sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Vidas, mortes, cultura e memória dos cemitérios

alguém caminha sobre o seu túmulo

alguém caminha sobre o seu túmulo

/EDITORA INTRÍNSECA/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime Cimenti
Hoje mais do que antes poucos vão a cemitérios e poucos de nós somos lembrados após a morte. A consagrada e premiada escritora argentina Mariana Enriquez, autora dos romances Nossa parte de noite ( Prêmio Herralde de Novela, 2019) e Esse é o mar e de coletâneas de contos como Um lugar ensolarado para gente sombria , todos publicados no Brasil pela Editora Intrínseca, acaba de lançar Alguém caminha sobre o seu túmulo ( Editora Intrínseca, 376 p., R$ 89,90) , obra que se originou da fascinação que a autora tem, desde muito jovem, pela beleza assombrosa dos cemitérios.

Mariana viajou por cemitérios famosos e historicamente ricos das Américas do Sul e do Norte, Europa e Austrália . O Montparnasse de Paris, o Highgate em Londres e o antigo Cemitério Judaico em Praga são alguns que aparecem ao lado de outros escondidos, dilapidados, remotos e secretamente belos. Mariana descreve e analisa túmulos de famosos como Elvis Presley ( Memphis) e Karl Marx ( Londres) e sepulturas de anônimos de várias idades, bem como aponta epitáfios extravagantes, esculturas melancólicas, anjos sensuais, vestígios de vodu em Nova Orleans, criptas góticas, catacumbas, esqueletos, vampiros, fantasmas e uma infinidade de lendas.

Utilizando técnicas jornalísticas ao incorporar depoimentos de coveiros, guardas , visitantes, historiadores e moradores, Mariana constrói uma narrativa plural com relatos inspirados em lendas urbanas, biografias, acontecimentos históricos e memórias coletivas.
Mesmo quem não gosta do macabro certamente será cativado pelo entusiasmo contagiante da escritora, nesse livro altamente original, como escreveu o Financial Times.

Autora fundamental da literatura de terror do século XXI , professora, jornalista e professora, nessa obra ambientada em 24 cemitérios espalhados pelo mundo, Mariana mergulha em seu universo literário e mostra que seu entusiasmo pelo macabro é expresso em prosa efervescente, como disse o The Economist.

Lançamentos

A festa (Arquipélago Editorial, 296 pág, R$ 89,90), romance clássico moderno, best-seller do consagrado jornalista e escritor Ivan Angelo, em edição especial de 50 anos, traz a inovadora narrativa fragmentada sobre uma Festa em BH em 1970, com muitos personagens cujas vidas se entrelaçam com o passado, o presente e o futuro do Brasil. Obra seminal, essencial para tentar entender o Brasil que temos atualmente.

Union Distillery (Legado, 170 pág, R$ 120,00) traz a vitoriosa história da pioneira Union Distillery Maltwhisky do Brasil (1948), entrelaçada na imigração italiana no RS. Saberes centenários, inovação, persistência, trabalho e afeto marcam a trajetória dos sócios Marcello Borsato, Lidio Ziero e Luciano Borsato. Belíssimas fotos em cores, ilustrações e a evolução da logomarca estão na obra que mostra o sonho engarrafado realizado.

Mais 10 (quase) amores ou : eu seria romântica se não fosse o mundo (L&PM Editores, 136 pág, R$ 59.90), novo livro da publicitária e escritora Cláudia Tajes, tem novas histórias de Maria Ana, personagem de Dez (quase) amores (2000). Antes balzaca, agora quase cinquentona, segue se atrapalhando, mas agora com etarismo, objetificação feminina, sobrecarga de trabalho, crise no jornalismo e charlatanismo nas redes sociais.

Gre-Nais e Cia

Pensando bem, o Brasil e o RS poderiam ser menos grenalizados, mais unidos. Ao menos na política, na economia e no social. A gente fica aqui peleando entre nós e os de fora ficam se beneficiando. No futebol é meio difícil o fim da grenalização, mas, nessa pindaíba federal que andamos, camisa azul e vermelha, um time só, um estádio e um dirigente seria mais barato, e aí os "corrimãos" gaúchos unidos brigariam com os castelhanos , os de outros estados brasileiros e com os estrangeiros. Sonho louco, sei, mas pensei aí. Vou parar com esse papo que, senão, acabam me internando.


Nos Gre-Nais o Inter supera, com 166 vitórias. O ilustre "corrimão" tem 144 e empates são 144. Estatística favorável ao Inter, que tem muito a agradecer pela parceria do imortal mosqueteiro com sua elegante peninha. O Tricolor sempre valorizou, valoriza e valorizará nossas vitórias, mesmo contando por vezes com aqueles juízes azuis que dão uma forcinha. Obrigado, parceiro, por tudo, desculpe qualquer coisa. Ou muita coisa. Amigo oponente, tu nos inspira a novos feitos relevantes.


Meus primeiros Gre-Nais foram nos Eucaliptos. Ia a pé da Felipe Camarão, no Bom Fim Colorado, até lá. Carlos Gainete Filho, o Gainete, trocava "gentilezas" com o Alcindo. Ortunho na lateral esquerda era "meio" limitado, mas alto, forte e viril, dava uns encontrões e umas levantadas no Sapiranga, do Inter, que era magrinho, rápido e driblador na ponta.


Um dia a torcida vaiou o Gainete. Ele se estressou, foi até o alambrado e queria pular, para sair no braço, sozinho, contra a torcida toda. Ainda bem que o acalmaram, senão teríamos dezenas de torcedores no departamento médico.


Naqueles tempos queriam que Valdomiro fosse de volta para Criciúma. O técnico gordinho Daltro Menezes insistiu e o Valdoma foi o único imprescindível do Inter e o que mais colaborou.


No Beira-Rio, estádio mais lindo do mundo, templo sagrado da maior torcida do RS, os Gre-Nais passaram a ser de terno e gravata e o parceiro tricolor sempre foi bem recebido pelo Inter, o campeão de tudo, o único campeão nacional invicto depois de 1971. No Beira-Rio tem uma taça mundial de verdade, que todos podem apreciar, de graça, que o Inter é democrático, plural e generoso, sempre dividindo seus feitos com todos. O Inter não tem apenas um passado pela frente. Cabe lembrar dois fatos marcantes do passado de glórias.


No Gre-Nal 55, em 1938, Taça Martel, o Inter fez onze gols. O juiz Álvaro Silveira anulou 5. O presidente Meneghetti do Inter reclamou. O juiz disse "onze gols são demais para um Gre-Nal". A coisa já existia. Placar oficial ficou só nos 6 a 0, mas na memória afetiva e carinhosa o jogo sempre será o Gre-Nal dos 11 a 0.


Em 1956 o Inter, que já tinha pinta de seleção, foi a Seleção Brasileira. Oito jogadores do Inter vestindo a canarinho ganharam o Panamericano, no México, liderados por Teté, grande técnico colorado. Dos 14 gols da seleção, 12 foram de atletas do Inter. Odorico, Chinesinho, Oréco, Larry, Bodinho, Florindo e Luizinho brilharam.

A propósito

Muitas lembranças boas temos dos Gre-Nais, dessa cidade simpática de dois campeões do mundo, mas, recordando as décadas recentes, nós, colorados, temos que fazer justo e grande agradecimento e merecida homenagem ao torcedores do Grêmio pelo temor reverencial, respeito e admiração que sempre tiveram com El Gran Capitán Andrés D´Alessandro, que dava um upgrade geral nos jogos e oferecia a todos os torcedores ótimos espetáculos, auxiliando nas orientações técnicas, no comando do time, como jogador e contribuindo, com sugestões fundamentadas, para boasarbitragens. Gre-Nal é Gre-Nal, disse Ildo Meneghetti. Falei e disse, fui. Saudações esportivas. Gracias. 

