quinta-feira, 6 de agosto de 2026

06 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

O que esperar do primeiro debate

Com apenas quatro candidatos enquadrados nos critérios que a lei estabelece para participação obrigatória nos debates, o confronto de hoje, na Rádio Gaúcha, promete ser produtivo. Tempo não faltará para que Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) exponham seus projetos para governar o Rio Grande do Sul. É importante que digam não apenas o que pretendem fazer, mas como.

Todos os quatro candidatos sabem que o orçamento de 2027 será apertado e que os anos seguintes não serão fáceis. Só isso é suficiente para que tomem cuidado na hora de fazer promessas que só cabem na caixinha das boas intenções.

Em vez de apenas sortear um tema para que os concorrentes debatam, a produção optou por encaminhar perguntas elaboradas por jornalistas ou feitas por líderes de entidades, que um responderá e escolherá um adversário para debater. Isso deve garantir que todos os temas relevantes sejam abordados.

Haverá também um bloco livre para que os quatro levantem assuntos que estão na sua lista de prioridades e escolham com quem querem debater.

O debate é da Gaúcha, mas o alcance é incalculável. Além da transmissão pelas Gaúchas Porto Alegre, Santa Maria, Serra, Zona Sul e Passo Fundo e por emissoras de rádio do Interior que se interessaram em entrar em cadeia, o público poderá acompanhar em imagens pelo YouTube da Rádio Gaúcha. Tudo isso sem contar a cobertura de GZH e a repercussão nas redes sociais.

Para tornar ainda mais atraente o debate, que será mediado pela jornalista Andressa Xavier, o palco será o do teatro do prédio 40 da PUCRS, com espaço para uma plateia de convidados e assessores. É um debate produzido com a certeza de que a melhor forma de ajudar o eleitor a fazer sua escolha é mostrar os candidatos como eles são, o que é bem diferente da propaganda eleitoral. Essa começa em 16 de agosto. _

Governo Leite celebra salto no Ideb

Quando assumiu o segundo mandato, o governador Eduardo Leite decretou que a educação seria a sua prioridade número 1. Ampliou investimentos, criou programas, liberou a secretária Raquel Teixeira das tarefas relacionadas a obras, para que se focasse na pedagogia.

Os resultados apareceram na forma de um salto no Ideb divulgado ontem, ainda que os números do Brasil, como um todo, estejam distantes do ideal. Os resultados poderiam ter sido melhores, não fossem as enchentes de 2023 e 2024. Em 2025, Leite chamou o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha para participar de um grupo que funciona nos moldes do programa RS Seguro, na expectativa de melhorar os índices da educação como conseguiu reduzir os da criminalidade.

Ao receber os resultados do Ideb, o grupo envolvido no trabalho comemorou. Porque o Estado conseguiu melhorar o desempenho nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental e, principalmente, no Ensino Médio. Nos anos iniciais, ficou com nota 6,3. O Paraná é o primeiro com 7 e o Ceará, o segundo com 6,8. Nos anos finais, o Estado pulou para o 8º lugar, com média 5,4. O Paraná, novamente o primeiro, tem 5,9.

O grande salto ocorreu no Ensino Médio, ainda que a nota 4,9 não seja motivo de comemoração, sendo a escala de zero a 10. O RS ficou atrás do Paraná (5,1) e do Piauí (5) e ao lado do Espírito Santo (4,9). _

O que a escolha do vice diz sobre a estratégia de Flávio Bolsonaro

Para a maioria dos eleitores brasileiros, o nome de Alfredo Gaspar diz pouco ou nada. Deputado federal pelo PL de Alagoas, é ele a surpresa anunciada por Flávio Bolsonaro para ser seu vice.

Gaspar não é uma dessas estrelas do Congresso. Sua visibilidade se deve à CPI do INSS, da qual foi relator, e aí reside a principal explicação para a escolha do seu nome como vice de Flávio.

O PL identifica no escândalo do INSS o calcanhar de Aquiles de Lula, ainda que os desvios tenham começado no governo de Michel Temer e continuado no de Jair Bolsonaro. Porque foi no governo Lula que a fraude cresceu e se multiplicou. Também foi na gestão Lula que a torneira se fechou e é isso que o presidente vai dizer em sua defesa. _

Disputa apertada para a Presidência

Com números ligeiramente diferentes, duas pesquisas divulgadas ontem - uma da Quaest e uma da Meio/Ideia - mostram o mesmo cenário. O presidente Lula lidera as intenções de voto no primeiro e no segundo turnos, com diferença semelhante em relação a Flávio Bolsonaro. Todos os demais concorrentes seguem numa espécie de limbo.

Na Quaest, Lula tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% de Flávio. No segundo pelotão, vêm Renan Santos (Missão), com 4%, Ronaldo Caiado (PSD), 4%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Os demais ficam abaixo de 1%. Brancos, nulos, indecisos e eleitores que não pretendem votar chegam a 18%. _

Segundo turno mantém tendência

Respeitadas as margens de erro, os números do segundo turno também são convergentes quanto à diferença entre os dois candidatos. Na Quaest, Lula tem 44% e Flávio, 39%. Na Meio/Ideia, Lula vai a 48,5% e Flávio fica com 43%.

De novo, a diferença se explica pelos índices de indecisos, brancos e nulos. Na Quaest, os brancos, nulos, indecisos e eleitores que não pretendem votar somam 17%. Na Meio/Ideia, 8,5%.

O mesmo ocorre com a rejeição. Na Quaest, Flávio é rejeitado por 54% dos eleitores e Lula por 52%. Na Meio/Ideia, também ocorre empate técnico. Flávio é rejeitado por 48% dos entrevistados e Lula por 47,4%.

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro do levantamento no TSE é BR-06591-2026.

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais e para menos. O registro do levantamento no TSE é BR-04579/2026. _

mirante

Uma decisão liminar suspendeu o mandato do deputado Valdir Bonatto (PSD), por infidelidade partidária. A ação foi movida pelo PSDB, partido que Bonatto deixou em janeiro, antes da janela partidária. A suplente Zilá Breitenbach (PSDB) assumirá a cadeira no seu lugar.

A coluna errou com o partido UP. Seu significado é Unidade Popular. União Progressista é o nome da federação PP-União Brasil.

POLÍTICA E PODER

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