, no segundo ou terceiro ano, podemos chegar a muito mais áreas do Estado. Depois, podemos ter uma multiplicação geométrica desse trabalho.

Em quanto tempo haverá árvores plantadas?

Em 12 meses. O primeiro trabalho é ir para as áreas e coletar material, depois levar para os viveiros. Em 10 meses, estaremos plantando. Em quatro ou cinco anos, essa primeira leva já vai produzir sementes.

A Universidade de Viçosa é referência na área?

Exatamente, na área de propagação de espécies vegetais, especialmente árvores para fins industriais. Mas o mais bacana é que eles vão transferir essa tecnologia para a Universidade de Santa Maria. A continuidade do projeto será com Santa Maria.

Por onde começa o projeto?

Guaíba, Barra do Ribeiro, Tapes, Rio Pardo, Butiá, Eldorado do Sul e Santa Maria. _

GPS DA ECONOMIA

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