Jaime Cimenti

 02 DE OUTUBRO DE 2026
CARPINEJAR

Seu maior poder

Talvez você minimize: "é só um voto", "meu voto não mudará coisa alguma". Mas ninguém pode mandar nele. É seu maior poder. Uma autoridade concedida apenas na eleição.

Você será, por um dia, dono da empresa, dono do Brasil, dono do seu Estado. Vai definir quem merece um salário de 30 mil reais por mês para cima durante o mandato. Cederá o prêmio de uma loteria a uma só pessoa, possibilitando milhões de reais para ela no período. Estará admitindo todo o seu gabinete. Estará gerando empregos.

Não é pouca influência. Seu voto vale o mesmo que o daquele que ostenta fortunas, daquele que esnoba os pobres, daquele que se julga senhor do tempo. Todos temos igual peso e valor. Todos temos que aguardar na zona eleitoral. Todos temos que apresentar uma carteira de identificação. Ninguém tem regalias, ninguém tem mordomias.

É a única data em que os políticos dependem de você. Ajoelham-se na sua frente por uma chance. Abraçam. Comem junto. Conversam. São atenciosos e carentes, escutam as queixas. Passam na sua casa, entram na sua casa, prometem o que você sequer imaginou.

Pois não sabem o que você escolherá. Temem a sua sentença. Buscam decifrar, pelo seu rosto, se caminhará ao lado ou possui outra inclinação. Esperam que você anote os números, entenda a sequência: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.

Os candidatos - favoritos ou azarões - tateiam no escuro dos desejos, desprovidos de qualquer noção de que as pesquisas retratam a realidade ou não.

Quem é conhecido pode não ser confiável, quem é famoso pode não ser tolerado.

Quem acha que perdeu perde. Quem acha que ganhou perde. O pessimismo e a soberba se equivalem. Estatísticas não asseguram tranquilidade. A rejeição anda acompanhada da predileção, alternando-se a cada notícia, a cada comportamento.

Votos não vêm de acenos. Votos não vêm de sorrisos. Votos não vêm de tapinhas no ombro.

Os pretendentes aos cargos públicos encontram-se desesperados na reta final. Porque não há nenhuma certeza. Nem nas suas famílias são unânimes. Você pode apoiar um postulante e trocar de opinião na última hora, ou você pode nunca entregar a sua predisposição e dissimular a sua ideologia.

No fim, é você que decide. Respeite a sua potência. A boca de urna é siri. Seu momento ali é secreto. Seu momento ali é solitário. Não será visto digitando. Não há como fotografar a tela para provar as teclas.

Pode fazer o que quiser, sem pressão, sem cobrança, sem prestar satisfação. Então, opte por um nome de sua convicção. Um nome que considere a coerência da história, os projetos e sonhos viáveis. Que não seja mentiroso, egoísta e ególatra. Que se mostre acessível e não vire as costas depois de eleito.

Não vote por simpatia ou por fala bonita, vote em quem gosta de trabalhar duro como você. Não se abstenha. Não pense que você não vale nada. Não acredite em sua desimportância. Sua ausência acabará favorecendo os piores.

Se você for fantasma, fantasmas aparecerão.

Estará dando quatro anos para deputados, governador e presidente, ou oito anos para senadores. Quatro anos ou oito anos de seu orçamento, de sua segurança, de seu sustento, de como seu cotidiano será regido, de como seu lar sobreviverá a uma economia.

Estará dando a alguém quatro ou oito anos de sua própria vida. _

CARPINEJAR

 

02 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Cúpula do Judiciário vandaliza a democracia

É estarrecedora a interferência do Judiciário nas regras do debate entre os candidatos à Presidência da República que seria realizado na noite de ontem pela Rede Globo. Diante da ingerência por decisões individuais de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), em afronta à legislação e às normas acordadas previamente com os próprios representantes das candidaturas originalmente convidadas, a emissora viu-se forçada a cancelar o encontro.

As deliberações monocráticas de membros das Cortes causam insegurança jurídica e aviltam a liberdade que os veículos de comunicação têm para realizar os debates, respeitadas as normas previstas em lei. Perde a democracia e perdem sobretudo os eleitores, alijados de assistir ao confronto direto de ideias e propostas, a três dias do primeiro turno da eleição para o cargo mais importante do país.

As regras vigentes, reguladas por portaria do TSE, indicam que, para os debates em emissoras de rádio e TV, devem ser convidados, de forma obrigatória, os candidatos com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional. Assim, a Globo chamou para o encontro Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas, ainda na terça-feira, o próprio presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, em um entendimento contrário ao que era consagrado pelo Tribunal, determinou que Romeu Zema (Novo) teria o direito de se juntar ao debate.

O presidente Lula, ao contrário, optou por conta própria por se ausentar do debate. As regras acertadas e aceitas pelos partidos inicialmente convidados, inclusive pelo PT, previam que, na hipótese de desistência de um candidato, o púlpito onde ele deveria estar seria filmado vazio e, em determinado momento previamente definido, os demais poderiam fazer perguntas que seriam direcionadas ao ausente.

É lamentável, portanto, que a candidatura de Lula tenha buscado o TSE para evitar que se cumprisse o tratado, firmado em ata. A ministra Estela Aranha, no início da noite de ontem, em atendimento a uma demanda da coligação liderada pelo PT, determinou que o púlpito desocupado não poderia ser exibido.

A sequência de disparates prosseguiu com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, ordenando que Renan Santos (Missão) também tivesse espaço no debate. O mais estranho na deliberação é que o pedido para incluir Renan partiu do partido Solidariedade, sigla sem qualquer vínculo com o Missão. Ato contínuo, Flávio Bolsonaro anunciou que não participaria mais do encontro.

Diante do fato de o debate no formato inicialmente programado mostrar-se desfigurado a poucas horas de ser iniciado, não restou alternativa à Globo.

As ações politizadas da cúpula do Judiciário brasileiro têm envergonhado o país. As instituições que se jactavam de ser as grandes defensoras da democracia agora conspiram contra ela e mancham a eleição com uma série de decisões e atropelos de seus membros, sem amparo em lei e movidos por interesses que talvez não possam confessar, mas estão claros para os brasileiros. 

02 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Gabriel Souza usa governo Leite como âncora

Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) aposta na experiência adquirida no governo de Eduardo Leite para convencer os eleitores de que é o mais preparado para assumir o Palácio Piratini. 

Na sabatina da Rádio Gaúcha, ontem, Gabriel mencionou o que foi feito no atual governo na resposta a todas as perguntas. Explicou que precisa contextualizar, porque se for eleito vai completar o trabalho realizado nestes oito anos para colocar as contas em dia e realizar obras que estavam paradas.

Quando perguntado por que o governo não realizou neste período o que ele está prometendo agora, o vice repetiu que foi preciso preparar o terreno e aparar arestas. Lembrou que quando Leite assumiu os salários estavam atrasados e o dinheiro de estatais e autarquias, como a Portos RS, caíam no caixa único e eram usados para outras finalidades. 

Disse que por isso os canais navegáveis ficaram tanto tempo sem dragagem, tarefa que custou R$ 18 milhões, pagos com dinheiro do Funrigs, mas que passará a ser rotineira se ele for eleito.

Fim da fila do SUS em um ano

Sem especificar o custo, Gabriel prometeu zerar a fila do SUS em 12 meses, credenciando 9 mil novos estabelecimentos de saúde nos primeiros cem dias para atender pacientes do SUS em diferentes regiões do Estado. O dinheiro viria do orçamento da Saúde, que vai aumentar pelo acordo firmado com o Ministério Público para chegar aos 12% da receita corrente líquida, previstos na Constituição.

