segunda-feira, 24 de agosto de 2026

24 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Uma das principais vocações econômicas da Capital, com espaço para ser melhor explorada, é a de receber grandes eventos. E os ligados ao esporte, sem dúvida, estão entre as principais oportunidades, até pela tradição dos porto-alegrenses e dos gaúchos de acompanhar e praticar diversas modalidades. Um exemplo recente foi a 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, no último fim de semana de maio. 

Reuniu 30 mil atletas de 26 países. Fez a rede hoteleira local registrar no período cerca de 90% de ocupação e movimentou ainda todo o restante da cadeia ligada à hospitalidade. A Copa do Mundo Feminina de Futebol, no próximo ano, traz uma possibilidade ímpar para consolidar essa aptidão.

Porto Alegre será uma das oito cidades-sede da competição que será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho do próximo ano. É a primeira vez que a América do Sul receberá a disputa. Estão programadas sete partidas para o Estádio Beira-Rio, seis pela fase de grupos e uma pelas oitavas de final. No total, a Copa terá 32 seleções e 64 jogos. A movimentação de público tende a ser significativa, com a vinda de milhares de turistas, boa parte estrangeiros.

O futebol feminino cresce em interesse no mundo. Segundo a Fifa, o mercado de transferências movimentou, em 2025, US$ 28,6 milhões. Parece pouco, mas é um crescimento de 83,6% sobre 2024 e de 2.200% em cinco anos. A meta da entidade é que, em média, as partidas do torneio sejam assistidas no estádio por mais de 33 mil pessoas. 

Se o objetivo for alcançado, os sete jogos na Capital seriam vistos das arquibancadas por cerca de 230 mil torcedores. Na Copa masculina de 2014, foram cinco partidas na cidade. Espera-se que os ingressos tenham preços acessíveis, para estimular também a população local a comparecer às partidas.

A chegada de um grande número de visitantes tem o potencial de movimentar o comércio e os serviços de Porto Alegre e, como legado, ampliar a visibilidade internacional da cidade. É preciso, portanto, estar preparado para receber bem turistas e deixar boa impressão. A prefeitura da Capital criou, no ano passado, uma secretaria extraordinária para tratar da organização do evento. 

Mas os ganhos econômicos, por óbvio, não ficam restritos à cidade-sede. Podem se espalhar por outras regiões, em especial as mais turísticas. É comum que visitantes atraídos por eventos do gênero busquem conhecer outros destinos e atrativos nas proximidades.

A Copa do Mundo Feminina é um acontecimento de alcance planetário e é considerada a principal disputa esportiva feminina do mundo. Conforme a Fifa, que divulgou o calendário dos jogos na quinta-feira, mais de 730 mil pessoas já demonstraram interesse em adquirir ingressos. A meta da entidade é que o público nos estádios supere a marca de 2 milhões de pessoas, alcançada na última edição, em 2023, na Austrália e na Nova Zelândia.

Um estudo da Embratur, em parceria com a FGV Projetos, projeta que o evento movimentará R$ 8,8 bilhões na economia nacional. Parte desses benefícios ficará em Porto Alegre e no RS. A responsabilidade é garantir uma boa organização e uma receptividade exemplar, confirmando a capacidade local de atrair e sediar grandes eventos. 

OPINIÃO RBS

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