sexta-feira, 28 de agosto de 2026

28 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Os pontos fortes e fracos do RS

A edição de 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgada ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP), demonstra que, a despeito das preocupações com o desempenho recente e com o futuro da economia gaúcha, o Rio Grande do Sul tem trunfos que podem ser a base para a retomada do dinamismo. O trabalho traz algumas boas novas e aponta em quais aspectos é preciso evoluir para alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e social.

No ranking geral de competitividade, o RS aparece agora na quarta posição no Brasil, após três anos em quinto. É a melhor colocação na série histórica. Em anos anteriores, como 2016 e 2021, chegou a ser o nono. A liderança é de Santa Catarina, que ultrapassou São Paulo.

Os gaúchos permaneceram em primeiro no pilar inovação. O resultado nessa dimensão é puxado por indicadores como número de patentes e estrutura de apoio à inovação. É uma informação que demonstra o potencial de o ecossistema de criação de novos produtos, serviços, processos e tecnologias se firmar como um vetor de progresso para o RS. O Estado também lidera em eficiência da máquina pública, com destaque para o baixo custo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em relação ao PIB. No pilar segurança pública, passou de terceiro para segundo no país. Em sustentabilidade social, permanece em quarto. Em sustentabilidade ambiental, subiu cinco posições e agora é o quinto. Em capital humano, continuou em quarto.

Um dos temas que mais inquieta no Estado é a educação. O RS perdeu três colocações e caiu para nono lugar. Um dos aspectos que atrapalhou foi o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. Como a performance melhorou em 2025, é possível que a posição gaúcha, à frente, melhore.

As principais fragilidades não são novidade. Em infraestrutura, o RS é o 16º. Qualidade das rodovias, custo e qualidade da energia e preços dos combustíveis puxam para baixo. A posição geográfica, no extremo sul do país, obriga que o aprimoramento da infraestrutura seja prioridade dos gaúchos. O Estado ainda levou um tombo de 12 posições no pilar potencial de mercado. Caiu para o 24º lugar, em função principalmente da deterioração da qualidade do crédito para as pessoas físicas.

A maior desvantagem do RS permanece sendo o quadro fiscal, dimensão em que o Estado está em penúltimo no país. A despeito das reformas realizadas nos últimos anos, ainda há um longo caminho para a situação das finanças ser considerada equilibrada. Contas desajustadas se traduzem em maior dificuldade para o poder público prover os investimentos necessários para alavancar o desenvolvimento e prestar serviços satisfatórios aos cidadãos.

Mas, entre pontos fortes e fracos, nota-se que, apesar dos desafios estruturais, o RS está entre os Estados mais competitivos do Brasil. Isso significa capacidade de gerar progresso e qualidade de vida para a população, produzir empreendedorismo, reter e atrair investimentos. Resta dar atenção especial às debilidades. O ranking do CLP é um bom guia para o novo governo e os deputados e senadores que serão eleitos em outubro. 

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