Para bancar a promessa de Ensino Médio em tempo integral, o candidato indicou como fonte de recursos o dinheiro do juro da dívida que, com a assinatura do Propag, poderá ser empregado em áreas estratégicas, como a educação. Ao responder a pergunta feita a todos os candidatos sobre como seu governo será lembrado, Gabriel respondeu:

- Como o governo que vai tornar o Rio Grande do Sul um dos três estados mais competitivos do Brasil. A gente vai conseguir com isso melhorar a capacidade econômica. Para ser competitivo precisa ter muita resiliência climática, precisa ter muita capacidade de proteção às cheias com o Plano Rio Grande, que são 240 ações que o governo do Estado está fazendo atualmente e que a gente não pode parar. Vejo muito risco, eventualmente, de uma mudança completa de rumo. Vai inviabilizar muitas obras, vai atrasar obras. E comigo, pode ter certeza de que a gente vai acelerar obras, porque conheço cada um dos projetos, as equipes. _

Após cancelamento, fim dos debates no horizonte

O cancelamento do debate na TV Globo, com a ausência dos dois candidatos que estão empatados tecnicamente em primeiro lugar, indica que esse instrumento tão relevante desde a redemocratização está com os dias contados. Talvez não chegue à eleição de 2030, por uma combinação entre boicote de candidatos que não querem enfrentar os adversários na TV aberta e ação política da Justiça Eleitoral.

Desde a véspera era sabido que o presidente Lula não iria ao debate e que havia confirmado, para o mesmo horário, uma entrevista ao Flow Podcast. Antes disso, Flávio Bolsonaro tinha confirmado que iria. Com a informação da Globo de que deixaria vazio o púlpito destinado ao presidente, e que os presentes poderiam fazer perguntas para quem não comparecesse, Flávio passou o dia treinando.

No início da noite, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibiu a Globo de deixar o púlpito vazio e de permitir que os presentes fizessem perguntas a Lula. Quase no mesmo horário, o ministro Gilmar Mendes atendeu a uma petição de Renan Santos (Missão), revogou a decisão anterior do presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, e determinou que a Globo aceitasse a participação dele no debate. Não há lei que impeça o organizador de um debate de deixar a cadeira vazia. Também não há lei que impeça a um adversário deixar no ar as perguntas que faria ao concorrente que fugiu da raia.

Da mesma forma, a lei só obriga a convidar para debates candidatos de partidos que tenham pelo menos cinco representantes no Congresso. O Missão não tem porque foi criado recentemente e vai para a sua primeira eleição.

Criticado por fugir do debate, Lula acabou sendo beneficiado por essa combinação de decisões. O debate, que poderia ser decisivo em uma eleição tão apertada, tornou-se irrelevante. E o Flow Podcast virou um palanque privilegiado às vésperas da eleição. _

Rony pede para Rigotto desistir

A ofensiva para evitar que Germano Rigotto (MDB) leve o segundo voto na corrida ao Senado ganhou um novo capítulo.

Candidato do Podemos a deputado federal, o vereador e influenciador digital Rony Gabriel publicou nas redes sociais um apelo pela desistência de Rigotto para que ele não tire votos de "candidatos comprometidos com o impeachment de ministros" do STF.

O vereador se refere aos candidatos Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL). _

Ex-governador reage em vídeo

Muito irritado com o que chamou de "ataques covardes", Germano Rigotto divulgou nas redes um vídeo afirmando que "estão tentando interferir na nossa eleição".

- Tenho que ocupar esse espaço para denunciar, mais uma vez, o jogo pesado, o jogo sujo. O jogo daqueles que não ganham uma eleição porque não têm história, não têm bagagem, e vêm para a mentira, a fake news. O jogo sorrateiro. O jogo de quem não pode ganhar uma eleição com seriedade. _

TJ-RS aumenta auxílio-saúde

Desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça do RS com menos de 50 anos terão um aumento no ressarcimento com despesas em consultas, exames e procedimentos médicos.

Um ato da presidência definiu que magistrados dessa faixa etária terão direito a um reembolso de até 15% do subsídio para o auxílio-saúde, que pode alcançar R$ 6.276,82 mensais. Para os servidores, houve reajuste no piso do auxílio, que passa a R$ 1.372,74 para servidores ativos e R$ 2.745,48 para inativos. 

Profissão no nome de urna

No RS, a nominata de candidatos à Câmara dos Deputados tem 14 professores, 11 doutores ou doutoras, oito religiosos, nove ligados à segurança pública, sendo três coronéis, um comandante, um capitão, um sargento, um soldado, um inspetor e uma policial penal. De outras profissões acopladas ao nome, a lista traz enfermeira, engenheiro, vigilante, fisioterapeuta, padeiro e carreteiro. E há candidatos com apelidos como repolhinho, bolacha, mortadela, cebola, bixo de pé (sic), leão. _

POLÍTICA E PODER

02 de Outubro de 2026
Rodrigo Lopes

Brasil é peça-chave no continente

O Brasil é peça-chave do xadrez geopolítico na América do Sul. A eleição brasileira é fundamental para apontar a tendência ideológica do continente, a última grande peça de um movimento de importantes eleições. Quem vencer aqui vai manter um contrapeso de esquerda ou ampliar ainda mais essa maioria de governos de direita.

O triunfo de Keiko Fujimori, em junho, no Peru, ergueu, a exemplo da Cordilheira dos Andes, uma fronteira ideológica entre o Leste e o Oeste (veja mapa). Hoje, Lula, de esquerda, governa o maior país da região em um continente majoritariamente de direita. A mudança fica mais clara olhando a sequência recente: Rodrigo Paz venceu na Bolívia em 2025, encerrando o longo predomínio do MAS; José Antonio Kast venceu no Chile em 2025; em 2026, Keiko Fujimori ganhou no Peru e Abelardo de la Espriella venceu na Colômbia, sucedendo o governo de esquerda de Gustavo Petro. É um quadro inverso ao encontrado por Lula quando voltou ao Planalto em janeiro de 2023.

Claro que estou simplificando. Em qualquer lugar do mundo, "direita" e "esquerda" escondem mil tons de diferenciação. Javier Milei, Kast, Daniel Noboa, Rodrigo Paz e Santiago Peña não têm governos idênticos, assim como Lula, Orsi e o "bolivarianismo venezuelano", assim mesmo, entre aspas, depois da captura de Nicolás Maduro e ascensão de Delcy Rodríguez, representam projetos políticos muito diferentes entre si.

O Brasil é, de longe, o país de maior peso econômico e demográfico da América do Sul. Se a esquerda mantiver a Presidência, o Brasil continua sendo o principal governo de esquerda da América do Sul, tendo no Uruguai de Yamandú Orsi seu parceiro ideologicamente mais próximo entre os grandes atores regionais. Nesse cenário, existe uma maioria numérica de governos à direita, mas o maior país permanece governado pela esquerda.

Se a Presidência passar para a direita, Brasil se juntará a Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia numa configuração regional mais amplamente comandada pela direita.

O que pode acontecer

A orientação ideológica dos governantes afetará o Mercosul (há aqueles que defendem maior integração e aqueles que preferem ações individualistas) e a relação com os EUA e com a China. As duas potências transformaram a América do Sul em território de competição, mas, a priori, governantes não são obrigados a escolher lado. Será mais estratégico se o presidente souber garantir os interesses nacionais, preservando a autonomia, enquanto Washington e Pequim disputam influência por aqui. 

A Corsan foi reconhecida como a melhor empresa de saneamento e meio ambiente na 53ª edição Melhores e Maiores 2026, da revista Exame. A premiação avalia indicadores econômico-financeiros, crescimento e critérios ambientais.

Eleitor vai apertar 25 vezes na urna

O eleitor que resolver votar em todos os seis cargos no primeiro turno das eleições, no próximo domingo, terá que apertar 25 vezes na urna eletrônica. Caso o eleitor opte por anular ou votar em branco, ou até mesmo corrigir, o total de toques pode variar. 

28 dias

O Hospital Ernesto Dornelles (HED), em Porto Alegre, criou o projeto Rota 28, que tem como meta reduzir para no máximo 28 dias o intervalo entre a emissão do laudo anatomopatológico final e o início do primeiro tratamento para casos de câncer elegíveis. O projeto estabeleceu um fluxo de navegação integrada entre oncologistas, equipe de enfermagem e setor administrativo, organizando consultas, exames, avaliações e encaminhamentos necessários para acelerar a jornada do paciente. Implantada em março de 2026, a iniciativa já acompanhou, até setembro, mais de 150 pacientes.

