quarta-feira, 23 de setembro de 2026

É o Abel

As informações dos bastidores apontam que nenhum técnico aceita treinar o Inter.

Os nomes sondados - mais de quatro - não se sentem confiantes para o tamanho da missão: contrato curto de 10 jogos, mudança de gestão no fim do ano, risco de inadimplência salarial pelo transfer ban imposto ao clube, possibilidade real de rebaixamento e de manchar a carreira com um descenso herdado, na última hora.

E também se configuraria mau-caratismo roubar novamente o comandante do Juventude, quando o time caxiense atravessa uma boa fase e está mais próximo da elite do que nós.

O presidente Alessandro Barcellos parece não ter mais crédito na praça. Nem seus aliados antigos, como Coudet, são capazes de socorrê-lo na operação suicida. Carrega o histórico de nove treinadores demitidos em oito anos.

Então, eu volto a bater na mesma tecla. Quem deve assumir a casamata é Abel Braga. Não porque ninguém quer a vaga, mas porque ele sempre será a melhor solução, ainda que todos ansiassem pelo posto.

Ele é a única unanimidade no caos. O único milagreiro do apocalipse. O único que colocaria o coração numa empreitada heroica. O único que não exigiria valores exorbitantes pela insalubridade do convite, já que ele dirigiu o plantel no ano passado por um salário mínimo, para nos salvar da Série B.

Se o Inter acabasse, quem você chamaria para ressuscitá-lo? Abel! Em quem você confiaria de olhos fechados? Abel! Quem você preferiria que estivesse com você no pior momento de sua vida? Abel! Se o Inter fosse rebaixado, quem sofreria tanto quanto você? Abel!

Quem é a nossa estátua? Abel! Nunca vi meu filho, fanático colorado, pedir para tirar uma fotografia com nossos jogadores. Ele fica na sua, discreto, tímido. Mas, com Abel, Vicente abriu uma exceção e tomou coragem para pedir uma pose ao seu lado.

O Grêmio não pensou duas vezes e chamou seu ídolo e maior técnico para mobilizar a torcida. E não é que 50 mil torcedores compareceram à Arena na volta de Renato Portaluppi, contra o Palmeiras?

A saída é uma só: convocar a lenda quando a realidade nos sufoca. Abel lotaria o estádio, Abel é da família. Abel é do nosso sangue espiritual. Abel é um bruxo. Abel é o que já conseguiu 11 vitórias seguidas, quem diz que não pode arrancar cinco vitórias em 10 jogos?

Abel nos colocou no topo do mundo, e só ele pode nos tirar das catacumbas do inferno.

Eu acredito no Abel como quem acredita num pai. É o improvável. É o Espírito Santo. É o Sobrenatural de Almeida. Tem o molho para orientar os jogadores em apuros, para reunificar o grupo, para transformar cada batalha no Beira-Rio em campo santo.

Já o vi em ação. Ele exibe o carisma de um general que foi soldado. Ele sabe o que fala. Não temos tempo para experiências, não temos tempo para errar. Jamais seria um tapa-buraco: é o supremo treinador de nossa história, pela importância das conquistas e pelo número de jogos disputados.

Ele nem precisaria vir, pois nunca saiu de perto de nós. Ele é um de nós. O que não dá é contratar um treinador da B, mais discutível do que Pezzolano, para fugir da B. Vai muito além de jogar a toalha: é pisar nela. 

CARPINEJAR 

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