EM FOCO
A abertura de três inquéritos contra o empresário e a divulgação de mensagens de pessoas ligadas a ele obtidas pela Polícia Federal ampliaram, nas últimas semanas, as suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na largada do período eleitoral, o caso pressiona a campanha pela reeleição do petista.
Após ter o nome associado ao escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no ano passado, a partir de desdobramentos da Operação Sem Desconto, Lulinha passou a ser investigado por supostamente atuar, em conjunto com aliados, para favorecer empresas junto a órgãos federais. As suspeitas já levaram ao afastamento de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, da coordenação da campanha.
A Operação Sem Desconto, que apura esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), já estava sob supervisão do STF.
Segundo a PGR, no entanto, nas investigações que envolvem o nome de Lulinha não há indícios de envolvimento de pessoas com foro privilegiado e nem relação com as investigações da Operação Sem Desconto, e por isso não deveriam estar a cargo do STF.
Os dois inquéritos apuram suspeitas relacionadas à Dataprev e a uma tentativa de vender medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
Crítica da defesa
Lula disse que Lulinha deve se apresentar à Justiça para prestar esclarecimentos. A defesa de Lulinha aponta "vazamentos seletivos e criminosos", por parte da Polícia Federal, com objetivos eleitorais.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tende a negar o pedido da PGR. Com isso, os inquéritos devem ser mantidos na Corte até a conclusão.
Dos três inquéritos tramitando no STF para investigar o filho do presidente, dois primeiros que foram abertos estão no gabinete de Mendonça. Um terceiro está sob a relatoria de Flávio Dino. Interlocutores de Dino afirmam que, até o momento, não houve pedido da PGR para que o inquérito mais recente também seja transferido para a primeira instância.
Pessoas próximas de Mendonça desconfiaram do tratamento diferenciado e suspeitam que o verdadeiro interesse por trás do pedido seja retirar o caso das mãos do ministro. Hoje, existe um clima conflagrado entre Mendonça e parte da Polícia Federal, que realiza as investigações. _
Quem é quem na investigação
Fábio LuÍs Lula da Silva
Conhecido como Lulinha, é empresário, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alvo de três inquéritos na Polícia Federal. É suspeito de ter sido beneficiário do esquema milionário que desviou recursos do INSS por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões e de ter praticado tráfico de influência junto a órgãos federais.
Antônio Carlos Camilo Antunes
Conhecido como Careca do INSS, o empresário e lobista é apontado pela PF como principal operador financeiro do escândalo do INSS. Está preso desde setembro do ano passado.
Roberta Luchsinger
Herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse, a empresária é amiga de Lulinha e próxima ao PT. Foi alvo de busca e apreensão em dezembro passado. A PF identificou transferências que somaram R$ 1,5 milhão do Careca do INSS para ela, com base em contrato de consultoria.
Marco Aurélio Santana Ribeiro
Conhecido como Marcola, era chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até julho, quando deixou o cargo para assumir a coordenação da campanha à reeleição. Próximo a Lula, o cientista político foi um dos principais interlocutores no período em que o presidente esteve preso em Curitiba (PR), entre abril de 2018 e novembro de 2019. No início de agosto, Marcola deixou a equipe da campanha de Lula após admitir que recebeu pagamentos da empresária Roberta Luchsinger. Ele afirma que foi um empréstimo.
Os três inquéritos
Lulinha também é investigado, em um segundo inquérito, de 31 de julho, por suposta atuação junto à Dataprev para favorecer o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa de tecnologia 3Structure It.
Já o terceiro inquérito, aberto em 4 de agosto, apura a atuação de pessoas ligadas a Lulinha junto a outros órgãos federais para favorecer empresas.
"Eu sou o Fábio"
A PF também descobriu que, em 2024, Roberta repassou R$ 249 mil a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e chegou a presentear o então chefe de gabinete de Lula com joias de diamantes.
Além disso, a empresária enviou a Marcola a minuta de um contrato que previa a venda de 1,2 milhão de frascos de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde por R$ 626 milhões. Marcola confirmou o repasse, alegando se tratar de empréstimo pessoal, e o recebimento da minuta, que afirmou não ter repassado a ninguém do governo. As revelações reforçam a suspeita de tráfico de influência por parte do grupo junto ao governo. _

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