sexta-feira, 30 de maio de 2025

Comida, pessoas, reflexões,viagens e receitas memoráveis

O QUE COMI EM UM ANO

Jaime Cimenti

O que eu comi em um ano- e outras reflexões (Editora Intrínseca, 336 páginas, R$ 79,90), de Stanley Tucci, celebrado ator premiado de Hollywood, escritor, diretor e produtor, apresenta deliciosas histórias em forma de divertido diário, nas quais fala de comida, pessoas, filmes, reflexões sobre a vida, memórias sobre momentos da existência, dá dicas e receitas gastronômicas. No best-seller do The New York Times Sabor: Minha vida através da comida, Tucci tinha explorado a faceta gourmet de sua personalidade - e agora, nesta obra, desenvolve o tema de forma ainda mais pessoal.

Tucci dirigiu cinco filmes, atuou em mais de 70 filmes e inúmeras séries de televisão e dezenas de peças de teatro dentro e fora da Broadway. Já foi indicado para Oscar, Tony e Grammy e ganhou dois Globos de Ouro e seis Emmys.

Na abertura do livro, Tucci conta sobre sua viagem a Roma, onde gravou as cenas de Conclave, filme indicado a oito Oscars e vencedor da categoria Melhor Roteiro Adaptado. Pediu para a produção equipamentos de cozinha e uma tupperware que usaria para levar a comida feita por ele para o trabalho. "O serviço de bufê nos sets de filmagem, mesmo na Itália, geralmente é duvidoso" ensina Tucci, que é excêntrico e criterioso no trato com a comida.

Tucci mostra como a gastronomia, durante um ano, para o bem e para o mal, proporcionou experiências como acompanhar o cântico de freiras que administram um discreto restaurante frequentado por atores.

Os relatos apresentam casos interessantes sobre a vida em Hollywood, envolvendo nomes conhecidos do mundo do cinema, restaurantes tradicionais e encontros curiosos. As narrativas também acontecem em cenários da Itália, Nova York, Londres, Cornualha e outros locais, onde se entrelaçam experiências diálogos, convivências e degustações inesquecíveis.

Sua Alteza Imperial e Real Maria Antonia de Habsburgo Bourbon que morou e morreu em Porto Alegre (Edições 70, 48 páginas), do consagrado médico, articulista e escritor Franklin Cunha, narra a vida da princesa que fugiu da Áustria por causa da 1ª Guerra. Viúva, foi para a Espanha, depois para a Argentina e Porto Alegre, onde morreu muito pobre e de câncer. Narrativa precisa, pungente, com belas fotos.

Lampejos de bem-estar - Histórias em psicoterapia e psiquiatria (Artmed, 200 páginas, R$ 85,00), segundo livro do renomado psiquiatra e escritor Fernando Lejderman , traz novos relatos oriundos da rica vivência cotidiana com as dores, amores, alegrias, tristezas, impulsos, paixões, realizações e conquistas dos pacientes, que trata com escuta afetuosa e generosa humanidade.

Malina (Estação Liberdade, 352 páginas, R$ 94,00), romance clássico cult da austríaca Ingeborg Bachmann, conta a história de uma mulher envolvida com um homem introvertido e outro alegre. Em linguagem ousada e criativa, são tratados temas como relações de gênero, culpa, doença mental, escrita e traumas pessoais e coletivos, no contexto da II Guerra Mundial em Viena.

Moinhos de Vento visto do alto

Pelas janelas do último andar do Hilton Porto Alegre, onde fica a piscina e a academia de ginástica, se pode curtir uma maravilhosa vista de praticamente todo o bairro Moinhos de Vento, um dos mais históricos e importantes de Porto Alegre. Além da Praça Maurício Cardoso e dos jardins das casas remanescentes, no miolo do bairro não restaram muitas áreas verdes. Por sorte, na maior parte das ruas do Moinhos existem árvores frondosas, que sobreviveram às calamidades climáticas e dão a esta parte da cidade lindas visões.

Lá do topo do Hilton vemos que, por decisões corretas, o Parcão, com seus cerca de onze hectares, permanece como o grande coração e pulmão do Moinhos. Por sorte nosso mini Central Park está aí, impávido e recentemente revitalizado pela prefeitura. Especialmente nos fins de semana, é um dos espaços mais queridos, democráticos, livres, plurais e charmosos que temos em nossa cidade. A passarela que liga as duas partes do Parcão lembra um pouco as passarelas do Aterro do Flamengo, do Rio de Janeiro, e está pintada de azul e vermelho, criando um harmonioso grenal.

Do alto do Hilton é possível ver várias obras em andamento no bairro e com alegria dá para ver que, especialmente quanto às últimas, houve respeito ao patrimônio histórico e cultural de um bairro que, na verdade, pertence a todos os porto-alegrenses, rio-grandenses, brasileiros e estrangeiros que aparecem por aqui para trabalhar, passear ou visitar amigos e parentes. Antigas casas, mansões e palacetes foram mantidos e assim o antigo e o novo convivem com beleza e harmonia.

Do alto do Hilton se observa a Padre Chagas, com seus aproximados 600 metros de comprimento e cento e alguns anos de existência. Essa mini Rua da Praia antiga segue adiante, com menos movimento do que antes e algumas lojas vazias, mas mantendo-se viva, junto com a Dinarte Ribeiro, que nos últimos anos tornou-se relevante polo gastronômico, social e comercial.

O Moinhos visto do alto mostra ainda mais a beleza das casas geminadas da Félix da Cunha e das árvores, que dão um aspecto londrino ou alemão ao quarteirão. No início da primavera, lá de cima a Félix fica parecendo um rio florido. Lá em cima é o melhor lugar para desejar que o bairro siga vivo, antigo, moderno e acolhedor, conciliando os valores do passado com a adequada modernidade. Águas passadas movem o novo Moinhos, mas com suavidade e respeito ao patrimônio histórico e cultural. O Moinhos se reinventa com categoria, com novos cafés, sorveterias, restaurantes, lojas e serviços. O Moinhos é um mini Leblon, um mini Jardins de São Paulo e os novos prédios estão aí para mostrar que o bairro tem um ótimo futuro pela frente.

Visto do céu, o Moinhos transpira eternidade e permanência, como os lindos prédios da Associação Leopoldina Juvenil e do Grêmio Náutico União. Lá de cima o tempo do Moinhos é ainda mais elegante, silencioso e compassado do que nas ruas arborizadas.

A propósito

Com a vista aérea do Moinhos de Vento a gente se sente mais leve e pode fazer voar os pensamentos e as sensações com segurança, sem os medos chatos de aviões ou helicópteros. Para viajar ainda mais e melhor pelo bairro, recomendo os magníficos livros Moinhos de Vento - Memória e Reconhecimento, de Gilberto Domingues Werner, e Moinhos de Vento - Histórias de Um Bairro de Porto Alegre, de Carlos Augusto Bissón. Ah, lá de cima dá para ver os jardins do Dmae, que é tipo uma França econômica, sem passaporte e paisagem cara. 

Jaime Cimenti

Primeira usina de biometano da CRVR deve operar em julho em Minas do Leão

Planta industrial de biometano está preparada em Minas do Leão; matéria-prima do biogás é composta de resíduos urbanos

Anuário de investimentos BRDE - Hotsite

A estrutura já está toda pronta em Minas do Leão para a operação comercial, aguardada para julho deste ano, da sua primeira usina de produção de biometano a partir de biogás purificado, gerado a partir dos resíduos urbanos do aterro operado pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR).

Simultaneamente, avançam as obras para erguer, em São Leopoldo, a segunda planta de produção do combustível que poderá ser usado tanto para veículos, residências ou indústrias. Esta, com metade da capacidade de produção de Minas do Leão, deve entrar em operação no segundo semestre de 2026.

Ao todo, os dois projetos demandam nestes últimos anos R$ 250 milhões, dos quais, R$ 40 milhões são desembolsados neste ano na fase final da usina na Região Centro-Sul e R$ 71 milhões na fase de construção da segunda usina, no Vale do Sinos.