Cuidado ao pedir voto

Você sabia que o eleitor e o candidato não podem pedir votos pelas redes sociais no dia das eleições?

A legislação eleitoral brasileira considera a publicação de novas mensagens de propaganda ou o pedido de votos no dia da votação como crime de boca de urna digital. A regra vale tanto para candidatos e partidos quanto para qualquer eleitor.

- No dia da eleição, é preciso ter bastante cuidado. O eleitor, principalmente ao utilizar as redes sociais no dia, não pode pedir voto para determinado candidato, partido ou coligação. Da mesma forma que está proibido de entregar um santinho na rua, ele também não pode fazer uma manifestação explícita de pedido de voto nas redes sociais - explica o secretário judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), Rogério Vargas.

O eleitor que cometer a infração pode responder legalmente.

Por outro lado, eleitores e candidatos podem manter no ar publicações antigas, feitas até a véspera. Além disso, é permitida a manifestação individual e silenciosa - como vestir camiseta ou usar broche e bandeira do candidato ao ir votar -, desde que de forma isolada, sem aglomerações ou abordagem a terceiros.

Polêmica de N. Senhora chega ao Vaticano

A polêmica envolvendo as eleições brasileiras e Nossa Senhora Aparecida - que levou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a se pronunciar - ecoou entre padres brasileiros nos corredores do Vaticano.

Entretanto, de acordo com fontes da coluna dentro da Santa Sé, o assunto não foi tratado oficialmente pela Nunciatura Apostólica, a representação diplomática da Santa Sé no Brasil.

- E talvez nem venha (uma manifestação oficial) - disse um interlocutor interno.

Um vaticanista, jornalista que cobre a Igreja Católica em Roma e que mantém contato semanal com a coluna, relatou que, por lá, o tema gerou trocas de e-mails entre brasileiros em busca de informações sobre o caso.

O presidente da CNBB e arcebispo metropolitano de Porto Alegre, cardeal dom Jaime Spengler, está na Colômbia. À coluna, ele disse que as notas da entidade representam a posição do clero.

- As duas notas que publicamos deixam claro nossa posição.

Na mais recente, a Conferência afirmou: "Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira", afirmou a nota. 

INFORME ESPECIAL


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

 

01 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Compromisso com a retomada econômica

Chega o momento de uma ruptura de ciclo. Não há mais como postergar o enfrentamento de todos os gargalos que levaram o Rio Grande do Sul a uma notória perda de dinamismo econômico nas últimas décadas. A hesitação em encarar e remover os obstáculos que freiam o desenvolvimento condenará o Estado à estagnação e à perda de relevância no país. 

É hora de agir porque, além de todas as fragilidades há muito conhecidas, como as relacionadas à infraestrutura, à educação e às finanças públicas, estão agora escancarados os riscos dos eventos climáticos extremos e as implicações do envelhecimento da população e da queda do número de habitantes do Rio Grande do Sul a partir deste ano.

As condicionantes da retomada do desenvolvimento econômico (leia nas páginas 4, 5 e 6) são o tema da última das oito reportagens da série que o Grupo RBS veicula desde o dia 8 de setembro sobre os principais desafios para o futuro do Estado, os quais merecem, portanto, a atenção prioritária do próximo governador ou governadora. 

As conclusões são de que a revitalização está vinculada, em grande medida, a fatores que levem à retenção e à atração de capital humano qualificado, a um ambiente de maior segurança jurídica para os empreendedores, à elevação da produtividade do trabalho e à diversificação da economia, fazendo com que novos setores, em especial os ligados à tecnologia e à inovação, ganhem tração e peso.

Muitos desses fatores estão entrelaçados, como a educação, a formação de recursos humanos qualificados e a capacidade de ser mais eficiente nas tarefas laborais, criando maior valor por hora trabalhada. Infraestrutura adequada gera produtividade e competitividade para manter e conquistar empreendimentos produtivos. 

Mas depende também de ser assegurada segurança jurídica para investidores e de o próprio Estado ter condições financeiras de contribuir para a redução dos custos logísticos. A adaptação às mudanças climáticas fará com que o Estado deixe de ter perda recorrente de PIB por estiagens. O avanço da irrigação, mais do que limitar quebra de safras, amplia a produção por hectare, o que beneficia a indústria, o comércio e os serviços e tem reflexo positivo na arrecadação.

A ampliação da matriz econômica, da mesma forma, está atrelada à disponibilidade de capital humano e à existência de um ambiente de negócios receptivo, que não gere entraves de toda ordem ao estabelecimento de novos setores ou à ampliação dos existentes. O impasse que envolve o Projeto Natureza, da fabricante chilena de celulose CMPC, maior investimento já programado para o RS, é o exemplo acabado do que o Estado precisa evitar. 

Para manter e atrair pessoas, é preciso ainda demonstrar que o Estado é um lugar que proporciona oportunidades de crescimento profissional e entrega qualidade de vida, com ensino público qualificado, saúde digna e segurança pública eficaz, temas tratados nessa série que se encerra. São premissas ligadas à saúde financeira do Estado.

Recolocar o Rio Grande do Sul na condição de um dos Estados mais prósperos do Brasil é uma tarefa de grande envergadura. Exige empenho e responsabilidade compartilhada entre poder público, entidades empresariais, trabalhadores e demais elos da sociedade civil. É um compromisso que deve ser assumido, em especial, em nome das próximas gerações de gaúchos. 

Zucco evita se comprometer com gastos e renúncias

Cautela é a palavra que define a postura de Luciano Zucco, candidato do PL a governador, na sabatina da Rádio Gaúcha. Zucco evitou se comprometer com promessas como o fim da cobrança de contribuição previdenciária dos aposentados, que tiraria R$ 1 bilhão por ano do caixa do Estado. Disse que é "irresponsabilidade" prometer zerar a fila do SUS em um ano e se comprometeu a reduzi-la em 50% em quatro anos.

Crítico do programa Assistir, que tirou dinheiro de hospitais da Região Metropolitana para fortalecer os do Interior, o candidato não deixou claro como fará para contemplar as cidades da Grande Porto Alegre com mais dinheiro. Ao mesmo tempo, defendeu o uso intensivo e universal da telemedicina para evitar a chamada "ambulancioterapia", sem especificar qual seria o custo de contratar uma empresa com médicos suficientes para atender, por chamada de vídeo, os pacientes que precisam de atendimento especializado.

Nem mesmo em relação às escolas cívico-militares, sua bandeira mais conhecida, Zucco topou cravar um número. Exaltou o sucesso dessas escolas, baseado na disciplina, mas não quis dizer quantas serão implantadas no seu governo, nem qual o custo de transformar uma escola regular em cívico-militar.

Cuidadoso para não ser associado a Onyx Lorenzoni - então candidato do seu partido, que em 2022 não admitia conversar com o presidente Lula, se fosse eleito governador, e dizia que o vencedor seria Jair Bolsonaro - Zucco fez um discurso conciliador. Disse que não terá nenhum problema em dialogar com Lula e insistiu na união dos governadores para pressionar o governo federal pela renegociação das dívidas.

Também crítico do modelo de concessões do governo de Eduardo Leite, Zucco citou os leilões que fracassaram por falta de interessados. Prometeu usar R$ 3 bilhões do Funrigs em melhorias nas rodovias dos blocos 1 e 2 e só depois fazer a concessão, com pedágio mais barato. O modelo proposto por Leite previa repassar R$ 1,5 bilhão para cada uma das vencedoras dos blocos 1 e 2, para obras emergenciais, para reduzir o valor do pedágio, o que foi considerado muito alto pelo candidato. _

Como estratégia política, dá para entender a decisão do presidente Lula de não ir ao debate da TV Globo, onde

seria alvo de todos os adversários, mas é inaceitável um candidato ao quarto mandato fugir da raia na hora H.

