sexta-feira, 21 de agosto de 2026

21 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL

A obrigatoriedade do diploma de jornalista

Em junho de 2009, a própria Suprema Corte derrubou a exigência do diploma de nível superior por oito votos a um, considerando inconstitucional a regra estabelecida pelo Decreto-Lei nº 972, de 1969, editado durante a ditadura militar.

É uma pena que o tema tenha voltado à discussão em hora aleatória - por que não antes, em meio ao inquérito das "fake news", já que a desinformação é um assunto que nos é caro, como jornalistas? - e como mero diversionismo dos magistrados da mais alta Corte brasileira. Mas a história não é linear e, afora a inadequação do timing, cabe o debate.

Ninguém aprende a escrever na faculdade. Um bom texto é resultado de técnica, que qualquer curso pode ensinar; talento, algo em boa medida inato; e repertório, adquirido com a vida e a leitura. Experiência também ajuda. Quando releio meus primeiros trabalhos premiados, ainda como jornalista recém-formado e repórter em formação, identifico fragilidades e, por vezes, certa pobreza textual. O texto, assim como os seres humanos, amadurece.

Aprendizado diferente

Estão aí também os diferentes gêneros literários, os espaços de opinião dos jornais, os blogs e as redes sociais para comprovar - ou não - o talento para a escrita.

O que se aprende na faculdade é diferente. Não é apenas texto. Aprende-se rigor científico, método jornalístico, apuração, história, humanismo, pensamento crítico, olhar diverso, responsabilidade profissional, ética.

Uma reportagem reúne tudo isso e um pouco mais. Um jornalista pode ter um blog, mas não é blogueiro. Pode influenciar em uma rede social, mas não é "influencer". A comparação é batida, mas continua válida: você levaria seu filho doente a um médico sem diploma? Imagino que não. Por que, então, confiaria em uma informação que não foi produzida por um jornalista?

Caso a exigência do diploma retorne, outros profissionais - gestores, políticos, médicos, advogados, economistas - continuarão tendo espaço, cada vez mais, felizmente, para se expressar. Seja nas redes sociais, em entrevistas, no rádio e na TV ou nos espaços de opinião, em artigos e crônicas nos jornais. Mas reportagem é feita por jornalistas que, preferencialmente, dedicaram parte de suas vidas ao aprendizado do ofício nas universidades.

Por isso, embora o debate tenha sido levantado em hora estranha e por motivos tortos e oportunistas, defendo a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. _

Rodrigo Lopes

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