"Estamos com a licença (ambiental) de operação concretizada e agora estamos na fase de comissionamento para termos a liberação pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para a comercialização do biometano. Trabalharemos como uma produtora, e não distribuidora, por isso já firmamos um contrato com a Ultragaz, que vai distribuir a maior parte do que produzirmos. Iniciaremos a operação em Minas do Leão com uma capacidade de 45 mil metros cúbicos por dia, que em pouco tempo já deve escalar para 60 mil metros cúbicos", aponta o diretor-presidente da CRVR, Leomyr Girondi.

Enquanto a planta de Minas do Leão terá capacidade para produzir até 66 mil metros cúbicos de biometano por dia, em São Leopoldo, a estrutura será capaz de gerar 34 mil metros cúbicos. Segundo Girondi, os equipamentos para a montagem da operação propriamente dita devem chegar ao Estado em agosto deste ano.

Com um investimento de R$ 100 milhões, a Ultragaz distribuirá o novo combustível, no entanto, uma cota de pelo menos 20 mil metros cúbicos por dia seguirá com a CRVR para levar adiante, como afirma Leomyr Girondi, um dos seus principais projetos futuros, que é o de garantir toda a sua frota de caminhões movida pelo biometano gerado nas suas operações.

Operações avançam para a Fronteira Oeste

"É o complemento de uma cadeia produtiva limpa que temos desenvolvido no Estado", explica o diretor.

A partir de Minas do Leão, já é gerada energia elétrica a partir do biogás e, desde o ano passado, a empresa já tem a licença ambiental para a maior planta de tratamento de efluentes do Rio Grande do Sul.

Segundo Girondi, neste ano a CRVR desembolsa outros R$ 58 milhões em melhorias nas estruturas de cinco unidades, especialmente com aberturas de novas células para o tratamento de resíduos. E há ainda o plano de expansão em direção à Fronteira Oeste. São investidos R$ 15 milhões para erguer uma nova unidade em Alegrete, com a projeção de receber até 400 toneladas diárias de resíduos vindos de 13 municípios da região.

Anuário de investimentos BRDE - Hotsite

A expectativa da empresa é avançar ainda neste ano com as licenças ambientais e operar em Alegrete no início de 2026. Atualmente, a CRVR gerencia sete unidades no Rio Grande do Sul.

Ficha técnica

Investimento: R$ 184 milhões (total: R$ 323 milhões)

Estágio: Em execução até 2026

Empresa: CRVR

Cidades: Minas do Leão, São Leopoldo, Alegrete

Área: Indústria

quinta-feira, 29 de maio de 2025


A maior sensação de liberdade

Ouvia com frequência de amigos que uma das maiores sensações de liberdade era tomar banho de mar completamente despido, em pelo vivo. Eles se gabavam. Traziam histórias de balneários e ilhas desertas em que afirmavam ter exercido o poder de nadar do jeito que vieram ao mundo.

Adolescente, com 14 anos, espinhas no rosto, nenhuma namorada na época, eu não tinha com quem dividir essa aventura. Não queria acabar preso por atentado ao pudor. Seria melhor se dispusesse de uma parceria para partilhar a autoria da loucura, principalmente no caso de algo dar errado.

Já terminava o veraneio em Rainha do Mar, fevereiro chegava à sua metade, eu voltaria às aulas em seguida, e via pouca esperança de romance no horizonte - a companhia da família reduzia as minhas chances.

Ecoava esta cisma: será que é tão bom assim ou o povo exagera?

Não me apetecia a ideia de arcar com as consequências sozinho. Não teria álibi para provar a façanha. No entanto, eu me abasteceria de informações para descrever o mergulho e não me sentir tão excluído nas rodas.

Planejei minha ida à praia de madrugada, aproveitando a extensão da areia desocupada, pelas cinco horas da manhã, entre a penumbra e a alvorada. No máximo, poderia encontrar alguns pescadores.

Saí de fininho, sem fazer barulho, pegada a pegada na ponta dos pés. Nem preparei café, para não precisar explicar o que faria. Meus pais não acreditariam em qualquer desculpa, já que eu costumava despertar tarde e, de repente, apareceria mudando radicalmente meus horários.

Passei na rua por um jornaleiro de bicicleta, arremessando a edição do dia nos jardins. Não cumprimentei. Fingi que eu não existia.

Caminhei na orla até localizar um ponto isolado, remoto. Criei coragem, tirei a bermuda, amarrei-a num degrau da escada da guarita do salva-vidas, para não correr o risco de o vento levar. E corri em direção às ondas, assustando as gaivotas e os peixes.

Dava as minhas braçadas, boiava, mas só tremia. Não vinha aquele sentimento de leveza e de imponência do infinito, de fusão com a natureza, de entrega holística que os outros me relatavam. Gritava de frio, sofrendo espasmos de choque térmico. Comecei a contar alto: "1, 2, 3, 4". Comecei a cantar alto: "Prefiro ser/ essa metamorfose ambulante/ eu prefiro ser/ essa metamorfose ambulante/ do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo?".

Esperava me adaptar à correnteza gelada. Em algum momento, jurava que o banho selvagem me agradaria, que valeria a pena, que eu desfrutaria do prazer do desembaraço total, do bem-estar da nudez.

Mas, no fundo, desejava unicamente regressar ao quentinho da cama e dormir debaixo do meu edredom.

Desisti, resignado, da experiência. Tiritando, longe do conforto de uma toalha e despossuído da luz solar para me secar ao natural, fui atrás da minha bermuda.

Cadê ela?

Simplesmente tinha desaparecido. Não havia sinal de gente nas redondezas. Lembrava-me de ter feito um nó firme de marinheiro. Como havia sumido?

Não me restava tempo para solucionar o enigma. Logo amanheceria, logo o sol se levantaria e inundaria os telhados com seu vermelhaço, logo o lugar estaria apinhado de guarda-sóis.

Raciocinei, tentando me incentivar: "São apenas duas quadras. Você consegue!".

Decidi não correr. Alguém pelado correndo fica ainda mais pelado. Chama muito mais atenção.

Andei como se não fosse nada. Com calma. Controlando a respiração. Desprovido de pressa - para não agravar o vexame. Na mesa de bar, ninguém mais me ganharia: o que é nadar sem roupa perto de passear pela cidade sem roupa? 

CARPINEJAR 


29 de Maio de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Aporte de ao menos R$ 3,4 bi na reconstrução do RS

Entre operações de crédito e doações, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial e Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) aportaram ao menos R$ 3,4 bilhões para ajudar a reconstruir o Rio Grande do Sul depois da enchente de maio de 2024. O valor é menor do que o anunciado pelas três instituições no ano passado, de R$ 10 bilhões.

A maior parte corresponde a financiamentos, ou seja, são recursos que terão de ser devolvidos, ainda que a juro baixo. Em resposta à consulta da coluna, o BID afirma ter liberado cerca de R$ 2,4 bilhões (ou US$ 421 milhões) para empréstimo, dos quais 74% para o governo do Estado, como apoio à gestão fiscal, e o restante para o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), para crédito a micro, pequenas e médias empresas.

Já o Banco Mundial diz ter destinado cerca de R$ 585 milhões (US$ 102,55 milhões dos US$ 125 milhões anunciados no ano passado) para projetos de resiliência urbana e de revitalização da área central de Porto Alegre. O CAF também fez empréstimo para prefeitura da Capital, no valor de R$ 456 milhões (US$ 80 milhões). Os recursos serão aportados para fortalecimento da cidade contra novos desastres naturais.

- Trabalhamos lado a lado com governos locais e estaduais para estruturar soluções concretas, que vão desde o fortalecimento da infraestrutura urbana até medidas para mitigar riscos climáticos e proteger a população mais vulnerável - afirma a representante do CAF no Brasil, Estefanía Laterza, em nota à coluna.

