sábado, 17 de julho de 2010



18 de julho de 2010 | N° 16400
PAULO SANT’ANA


Severas proibições

É o tempo da proibição, estão proibindo tudo.

Noto que estão proibindo o sexo.

Primeiro, proibiram o sexo anal, por causa da aids.

Agora estão proibindo o sexo oral, causa câncer na boca.

E vão acabar proibindo o sexo manual.

Ora, vão se lixar! Proíbam logo o desejo.

Ah, áureos tempos aqueles em que eu fazia sexo três vezes por dia. Ah, esplendorosos tempos em que eu fazia tanto sexo, que por vezes era obrigado a fingir que tinha orgasmos.

Ah, belo tempo da grande demanda sexual, eu fazia sexo em casa à noite, sexo depois do Sala de Redação e finalmente sexo antes de ir para casa. Era bala e bala, um tiroteio.

Mas, se não me importo mais com a proibição do sexo por ter vencido meu prazo de validade, importo-me todavia com as outras proibições que me atingem: noto uma campanha na mídia para que não se coma massa nem arroz, ambos contêm imensa carga de carboidratos, fatais para o organismo.

Cá para nós, se não podemos comer arroz e massa, o que afinal iremos comer?

Então vamos comer carne? Mas há uma enxurrada de recomendações científicas para que não se coma carne vermelha.

De que cor querem que eu coma a carne, então? Azul?

Nem vou falar nos conselhos ou imposições para que a gente não fume. Já virou uma chatice o antitabagismo.

E também nos condicionam para não beber.

E os telespectadores, ouvintes, leitores, diariamente são aconselhados tanto a não consumir cocaína quanto ovo, que altera o colesterol.

A cocaína, lá sei eu o que altera.

Não se pode fumar maconha, cheirar cocaína, mas, por outro lado, o paciente é condicionado a não comer doces ou quaisquer outros alimentos que contenham açúcar.

O pobre do ouvinte fica atarantado. Esses dias, li um artigo que condena a ingestão de todas as espécies de biscoitos e bolachas.

Só não ouvi ainda conselho para não comer verduras e legumes. Prega-se que se deve comer verduras e legumes. Muita verdura, sempre verdura, proclamam os vegetarianistas.

Mas eu quero declarar veementemente que não sou coelho!

Proíbem-nos de fazer sexo e de comer a gordura da picanha. Mas, se não se pode comer a gordura da picanha nem a carne vermelha, não se pode comer a picanha em si. Como se irá imbecilmente evitar a gordura da picanha?

Quem sabe, nos permitam que comamos charque. Ah, charque não, porque está embutida nele alguma gordura.

Chegou-se ao cúmulo nos conselhos científicos de condenar-nos o consumo do sódio, isto é, do sal.

Mas, se nos proíbem todas as comidas, de que adianta nos proibirem o sal?

Sal, açúcar, ovos, doces, massas, arrozes, tudo proibido, de que acham esses metodologistas vamos nos alimentar?

Está impossível viver assim, eles vão acabar nos convencendo de que é agradável morrer.

De inanição. Já notaram que essas campanhas proibicionistas têm um só objetivo, que é nos privar de todo e qualquer prazer? Sádicos!

Nenhum comentário: