
27 de Março de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira
Bolsonaro começa a colher o que plantou
Colocado no banco dos réus pela unanimidade dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou emplacar a narrativa do perseguido que sempre jogou "dentro das quatro linhas". Chegou a dizer que os ministros do Supremo devem ter alguma coisa pessoal contra ele para aceitar uma denúncia infundada.
É teatro para as redes sociais, que não se sustenta nos fatos. A verdade é que Jair Messias Bolsonaro começou a colher o que plantou ao longo de sua vida pública e, principalmente, na Presidência da República.
Seus derradeiros meses entre o Palácio do Planalto e o da Alvorada foram um delírio coletivo, alimentado por notícias falsas e esperanças vãs de que conseguiria impedir a posse de Lula. Antes disso, acreditou que só uma fraude nas urnas eletrônicas impediria sua vitória.
Ao não aceitar o resultado das urnas, incentivou seu rebanho de seguidores a manter vigília em frente aos quartéis. Quando percebeu que não contaria com o Exército e a Aeronáutica, Bolsonaro desistiu do plano e, para não passar a faixa ao sucessor, "voou para a América", como a Iracema da canção de Chico Buarque. Estava na Flórida naquele fatídico 8 de janeiro, quando a horda de vândalos invadiu a Praça dos Três Poderes.
- Não foi um domingo no parque - disse o ministro Alexandre de Moraes, exibindo imagens que nem precisaria mostrar para convencer da necessidade de abrir a ação penal que vai sacudir o Brasil nos próximos meses.
A intenção de Moraes, ao que tudo indica, era mostrar ao Brasil, não aos colegas, que a narrativa de uma manifestação promovida por velhinhas com a Bíblia embaixo do braço não para em pé. Da mesma forma, ele desmontou a farsa dos advogados de defesa de que não tiveram acesso aos autos ou o discurso de Bolsonaro de que a investigação foi secreta.
A colheita de Bolsonaro está recém começando. Se ele tivesse entendido que a democracia prevê a alternância de poder e que ganha o mais votado e não o que reúne maior torcida em aeroporto ou feira agropecuária, hoje poderia estar curtindo suas aposentadorias e seu salário pago pelo PL nos EUA de Donald Trump ou na Argentina de Javier Milei. Seu erro foi a embriaguez do poder. _
Após seis anos de negociações, a Assembleia Legislativa quitou a segunda parte da dívida com o IPE Saúde. Foram pagos R$ 24,5 milhões referentes à contribuição paritária devida dos servidores e pensionistas, com correção.
Divergência entre prefeitos ameaça início da reforma tributária
Aprovada pelo Congresso e regulamentada pelo presidente Lula, a reforma tributária corre o risco de não começar a vigorar no prazo previsto por causa de uma disputa de poder entre a Confederação Nacional de Municípios (CNM) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que reúne os gestores de capitais e grandes cidades brasileiras.
Durante quase três horas ontem, os prefeitos se reuniram com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tentar chegar a um consenso em relação à formação provisória do Comitê Federativo, a quem caberá tomar uma série de decisões em relação aos efeitos da reforma.
A reunião foi tensa, segundo o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, porque a CNM, presidida por Paulo Ziulkoski, ex-prefeito de Mariana Pimentel, não aceitou o acordo proposto pela FNP e que Haddad considerava assunto vencido.
Os municípios terão 27 assentos no comitê. A ideia era a CNM indicar 14 e a Frente, 13. Ziulkoski quer indicar os 14 e apresentar candidatos para concorrer com os prefeitos de capitais e grandes cidades.
- Não queremos que esse impasse atrase o início da vigência, mas não podemos aceitar que as capitais e grandes cidades fiquem subrepresentadas no comitê que vai tratar, por exemplo, da divisão dos recursos - argumenta Melo.
Leite adota modelo do RS Seguro para Educação
Após conseguir reduzir os indicadores de criminalidade nos últimos anos com o programa RS Seguro, o governador Eduardo Leite resolveu replicar o modelo na educação, na tentativa de superar os obstáculos que fazem o Estado patinar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
A primeira reunião das frentes criadas para melhorar o desempenho no Ideb foi ontem. O grupo terá encontros regulares para monitorar os índices, a começar pela frequência dos alunos.
Ao lado de Leite sentou-se o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha, que atua como voluntário. Convicto de que o Estado só vai deslanchar se levantar a régua da educação, Aod se ofereceu para ajudar. _
Áudio de Nardes indica conhecimento de trama golpista
Era dezembro de 2022. Jair Bolsonaro se recusava a reconhecer a vitória de Lula e seus aliados tentavam contato com ETs em frente aos quartéis, quando vazou uma mensagem de áudio do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União. "É questão de horas, dias, uma semana que vai acontecer um desenlace bastante forte na nação", dizia ele. Nardes nunca explicou de onde vinham suas certezas, mas agora se sabe que não eram fruto de imaginação fértil.
Na segunda-feira, o ministro André Mendonça, do STF, arquivou um pedido de investigação contra Nardes, alegando "ausência de lastro probatório mínimo". _
Betina comanda festa de aniversário de Porto Alegre
Na ausência de Sebastião Melo, coube à vice Betina Worm cortar o bolo em comemoração aos 253 anos de Porto Alegre. A celebração foi em frente ao Paço Municipal, com o tradicional Parabéns Gaúcho e apresentações musicais.
Com velas vermelhas representando o número 253, o bolo de 21 quilos, recheado de bombons e frutas, foi doado por comerciantes do Mercado Público, que também participaram da comemoração organizada pela Secretaria de Cultura.
Pela primeira vez, coube a uma mulher a responsabilidade de cortar o bolo na posição de prefeita mesmo que por um dia. No discurso, Betina destacou Porto Alegre como uma cidade resiliente, com um povo que consegue superar dificuldades. _
Nenhum comentário:
Postar um comentário