terça-feira, 4 de agosto de 2026


04 de Agosto de 2026
NÍLSON SOUZA

PI do B

Estou pensando seriamente em fundar um partido político e já lanço aqui o convite para quem quiser aderir à nova agremiação. Não vamos cobrar contribuição partidária de ninguém, nem vamos meter a mão nesses fundos milionários de dinheiro público criados para beneficiar espertalhões de todos os matizes ideológicos. Nossa organização se chamará Partido dos Incrédulos do Brasil e seu único propósito será duvidar.

Duvidar saudavelmente, esclareço. Não seremos negacionistas, já tem muito disso por aí. Nossa missão consistirá em duvidar de tudo e de todos - mas somente até a comprovação do fato, da informação, da imagem ou do discurso questionados. Se for mentira, boca no trombone. Não lançaremos candidatos próprios nem vamos apoiar ninguém, mas talvez possamos impedir que alguns farsantes se elejam. Porém, quando depararmos com verdades inquestionáveis, seremos como São Tomé: depois do dedo na ferida, aceitação racional. Nosso lema, se me permitem uma sugestão, será Ceticismo Civilizado.

Por que duvidar? No âmbito da política, essa pergunta nem precisaria ser feita. Ocupantes do poder em todos os níveis da administração pública e desocupados que ambicionam o poder - com as exceções de sempre, é bom esclarecer - mostram todos os dias porque não merecem a nossa confiança. Basta acompanhar o noticiário produzido pelo jornalismo profissional e independente: é gastança desenfreada, desvio de verba para cá, penduricalho para lá, corrupção e fraudes de todos os calibres, apadrinhamentos, rachadinhas, empregos para parentes e amigos. Ou a atual propaganda eleitoral.

Com a popularização da inteligência artificial, duvidar de imagens e vídeos passa a ser um dever. Já tem gente falsificando até acontecimentos históricos, o que devolve atualidade à célebre frase de um ex-ministro da República: "No Brasil, até o passado é incerto". Não basta, portanto, desconfiar do presente ou das promessas para o futuro. Temos que ficar atentos, também, para identificar a reedição tendenciosa da nossa própria história.

Duvidemos, pois, caros futuros correligionários! Mas dúvida seguida de verificação: a quem interessa a informação ou a imagem? Quem é a fonte? Como foi feita? Qual o seu objetivo? _

NÍLSON SOUZA

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