Quem orientou os candidatos ao Piratini no debate da RBS TV

No debate mais importante do primeiro turno no Rio Grande do Sul, o da RBS TV, na noite de terça-feira, o candidato Gabriel Souza (MDB) levou um assessor de luxo para orientá- lo nos intervalos: o governador Eduardo Leite.

Durante o debate, Leite sentou-se na sala reservada aos assessores, junto a Cleber Benvegnú, que coordena o marketing de Luciano Zucco, Tiago Brum, publicitário da campanha de Juliana Brizola, e Zeca Honorato, que trabalha para Marcelo Maranata.

Nos intervalos, cada um fazia uma rápida avaliação do desempenho do seu candidato e orientava sobre os pontos que podiam ser melhorados. Leite saiu satisfeito com o desempenho de Gabriel, que teve poucas chances de interagir com Zucco e Juliana.

Os dois, que estão à frente em todas as pesquisas, repetiram a estratégia usada desde o primeiro confronto, de escolher um ao outro para debater, excluindo Gabriel e Maranata sempre que possível.

Nas poucas oportunidades que teve para escolher qualquer um, Gabriel optou por Juliana, de quem considera possível tirar votos para chegar ao segundo turno. Mesmo pressionada, a candidata do PDT não se desestabilizou, mas mostrou irritação quando Gabriel fez uma piadinha, dizendo que ela usa o PT como pantufa: é bom para usar em casa, mas não para sair à rua.

Nesse momento, Juliana disse que não estava no debate para gerar cortes para a internet, mas para discutir o futuro do Estado.

Zucco também tentou embretar Juliana, perguntando por que ela votou a favor das escolas cívico-militares e agora é contra. Ela respondeu que apoiou por achar que seria uma escola como o Colégio Tiradentes, mas descobriu que era muito diferente. _

Leite anuncia pagamento de 90% do 13º em novembro

Se não fosse o precedente dos anos anteriores, a medida seria chamada de eleitoreira, por ter sido anunciada às vésperas da eleição. O governador Eduardo Leite anunciou o pagamento de 90% do 13º salário dos servidores públicos no dia 3 de novembro. O restante será pago em 18 de dezembro.

No ano passado, o pagamento da gratificação natalina também ocorreu em novembro. No ano anterior, o pagamento foi antecipado para junho, por causa da enchente.

Em vídeo publicado nas redes sociais, celebrou o fato de que o governo do Estado "fechou cinco anos com o 13º pago em dia":

- Muito importante celebrarmos juntos essa grande conquista, em respeito aos nossos servidores que nos ajudam a entregar o serviço para a nossa população. Então, é isso, no dia 3 de novembro cai na conta já a primeira parte do 13º, 90% do valor para os nossos servidores.

Quando assumiu, em 2019, o salário e o 13º estavam atrasados. 

Zucco e Gabriel sobem o tom

Assim como ocorreu no debate da RBS TV, na noite de terça-feira, os candidatos Gabriel Souza (MDB) e Luciano Zucco (PL) discutiram em tom áspero no confronto da Rádio Guaíba. O motivo foi o mesmo: a cobrança por Zucco ter indicado a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas Paula Lopes, acusada de praticar eutanásia em massa.

Zucco chamou Gabriel de mentiroso e cobrou a apresentação de provas. O candidato do MDB citou as publicações da própria Paula nas redes sociais agradecendo a Zucco pela indicação. 

Nem candidatos do Novo apoiam Zema

Diante do baixo engajamento e da possibilidade de desistência ventilada nos últimos dias, a candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência começou a perder aliados internos. Candidatos da sigla no RS estão abandonando a campanha de Zema, que não sai de 1% nas pesquisas eleitorais, e pedindo voto em Flávio Bolsonaro (PL).

Internamente, Zema diz que toparia abrir mão da candidatura caso houvesse um movimento em bloco ao redor de Flávio, com desistências de outros nomes da direita. Mas a chance de isso ocorrer a três dias do primeiro turno é muito remota. 

POLÍTICA E PODER 

 

01 de Outubro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Enfim, propostas

Enfim, os candidatos ao governo do Estado abordaram, em debate, os assuntos que mais preocupam os gaúchos. O encontro na noite de terça-feira, na RBS TV, trouxe temas dos quais a coluna havia sentido falta no duelo anterior, na Rádio Gaúcha, na última sexta-feira: educação, enchentes e meio ambiente, agronegócio, empreendedorismo e infraestrutura.

Encontros em TV aberta ajudam o eleitor indeciso - e o percentual, segundo a última pesquisa Quaest, chega a 25% na eleição para governador. Entre os que já escolheram um candidato, 33% dizem que ainda podem mudar o voto. É alto. E, embora nem sempre seja possível aprofundar temas, é viável, ao eleitor, reconhecer a performance do candidato no palco. Debate serve sobretudo para isso: testar o candidato sob pressão, sua capacidade de raciocínio rápido e perspicácia.

Após vários debates, algumas estratégias foram repetidas: a dobradinha entre Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT), a fim de isolar Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB), obrigados a debater quase somente entre si. Os dois momentos mais tensos ficaram por conta de Zucco e Gabriel. O emedebista citou relações do adversário com o caso de animais domésticos eutanasiados em Canoas. Zucco disse que o adversário mentiu. Gabriel pediu direito de resposta, mas não foi contemplado. Antes, os dois se engalfinharam em razão da chamada "PEC da Blindagem": Gabriel acusou Zucco de ter apoiado a iniciativa, que acabou arquivada, enquanto Zucco desafiou Gabriel a identificar erros na atual gestão.

Voltando aos temas que, finalmente, apareceram: no agronegócio, o produtor endividado; nas enchentes, o temor da repetição de tragédias; na educação, a escola em tempo integral, o modelo cívico-militar e a progressão parcial; na segurança, o feminicídio e o combate às facções; na infraestrutura, os pedágios. Foi um bom debate. Houve propostas mais concretas do que nos anteriores, maior diversidade de temas, menos bate-boca e críticas. Teve mais propostas, mas ainda faltou dizer como fazer. _

Testes do novo submarino da Marinha

O submarino Almirante Karam, o mais novo meio naval da Classe Riachuelo da Marinha do Brasil, concluiu sua primeira imersão estática na área marítima de Itacuruçá, próximo ao Complexo Naval de Itaguaí (RJ). Sua incorporação ao setor operativo está prevista para 2027.

Com 72 metros de comprimento e autonomia para até 70 dias submerso, o submarino foi projetado para operar com uma tripulação de 42 militares. Segundo a Marinha, a imersão de maneira controlada foi feita sem o uso da propulsão principal (sem deslocamento).

Nas próximas fases, ocorrerão testes de navegação de superfície, imersão dinâmica e verificação do desempenho de lemes, propulsão e equipamentos de navegação e comunicação. _

Entrevista  - Borja Castelar

Ex-diretor do LinkedIn para a Europa e América Latina

"Quem triunfa não é quem mais sabe, é quem melhor comunica"

Talvez você já tenha ouvido falar sobre soft skills - as habilidades comportamentais. Borja Castelar, ex-diretor do LinkedIn para a Europa e América Latina, prefere chamá-las de human skills, ou habilidades humanas. O executivo, que é referência mundial em liderança, inteligência artificial e vendas, estará amanhã no CONGREGARH, um dos maiores congressos de gestão de pessoas do sul do Brasil, em Porto Alegre.

Qual o principal assunto que você vai abordar no evento em Porto Alegre?

Será sobre o que as pessoas chamam de soft skills, de habilidades sociais. Mas falo de human. Gosto de falar de human skills, de habilidades humanas. São as habilidades mais importantes para triunfar na carreira. E nunca aprendemos sobre esse tipo de habilidade, porque, no sistema educativo, só aprendemos sobre habilidades técnicas. Há pesquisas, uma delas de Stanford, que diz que 85% do sucesso profissional depende de habilidades humanas. E não deveria ser uma surpresa. Comunicação é uma human skill. Quem triunfa não é quem mais sabe, é quem melhor comunica.

