sexta-feira, 21 de agosto de 2026

21 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Temas climáticos são centrais na campanha

Traz alento constatar que os principais candidatos ao Palácio Piratini colocam os temas climáticos e ambientais como eixos centrais de seus planos de governo. O colunista Rodrigo Lopes publicou ontem em Zero Hora algumas das ideias mais relevantes dos quatro postulantes mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto e cujos partidos contam com representação no Congresso Nacional - Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola, Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). Era imperioso que, na primeira eleição para governador após a tragédia de 2024, pautas relacionadas às mudanças do clima e suas consequências estivessem no topo das prioridades.

Entre os itens abordados, estão o fortalecimento da Defesa Civil, infraestrutura resiliente, sistemas de monitoramento e alerta, oportunidades da transição energética, licenciamento, saneamento, recuperação de mata ciliar, segurança hídrica e grandes sistemas anticheias, entre vários outros tópicos. Não é o caso, aqui, de listar todos os pontos, mas sim de observar que, de uma forma geral, os elementos mais importantes estão contemplados.

Caberá aos candidatos, ao longo das próximas semanas, explicar melhor aos gaúchos como as suas ideias poderão ser implementadas, com quais recursos e em que prazo. A enchente de 2024 e as sucessivas estiagens que assolam o Estado demonstram que não há mais espaço para promessas vazias. O Estado precisa de projetos consistentes e exequíveis. Deve-se lembrar da existência do Plano Rio Grande, uma espinha dorsal robusta para avanços em termos de prevenção, mitigação e adaptação. Trata-se de uma proposta que foi aprovada pela Assembleia Legislativa e, portanto, é lei. Deve nortear as ações nos próximos anos do Executivo.

A nova sequência de eventos climáticos extremos que atinge o Rio Grande do Sul nas últimas semanas, em meio à formação de um El Niño potente, é o lembrete de que o tema exige convicção e persistência em um plano de Estado, que atravesse diferentes gestões e seja imune à natural alternância de poder. Preparar o Estado para essa nova realidade, afinal, requer ações de longo prazo. Descontinuidades e guinadas podem significar desperdício de recursos e perda de um tempo precioso. Ainda assim, é legítimo que o novo governo dê atenção especial a aspectos que considere mais importantes ou urgentes.

Convém registrar ainda que, além da prevenção dos efeitos das mudanças climáticas na vida dos gaúchos, há aspectos econômicos relevantes envolvidos. Junto aos desafios, há oportunidades, como a possibilidade de o Rio Grande do Sul se tornar referência em infraestrutura resiliente e ser protagonista em projetos ligados à transição climática.

Não faltam razões para essa questão ser central na campanha para o Piratini que está em seus primeiros dias. E exatamente por ser uma pauta vital para o Rio Grande do Sul, é essencial que o eleitor gaúcho conheça as propostas de cada candidato, compare-as, tire suas conclusões e, a partir delas, também defina seu voto. Quem vai às urnas em outubro é corresponsável pelo futuro do Estado. 

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