sábado, 29 de março de 2025


 29 de Março de 2025
MARCELO RECH

A cultura da irresponsabilidade

Certa feita, em uma viagem pelo Japão, notei que o motorista do ônibus, ao parar em vias com mínima inclinação, descia e imediatamente dispunha um calço na roda. Sem o calço, o ônibus ia deslizar? Muito provavelmente, não. Mas havia uma chance, por menor que fosse, e por isso a cautela de não confiar apenas nos freios de estacionamento ou motor.

A lei de trânsito brasileira determina que todo veículo com mais de 3,5 toneladas deve ter a roda calçada quando estaciona em declive ou aclive. Um ônibus médio pesa 16 toneladas. Motoristas e cidadãos não precisariam de lei e punição para prevenir acidentes, mas a regra não é essa no Brasil. Mesmo com todo o arsenal de legislações e normas, há um traço cultural na irresponsabilidade que governa nossas vidas, e muitas vezes as encerra.

Converse com qualquer europeu que tenha vivenciado o trânsito brasileiro e se terá uma visão mais nítida desse traço cultural. Para eles foge a qualquer compreensão que um motorista não respeite a faixa de segurança ou que um pedestre ignore a passarela e ponha a vida na corda bamba ao atravessar seis pistas de alta velocidade separadas por uma mureta - o que ocorre a todo momento na BR-116, entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, por sinal.

MARCELO RECH

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