
Dívida longa demais
Pelo último balanço enviado pelo Ministério do Trabalho à coluna, o novo crédito consignado para trabalhadores CLT tem gerado empréstimos aqui no Rio Grande do Sul com, em média, 23 parcelas. O gaúcho fica aproximadamente 68 meses no emprego, média formada por variações de setores, que vão de 35 meses para trabalhadores da construção civil até 136 meses para quem atua na administração pública.
Ou seja, parece um período bastante longo que os gaúchos estão comprometendo com um empréstimo (que não deveria, mas sabemos que em muitos casos se soma a outros créditos tomados). A parcela média tem ficado em aproximadamente R$ 340, que é mais de 20% de um salário mínimo. Estes são mais alguns pontos que preocupam a coluna sobre a necessidade de maiores travas para evitar que esta ferramenta superendivide ainda mais as famílias.
Está certo provocar a concorrência de bancos e financeiras para oferecerem taxas menores, pois o crédito para CLT antes ficava restrito apenas à instituição que a empregadora tinha convênio. Agora abriu a todas. Mas sem limites, não sei se o mercado se ajustará sem educação financeira do tomador do empréstimo. A margem consignável de 35% (limite do salário para comprometer com o desconto na folha de pagamento) historicamente não é cumprida.
Casos de demissão
Importantíssimo: o que acontece em caso de demissão do trabalhador que tem o empréstimo? O valor restante da dívida será descontado das verbas rescisórias, observado o limite legal de 10% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e 100% da multa rescisória (os 40% que a empresa paga quando é demissão sem justa causa). Se esse dinheiro for insuficiente, o pagamento das parcelas é interrompido e será retomado quando o trabalhador conseguir outro emprego CLT. Ainda mais importante: o valor das prestações aumentará no período, pois tem o juro e a correção monetária. O trabalhador até poderá procurar o banco para acertar uma nova forma de pagamento, mas sem garantia de que terá boas condições para este acerto. _
Dúvida do leitor
Quanto demora a liberação do consignado para o trabalhador? O Ministério do Trabalho diz que depende do banco, variando entre um e dois dias. Mas há casos de liberação imediata. Após a simulação, deve-se esperar 24 horas pelas propostas. Não esqueça de analisar as demais cobranças, pedindo o Custo Efetivo Total (CET), que reúne todos os custos que o tomador terá.
GNV pisa no freio
Seguindo uma tendência, o RS registrou queda - ainda que pequena - nas adaptações de veículos para gás natural veicular (GNV) em 2024. Levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS) para a coluna apontou 5.449 conversões de janeiro a dezembro, 213 a menos que em 2023 - redução de 3,76%. A quantidade foi a menor desde 2020 (3.280) - ano da pandemia. Lembrando que o gás bombou em 2021 e 2022, quando o preço da gasolina disparou a picos históricos no país todo.
Quem quiser adaptar o veículo para GNV precisa desembolsar entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, conforme pesquisa da coluna em oficinas da capital e Região Metropolitana. O valor corresponde ao kit novo com cilindros seminovos. Para um completamente novo, o valor vai de R$ 3,5 mil a R$ 6 mil. Também há vistorias e taxas do Detran-RS. A mudança precisa ser autorizada e passar por revisão depois.
A vantagem do GNV é para quem roda mais, enfatiza o consultor energético Anderson de Paulo, alertando que inclusive o seguro fica mais caro.
- Para o frotista, o gás precisa estar abaixo do preço da gasolina. Para um motorista usual, tem que ser 50% mais barato - diz.
Pela média da pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a gasolina está custando R$ 6,38 no RS, enquanto o custo médio do GNV está em R$ 4,66. _
conversões
2020 3.280
2021 9.979
2022 7.266
2023 5.662
2024 5.449
Gás não é verde
O gás natural veicular (GNV) é posto muitas vezes em estratégias de marketing como um combustível sustentável. Ele realmente é menos poluidor e tem baixo nível de resíduos, o que aumenta a vida útil do veículo. Porém, não é "verde", porque é derivado de petróleo, ou seja, tem origem fóssil.
O combustível renovável mesmo que temos à disposição é o etanol, que é feito principalmente de cana-de-açúcar, mas também tem sido produzido de milho e triticale. A vantagem sobre o GNV é que os carros flex já o aceitam, sem precisar da adaptação do gás. Porém, o preço do álcool combustível no Rio Grande do Sul é muito alto, pois não produzimos e precisamos trazer de usinas do Sudeste. _
O recorde do ouro
Compra ouro? A cotação do metal está batendo recordes com as tensões comerciais provocadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A última foi taxar carros importados, que mexem no orçamento dos norte-americanos. A medida gera temor de inflação, com alta de juro e desaceleração econômica. Com o receio, o mercado coloca recursos em ouro, considerado seguro. Diante da inflação, o ouro mantém o valor do dinheiro.
O ruim disso é que vai para o ouro dinheiro que poderia estar em bolsas de valores, títulos de empresas e mesmo de governos, financiando crescimento de negócios e políticas públicas.
Na última semana, o preço do ouro bateu o recorde de US$ 3.086,50 por onça troy, medida universal usada para o metal. _
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