sábado, 1 de agosto de 2026

01 de Agosto de 2026
EM FOCO

EM FOCO

No primeiro semestre de 2026, RS teve 734 ocorrências com morte, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025. As três principais rodovias federais do Estado, BR-116, BR-386 e BR-290, lideram os registros

Número de acidentes de trânsito fatais registra queda

O trânsito do Rio Grande do Sul teve 734 acidentes fatais no primeiro semestre de 2026, que resultaram em 819 mortes, conforme dados do Detran- RS. O número de ocorrências caiu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando ocorreram 753 acidentes. Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutor em Mobilidade Carlos José Antônio Kümmel Félix, a redução é positiva, mas ainda insuficiente para indicar uma mudança consistente no cenário da segurança viária no Estado.

Considerando os primeiros semestres dos últimos cinco anos, 2024 segue como o período com maior número de acidentes fatais nas rodovias gaúchas (759). Apesar da queda em 2026, o total ainda supera o de 2023 (730). As três principais rodovias federais do Rio Grande do Sul que lideram o ranking de acidentes fatais no primeiro semestre de 2026 são a BR-116, a BR-386 e a BR-290.

Segundo a professora de Mobilidade e Infraestrutura da Unisinos Danielle de Souza Clerman, o intenso fluxo de veículos de diferentes perfis torna essas rodovias mais complexas e exige soluções integradas para aumentar a segurança.

- São rodovias que têm um tráfego muito misto, com transporte pesado de cargas muito relevante, mas também de veículos de passeio, de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra. Isso reforça a necessidade de ainda mais atenção, fiscalização e projetos de engenharia conectados entre si - explica.

Atenção

A especialista observa ainda que tanto a BR-116 quanto a BR-386 passam por obras de duplicação e melhorias. Para ela, a necessidade de reduzir a velocidade e redobrar a atenção nos trechos em intervenção pode ter contribuído para estabilidade ou leve redução dos índices.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atribui o elevado número de ocorrências às características dessas rodovias. Segundo a corporação, a BR-116, que liga Vacaria a Pelotas, concentra intenso fluxo e ainda possui poucos trechos duplicados. Já a BR-386 passa por obras, e a manutenção dos índices é considerada positiva diante das intervenções.

No caso da BR-290, que liga Uruguaiana ao Litoral, a PRF destaca que a rodovia reúne trechos de pista simples e partes em obras de duplicação. Além disso, as longas retas podem contribuir para excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas. _

Perigos que exigem atenção

Principais fatores de risco

Excesso de velocidade

Uso de celular ao volante

Consumo de álcool

Falta do cinto de segurança

Cansaço

Fonte: Detran

Rodovias federais do RS que lideram ranking de acidentes fatais*

BR-116 - 30 ocorrências no primeiro semestre de 2026; 35 no mesmo período de 2025

BR-386 - 24 em 2026; 25 em 2025

BR-290 - 24 em 2026; 21 em 2025

* Primeiro semestre de 2026

Condições do tempo podem explicar pico de acidentes em maio

Na comparação mensal, maio foi o mês com o maior número de acidentes fatais no trânsito do RS em 2026. Foram 155 ocorrências, alta de 22% em relação ao mesmo mês de 2025. O tempo chuvoso pode ter contribuído para esse cenário, segundo a PRF.

- O que nos preocupa é que esses acidentes são quase sempre ao amanhecer ou anoitecer. Observamos que a pessoa está cansada e ainda enfrenta uma luminosidade desfavorável, seja pelo sol nos olhos ou pela neblina - acrescenta o chefe da Comunicação Social da PRF no Rio Grande do Sul, Alessandro Castro.

Além do clima, características de alguns trechos podem explicar o aumento das ocorrências. A BR-285 passou de 16 para 26 acidentes com morte no primeiro semestre deste ano. No trecho entre Muitos Capões e Saldanha Marinho, no norte do Estado, a combinação de baixa visibilidade e desatenção dos motoristas preocupa a polícia.

Como a iluminação pública nas rodovias está concentrada, em geral, apenas nos trechos urbanos, a recomendação é evitar viagens sob chuva intensa ou neblina e interromper o deslocamento em um local seguro sempre que as condições forem desfavoráveis. _

As rodovias estaduais que registram mais acidentes fatais

Entre as rodovias estaduais, a RS-324 e a RS-239 registraram o maior número de acidentes com morte no primeiro semestre, com 20 ocorrências cada. A primeira cruza as regiões Norte e Serra, enquanto a segunda liga o Vale do Sinos ao Litoral Norte. Na comparação com 2025, a RS-287 teve alta de 10 para 18 acidentes fatais, e a RS-453 passou de 12 para 16. Já a RS-122, que liga a Região Metropolitana e o Vale do Caí à Serra Gaúcha, apresentou uma das maiores reduções, de 23 para 13 casos.

Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar, excesso de velocidade, desatenção e ultrapassagens em locais proibidos estão entre as principais causas dos acidentes.

A corporação afirma que reforça a fiscalização em trechos com aumento de acidentes, especialmente nos horários de maior ocorrência, entre 7h e 8h e entre 17h e 19h. Alguns locais também passarão a ser monitorados com drones. _

Soluções

passam por infraestrutura, fiscalização e comportamento

A forma como as rodovias são projetadas, sinalizadas e fiscalizadas é tão importante para a segurança quanto o comportamento de quem está ao volante, avaliam especialistas.

- Mais do que analisar estatísticas, precisamos compreender que a segurança viária resulta da interação entre quatro componentes fundamentais: a infraestrutura, o veículo, o comportamento humano e a gestão pública. Quando um desses elementos falha, aumenta significativamente a probabilidade de acidentes - explica o professor Carlos Félix.

Essa visão está alinhada ao conceito de Sistema Seguro (Safe System), que considera que erros humanos são inevitáveis e que o sistema deve ser preparado para reduzir suas consequências. Na prática, isso significa investir em dispositivos de segurança e soluções de engenharia que tornem as vias mais seguras. 

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