A coluna fez contato com o New Development Bank (NDB), conhecido como banco dos Brics, mas não obteve retorno até a publicação desta nota. A instituição havia anunciado financiamento de R$ 5,7 bilhões ao Estado em maio de 2024.

Novos recursos

Em nota à coluna, o BID afirma que um novo pacote de R$ 568 milhões (US$ 100 milhões) deve ser destinado à prefeitura de Porto Alegre "nos próximos meses", para investimento em infraestrutura social, como recuperação de escolas.

E aprovado em abril deste ano, um novo projeto de cerca de R$ 2 bilhões (US$ 359,6 milhões) do Banco Mundial deve apoiar o governo do Estado na construção de sistemas e infraestrutura para mitigar efeitos de futuros eventos extremos e no uso mais eficiente dos recursos públicos. _

Doações

Além dos financiamentos, os bancos multilaterais doaram R$ 7,5 milhões para o Estado. A maior parte veio do BID (R$ 4,9 milhões), que fez um estudo, com Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e Banco Mundial, sobre o efeito econômico da enchente, que aponta perda de R$ 88,9 bilhões por danos da cheia. Outros R$ 2,6 milhões (US$ 450 mil) foram repassados, a fundo perdido, pelo CAF para Caxias do Sul e para a Defesa Civil do Estado.

Microcervejaria ressurge em novo shopping

Seis meses depois de anunciar o fim da produção em sua microcervejaria criada em 1995, Eduardo Bier Correa faz a operação e a marca renascerem: vai comemorar os 30 anos com a volta da Dado Bier, agora no Shopping Bordaza, empreendimento "fora da caixa" que está nascendo em Porto Alegre com proposta centrada no bem-estar.

Não é só a microcervejaria, volta também o Food Hall Dado Bier, também encerrado no final do ano passado, com a proposta de oferecer de comida autoral à cozinha afetiva e com curadoria da filha de Eduardo, Manoela Bertaso.

O espaço quer ser também palco para atividades culturais e eventos, ou como diz o empresário, participar da "efervescência criativa" da Capital. Com investimento estimado de R$ 5 milhões, a intenção é abrir o novo local entre setembro e outubro, mas o empresário avisa que, se passar disso, pode ficar para 2026. O projeto é tão recente que ainda não tem imagens - estão em detalhamento final.

E o que houve entre o anúncio de que a esquina entre gastronomia e entretenimento havia ficado para trás e o novo negócio?

- Saí chateado, incomodado, do empreendimento anterior. E ainda dependia da vontade da Manoela também querer, não iria sem ela. Mas recebi um convite bacana, me senti muito bem acolhido, o empreendimento é maravilhoso, que decidi voltar - explica Eduardo.

O shopping Bordaza é um open mall (com lojas e outros negócios concentrados em um local a céu aberto) na Carlos Gomes Square, que ocupa área próxima ao Mãe de Deus Center. É tocado por Sérgio e Matheus D?Agostin, Francisco Zaffari e Leonel Bortoncello. O empreendimento será localizado em conjunto lançado pela Melnick ainda em 2019. _

RJ da Azul deixa fusão com Gol mais distante

No início deste ano, a crise causada pela pandemia nas companhias aéreas já havia feito Latam e Gol pedirem recuperação judicial (RJ) nos Estados Unidos e levado a Azul a um acordo particular com credores. Gol e Azul chegaram a assinar acordo prevendo "combinação de negócios" - uma fusão.

Ontem, a Azul também pediu proteção para uma dívida ao redor de US$ 3,6 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões). Conforme os termos da recuperação, o pedido de redução da dívida foi antecedido de acordos com credores e de maior participação das companhias aéreas americanas United Airlines e American Airlines, que já são parceiras estratégicas da Azul.

Na nota oficial em que a Azul comunica do pedido para entrar no chamado Chapter 11 (equivalente à recuperação judicial nos EUA), United e American ganharam espaço considerável, o que indica que terão mais do que a atual "parceria estratégica" no desenho da saída do processo.

Com esses sinais, se afasta a hipótese de uma fusão entre companhias aéreas brasileiras, que já era considerada de difícil avanço. _

Sugestões do Itaú para driblar a alta do IOF

Diante das pressões para aliviar o aumento do IOF e da disposição do Ministério da Fazenda de reavaliar a medida , o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, apontou alternativas ontem. Avalia que o caminho ideal para manter o ajuste de R$ 50 bilhões, entre redução de despesas (R$ 31,3 bilhões) e aumento de receita (R$ 20 bilhões), seria "reduzir distorções" em vez de elevar carga tributária. Mas põe foco em uma:

- Não vejo por que as apostas esportivas não possam ser taxadas como bebida ou cigarro, ou seja, como atividades que geram externalidades negativas.

Outra opção seria tributar criptomoedas, acrescenta:

- Medidas que ataquem distorções tributárias seriam um caminho. O Brasil tem menor nível de desemprego, mas os gastos com seguro-desemprego não estão em menor patamar. E as estatais que dependem do Tesouro consomem R$ 30 bilhões ao ano.

Outra possível compensação poderia vir de projeções de receitas que a equipe econômica deixou de fora do cálculo por falta de previsibilidade, como a de leilão de petróleo (parte da União nos contratos de partilha do óleo extraído do pré-sal) e dividendos do BNDES. _

GPS DA ECONOMIA

29 de Maio de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Proposta do GHC deixa governo Leite numa sinuca

O avanço da proposta apresentada pelo diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Gilberto Barichello, a prefeitos, secretários municipais e dirigentes de hospitais, de usar recursos do Fundo Rio Grande (Funrigs) para custeio da saúde, coloca o governo de Eduardo Leite numa sinuca. Porque não é esse o destino previsto para o dinheiro que o Estado deveria gastar com o pagamento da dívida e que está sendo depositado em um fundo para reconstrução.

A sugestão foi feita na segunda-feira, a partir do agravamento da crise nas emergências, e referendada ontem em reunião na sede da Famurs. O grupo que representa municípios e hospitais vai consolidar um documento robusto e técnico para entregar a Leite.

Inicialmente, devem ser solicitados cerca de R$ 700 milhões do Funrigs para a saúde. A secretária Arita Bergmann foi surpreendida com a proposta, apresentada por Barichello sem conversar com o governo estadual. Ontem, ninguém do governo participou da reunião.

Antevendo que viria uma negativa com o argumento de que esses recursos só devem ser usados para investimentos, Barichello levantou os destinos já autorizados e encontrou precedente no programa de apoio aos agricultores familiares e a alguns municípios, justamente para aplicação no custeio da saúde.

O entendimento no Piratini é de que o Funrigs deve ser usado de acordo com o Plano Rio Grande, para "tornar o RS um Estado melhor e mais resiliente". Por isso, a prioridade é para o reforço de estradas, pontes, hospitais e escolas, além de equipamentos para a área de segurança pública. Se for gasto no custeio, vira pó.

A esse argumento Barichello, os prefeitos e os hospitais respondem que a prioridade tem de ser salvar vidas e que não adianta construir hospitais se os atuais não conseguem operar por falta de dinheiro.

Nos bastidores, integrantes do governo definem a proposta do presidente do GHC como "populista" e "oportunista" e desconfiam que é uma forma de o governo federal empurrar para o Estado um custo que deveria ser seu. _

O prefeito Sebastião Melo avaliou como "razoável" a proposta do GHC. Melo reconhece que não está entre os objetivos do fundo o uso para custeio da saúde, mas alega que a crise também tem relação com as enchentes.

Mario Crespo Brum toma posse como presidente do TRE

O desembargador Mario Crespo Brum tomou posse como presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) ontem. Ele substitui Voltaire de Lima Moraes na função.

Brum assume por um ano, até maio de 2026. Caberá a ele iniciar os preparativos para as eleições estadual e nacional no ano que vem, mesmo que não seja ele à frente do TRE durante o pleito.

Em discurso, Brum falou sobre os desafios da Justiça Eleitoral em tempos de desinformação, e prometeu um "trabalho incansável no combate às fake news e na promoção da educação para a cidadania".

- Vivemos tempos desafiadores. A tecnologia transforma a dinâmica de comunicação, ampliando o alcance da informação, mas também exigindo vigilância constante contra a desinformação, que corrói a confiança pública e ameaça a integridade do processo eleitoral - disse. _

MPs e TCEs vão fiscalizar escolas

Pelo menos 647 mil estudantes no Brasil estão matriculados em escolas públicas que não possuem água potável, 179 mil são afetados pela ausência de abastecimento de água, 357 mil por falta de esgoto e 347 mil por inexistência de banheiros.

Para fiscalizar essa situação presencialmente, os ministérios públicos e os tribunais de contas vão realizar visitas às unidades de ensino, entre os dias 2 e 6 de junho. _

Federação avalia candidatura no RS

Líderes do PP e do União Brasil tiveram o primeiro encontro para organizar no Estado a federação que une os dois partidos. Os deputados Covatti Filho, Luiz Carlos Busato, Afonso Hamm e Pedro Westphalen se reuniram na segunda-feira. A intenção é definir até o fim do ano se a União Progressista terá candidato ao governo do RS.

Dos nomes cotados no PP, o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, e a deputada estadual Silvana Covatti são os favoritos. Além disso, o partido negocia a filiação da deputada Any Ortiz (Cidadania).

A federação, porém, é cobiçada por Gabriel Souza (MDB) e por Luciano Zucco (PL), ambos pré-candidatos. 

Comissão que vai discutir feminicídios é instalada

Com apoio das seis deputadas federais gaúchas, a comissão externa para acompanhar os casos de feminicídio no Estado foi instaurada ontem. Com o aval do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos- PB), o grupo pretende ouvir entidades da segurança pública e órgãos ligados à defesa das mulheres.

- É estarrecedor o que aconteceu na Páscoa (10 casos de feminicídio foram registrados no feriadão). Faremos oitivas in loco no RS, tanto com redes de apoio quanto com movimentos de mulheres. Vamos buscar reuniões com o governador, o secretário da Segurança, e o novo chefe da Polícia - explica Fernanda Melchionna (PSOL). 

POLÍTICA E PODER


29 de Maio de 2025
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Ministro diz que big techs não respeitam leis brasileiras

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comentou o anúncio do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de restringir a concessão de vistos para autoridades estrangeiras que limitem a liberdade de expressão de americanos.

O chanceler, que participou de audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados ontem, esclareceu que nunca houve intenção do governo brasileiro de interferir na liberdade de expressão dentro dos Estados Unidos (leia mais na página 8). Vieira comentou:

- Nós só insistimos, repetidamente, que as redes, as grandes companhias de comunicação, que são negócios; por isto, eles querem sobretudo também ter acesso ao mercado brasileiro: porque, em um país de 220 milhões (de pessoas), isso é uma fonte de renda importante. Essas empresas não querem respeitar as leis brasileiras, que são aprovadas nesta Casa, a Câmara, e no Senado. É o que está vigente. Tem de haver representante legal estabelecido no Brasil, tem de respeitar a legislação sobre cada um dos aspectos das matérias publicadas - afirmou o chanceler.

"Não teria cabimento"

O ministro voltou a frisar que não houve, em nenhum momento, intenção de cercear a liberdade de expressão dentro do território americano nas plataformas digitais, contudo há de se respeitar a legislação vigente no Brasil.

- Isso não teria cabimento. Da mesma forma, acho que não tem cabimento nenhum a interferência em qualquer outro país, como Estados Unidos, Brasil ou qual for o país. Para isso, cada país é independente e tem sua legislação específica. Jamais houve nenhum interesse ou nenhuma iniciativa para cercear a atividade ou a liberdade de expressão nos Estados Unidos. O que se tem de levar em conta é que, para que essas manifestações sejam transmitidas e utilizadas no Brasil, aí, sim, tem que se respeitar a legislação brasileira. _

"Se tiver uma tartaruga para cuidar, ela foge"

Mauro Vieira compareceu à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre temas sensíveis da diplomacia brasileira. O deputado federal Marcel van Hattem (Novo), na ocasião, cobrou do ministro explicações sobre o papel do governo na proteção da Embaixada da Argentina em Caracas, quando o espaço abrigou refugiados venezuelanos que faziam oposição ao regime de Nicolás Maduro.

- Se o senhor tiver uma tartaruga para cuidar, ela foge - disse Van Hattem ao citar que o chanceler pouco sabia sobre o que ocorria dentro da Embaixada.

O deputado gaúcho afirmou que o chanceler "se eximiu da responsabilidade" e que pedirá o impeachment do ministro por crime de responsabilidade.

A reunião, ocorrida ontem, estava agendada para 6 de maio. Contudo, a audiência foi cancelada quando Vieira informou sobre sua ausência, alegando compromissos na data em virtude da viagem do presidente Lula à Rússia. Em resposta, Vieira afirmou que contou com uma série de preparativos e que não desrespeitou o Parlamento. _

Papa nomeia bispo para a Diocese de Uruguaiana

Clésio Facco, 54 anos, é o primeiro bispo brasileiro nomeado pelo papa Leão XIV e assumiu a diocese de Uruguaiana, na Fronteira Oeste, desde ontem, quando o anúncio foi feito em Santa Maria.

Emocionado, Facco agradeceu aos pais e acrescentou:

- A igreja é de irmãos e irmãs que a gente não escolhe, acolhe.

Natural de Nova Palma, na Região Central, é ecônomo da Província dos Palotinos de Santa Maria. A vida religiosa iniciou-se em 1987.

Em 2005, Facco se tornou vigário na paróquia São Vicente Pallotti, em Roma. Em 2010, de volta ao Brasil, o novo bispo firmou residência em Santa Maria. _

Colaborou: Tayline Manganeli - 

Freiras do beatbox ganham repercussão internacional

As freiras Marizele Isabel Cassiano e Marisa de Paula Neves estão fazendo sucesso nas redes sociais desde a semana passada, após aparecerem fazendo beatbox e passos de dança durante uma entrevista à TV Pai Eterno, de Goiás. As irmãs pertencem à congregação Copiosa Redenção, em Goiás, e, nos últimos dias, foram parar nas páginas de grandes jornais internacionais, como o britânico BBC e o americano NBC.

O canal ABC News, dos Estados Unidos, destacou: "Duas freiras brasileiras viralizaram após uma sessão improvisada de beatbox e dança em um programa de televisão católico." Já a NBC afirmou: "Freira beatboxer viraliza no Brasil." O tradicional programa Today, da mesma emissora, também repercutiu o caso. Uma das apresentadoras, Jenna Hager, elogiou as habilidades inesperadas das freiras e brincou: "Eu quero ser a dançarina de apoio." O CBS News publicou: "Freira beatboxer ganha fama no Brasil."

Um dos veículos mais influentes do mundo, o britânico BBC, divulgou o vídeo em suas redes sociais. O jornal Metro, também do Reino Unido, escreveu: "Freiras do beatbox chocam espectadores com suas incríveis habilidades no hip hop." Já o site australiano 7News destacou: "Duas freiras brasileiras chamaram atenção da internet por suas habilidades no beatbox.". O italiano La Repubblica afirmou: "Duas freiras se tornam populares nas redes sociais".

O caso

Agências internacionais de notícias, como Reuters e Associated Press, também noticiaram o fato. A atriz mundialmente conhecida, Viola Davis, ganhadora de dezenas de prêmios e de um Oscar, compartilhou o vídeo nas redes.

As irmãs participavam do programa para divulgar um evento da congregação. No vídeo, Marizele começa cantando "vocação, ooh", enquanto Marisa dança. Em seguida, Marizele reproduz sons com a boca e o nariz - técnica conhecida como beatbox, comum no hip hop. Logo depois, a outra freira executa passos de dança no ritmo da música acompanhada do diácono Giovane Bastos.