Há outros exemplos e explicações que podemos trazer de human skills?

Basicamente, são as habilidades que nos ajudam a nos relacionarmos com outras pessoas. Ou com nós mesmos. Comunicação, colaboração, inteligência emocional, criatividade, pensamento crítico. Por outro lado, há as habilidades técnicas, o que você aprendeu a vida inteira: matemática, inglês, geografia. Todos sempre têm dois mundos na hora de aprender. O mundo das hard skills, das habilidades técnicas, e o mundo das human skills. E aí está a chave do sucesso: como você se comunica, como você se conecta com outros seres humanos, sua criatividade, colaboração, persuasão. O problema é que o sistema educativo só ensina habilidades técnicas.

Por que o sistema educativo foca mais nas hard skills?

Porque surgiu na Revolução Industrial e quase não mudou. Naquela época, o importante eram as habilidades técnicas. No mundo da fábrica era muito importante seguir horários, ser obediente, muito técnico. Mas o mundo mudou completamente. Esse mundo já não existe, mas o sistema educativo ficou igual. Continuam ensinando o mesmo. Ficaram na época industrial. O que está acontecendo agora? A inteligência artificial está, cada vez mais, reduzindo a importância da parte técnica dos trabalhos. A dimensão humana está aumentando em importância.

Há pesquisadores que apontam que a geração Z hoje dá mais importância para chefes com características mais humanísticas. Hoje os líderes devem ficar mais atentos a isso?

Totalmente. As novas gerações, se elas não estão contentes e não têm um líder humano, empático e comunicativo, vão embora (das empresas). Elas não têm a paciência de outras gerações. Estão muito mais empoderadas também. Como líderes, temos de ser mais humanos do que nunca. Um bom líder tem de entender como dar propósito ao trabalho, dizer para que estamos trabalhando.

Todas as empresas terão de encarar esse novo cenário?

É seleção natural, vai acabar acontecendo, porque as gerações mais antigas vão se aposentando e vão entrando as novas gerações. É a mesma coisa com as human skills, com as habilidades humanas. Cada vez mais as empresas vão contratar por habilidades humanas. No velho paradigma industrial, contratavam principalmente por habilidades técnicas.

É possível conciliar a IA e as human skills?

Está aí nosso melhor investimento: as human skills. Quanto mais avança a inteligência artificial, mais a parte técnica é menos relevante. E a parte humana vai aumentar. A gente não vai ser substituído nessa parte. A empatia humana nunca se vai perder. Em um mundo tão dominado pela inteligência artificial, nosso melhor investimento na carreira é melhorar como nos conectamos com outros seres humanos, como avançamos nossa criatividade. 

INFORME ESPECIAL

30 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

Meu medo das marquises

Quando chove e estou andando pelo centro de Porto Alegre, evito passar debaixo das marquises.

Prefiro enfrentar o aguaceiro de modo solitário com meu guarda-chuva no meio da calçada, sem o auxílio das pedras e dos refúgios das lojas. Prefiro me molhar.

É que conservo um trauma. Na verdade, um trauma coletivo. A capital gaúcha nunca mais voltou a ser a mesma depois daquela quinta-feira, daquele 6 de outubro de 1988.

O medo congelou a data, a ponto de transformá-la em uma referência temporal da nossa história: onde você estava? O que estava fazendo?

Eu tinha 15 anos, cursava o primeiro ano do Ensino Médio no Colégio de Aplicação, que na época ficava no Centro. Fui buscar material escolar na Livraria do Globo, no contraturno, pelas 16h30min.

De repente, caminhando pela Voluntários da Pátria, desviando-me da aglomeração dos terminais de lotação, escuto uma explosão e uma gritaria inominável.

A estrutura da marquise das Lojas Arapuã, na ladeira da Doutor Flores, veio abaixo enquanto o personagem-símbolo da rede, Arapinho, distribuía balas e chocolates para os clientes que circulavam por ali.

A queda da marquise, de 16 metros de comprimento e um de largura, matou nove pessoas, sendo duas crianças. Era a semana de véspera do Dia das Crianças. O boneco estava brincando com vários meninos e meninas, de famílias a passeio. Ele realizava um show para atrair os transeuntes.

O desabamento foi cruel e aconteceu em duas etapas; o resto do concreto cedeu justamente quando curiosos se detinham e pedestres socorriam os feridos, aumentando o contingente de horror e sangue.

Bombeiros levantavam as vítimas dos destroços. Ambulâncias e táxis saíam em disparada da rua estreita. O comércio inteiro fechou. O mundo parou por um instante.

Não sabíamos como agir. A incredulidade sequestrou nossa respiração. Uma multidão atrás do cordão de isolamento prendia o suspiro. Nem conseguíamos explicar o fato a quem chegava. Parecia obra de uma bomba, de terrorismo. Demoramos a captar que a marquise se encontrava condenada. Não havia como se defender do tombamento súbito de suas quatro toneladas.

Tanto que a tragédia mudou as regras de segurança urbana em Porto Alegre. Motivou a criação do Decreto nº 9.425/1989, que exige a apresentação periódica de laudos estruturais de marquises, fachadas e sacadas dos prédios da cidade.

O prefeito Alceu Collares declarou luto oficial por três dias, mas o luto jamais acabou. Continua em mim até hoje, como uma hesitação, um ressaibo, um pavor mudo.

A escritora amiga Carla Madeira, em seu novo livro Quando, trouxe à tona um termo da neuropsicologia: "engrama", que significa uma "cicatriz no sistema nervoso" ou uma "chaga da memória".

É uma vivência tão forte que permanece no corpo, atravessa os afetos e não se apaga com o tempo, migrando de geração a geração. Vira traço no seu DNA, informação genética.

Como esse fatídico 6 de outubro de 1988. 

CARPINEJAR

 

30 de Setembro de 2026
MARIO CORSO

Namastê

Recebi uma mensagem positiva, dessas que derramam energia de bons fluidos amorosos. Nela estava a palavra Namastê que seria, segundo o remetente, um cumprimento e a seguinte mensagem: - o deus que habita em mim, saúda o deus que habita em você.

Fui pesquisar e parece que não é bem isso. Significa em sânscrito: eu me curvo diante de ti. Desconfiei de tanto sentido em apenas uma palavra, mas é daquelas fake news que deveriam ser verdade. Gostei da saudação, é uma reverência que convoca ambos para um outro plano.

Graças às redes sociais, nossas interações estão cada vez mais frenéticas e menos profundas. Invocar a divindade sempre nos ajudou a preencher as inconsistências da vida. Para tanto, com o objetivo de tornar os encontros humanos mais verdadeiros, sugiro umas variações deste cumprimento.

Poderíamos começar com Diaboletê: o deus que habita em mim, odeia o deus que habita em você. Podemos não concordar com o sentido, mas conhecendo a história humana, esse seria largamente usado.

Para quem não é religioso, por que não Nemastelar: o cosmos que habita em mim saúda o cosmos que existe em você. Ou ainda, para os agnósticos: O Nemastério: o mistério que habita em mim saúda o mistério que habita em você.

Para pessoas meio perdidas, confusas, Nemastranhô: o esquisito que habita em mim, saúda o esquisito que habita em você. Nemasteless, o deus que habitava em mim largou fora, não me aguentou. Tem lugar para mim no deus que habita em ti?

Maconheretê: o deus que habita em mim é distraído. Paz e amor antes de mais nada - mas eu te conheço?

Sinceretê: o deus que habita em mim não enxerga nada dentro de você. Vorcaretê: o diabo que habita em mim, reconhece o demônio que habita em você - creio que podemos nos dar bem em negociatas.

Egocentrê: o deus que habita em mim é só meu, não o divido com ninguém. E sai da minha frente. Superioritê: sinto muito, mas o deus que habita em mim é muito mais deus do que o deus que habita em você.

Solidaretê: a solidão que habita em mim reconhece a solidão que habita em você, vamos ficar juntos? Com a gritaria das eleições, acho que o mais útil deveria ser: Colinhotê: o deus que habita em mim só quer descansar perto do deus que habita em você. 

MARIO CORSO

 

Reta final desanimadora

Para um país com tantos desafios como o Brasil, é desanimador constatar o quanto foi desperdiçada a oportunidade de a campanha para a Presidência da República proporcionar um debate produtivo sobre ideias e propostas para o futuro. Às vésperas do primeiro turno, a principal pauta é um tema religioso, assunto que nem sequer deveria estar misturado à eleição. 

Para piorar, nasceu pela via da desinformação, após a disseminação de um boato que associava o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a um projeto para tirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira do Brasil. O episódio voltou a escancarar a politização da cúpula do Judiciário, com uma guerra de decisões individuais de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Enquanto as candidaturas de Flávio e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se digladiam na disputa para ver quem consegue fustigar mais o adversário, questões verdadeiramente prioritárias e com repercussão na vida real da população, como a situação das finanças públicas, da saúde, da educação e da segurança, praticamente desapareceram da discussão ou são tratadas de forma rasa. 

Em vez de ser uma concorrência por inspirar mais esperança, a eleição se transformou outra vez em uma batalha de rejeições e de esforços para desgastar o oponente. A discussão programática foi esvaziada em meio às trocas de acusações. A eleição não será decidida pelo mérito das propostas.

Até aqui, grande parte das energias foi empregada para demonstrar que o adversário, familiares dele ou o grupo político rival estariam mais vinculados a escândalos como o do INSS e do Banco Master. O agravante é que a batalha por atingir o rival teve a colaboração dos gabinetes de alguns ministros do STF, com o repasse seletivo de informações de inquéritos, postura que degrada a instituição e mina a confiança em uma Justiça imparcial.

As práticas abusivas e as dúvidas que cercam os candidatos apontados como favoritos pelas pesquisas também depõem contra uma disputa virtuosa. Flávio é formalmente investigado por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no inquérito que apura repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse. 

Na busca desesperada pela reeleição, Lula não hesita em lançar mão, até a undécima hora, de todas as medidas eleitoreiras possíveis. Usa o poder do cargo de forma temerária tanto do ponto de vista legal quanto da responsabilidade que deveria ter com as contas públicas.

As demais candidaturas, esmagadas pela polarização entre PT e PL, não encontraram espaço para crescer. Fez falta também um nome viável de centro que ao menos ajudasse a qualificar o debate. A eleição para o Congresso, que deveria receber maior atenção pelo poder excessivo acumulado pelo Legislativo, foi negligenciada. O foco se resumiu ao Senado e foi limitado demais no impacto do resultado para o impeachment de ministros do STF.

Ainda há a chance, em um eventual segundo turno para a Presidência, de um confronto de ideias mais elevado e que aponte mais para o futuro do que para o passado. Mantido o nível atual, haverá mais certeza na continuidade da radicalização social e política do que no endereçamento de reformas e transformações que o país precisa para fazer jus ao seu potencial de desenvolvimento. 


Flávio, Lulinha e os esqueletos no armário

Aos eleitores convictos do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro pouco importam as revelações de delitos pretéritos. O mesmo não se pode dizer dos indecisos, ainda mais quando os dois candidatos estão tecnicamente empatados e precisando conquistar eleitores a qualquer custo. Por isso, os esqueletos que saltaram dos armários de Flávio e do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ontem, não podem ser tratados como simples futrica.

Quem abriu a porta do armário de Flávio foi Alexandre Santini, ex-sócio na franquia de chocolates Kopenhagen, aquela usada para explicar as montanhas de dinheiro vivo para a compra de imóveis e no pagamento de boletos. De acordo com o portal Platô.br, o ex-sócio e agora inimigo de Flávio expôs mensagens que indicam participação em orgias com prostitutas e pedido de perdão à esposa Fernanda, que tomou conhecimento das traições.

Pela lei brasileira, traição não é crime. As revelações atingem o candidato no aspecto moral, já que se apresenta como defensor da família tradicional. O problema maior das revelações do ex-sócio é outro: o recebimento de dinheiro de origem suspeita e de um relógio da marca Rolex e o lobby junto ao ministro Kassio Nunes Marques no Supremo Tribunal Federal.

Lobista

Já o esqueleto que assombra a campanha de Lula saiu do armário pelo celular da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e suspeita de pagar propina a funcionários públicos. No telefone apreendido pela Polícia Federal, foi encontrado o orçamento de uma viagem de luxo para a Europa, em janeiro de 2025, com passagens por Suíça, Suécia e Finlândia. No programa, uma semana de esqui nos Alpes suíços e a observação da aurora boreal na Finlândia, com direito a chef de cozinha e mordomo. No telefone, foram encontradas fotos dos amigos na Suíça. Custo do passeio: R$ 1,8 milhão, mais R$ 220 mil pelo fretamento de um jatinho para ir da Suíça para a Suécia.

Lulinha se defende dizendo que as informações foram tiradas de contexto e que não cometeu crime algum. Pode ser, mas pega muito mal viajar à custa de uma lobista que usava a proximidade com o filho do presidente para fazer tráfico de influência e tinha negócios com o Careca do INSS, aquele personagem investigado por lesar aposentados e pensionistas. _

Lula reúne multidões no Nordeste, mas se atrapalha ao falar do exame de próstata

Lula (PT) dedicou sua agenda para fortalecer a base eleitoral no Norte e também no Nordeste, de onde historicamente ganha boa parte dos votos. Na segunda-feira, em Belém, se atrapalhou ao falar sobre exames de câncer de próstata:

- O homem é covarde, ele não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas. Segundo o PT, Lula falava sobre exames ginecológicos, mas a frase repercutiu em perfis de direita. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos que deram conotação sexual à fala. Ontem, na Bahia, Lula explicou sua declaração, dividindo a fala com a primeira-dama, Janja. Também chamou Nikolas de "canalha". _

Só as promessas de Juliana custariam mais de R$ 4 bi

Se for eleita governadora do Estado, Juliana Brizola (PDT) terá de correr atrás de cerca de R$ 9,5 bilhões para cumprir com suas promessas. O valor é o resultado da soma do déficit de R$ 4,8 bilhões previsto na proposta de orçamento de 2027 com as renúncias fiscais anunciadas pela candidata e o aumento de gastos em saúde e educação.

Na sabatina da Rádio Gaúcha, Juliana prometeu acabar com o desconto previdenciário dos servidores aposentados no primeiro ano de mandato, abrindo mão de R$ 1,1 bilhão de receita. A candidata anuncia o fim das filas do SUS e aponta como fontes de financiamento o aumento das verbas para a saúde e o programa Pró-Hospitais, que permite às empresas aplicar até 5% do ICMS devido nas santas casas e hospitais filantrópicos. Pelos cálculos dela, seria possível arrecadar até R$ 1 bilhão com o Pró-Hospitais, o que significa abrir mão dessa receita no orçamento. E, se a candidata elevar no primeiro ano as verbas para a saúde e a educação, até chegar a 12% e 25% respectivamente, serão R$ 692 milhões a mais para a saúde e R$ 1,9 bilhão para a educação. _

Maranata atrela reajustes salariais a aumento da receita

O candidato Marcelo Maranata (PSDB) se comprometeu a, se for eleito governador, cortar 30% das despesas do Estado, incluindo os poderes Legislativo e Judiciário, para conseguir bancar a conta de promessas feitas para a saúde e a infraestrutura. Na sabatina da Rádio Gaúcha, o tucano não detalhou como faria a redução dos gastos.

Ele planeja obter recursos para financiar suas propostas a partir do enxugamento da máquina pública, da atração de empreendimentos privados, com foco na geração de energia renovável e na renegociação da dívida com a União. Do governo federal, inclusive, é de onde Maranata planeja atrair mais recursos, negociando a criação de um fundo constitucional do Sul.

