sexta-feira, 28 de março de 2025


28 de Março de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Sudesul tem chances remotas de ser recriada

Desde que a Superintendência de Desenvolvimento do Sul (Sudesul) foi extinta, no início do governo Fernando Collor, incontáveis tentativas de ressurreição fracassaram. Agora, o governador Eduardo Leite vem conquistando aplausos sempre que cobra da União tratamento mais equilibrado para os problemas regionais e aponta os fundos constitucionais de outras regiões como concorrência desleal.

Parte da bancada gaúcha comprou a ideia, mas são remotas as chances de ressurgimento desse órgão para financiar o desenvolvimento de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

O argumento de Leite é legítimo. Os Estados do Nordeste têm a Sudene, os do Norte, a Sudam e a Zona Franca de Manaus, e os do Centro-Oeste, a Sudeco. O Sudeste ganha royalties do petróleo ou do minério de ferro. E o Sul, considerado rico, tem bolsões de miséria, fica distante dos grandes centros consumidores e enfrenta dificuldades logísticas de infraestrutura.

Se é justo e legítimo, por que fracassaram as tentativas anteriores de recriar a Sudesul? Primeiro é preciso lembrar o contexto em que essas superintendências foram extintas e, depois, recriadas - as outras, no caso. A Sudesul nasceu em 1967, no governo Castello Branco, e foi extinta por Collor nos primeiros meses de governo, em meio a uma onda de diminuição do peso do Estado.

À época, houve reclamações aqui e ali, mas ninguém chorou por muito tempo, porque tinha se tornado um grande cabide de empregos. Tinha na folha de pagamento gente que nem aparecia para trabalhar. Pelo Estado espalhavam-se placas com seu logotipo em obras inacabadas.

Tentativas anteriores fracassaram

Collor e a então ministra Zélia Cardoso de Mello alegavam que a maior parte dos órgãos extintos estava dominada pela corrupção e simplesmente passaram o rodo. Como os brasileiros estavam mais preocupados com o confisco da poupança e com os sinais de que o governo não tinha norte, faltaram lágrimas para chorar o fim da Sudesul.

Com o impeachment de Collor, ocorreram movimentos para recriar a Sudesul, mas nenhum governo encampou. Fernando Henrique Cardoso extinguiu a Sudene e a Sudam usando o mesmo argumento da corrupção, mas elas foram recriadas mais tarde porque o Norte e o Nordeste precisavam de incentivo para atrair empresas.

O caso da instalação na Ford na Bahia ilustra bem essa situação. A empresa deixou o RS por divergências com o governo de Olívio Dutra mas, principalmente, porque a Bahia ofereceu incentivos por meio da Sudene. Pelo mesmo motivo, empresas calçadistas abandonaram os vales do Sinos e do Paranhana e migraram para o Ceará e outros Estados nordestinos.

É preciso acrescentar que o fracasso das iniciativas de recriar a Sudene também se deu por uma crescente perda de poder político pelo RS, que em todos os governos ocupou posições importantes no primeiro escalão e no Congresso e hoje não tem nenhum ministério, está fora da mesa diretora da Câmara e conquistou a presidência de apenas uma comissão, a de Cultura. _

Tributo a Eva Sopher na inauguração do Teatro Simões Lopes Neto

A inauguração do Teatro Simões Lopes Neto, ontem, reuniu a elite cultural do Rio Grande do Sul no complexo Multipalco, idealizado por Eva Sopher e executado ao longo dos últimos 22 anos. O governador Eduardo Leite cortou a fita ao lado da secretária da Cultura, Beatriz Araújo, do presidente da Fundação Theatro São Pedro, Antônio Hohlfeldt, sucessor de dona Eva, e das filhas dela, Ruth e Renata.

Dona Eva foi reverenciada nos discursos e nos comentários do público por sua dedicação à cultura do Rio Grande do Sul, primeiro na restauração do São Pedro e, depois, na concepção do Multipalco. Ela ia pessoalmente bater à porta dos empresários e pedir dinheiro para a obra.

Os ex-governadores Jair Soares (PP), Olívio Dutra (PT) e José Ivo Sartori (MDB) prestigiaram a inauguração.

O presidente do Banrisul, Fernando Lemos, e o ex-secretário da Cultura Roque Jacoby, aplaudiram a conclusão da obra, financiada em parte com recursos da Lei de Incentivo à Cultura. O Banrisul foi um dos principais investidores.

Até junho de 2026, o Simões Lopes Neto vai receber os espetáculos durante o período em que o São Pedro estará fechado para reformas. _

Governo gaúcho prepara viagem aos EUA em maio

Uma comitiva do governo gaúcho irá a Nova York entre os dias 12 e 15 de maio para participar da Brazil Week. A programação está sendo organizada pela Invest RS e pelas secretarias de Inovação, Ciência e Tecnologia e de Inclusão Digital e Apoio às Políticas de Equidade.

As secretárias Simone Stülp e Lisiane Lemos devem acompanhar o governador Eduardo Leite. Como a ideia é juntar promoção comercial e agendas sobre tecnologia e inovação, o secretário de Desenvolvimento, Ernani Polo, também deve integrar a missão. _

Nardes diz que coluna fez "ilação infundada"

Em resposta a nota de ontem, o ministro do TCU Augusto Nardes contestou a conclusão da coluna e disse que se trata de "ilação infundada". De acordo com a assessoria de Nardes, o áudio vazado em novembro de 2022 era "um diálogo privado entre amigos sobre o clima político e não tem relação com os eventos do início de 2023".

A coluna não se referiu ao 8 de Janeiro, mas à trama golpista que começou a ser julgada no Supremo Tribunal Federal.

Nardes alega que "nunca insinuou ou apoiou movimentos antidemocráticos" e que, à época, "repudiou veementemente qualquer incitação a ações que atentassem contra a democracia". _

Comitiva de prefeitos e vereadores vai a Brasília

Uma comitiva composta por cerca de 70 prefeitos, vereadores e secretários, representando 52 municípios gaúchos, passou os últimos dois dias em Brasília para pleitear recursos e investimentos no RS. Quem articulou a caravana por ministérios e gabinetes parlamentares foi o deputado estadual Adão Pretto (PT).

A comitiva passou por 11 ministérios, além do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A viagem começou a ser planejada em 2024. Segundo Adão, como a maior parte dos municípios é de pequeno porte, a união dos esforços na busca por investimentos aumenta as chances de prosperar. _

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