Em entrevista ao Super Sábado, da Rádio Gaúcha, no sábado, a irmã Marisa Paula de Neves falou sobre o vídeo. Ela trabalha na recuperação de jovens com dependência química e explicou que utiliza uma linguagem próxima da juventude para se conectar com eles.

- Para trabalhar com jovens, precisa ter algo a mais, né? Algo que faça com que se aproximem da gente - disse à Gaúcha. 

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 28 de maio de 2025


Elevador lotado de lembranças

Você conhece o Brasil? Quantos países encontramos dentro do nosso país?

Os Estados ou cidades não vivem no mesmo tempo. Não é uma questão de fuso horário - mas de época.

Estive em Capim Grosso, no sertão baiano, para uma palestra. Lá, a chuva é visita rara. As nuvens formam comício-relâmpago, mas não vão além disso. Uma cidade simpática, acolhedora, com 35 mil habitantes.

Eu perambulei sem medo de me perder. Você nem depende de Google Maps. Qualquer dificuldade de localização, é só perguntar. Ninguém se assusta com as suas perguntas. Ninguém teme a sua aproximação. As conversas se desenrolam naturalmente.

Na praça, ouve-se o som da bandinha escolar ensaiando. Fui rememorando os meus desfiles na infância: bumbo, caixa, tarol, prato, surdo ou bombo leguero, quadritom, quintotom, bateria, meia-lua, lira, xilofone, metalofone. Experimentei um período em que a música fazia parte do currículo. Trocávamos de voz participando do coro. Havia uma maior interação com a turma.

Atravessei a turba cantante quando entoavam Aquarela, de Toquinho. Fui me lembrando da letra:

"Numa folha qualquer / Eu desenho um sol amarelo / E com cinco ou seis retas / É fácil fazer um castelo?".

Recordei-me também, com nostalgia, do meu estojo de madeira com lápis de cor, que eu mantinha com as pontas sempre em dia. O fundo de madeira apresentava um círculo matizado, lindo, com as colorações abraçadas, como se fosse a paleta de um pintor.

Nos fios de luz, verifiquei vestígios das rabiolas de pipas. O céu ainda era puxado pela mão.

As crianças brincavam de pega-pega entre as árvores. Alguém contava a espera com a cabeça encostada em um tronco.

Um pai deixou o celular no banco de pedra enquanto embalava sua menina no balanço. Não temia roubo. Não temia perdê-lo.

Na frente das casas, ao entardecer, os moradores desengavetavam as cadeiras de praia e se sentavam ao longo da calçada, vendo o povo passar - me vendo passar. As pupilas dos avós me serviam de espelho.

A população despertava com o sol - às cinco da manhã - e dormia com a lua, às oito da noite.

Tudo era antigo de tão novo. Uma versão colorizada de um clássico do cinema. Eu regressava à minha infância com o olhar adulto.

Ao retornar para o hotel, encharcado de vivências, estranhei a movimentação. Um entra e sai infinito.

Pensei que o hotel estivesse lotado para o evento. Não conseguia chamar o elevador. Demorava. Quando chegava, vinha lotado - e ninguém descia. Imaginei que todo mundo tivesse sido obrigado a voltar para o térreo.

Indaguei à dona: - É sempre assim, com tantos hóspedes?

E ela me respondeu, sorrindo:

- Não. A cidade só tem dois elevadores. As pessoas vêm aqui só para sentir como é.

Capim Grosso sequer possui escada rolante. Nem precisa. A paisagem é que anda em nós.

Não fiquei com pena. Fiquei com inveja. Eu já fui feliz e não sabia.

Subi de escada. Degrau a degrau da saudade. 

CARPINEJAR 


28 de Maio de 2025
OPINIÃO RBS

Resistência em cortar na carne

O imbróglio em torno da medida desesperada do governo federal de elevar as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é mais um episódio a escancarar a resistência política a enfrentar a realidade e buscar o equilíbrio fiscal essencialmente pela via do corte de gastos, a partir dos inúmeros sinais emitidos pela sociedade de não suportar mais aumento de carga tributária. Ainda que tenha anunciado um congelamento de despesas de R$ 31,3 bilhões, o governo voltou a apelar a ações arrecadatórias para tentar fechar as contas de 2025 e 2026, com a previsão de amealhar R$ 20,5 bilhões a mais de IOF neste ano e R$ 41 bilhões no próximo. Devido à péssima repercussão, o Ministério da Fazenda recuou em parte das majorações e abriu mão de R$ 1,4 bilhão em 2025.

As alíquotas maiores de IOF afetam pessoas físicas e jurídicas. Impactam operações de crédito, câmbio e seguros e elevam o custo Brasil, conjunto de ineficiências que corrói a competitividade das companhias que operam aqui. Vão na contramão de um país que precisa melhorar o ambiente de negócios e se alinhar às melhores práticas. O Brasil, aliás, vinha em um movimento paulatino de redução da cobrança de IOF até zerá-la, condição para ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo das nações mais desenvolvidas.

A consequência imediata foi a reação de entidades empresariais. Organizações que representam a indústria, o agronegócio, o comércio e os serviços deflagraram mobilização instando o Congresso a derrubar o aumento do IOF. Apesar do barulho da oposição no Congresso, com uma saraivada de proposições para reverter o aumento do imposto, convém cautela. Se o decreto for anulado, é possível que os próprios parlamentares percam parte dos recursos de emendas.

As regras da Lei de Diretrizes Orçamentárias indicam que, quando há contingenciamento do orçamento, as emendas são afetadas em igual proporção. A hipótese de bloqueio de gastos, diferente do contingenciamento, igualmente reduz o dinheiro distribuído pelos parlamentares. Caso o governo perca todos os recursos adicionais com o IOF neste ano, teria de compensar com o congelamento de mais despesas. A soma precisaria chegar a R$ 51 bilhões para atingir formalmente a meta de déficit zero em 2025, o que inclui uma margem de tolerância equivalente a um resultado negativo de R$ 30 bilhões. Pelos cálculos do governo, isso significaria reduzir R$ 12 bilhões em emendas - originalmente, o Congresso teria exorbitantes R$ 50 bilhões para pulverizar neste ano.

Não é fácil crer que os parlamentares, pródigos em distribuir benesses e reduzir a potência de medidas fiscais, teriam a magnanimidade de sacrificar as próprias emendas. No fim de semana, o ministro Fernando Haddad reclamou que o Congresso não colabora com o ajuste necessário. O presidente da Câmara, Hugo Motta, rebateu e acusou o governo de gastar demais. Ambos têm razão. Falta o mea culpa. O ideal seria que Executivo e Legislativo compartilhassem a responsabilidade e encarassem uma revisão estrutural dos gastos. Passa da hora de fazerem escolhas para o bem do país, e não para os interesses políticos de seus grupos. 


28 de Maio de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Olivaeira

Supremo perde tempo com Eduardo Bolsonaro

Dos Estados Unidos, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro deve ter brindado com sparkling wine pelo presente que recebeu do ministro Alexandre de Moraes. Ao filho zero três do ex-presidente convém o papel de vítima de "perseguição implacável", mesmo que tenha deixado o país apenas por medo de ter o passaporte apreendido. Tanto que só tornou público o pedido de licença quando já estava devidamente instalado com a família em solo considerado seguro.

Eduardo Bolsonaro é um personagem menor na história do Brasil. Um deputado bem votado, que tem contatos com líderes da direita mundial e interlocução com Steve Bannon, guru de Donald Trump. É verdade que está em campanha para que os EUA adotem algum tipo de sanção contra Moraes, possibilidade admitida pelo secretário de Estado de Trump, Marco Rubio.

O filho de Bolsonaro não tem tamanho para ser protagonista, nem está sendo investigado pelos atos golpistas de 2022. Lembremo-nos que o então vice- presidente Hamilton Mourão deu a ele o apelido de "bananinha", por se meter em negócios de Estado e criar uma crise com a China.

