03 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS
OPINIÃO RBS
Ampliação de acordos comerciais é salutar
Entrou em vigor no sábado o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e Singapura. Apesar de o país ter uma população pequena em números absolutos, de cerca de 6 milhões de habitantes, é uma cidade-Estado densamente povoada e um importante centro financeiro, logístico e industrial do Sudeste Asiático, uma das regiões de crescimento mais acelerado do mundo. Em meio à onda protecionista global puxada pelos EUA, a implementação de um novo tratado que vai na direção contrária do isolacionismo merece ser saudada. Mostra que permanece o interesse entre nações e blocos por maior integração econômica.
O Brasil, um dos principais alvos da investida tarifária da Casa Branca, tem especial interesse em ampliar mercados. No ano passado, exportou US$ 7,4 bilhões para Singapura. Óleos combustíveis, máquinas, equipamentos e carnes são os principais itens embarcados. No caso do Rio Grande do Sul, foram US$ 349 milhões, montante que tende a ser incrementado com a facilitação do comércio não só de bens, mas de serviços também.
É salutar que o Mercosul amplie parcerias. Em setembro do ano passado, começou a valer o acordo de livre-comércio com a Efta, associação formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Em maio, mesmo que de forma precária, foi a vez de dar a largada ao tratado com a União Europeia (UE), após 25 anos de negociações. Assim, em menos de um ano, o percentual da corrente de comércio do Brasil sob tarifas reduzidas passou de 12% para 31%, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
São ainda promissoras as sinalizações de novas negociações, em diversos estágios. Em junho, foi anunciado o início das tratativas para um acordo de parceria econômica entre o bloco e o Japão. Na semana passada, durante visita ao Brasil, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, tratou com o governo federal da aceleração das conversas para um tratado com o Mercosul. Há a mesma intenção com a China, reforçada em ligação recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o homólogo chinês, Xi Jinping. Faz sentido o olhar especial para a Ásia, continente que mais cresce economicamente, tem a maior população e quase metade do PIB global. Há conversas em curso com outros países, como os Emirados Árabes Unidos e o Canadá.
Ao Brasil e ao Mercosul convém ser pragmáticos e manter diálogos nesse sentido com qualquer nação ou bloco que tenha o mesmo objetivo. Isso não significa abrir mão de continuar a tentar que os EUA aliviem o tarifaço contra o Brasil, que carece de lógica econômica. É preciso seguir na mesa de negociações.
Acordos do gênero, por serem vias de mão dupla, incluem adquirir mais bens e serviços do Exterior também. A maior abertura é benéfica ainda por forçar a busca pela competitividade no Brasil. Conforme o Banco Mundial, enquanto na média global a corrente comercial é equivalente a 56% do PIB, no Brasil a soma das importações e das exportações corresponde a somente 35,5% da geração de riquezas, uma das menores. Mesmo mantendo cuidado com setores sensíveis, como faz qualquer nação, o Brasil tarda em deixar de ser uma das economias mais fechadas do mundo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário