
Mesmo com recurso do RS, saúde da Capital segue tensa
Diferentemente da primeira reunião com o governo do Estado, que ocorreu no dia 12 de março, dessa vez os representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre saíram mais confiantes de que tanto a secretária Arita Bergmann quanto os técnicos que debateram a superlotação de leitos no sistema da Capital compreenderam os apelos do prefeito Sebastião Melo e do secretário municipal Fernando Ritter, e se mostraram disponíveis para construir soluções para a situação. A nova reunião ocorreu na terça-feira.
O principal motivo da superlotação, na avaliação da pasta municipal, é que boa parte dos atendimentos feitos na Capital é de pacientes vindos do Interior. A prefeitura de Porto Alegre tem gasto R$ 12 milhões a mais por mês para manter os atendimentos no nível atual - que, diga-se de passagem, está longe do suficiente.
A ocupação de leitos (pessoas que estão dentro dos hospitais) ontem era de 94% - não é a capacidade total, mas é considerada muito elevada para essa época do ano, e a tendência é aumentar no inverno. Desses, mais de 40% é de pessoas de fora da Capital.
O que mais preocupa os técnicos é que a maioria dos casos não precisariam estar internados, porque não são situações que exijam alta complexidade.
Conforme interlocutores, o Estado teria se sensibilizado com a situação. Na reunião de duas horas com Arita, Ritter elencou os pontos onde são alocados os R$ 12 milhões a mais mensais e alertou que precisa de suplementação de recursos estaduais, sob pena de ter de adequar a oferta de serviços ao orçamento. Em outras palavras, significa Porto Alegre restringir o atendimento a apenas pacientes que moram no município. _
Preocupação com o HPS
Durante a conversa, um ponto caro a Porto Alegre foi levado pela prefeitura: a situação do Hospital de Pronto Socorro (HPS), referência em queimados e trauma para todo o Estado.
O custo do hospital é de R$ 19 milhões por mês, sobretudo para atendimento de queimados. Ontem, todos os queimados internados no HPS eram de fora de Porto Alegre. Cada paciente desse tipo custa por dia R$ 8 mil.
O incentivo do Ministério da Saúde para esse caso é de R$ 800 diários. Conforme pessoas que participaram da reunião entre Ritter e Arita, esse foi um dos pontos delicados da conversa. Arita se comprometeu em apresentar novas possibilidades, além do já garantido.
Na próxima segunda-feira, está prevista nova reunião entre prefeitura e governo do Estado. O tema predominante deve ser a situação do HPS.
Ritter encerrou o último encontro pedindo mais atenção e efetividade do Estado em relação a contrarreferências. São casos de pacientes que ocupam leitos em Porto Alegre, mas que poderiam estar recebendo tratamento em seus municípios ou regiões. A maioria das demandas hoje nos PAs, nas UPAs e hospitais é chamada de "espontânea", pacientes de outros municípios que buscam atendimento em Porto Alegre por acreditar que receberão melhor auxílio na Capital. A prefeitura pediu maior atenção com a regulação estadual para que esses pacientes sejam direcionados a seus locais de origem, liberando leitos para pacientes mais graves.
Com essa pressão, a prefeitura pretende deixar clara a mensagem de que não se trata apenas de o Estado se disponibilizar a auxiliar o município com recursos.
- Porto Alegre não está pedindo favor. Está pedindo ao Estado que cumpra com seu dever com relação à suplementação à saúde - disse um interlocutor do município. _
Melo busca prefeitos
O prefeito Sebastião Melo deve seguir se reunindo com prefeitos e secretários municipais da Saúde dos municípios da Região Metropolitana a fim de angariar apoio para pressionar o Estado.
Na última terça-feira, reuniu-se com o chefe do Executivo de Canoas, Airton Souza. O próximo destino será Alvorada, no dia 24, depois Guaíba (26). A agenda seguirá em Sapucaia do Sul (27), e, no dia 28, Viamão, Gravataí e Cachoeirinha.
O fato de Melo se mobilizar com os prefeitos da Região Metropolitana pressionou o Estado. _
Brizola é citado em relatório sobre a morte de Kennedy
O ex-governador Leonel Brizola é citado em um conjunto de documentos do serviço secreto dos Estados Unidos sobre a investigação do assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963. Os arquivos, que eram classificados como sigilosos, foram tornados públicos na terça-feira.
Os documentos, que envolvem relatórios da Agência Central de Inteligência (CIA), revelam que os EUA monitoravam as relações da China e de Cuba com Brizola.
Um telegrama de 1961 aponta:
"Durante a semana de 27 de agosto, o presidente Mao Tsé-Tung da China comunista e o primeiro-ministro Fidel Castro de Cuba ofereceram apoio material, incluindo "voluntários", a Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, que liderava a luta no Brasil para garantir a sucessão à Presidência do vice-presidente João Goulart após a renúncia do presidente Jânio Quadros. Brizola não aceitou a oferta, embora tenha apreciado o apoio moral, porque não quis "criar um assunto internacional" na crise política do Brasil."
O apoio seria para a Campanha da Legalidade, em 1961, e não haveria relação direta com os fatos subsequentes, que levaram ao assassinato do então presidente americano.
JFK foi assassinado em 22 de novembro de 1963. A investigação oficial à época apontou Lee Harvey Oswald como autor dos disparos, que morreu dois dias depois. Desde aquele momento, como não houve julgamento, o caso apresentou falhas e teorias da conspiração, principalmente com relações a Guerra Fria, União Soviética e Cuba.
Outro texto cita que Cuba estava realizando o fornecimento de fundos para grupos comunistas.
"Operando principalmente por meio da embaixada no Rio de Janeiro, Havana colaborou de perto com as Ligas Camponesas de Francisco Julião no nordeste do Brasil e com Leonel Brizola, o cunhado agressivamente antiamericano de Goulart. O ex-embaixador cubano privadamente descreveu Brizola como tendo a melhor chance de começar uma revolução no estilo castrista no Brasil. O embaixador parecia mais inclinado a apoiar Brizola do que Julião no final de 1963 até o golpe de abril."
Essa não é a primeira vez que Brizola e o Brasil são citados em relatórios da CIA. Em 2017, outros documentos apontaram que os EUA espionaram o político gaúcho e escritores como Erico Verissimo e Josué Guimarães. O jornal Tribuna Gaúcha, ligado ao PCB, também foi monitorado.
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