O ministro deveria focar nos interrogatórios que estão em curso no Supremo, até porque está agindo em causa própria diante de uma ameaça de sofrer algum tipo de sanção nos EUA. Que sanção? Não poder entrar no país e não fazer transações com o país. Caso isso aconteça, estará criado um incidente diplomático que cabe ao Itamaraty administrar e não ao ministro, que pode escolher outros destinos para as férias.

Dos cinco filhos de Bolsonaro, Eduardo se mostra o mais ambicioso e é também o mais articulado. Especula-se que o plano do pai seja se lançar candidato a presidente, mesmo estando inelegível, tendo Eduardo como vice, para lá em agosto, quando a Justiça Eleitoral negar o registro da chapa, deixar o filho em seu lugar. A investigação autorizada por Moraes com o argumento de que ele atrapalha as investigações sobre a tentativa de golpe pode aumentar o cacife de quem hoje vive à sombra do pai - e às custas, já que não recebe salário da Câmara. 

Ofendida, Marina reagiu como a grande mulher que é

Os três senadores que tentaram intimidar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na Comissão de Infraestrutura do Senado ontem (leia na página 6) podem ter saído da sessão achando que arrasaram, que expuseram a fragilidade da ministra, que tem sofrido derrotas no governo. Podem até ter imaginado que ela pediria demissão, mas foi o contrário.

Marina recebeu um telefonema do presidente Lula e ganhou apoio dos ambientalistas que conhecem seu trabalho em defesa do meio ambiente em geral e da Floresta Amazônica em particular.

Marina é fisicamente uma mulher debilitada - pela malária e outras doenças tropicais - mas é figura essencial em tempos de mudanças climáticas.

O governo federal precisa dela na COP30 e, por isso, irá preservá-la.

Discordar dela é legítimo, como fazem os que consideram radical demais sua posição em relação à exploração de novos campos de petróleo. Inaceitável é desrespeitá-la, como o fez o senador Plínio Valério, que na história do Brasil não será nem nota de rodapé. _

02

Prioridade no alistamento para quem viveu em abrigos

Um acordo estadual vai garantir prioridade no alistamento militar para jovens que viveram em acolhimento institucional. O termo de cooperação será assinado em 12 de junho, em uma iniciativa conjunta da Assembleia Legislativa, Comando Militar do Sul, Fundação de Proteção Especial, governo do Estado, MP, OAB e TJ.

A ideia é que os jovens gaúchos que viveram em abrigos depois de terem sido afastados das famílias por decisão judicial ou do Conselho Tutelar - em casos de negligência, abandono ou maus tratos, por exemplo - possam sair do acolhimento com perspectiva de trabalho, salário e profissionalização. A iniciativa é inédita no Brasil. _

Reação ao aumento do piso soa como ranço ideológico

Desde que o piso salarial foi instituído no Rio Grande do Sul, no governo de Olívio Dutra (PT), os líderes empresariais trataram a inovação como ameaça à saúde da economia do Rio Grande do Sul

Para quem não lembra, foi a forma encontrada pelo governo Fernando Henrique Cardoso para permitir que os Estados criassem pisos de acordo com a sua realidade econômica, já que o salário mínimo não podia ter aumento real para não implodir as contas da Previdência Social.

Se um deles deixou de ser competitivo nos últimos anos, não há indício de que a culpa tenha sido do piso, pouco maior do que o salário mínimo nacional na primeira faixa.

Não seria o caso de as entidades empresariais que tanto criticam o piso se perguntarem se não serão os baixos salários os responsáveis pela dificuldade de conseguir mão de obra? _

A Federasul cumpre com sua responsabilidade social ao levar o tema do feminicídio para o Tá na Mesa, hoje. Estarão o secretário da Segurança, Sandro Caron, a diretora do Departamento Estadual de Proteção aos Grupos Vulneráveis, Tatiana Bastos, e a coordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento às Vítimas no MP, promotora Alessandra da Cunha.

mirante

O ex-parlamentar Adilson Troca (PSDB) será o homenageado de 2025 com a distinção de deputado emérito. A proposta é da bancada tucana e foi aprovada ontem na Assembleia Legislativa.

Será instalada hoje a Comissão Externa Temporária na Câmara dos Deputados para acompanhar casos de feminicídio no RS. A frente é encabeçada por Fernanda Melchionna (PSOL).

Ainda em Brasília, o deputado Afonso Motta (PDT-RS) recebeu ontem a insígnia de Grande Oficial da Ordem de Rio Branco, uma das mais altas distinções do Brasil. A honraria reconhece serviços e méritos excepcionais prestados à nação.

POLÍTICA E PODER


28 de Maio de 2025
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

CNBB critica proposta de Lei de Licenciamento Ambiental

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, ontem, uma nota pública em que denuncia a gravidade do Projeto de Lei 2.159/2021, que cria uma Lei Geral do Licenciamento Ambiental. No documento, a entidade classifica o avanço da pauta no Congresso como "um grande retrocesso na política ambiental brasileira".

A entidade também afirma que a proposta "desmonta o processo de licenciamento do país e fragiliza os instrumentos de controle e prevenção de danos socioambientais". O documento, assinado pelo presidente da CNBB e arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, alerta que a aprovação da lei, na prática, flexibiliza mecanismos de proteção do ambiente, dos povos originários e das comunidades tradicionais.

A proposta foi aprovada no Senado na última quarta-feira e agora tramita na Câmara dos Deputados. A nova lei cria novo marco para o licenciamento ambiental no país, com a flexibilização de regras para empreendimentos com impactos sobre o ambiente.

O texto da CNBB destaca que essa dispensa para empreendimentos autodeclarados de "baixo impacto", a "licença por adesão e compromisso" e o enfraquecimento da participação social nos debates "abrem caminho para a impunidade e a multiplicação de tragédias socioambientais".

"Não há justiça social sem justiça ambiental", diz trecho do documento.

Histórico de ações da Igreja Católica

Não é a primeira vez que a Igreja Católica se posiciona a favor de pautas ambientais. A nota cita a Encíclica Laudato Si, documento publicado pelo papa Francisco em 2015, que defende "a criação de um sistema que assegure a proteção dos ecossistemas".

Também menciona a Campanha da Fraternidade sobre Ecologia Integral, realizada este ano, e a COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá em novembro em Belém.

Por fim, o texto recupera uma frase do papa Leão XIV: "Trabalhem por uma justiça ecológica, social e ambiental". _

Argentina segue EUA e sai da Organização Mundial da Saúde

A Argentina anunciou sua saída oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em nota divulgada na segunda- feira pelo Ministério da Saúde no X (antigo Twitter), a pasta argumentou que "evidências" indicam que as orientações do órgão internacional "não funcionam", já que "não se baseiam na ciência, mas em interesses políticos".

A decisão coincide com a visita oficial do secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., realizada ontem. Em uma foto, o americano aparece ao lado do argentino segurando uma motosserra, um dos símbolos da campanha de Milei. A medida do governo da Argentina, inclusive, segue ação similar tomada pelo presidente americano Donald Trump, que retirou os Estados Unidos da organização em janeiro deste ano.

Na nota, o ministro da Saúde da Argentina, Mario Lugones, anunciou uma série de medidas que reforçam o novo direcionamento da política de saúde do país. Entre as ações, está prevista a revisão dos protocolos de vacinação no país. 

Apreensão e reuniões sobre Harvard

Estudantes estrangeiros de Harvard seguem em alerta e preocupados com o futuro diante das ações do presidente dos EUA, Donald Trump, de proibir a permanência de alunos que não sejam americanos na instituição. Ontem, segundo a imprensa americana, Trump ordenou a todos os consulados dos Estados Unidos no mundo que interrompam o processo para a concessão de vistos de estudantes.

Uma bolsista brasileira, que preferiu não ser identificada, falou à coluna no início da semana. Ela concluirá mestrado nos próximos dias:

- É uma insegurança, um sentimento de injustiça. Também temos a certeza de que os estudantes de fora é que trazem experiência única para Harvard, é o que faz Harvard ser tão interessante, porque junta as melhores pessoas do mundo inteiro.

