sexta-feira, 28 de agosto de 2026

28 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

É absurda a ideia de o Brasil ter bomba atômica

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu, na entrevista à TV Globo, na quarta-feira, que o Brasil crie um programa nuclear voltado à eventual produção de armas atômicas. A ideia é estapafúrdia do ponto de vista estratégico, embora não seja nova - lembra o candidato Enéas, do Prona, nos anos 1980? - e volta e meia encontre respaldo entre parte dos militares.

Santos afirmou que armas nucleares ampliariam a soberania e o peso internacional do Brasil. Sem dúvida, mas a que custo?

O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde 1998, no qual assumiu compromisso perante o mundo de não desenvolver armas desse tipo. Começar um processo como esse significaria rasgar o acordo e se transformar em pária internacional, como o Irã e a Coreia do Norte.

Há ainda dois agravantes: o desenvolvimento de um arsenal do tipo colocaria o Brasil no alvo direto de uma intervenção dos Estados Unidos, potência hegemônica no continente. Nenhum dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU permitiria - nem a China. Sem falar que despertaria uma corrida nuclear na América do Sul e no Caribe, considerado um território de relativa paz. Reacenderia uma disputa geopolítica com a Argentina, já vista no passado.

Ao longo da sua história, o Brasil teve oportunidades de fazer parte desse seleto clube de países armados com a bomba A - mas nunca levou adiante, de forma concreta, os planos. A própria demora em assinar o TNP (aberto para assinatura em 1º de julho de 1968 e entrou em vigor em 5 de março de 1970) levou a desconfianças internacionais durante a ditadura militar.

Histórico

Nos anos 1970, o Brasil desenvolveu um programa nuclear para fins pacíficos, que contou com a assinatura de um acordo com a Alemanha, com transferência de nove centrais atômicas para o território nacional e todo o ciclo de produção do combustível nuclear.

São, hoje, conhecidos planos sigilosos da época, dentro da Aeronáutica, que buscou desenvolver explosivos usados para abrir poços de petróleo ou desviar rios. O objetivo, em tese, seria civil, mas a tecnologia também pode ter como objetivo um arsenal militar, o famoso "dual use" (uso dual), na linguagem estratégica. Que o diga a Índia, que, a partir de um programa pacífico, se tornou um dos mais novos atores nucleares do grupo diminuto de potências nucleares, que inclui ainda Paquistão, Coreia do Norte, Israel (embora não admita) e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia.

Uma das evidências da existência desse programa secreto brasileiro eram túneis construídos na Serra do Cachimbo, no sul do Pará. Nunca ficou claro sobre o quão sério os militares brasileiros estavam empenhados em construir uma bomba atômica brasileira como parte desse projeto.

Em 1990, o então presidente Fernando Collor foi à Serra do Cachimbo e enterrou os poços construídos pela Aeronáutica. Dias depois, ele viajou para a Assembleia Geral da ONU e fez um discurso ressaltando as ambições pacíficas do projeto nuclear brasileiro.

De tempos em tempos, políticos ressuscitam discursos como o de Renan em busca de chamar atenção - em geral, conseguem. Além de todos os aspectos estratégicos contrários à ideia, há outro tão importante quanto: desenvolver um programa nuclear que leve ao enriquecimento de urânio para ter a bomba atômica é apenas um passo. Uma coisa é ter a bomba, a outra é dispor de condições para dispará-la. E tudo isso é muito caro, na casa dos bilhões. O Brasil tem problemas maiores e bem mais urgentes que exigem investimento. _

Rio Grande

do Sul na tela da "Times Square" de Xangai

Um vídeo com dados sobre os potenciais econômicos do RS foi exibido ontem na Century Plaza, uma das principais áreas comerciais da China, conhecida como a "Times Square" de Xangai.

A ação ocorreu durante a missão da Invest RS à China. A região, no entorno da Nanjing Road, é conhecida pelo movimento e forte presença de publicidade e grandes telas, que lembram a famosa área de Manhattan, em Nova York.

Nesta semana, a Invest RS oficializou o lançamento de uma representação em Xangai, com o objetivo de fortalecer o relacionamento institucional entre o Estado e parceiros chineses. _

Porto Alegre: capital mais competitiva

Porto Alegre está entre as três cidades mais competitivas do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A capital gaúcha avançou uma posição em relação ao ano anterior. O levantamento reúne indicadores que impactam a capacidade de desenvolvimento das cidades, considerando pilares como eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, dinamismo econômico, saúde, educação, segurança, sustentabilidade e saneamento. _

Plano para a Defesa até 2050

O Ministério da Defesa instituiu, por meio de portaria publicada ontem no Diário Oficial, a criação do Grupo de Trabalho responsável por elaborar o Cenário Militar de Defesa 2028-2050. A iniciativa visa identificar ameaças, oportunidades e desafios geopolíticos que impactarão a segurança e a soberania do país nas próximas décadas. Entre as atribuições do grupo estão: identificar e aplicar instrumentos para mapear tendências e incertezas no setor; apresentar contextos, variáveis e atores cujas evoluções possam impactar a atuação das Forças Armadas; e utilizar ferramentas de prospectiva e redes de pesquisa em áreas de interesse da defesa nacional. 

Reflexões psicológicas sobre a enchente

Equilibrando ciência, história e uma abordagem psicológica da maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul, a historiadora e psicoterapeuta Angélica Boff está lançando o livro A enchente que não acabou - O que a tragédia revela sobre nós (Carta Editora).

O trabalho traz uma abordagem até agora inédita: reflexões profundas sobre o durante e o depois do dilúvio gaúcho de 2024. Com escuta atenta, Angélica buscou ouvir 19 histórias de pessoas que viveram a tragédia.

O livro está em pré-venda, com valor promocional de R$ 50 (frete grátis) no site da editora. O lançamento deve ser em outubro, em data ainda a ser definida. _

INFORME ESPECIAL

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