Erechim dá exemplo sobre resposta a desastres
Enchentes, deslizamentos de terras, estiagem, granizo, tornados... O Rio Grande do Sul, nas palavras do coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da Defesa Civil, gabarita a lista da Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, que organiza os eventos em grupos como geológicos, hidrológicos e meteorológicos.
Grosso modo, é como o CID dos médicos, o sistema de códigos criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para padronizar o diagnóstico de doenças, sintomas e problemas de saúde no mundo todo. No caso dos desastres, é como se o RS tivesse, potencialmente, riscos para todas as "doenças" possíveis.
Uma conjugação de fatores geográficos e meteorológicos, unido à ocupação humana e aos efeitos das mudanças climáticas, transformam o nosso Estado em laboratório vivo das transformações ambientais e testam nossa capacidade de adaptação. Você pode olhar para esse diagnóstico e ficar preocupado, pessimista ou até apavorado.
A outra opção é agir. Um grupo de voluntários, especialistas, pesquisadores e gestores públicos da região do Alto Uruguai escolheu a segunda opção. Entre quinta-feira e domingo, Erechim está realizando o 1º Clima Summit - Treinamento de Resposta a Desastres e Encontro de Voluntários, voltado à capacitação de gestores públicos, equipes de Defesa Civil, profissionais da área de emergência e voluntários.
Tive a honra de mediar o primeiro painel, intitulado El Niño - Ações de Prevenção e Resposta, que reuniu, além do coronel Boeira, o coronel Maurício Ferro Corrêa, comandante do 2º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar, Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai e um dos organizadores do evento, e o meteorologista Rafael Santana.
Principais assuntos
Às vésperas de um El Niño vitaminado, conversamos sobre temas que precisam estar na boca e na mente dos gaúchos: Boeira, por exemplo, alertou que é muito baixo o número de pessoas cadastradas para receber os alertas por SMS da Defesa Civil em caso de ameaças; o coronel Maurício falou sobre a necessidade de articulação entre os diferentes atores, na hora do desastre, para que não se "bata cabeça" em meio ao caos; Manica comentou sobre a necessidade de uma mudança de cultura por parte da população, que precisa começar a compreender a necessidade de atender alertas da Defesa Civil em casos de evacuação preventiva, e Rafael salientou a importância de dados científicos confiáveis para uma previsão do tempo precisa e os riscos de erros em sensores, como denunciou a coluna na semana passada sobre os erros nas estações do Inmet. Até domingo, outros temas serão debatidos.
O principal ponto é que não se cria um ambiente de trocas como esse do nada.
Saí do encontro, na quinta-feira, satisfeito com o que vi e ouvi: primeiro, pelo espírito de comunidade que, no trabalho dos voluntários, alimenta uma sensação de maior segurança em caso de risco de tragédias, segundo, porque, em um país que se preocupa pouco com segurança e previsibilidade, os voluntários de Erechim estão dando exemplo de que é possível uma cultura de prevenção e treinamento. E terceiro por perceber que é possível sairmos melhores a partir de nossas tragédias. Não é possível mudar a realidade da emergência climática. Mas é possível mudar como reagimos a ela. _
Cães abandonados na Vila Dique
As casas do trecho 1 da Vila Dique, o mais próximo da Freeway, serão demolidas a partir de segunda-feira. A ação é uma medida da prefeitura, que retirou as 70 famílias da região que foi fortemente alagada durante a enchente de 2024. A maioria dessas pessoas foi deslocada para outras regiões ou localidades próximas, por meio de compra assistida e outros mecanismos.
Contudo, ao realizar uma vistoria nesta sexta-feira no local, o secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Porto Alegre, André Machado, deparou com uma cena que chamou sua atenção: aproximadamente 40 cães abandonados, alguns até presos em coleiras e em postes, ou trancados em cercados.
- Eu realmente espero que os donos vão até lá buscar os animais, pois é uma imagem chocante ver aqueles bichinhos abandonados. Uns até amarrados. Eu não vi, mas conversei com moradores ali da localidade que falaram que há cavalos soltos também na região - conta Machado.
Preocupado com a situação, o secretário procurou o Gabinete da Causa Animal da prefeitura, que o informou que os animais, após a enchente, foram microchipados - ou seja, é possível identificar até mesmo os seus donos.
Questionado, o Gabinete da Causa Animal explicou que realizou uma ação no local nos últimos dias. Informou ter feito vacinação e microchipagem nos animais. A coluna perguntou sobre o que será feito com esses animais que estão na área neste momento. Segundo a pasta, não foi recebida solicitação formal sobre os cães em questão, mas lembrou que, caso tenham microchip, os tutores deverão ser identificados. _
Uma faca de dois gumes para Netanyahu
Há muito ceticismo ainda em torno do anúncio do Hamas de que irá depor as armas. Estamos falando de um grupo terrorista que cometeu o maior atentado da história de Israel, em 7 de outubro de 2023, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, em uma ditadura que torna refém a própria população, e que rejeita a ideia da existência de Israel por princípio, desde a sua criação nos anos 1980.
O que temos até o fechamento desta edição é a informação, por parte de porta-vozes do Hamas à AFP, de que o grupo estaria disposto a entregar as armas a um comitê tecnocrata. Se, de fato, o acordo vingar e o Hamas entregar as armas a um comitê técnico, que é formado por palestinos, é preciso saber se o grupo conta com força suficiente para se impor sobre à organização extremista.
Ponto de atenção: o Hamas condiciona o desarmamento a Israel se retirar do território de Gaza. Ou seja, assim como fez ao anunciar a disposição em deixar o poder, o grupo joga a responsabilidade para o governo de Benjamin Netanyahu.
Israel realiza eleições em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno no Brasil. Netanyahu é candidato na renovação da Knesset, o parlamento. Mas é um premier que se alimenta da guerra.
Minha opinião: o anúncio do Hamas é como uma faca de dois gumes para Netanyahu. Por um lado, ele pode se vangloriar de que colocou fim ao grupo terrorista. Por outro, há muita gente que pode ver a saída de Gaza como uma derrota, como uma capitulação israelense, especialmente sua base mais conservadora, que desejaria inclusive a anexação total do território de Gaza.
Ao entregar as armas, o Hamas pode estar tentando negociar no futuro algum tipo de participação política. Acho difícil de ocorrer porque estamos falando de fundamentalismo islâmico. Não é separatismo, não é resistência. O Hamas prega a dissolução de Israel. Mas aguardemos. _
Apoiadores da causa animal se reúnem no sábado, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O evento "Vakinha Pet" terá uma ampla programação, que inclui a lojinha da ONG Salva Latas e brechó solidário. Toda a arrecadação obtida com as atrações será destinada à organização.
INFORME ESPECIAL
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