Segundo ela, tanto os estudantes estrangeiros que já estão no país quanto os que vão iniciar os estudos nos próximos meses estão cautelosos:

- É uma imprevisibilidade para quem está mudando de país. Entre os meus colegas, tem gente que fez dívida, que largou a família, que estava com esse sonho de vir para cá, de ter essa experiência nos Estados Unidos, não só da universidade, mas também do pós, então isso acaba desmoronando.

Também começaram ontem e seguem até amanhã audiências na Justiça de Boston que avaliam a suspensão geral imposta pelo republicano sobre aceitar estudantes estrangeiros. _

A Braskem leva à Assembleia o Plastitroque, ação sobre o descarte correto de plásticos. Haverá coleta de resíduos hoje e amanhã, e na terça-feira, das 8h30 às 14h30min. Os materiais serão pesados e convertidos em cestas básicas.

Fuzileiros Navais na França

Pela primeira vez, um grupo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil integra a Operação Catamaran, exercício militar multinacional liderado pela França com participação de países membros da OTAN. Militares brasileiros partiram para a França no dia 20 de maio e seguirão em treinamento até 18 de junho.

Durante as operações, os fuzileiros brasileiros realizam atividades com a Infantaria de Marinha Francesa, incluindo treinamento físico militar, instruções sobre manuseio de armamento e montagem de equipamentos especializados. Um dos destaques da missão será o embarque no Porta-Helicópteros de Assalto Anfíbio (PHA) Tonnerre, baseado em Brest, no extremo oeste da França. A bordo, participarão de exercícios operacionais que abrangem desde operações navais e desembarques anfíbios até operações terrestres de caráter naval. _

INFORME ESPECIAL

27 de Maio de 2025
CARPINEJAR

86 anos de minha mãe

Se hoje sou abraçadeiro, se hoje sei dar um bom abraço - sem pressa, sem tapinha nas costas como se fosse uma porta, sem quebrar as costelas de ninguém, um abraço que é sachê e colo de pé, um abraço que é aconchego e dois corações batendo juntos -, se hoje sei o quanto um abraço salva, cura e cicatriza, se hoje sei que ele precisa durar mais de cinco segundos para funcionar, agradeço as lições da minha mãe, Maria Carpi.

Quando ela pregava um botão na minha camisa e cerzia as minhas roupas no corpo, aprendi a permanecer parado por aqueles instantes, olhando nos olhos dela, na imobilidade da ternura. Pretendia sair logo para brincar, e ela pedia: "Só um minutinho, já estou terminando".

Ali, naquele momento de cumplicidade de pano e agulha, testemunhei a paciência do afeto. Testemunhei a trégua para me reabastecer de presença. Testemunhei o quanto todo abraço é uma maneira de costurar as dores do outro.

Minha mãe é a minha professora do carinho. Seu abraço vem com a bênção. Você já sai protegido com seu perfume.

Hoje ela completa 86 anos. Não costuma participar de eventos públicos, pela mobilidade reduzida. Mas vai comparecer para autógrafos no Foyer Multipalco Eva Sopher do Theatro São Pedro, às 18h30min, assinalando o encerramento da exposição das gravuras de Alfredo Aquino e de seus poemas do livro A Chama Azul. Quem quiser conhecer a minha alfabetizadora terá uma chance rara.

Maria Carpi sequer imaginava que chegaria aos 80 anos. Diz que está de sobreaviso. Cada dia é um bônus. Anda como se estivesse com a dívida da vida paga. Tem sua existência quitada, tal qual um apartamento livre de parcelas.

Ela é a única pessoa do meu mundo para quem posso telefonar às 6h, que estará acordada. E não acordando: desperta mesmo, provocando piadas e disposta a narrar o que já realizou. É também a única que esbanja histórias para contar tão cedo.

Ela é partidária de bolsinhas pequenas. Usa na diagonal no corpo. Cansou de pesar os ombros com as alças.

Cobre seu pescoço com coloridas echarpes - seu pescoço é um segundo corpo, independentemente do que veste.

Mora sozinha. Faz de tudo, só não gosta de fazer a cama. Nunca vai admitir. Deixa a cama para arrumar à tarde, esperando que algum anjo apareça para cumprir o serviço.

Ela recita os seus versos chorando. Como se tivessem sido escritos por um estranho e soassem inéditos. Fico com vontade de rir, mas acabo chorando com ela.

Dona Maria nunca se casou de novo. Adepta do casamento uma só vez, nem teve mais nenhum namorado. Não tente convencê-la do contrário. É impossível. Não se menospreza escolhas de uma mãe.

Ela se vê muito agraciada quando um filho a visita. Empresta potes novos e depois cobra a devolução.

Ela nunca fala que estou errado, aconselha-me apenas a pensar melhor.

Ela brinca que não recorda o que comeu na minha gestação para que eu nascesse assim.

Seu maior prazer é conversar com os netos. Os netos são suas crianças passadas a limpo pela terapia.

Ela se lembra de cor dos horários das missas de Porto Alegre.

Ela sempre encontra um jeito de driblar a dieta e comer batata frita.

Ela cumprimenta as árvores. Ela não mata as formigas. Ela acredita na força minúscula da bondade.

Minha mãezinha, minha santa mãezinha de 1939, vai vivendo como quem não deve nada.

O que ela não entendeu até agora: todo dia que recebe a mais não é seu lucro, mas minha fortuna.

Meu legado de abraços. 

CARPINEJAR


27 de Maio de 2025
NÍLSON SOUZA

No centro do mundo

Gosto de mapas. Eles me ajudam a entender esse mundão redondo que trilhamos diariamente, até mesmo quando, pela lógica das representações gráficas, parecemos estar de cabeça para baixo. Também me permitem calcular roteiros quando vou a um endereço desconhecido ou localizar nações e cidades esquisitas onde jamais passarei.

Bela criação gráfica essa. Uma obra coletiva, pelo que sei: antes mesmo da invenção da escrita, nossos antepassados trogloditas já desenhavam mapas nas paredes de suas cavernas. Depois, os gregos antigos fizeram os seus desenhos geométricos e geográficos, os chineses acrescentaram seus traços peculiares e a cartografia mais elaborada ganhou impulso com as navegações portuguesas e espanholas. Cabral não chegou ao Brasil por acaso: o governo português queria saber quais eram as suas propriedades abaixo da linha imaginária do Tratado de Tordesilhas.

Os mapas são linhas imaginárias, mas, supostamente, representativas da realidade. Por isso, confesso que sinto um certo desconforto com aquele mapa-múndi redesenhado pelo IBGE para colocar o Brasil no centro do globo terrestre. A polêmica representação cartográfica foi apresentada outro dia pela ex-presidente Dilma Rousseff ao primeiro ministro chinês, alegadamente com o propósito de valorizar a imagem do nosso país no contexto geopolítico global.

No mapa-múndi tradicional, o Norte fica no topo de um globo aberto em duas fatias. Na nova representação do IBGE, o Sul vai para cima e a América do Sul aparece invertida, com a Argentina e o Chile espetados para o alto como uma torre. Se a população do Rio Grande do Sul escorregar planeta abaixo num eventual terremoto de desenho animado, não vai mais parar no Uruguai, mas sim em Santa Catarina - o que, a bem da verdade, já fazemos voluntariamente a cada verão.

Entendo que não chega a ser um absurdo colocar o Brasil no centro do mundo: se o planeta é esférico, cada povo pode imaginar o seu país onde melhor lhe aprouver. Mas que confunde, confunde. Tomara que o chinês tenha entendido a alegoria, pois ultimamente as lideranças mundiais andam demasiado sensíveis com questões geográficas. 