Na saúde, o tucano evitou prometer zerar a fila do SUS, como fizeram os adversários Gabriel Souza (MDB) e Juliana Brizola (PDT), classificando a ideia como "irresponsabilidade". Maranata pretende enfrentar o problema sendo ele próprio o secretário da Saúde nos primeiros seis meses de mandato, período em que planeja dividir o Estado em sete polos descentralizados para organizar os atendimentos e reajustar a tabela SUS Gaúcho.

No funcionalismo, acenou com reajustes para professores e policiais, mas deixou claro que a concessão de aumentos está condicionada ao incremento real da arrecadação. Também garantiu que extinguirá o salário mínimo regional, apontando a medida como entrave burocrático que afasta investimentos privados. _

RS-118 duplicada e sem pedágio

Quem se eleger para governar o Estado vai herdar o anteprojeto do Lote 1 da obra de ampliação da RS-118, um trecho de 5,1 quilômetros entre Gravataí, Alvorada e Viamão.

A duplicação, com recursos públicos, era promessa do governador Eduardo Leite, que não terá tempo de realizar a obra, mas incluiu a RS-118 entre os projetos que terão recursos do Fundo Rio Grande (Funrigs). O investimento será superior a R$ 224 milhões. _

Comissão de Ética deve investigar Byl

A bancada do PSOL na Câmara de Vereadores da Capital protocolou representação na Comissão de Ética contra o vereador Giovane Byl (Podemos), preso neste mês por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de emendas para a saúde. Os parlamentares requerem a apuração dos fatos para identificar se houve quebra de decoro parlamentar, corrupção ou improbidade administrativa, para embasar eventual perda de mandato. 

POLÍTICA E PODER

30 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

A religião instrumentalizada para fins eleitoreiros

A religião é parte estruturante da identidade nacional. No livro Brasil no Espelho, o cientista político Felipe Nunes aponta, a partir de pesquisas realizadas pela Quaest, que 96% dos brasileiros concordam que Deus está no comando de suas vidas. Logo, não surpreende que a maior polêmica da última semana deste país pré-eleitoral - virado de cabeça para baixo - seja em torno de símbolos... religiosos.

Seja quem for que tenha criado a informação falsa - segundo a qual o candidato Flávio Bolsonaro (PL), se eleito, decretaria "que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo" e que retiraria o posto de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país - sabe muito bem como a espiritualidade mobiliza rebanhos. Fez girar, de forma engenhosa, a roda insana das fake news.

A mesma pesquisa da Quaest mostra que a prática das religiões mudou ao longo dos anos e que mais pessoas passaram a se declarar evangélicas. Se, em 1872, 100% dos brasileiros se declaravam católicos, esse percentual caiu para 65% em 2010, quando 22% se diziam evangélicos. Em 2023, a proporção estava em 51% para 31%. Sem falar dos "sem religião", dos espíritas e daqueles que seguem fé de matriz africana e outras.

Então, falar de Deus dá voto porque religião significa muito mais do que ir à missa ou ao culto. Está mimetizada nos hábitos familiares, na forma como as pessoas trabalham, nas relações de amizade e na maneira como consomem cultura. Ainda que o Estado seja laico, o crucifixo está nos plenários da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Histórico

Também não é novo o uso político da fé. A própria definição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira ocorreu em um momento em que a Igreja, que havia perdido sua condição de religião oficial com a República, buscava recuperar influência na sociedade e no Estado. O pedido ao Vaticano partiu dos bispos brasileiros, após o Congresso Mariano de 1929, e foi dirigido ao papa Pio XI. O Pontífice reconheceu, em 16 de julho de 1930, Nossa Senhora da Conceição Aparecida como padroeira do país.

Era parte da construção de um símbolo religioso de dimensão nacional. A grande proclamação pública ocorreu no Rio de Janeiro, em maio de 1931, diante de uma multidão e com a presença de Getúlio Vargas, então chefe do Governo Provisório.

Os mais antigos irão se lembrar de como grupos políticos exploraram o episódio em que Sérgio von Helder, então bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida em 12 de outubro de 1995. O episódio foi condenado tanto por católicos quanto por setores evangélicos.

O Brasil deixou de ser um país de hegemonia católica quase absoluta e caminha para uma configuração religiosa muito mais plural. Há, nos bastidores da Igreja Católica, preocupação com a perda dessa hegemonia, conforme já confidenciaram à coluna altas autoridades do clero brasileiro. Mas isso não transforma, necessariamente, católicos e evangélicos em adversários.

O Brasil é, tradicionalmente, um território pacífico em termos de fé. Não pode permitir que a religião seja instrumentalizada para fins eleitoreiros. A exploração política da religião faz aflorar sentimentos profundos de ancestralidade, pertencimento e identidade, e pode torná-la perigosa quando mobilizada para dividir. Foi assim na Irlanda do Norte. É assim no Oriente Médio. _

Avião da captura de Maduro esteve no Brasil

A aeronave de guerra Lockheed Martin HC-130J Combat King II esteve no Brasil nos últimos dias para participar do Exercício Conjunto Tápio 2026, realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB) na Base Aérea de Campo Grande (MS).

O modelo, da Força Aérea dos Estados Unidos, ganhou relevância internacional por ter integrado a operação militar que resultou na captura do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro, em janeiro deste ano.

Segundo a FAB em conversa com a coluna, o exercício reuniu militares brasileiros e de países aliados com foco em treinamentos de ajuda humanitária, busca e salvamento em combate.

Especializada em operações de busca e resgate em combate, a aeronave é um quadrimotor turboélice modificado a partir do clássico cargueiro C-130J Super Hercules, projetado para atuar em cenários de alto risco e de difícil acesso.

Uma de suas missões é servir como um "posto de combustível" para reabastecer helicópteros de resgate e aeronaves em pleno voo. _

Bebidas alcoólicas e eleição

A cada eleição surge a dúvida: é permitida a venda e o consumo de bebida alcoólica no dia da votação? A chamada Lei Seca Eleitoral não é uma regra federal única, mas uma decisão tomada individualmente por cada Estado.

No Brasil, o Código Eleitoral não proíbe automaticamente a comercialização nem o consumo de álcool durante o pleito. A aplicação da medida cabe a cada Estado e seus Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

No RS, por exemplo, o consumo e a venda ocorrem normalmente. De acordo com o secretário judiciário do TRE-RS, Rogério Vargas, o Estado não aplica a vedação desde 1994.

- A Lei Seca não tem amparo na legislação eleitoral e não é mais aplicada de forma geral no Estado, tanto no sábado quanto no próprio dia do pleito. Isso não quer dizer que, diante de uma situação específica vivenciada em um determinado município, um juiz eleitoral não possa vetar a venda se achar necessário, tendo em conta o acirramento dos ânimos. Trata-se de uma prerrogativa do poder de polícia do magistrado para garantir o bom andamento da votação - explicou o secretário à coluna. _

Porto Alegre divulga a Copa do Mundo

Com o objetivo de atrair o público argentino durante a Copa do Mundo Feminina de 2027, Porto Alegre marcou presença na Feira Internacional de Turismo (FIT) de Buenos Aires, considerada uma das maiores e mais importantes feiras do setor na América Latina.

Pela primeira vez no estande da Embratur, a Capital se apresenta como uma das oito cidades-sede do torneio, ao lado de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

O Beira-Rio receberá sete partidas da competição, sendo seis na fase de grupos e uma nas oitavas de final. Para incentivar o torcedor a explorar a cidade no intervalo entre os jogos, Porto Alegre destaca atrações que combinam passeios de barco pelo Guaíba, gastronomia típica, churrasco, corridas de rua, shows e grandes eventos. 

A Organização dos Estados Americanos enviará 90 observadores de 23 países para acompanhar as eleições. Entre eles, diplomatas do Chile, Uruguai e Paraguai.

INFORME ESPECIAL