
O que Eduardo Leite fará ao deixar o governo em 2027
Sondado por empresas de diferentes setores para trabalhar a partir de 6 de janeiro de 2027, quando transferir o governo para Luciano Zucco, o governador Eduardo Leite decidiu fazer uma espécie de quarentena antes de aceitar qualquer oferta de emprego na iniciativa privada. Quarentena não significa dias de sol e mar, nem de viagens pelo mundo. O plano de Leite é fazer uma escala no terceiro setor, ajudando governos estaduais e municipais com sua experiência de oito anos no Palácio Piratini.
Leite não tem nada fechado, mas está disposto a compartilhar o que aprendeu na gestão das crises que enfrentou, como a enchente de 2024 e a pandemia de 2020 a 2022.
- Não acho correto estar no cargo de governador e negociar salário, bônus ou condições de trabalho - disse Leite à coluna ontem.
Aos 41 anos, sempre atuando na política, como vereador, prefeito de Pelotas e duas vezes governador, Leite precisa trabalhar para se sentir produtivo e porque precisa de salário para viver. Ele é o primeiro governador que não receberá pensão ao final do mandato e não acumulou patrimônio que lhe permita viver de renda.
Tudo o que tem é a metade de dois imóveis em São Paulo, um apartamento e um consultório ainda em construção, comprados em sociedade com o ex-marido Thalis Bolzan - os dois ainda não formalizaram a partilha. A ideia é se transferir para São Paulo, mas manter uma base em Porto Alegre.
Leite não tem sequer um plano de previdência privada. A ideia é começar a contribuir a partir do próximo ano, para não depender exclusivamente da aposentadoria do INSS na velhice.
Engana-se quem pensa que a política saiu do radar do governador. Leite é apaixonado por gestão pública e está convencido de que ficar quatro anos afastado de cargos não o impede de estar em futuras disputas, até porque é jovem o suficiente para disputar meia dúzia de eleições. O desejo de disputar a Presidência da República não morreu com a exclusão da disputa neste ano, quando foi preterido pelo PSD em favor de Ronaldo Caiado. _
O destino dos quatro cachorros do governador
Uma das perguntas que o governador Eduardo Leite mais ouve sobre sua vida ao deixar o Palácio Piratini é qual será o destino dos quatro cachorros da raça schnauzer que circulam pela ala residencial e pelos jardins. Bento, Chica, Gaia e Moa devem se mudar para São Paulo e, como crianças de pais separados, viver a experiência da guarda compartilhada. Sem a estrutura de funcionários do Piratini e precisando viajar eventualmente, Leite diz que a solução mais provável é dois morarem com ele e dois com Thalis, e os quatro frequentarem a mesma creche para continuarem convivendo. Como Leite e Thalis continuam amigos, a guarda dos cãezinhos não será problema. _
Fux defende, em audiência pública, "banir" bets
Em audiência pública ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux afirmou ter a percepção "de que as bets devem ser banidas", reforçando eventuais riscos à saúde pública e à economia. Fux é o relator das ações movidas contra a medida provisória do governo Lula que proibiu as apostas de cota fixa (as bets) e o cassino online.
O ministro rebateu críticas que recebeu por supostamente só ter convidado empresas, clubes de futebol e entidades favoráveis às bets para participar da audiência.
Disse que autorizou mais integrantes do governo e representantes de supermercados, diante das notícias recentes de que o consumo aumentou após a proibição das medidas.
A primeira-dama Janja entregou um relatório sobre o efeito nas mulheres das apostas esportivas.
Fux lembrou de uma audiência pública sobre apostas online que convocou em novembro de 2024, em que ouviu entidades contrárias à jogatina e da qual saiu convencido de que as bets são um problema de saúde pública. _
Só duas sessões
Desde 14 de julho, último encontro antes do recesso parlamentar, os deputados estaduais se reuniram apenas duas vezes no plenário para votar projetos - mas continuaram recebendo os salários normalmente no período. Até o final de outubro, o período eleitoral foi adotado como a principal justificativa para que não houvesse sessões. Houve alguns encontros das comissões temáticas, caso da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), dando andamento à tramitação de pautas.
Logo após o primeiro turno, em 6 de outubro, os líderes se reuniram e decidiram retomar as votações em plenário somente em 27 de outubro, após o segundo turno - o que não ocorreu.
De acordo com o portal da transparência do Estado, R$ 54.922.616,96 foram pagos em folha de pessoal entre agosto e novembro. Os valores são referentes à remuneração de agentes políticos, CCs, funções gratificadas e verba de representação.
O subsídio de deputado estadual no Rio Grande do Sul é de R$ 34.772,11. Além dos 55 parlamentares, a Assembleia tem hoje 1.265 cargos comissionados, lotados entre os gabinetes dos deputados e as bancadas.
A ex-governadora Yeda Crusius lança amanhã o livro Fios Tecendo Vida - Crônicas de um Cotidiano Entre Séculos, sobre lembranças e experiências pessoais. O evento, com direito a sessão de autógrafos, será na Feira do Livro de Porto Alegre, às 19h.
Pedido de saída
O secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Fabrício Peruchin, se antecipou ao fim da atual gestão e enviou carta ao governador Eduardo Leite colocando o cargo à disposição.
Resgatando sua trajetória no governo, do qual se diz orgulhoso e grato de ter feito parte, Peruchin diz que chegou ao fim do ciclo e que planeja retornar ao seu escritório de advocacia, que mantém há mais de 20 anos. O secretário ficará no cargo até que Leite defina um novo titular para os últimos dois meses de governo. Em 6 de janeiro, Luciano Zucco tomará posse como governador. _
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