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor


27 de Maio de 2025
OPINIÃO RBS

Dias de alerta na saúde

A previsão da chegada da primeira onda de frio do ano ao Estado, ainda nesta semana, eleva a preocupação quanto à superlotação das estruturas de saúde por problemas respiratórios. Hospitais e outras unidades da Região Metropolitana já operam com ocupação muito acima da capacidade. A apreensão é ampliada pela baixa cobertura vacinal contra a gripe. É uma combinação de fatores perigosa. Tende a ocasionar uma procura ainda maior da população por atendimento e risco de a assistência adequada não ser encontrada devido à falta de leitos, por exemplo.

A crise no setor, agravada pelo número alto de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), levou o governo gaúcho a decretar situação de emergência em saúde pública na semana passada. Medida semelhante foi tomada pela Capital. São iniciativas que dão respaldo legal para agilizar a contratação de profissionais e a aquisição de insumos e reivindicar mais recursos do Ministério da Saúde para abrir leitos.

Os próximos dias serão de alerta. Ainda que os decretos signifiquem maior celeridade em processos e possibilitem acessar verbas, não se sabe exatamente em quanto tempo podem produzir o desafogo esperado. Passa a ser necessário que a população, especialmente a de idosos, mais suscetíveis a problemas respiratórios, redobre os cuidados individuais. Nos últimos dois anos, os grupos com 60 anos ou mais respondem por 70% das mortes por gripe. Torna-se forçoso reiterar os apelos pela imunização. É o principal escudo pessoal e coletivo à disposição para prevenir casos mais graves, necessidade de hospitalizações e óbitos.

Cerca de 400 municípios gaúchos realizaram em 10 de maio, um sábado, o Dia D da vacinação contra a gripe. Ainda assim, a adesão segue alarmante. Apenas 30% da população e 35% dos idosos foram imunizados. São percentuais muito distantes da meta de atingir 90% dos públicos-alvo. Informação publicada ontem em Zero Hora mostra que, no ano passado, a cobertura fechou em 52% e, em 2023, em 61%. Na Capital, o Dia D ocorreu nesse último sábado. Deve-se persistir nas campanhas informativas para incentivar a busca por proteção.

A maior longevidade, traduzida no crescimento do número de idosos em proporção aos demais grupos etários, tem consequências como o aumento da procura pelos serviços de saúde pública. É uma circunstância que obriga União, Estado e municípios a dar mais atenção à área. Ainda que o aprimoramento da gestão seja desejado, problema que aparece de forma crônica na Região Metropolitana, permanece o desafio do financiamento. O Piratini prometeu verbas extras para a Operação Inverno, mas se espera que cheguem também a um bom termo as discussões para o Estado aplicar de fato os 12% da receita na saúde. 

Não há ainda como esmorecer nas cobranças ao governo federal para que a tabela do SUS se apróxime dos custos reais. Deve-se ter cuidado, no entanto, com propostas que carecem de base legal, como a de usar os recursos do Funrigs no custeio da saúde. O dinheiro do fundo pode ser empregado apenas para a resiliência climática ou no enfrentamento das consequências dos eventos extremos. Não parece ser esse o caso de agora.

O quadro atual de hospitais e unidades básicas saturados é resultado de uma série de fatores que têm diferentes soluções, de curto e longo prazos. Mas não é admissível que, a cada ano, os serviços de saúde pareçam surpreendidos pela chegada das estações mais frias e despreparados para o crescimento das doenças respiratórias. _

OPINIÃO RBS

27 de Maio de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

INSS não pode ser balcão de associações

O único jeito de proteger os segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de fraudes como as comprovadas pela Corregedoria-Geral da União (CGU) de 2019 a 2024 é fechar a porta para todo e qualquer tipo de desconto, com exceção do crédito consignado - e ainda assim com maior fiscalização. O INSS foi criado para cuidar das aposentadorias (por tempo de serviço ou por invalidez), do auxílio-doença e das pensões.

Com a estrutura atual, e apesar de todo o avanço da tecnologia nos últimos anos, o INSS não consegue dar conta do essencial. Basta ver o tamanho das filas e a ineficiência do telefone 135 para concluir que nenhum servidor deveria perder tempo cuidando do cadastramento de entidades - sérias ou fantasmas - para descontar contribuições diretamente na fonte.

Quem defende os interesses dos aposentados e deles tem a confiança pode fazer a cobrança por Pix ou boleto. Essa liberalidade de cadastrar descontos em folha resultou na formação de quadrilhas que saquearam segurados incautos.

Conta tem de ser paga pelos vigaristas

Os que perceberam que estavam sendo logrados tentaram, sem sucesso, reaver o valor devido. Agora, todos precisam entrar no aplicativo Meu INSS para dizer se autorizaram ou não desconto em folha e, assim, receber de volta o dinheiro sequestrado.

Esse dinheiro até pode ser adiantado pelo INSS, mas a conta, como disse o presidente ontem, na entrevista ao Gaúcha Atualidade, tem de ser paga pelos vigaristas.

É preciso que a Justiça seja célere na liberação do dinheiro bloqueado, para ressarcir os cidadãos lesados, e na autorização para que imóveis e carros de luxo obtidos com o dinheiro da fraude sejam leiloados com a mesma finalidade.

Essa conta, repita-se, não pode ser paga pelos demais segurados com a venda de patrimônio do INSS ou o dinheiro das contribuições. Tampouco deve ser quitada com dinheiro do Tesouro Nacional. Quem roubou, que banque. _

Pop estreia na Câmara

Há cerca de um mês, o plenário da Câmara de Vereadores de Esteio precisa de um espaço extra. Foi quando o cãozinho Pop passou a participar das sessões, sempre acompanhado da tutora, a vereadora Dalen Oliveira (PSB).

Dalen, que se identifica como protetora até no nome político, adotou Pop no canil de Esteio, onde o animal estava havia nove anos à espera de um lar. A história conta que ele pertencia a uma moradora de rua, foi atropelado e acolhido pelo canil, onde permaneceu. O acidente o deixou com uma deficiência na pata traseira.

A vereadora se compadeceu e levou Pop para casa, onde cuida de outros 19 cães, todos adotados e a maioria já idosa ou com algum tipo de deficiência. Foi em abril que Dalen teve a ideia de levá-lo para a Câmara.

- Ele chegou um pouco medroso, não estava acostumado com muitas pessoas, não tinha esse carinho diário, então no primeiro dia ele teve dificuldade, caminhava devagar. Mas agora já está se achando em casa, está bem à vontade - conta a parlamentar.

Dalen garante que não quer transformar o cachorro em celebridade, mas dar visibilidade aos animais "esquecidos" em abrigos e canis. A proposta é sensibilizar e motivar as pessoas a adotarem cães sem raça definida, inclusive os que têm mais idade ou algum tipo de deficiência.

Outro apelo é para que as pessoas ajudem as protetoras com doação de ração. _

Futuro de Onyx gera climão no PL

Deputados do PL ratificaram ontem o nome de Luciano Zucco para disputar o governo do Estado em 2026. Giovani Cherini fez o anúncio em nota, que também colocou Onyx Lorenzoni como candidato a deputado federal.

Não demorou muito para Rodrigo e Onyx Lorenzoni desmentirem a informação. Rodrigo disse que em nenhum momento anunciou qualquer decisão sobre o futuro eleitoral do pai. Onyx, que não participou da reunião, disse à coluna que sua decisão só será tomada em março de 2026: - Primeiro escuta-se a população, depois se decide. Ninguém nunca decidiu ou falou por mim em 30 anos de vida pública. _

Pretto vai liderar projeto da ONU

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, será empossado amanhã como articulador nacional da Aliança HeForShe (Eles Por Elas).

A nomeação foi chancelada pelo escritório da ONU Mulher em Nova York. O gaúcho será responsável por ampliar a mobilização para que homens públicos assumam o compromisso de enfrentar a violência contra mulheres e meninas e implementem ações concretas nas instituições.

Como deputado estadual, Pretto criou a Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Na Conab, lançou um manifesto nacional de homens públicos pela pauta. _

POLÍTICA E PODER