Por que prestar atenção nas eleições dos EUA
Porto Alegre no clima de Halloween
Amanhã, americanos votam nas midterms. Poucas eleições de meio de mandato mobilizaram tantos temas que dizem respeito ao presente e ao futuro dos Estados Unidos - e, ato contínuo, de países que estão em sua zona de influência, como o Brasil.
A coluna separa alguns assuntos para prestar atenção nesta terça-feira. _
Principais temas
As midterms abrem espaço para uma espécie de prévia informal. Essa etapa é conhecida como invisible primary, uma disputa que ocorre nos bastidores para identificar os futuros candidatos à presidência de 2028. Políticos viajam pelo país, arrecadam recursos, apoiam candidatos ao Congresso e procuram conquistar influência antes de anunciarem suas candidaturas. No governo, há figuras conhecidas: o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, o governador da Flórida, Ron DeSantis, e o senador pelo Texas Ted Cruz. Do lado democrata, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, a ex-vice-presidente e candidata derrotada por Donald Trump Kamala Harris, o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, e a deputada por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez.
Em cinco itens, os desafios políticos desta disputa.
Porto Alegre entrou, de vez, no clima de Halloween. Um exemplo: na sexta-feira, cerca de 80 crianças e adolescentes percorreram, com suas famílias, algumas ruas do Centro Histórico para se divertir. O evento começou no Colégio La Salle Dores e seguiu por dois caminhos diferentes. Os grupos se reuniram, ao final, na pracinha da Fernando Machado. Comerciantes e condomínios fizeram parte das paradas ao longo do percurso para a doação das gostosuras. _
O que está em jogo
Na Câmara, todas as vagas estarão em disputa. São necessárias 218 cadeiras para garantir a maioria. Hoje, republicanos ocupam 218 e contam com um deputado independente que integra seu bloco parlamentar. Os democratas têm 214 representantes e duas cadeiras estão vagas. Para chegar à maioria, os democratas precisam de pelo menos quatro assentos a mais. Os republicanos precisam manter as 218. Podem, no máximo perder uma, desde que mantenham o apoio do independente.
No Senado, das cem cadeiras, 35 cadeiras estão em disputa (22 que hoje estão com republicanos e 13 que estão com os democratas). Atualmente, são 53 republicanos contra 45 democratas, além de dois independentes alinhados à oposição. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras, chegando a 51 dos cem assentos. Os republicanos podem perder até duas. Empate de 50 a 50 favorece o governo Trump.
E para o Brasil?
Pouco muda. Mas a Constituição americana atribui ao Congresso o poder de regular o comércio exterior e estabelecer taxas. No caso das tarifas, uma maioria democrata poderia convocar o secretário de Comércio, investigar os impactos nas mesas dos consumidores americanos e propor legislação para restringir a autoridade presidencial. Isso não significa que o Congresso consiga imediatamente reduzir as tarifas. O governo de Trump poderia vetar as propostas. Uma vitória na Câmara também permitiria aos democratas iniciar investigações de impeachment, e, com maioria simples, aprovar uma acusação formal contra o presidente. Afastar Trump, no entanto, exigirá a aprovação de pelo menos dois terços no Senado.
Democratas já discutem investigações sobre negócios da família Trump, operações do ICE contra imigrantes, possíveis violações de direitos civis e atividades do governo no Exterior - leia-se Venezuela, Irã e Faixa de Gaza. O Brasil poderia figurar entre os temas.
Battistella une dois mundos
Zucco não irá à COP31, na Turquia - A nova geração
O governador eleito Luciano Zucco (PL) não participará da COP31, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que ocorrerá na Turquia, a partir do dia 9. Ele havia sido convidado pelo governador Eduardo Leite. A equipe de transição explica que há muitas demandas da transição e de montagem de governo. Por isso, Zucco ficará no Estado. Leite irá. Sua agenda em Antália deve ser entre 9 e 13 de novembro. _
O CEO da Be8, Erasmo Carlos Battistella, recebeu o Prêmio Pigafetta 2026, honraria concedida a empresas estrangeiras fundadas e dirigidas por descendentes da região de Vicenza, na Itália. A cerimônia ocorreu na sexta-feira, no Teatro Olímpico de Vicenza. Promovido pela Câmara de Comércio de Vicenza e pela Associação Vicentinos no Mundo, o prêmio reconheceu a Be8 pela projeção internacional, atuação em exportações e excelência. _
É importante também prestar atenção às novas gerações dos partidos, como o candidato ao Senado Jon Ossoff, na Geórgia, Abdul el-Sayed, no Michigan, e James Talarico, no Texas. Do lado republicano, Ashley Hinson, em Iowa, Vivek Ramaswamy, em Ohio, e Byron Donalds, na Flórida.
Trump de olho
Se os democratas conquistarem maioria em pelo menos uma das Casas (na Câmara é mais provável do que no Senado), Trump será colocado na defensiva pelo resto do mandato, os próximos dois anos. Na Câmara, poderiam, por exemplo, ser abertas investigações sobre sua administração, como no caso das ações do ICE, por exemplo. Um tema sensível é o orçamento de 2027: disputas sobre o financiamento do governo e o teto da dívida podem se intensificar.
Um impasse no orçamento pode provocar paralisação parcial da gestão, o chamado shutdown. Casos como Ucrânia e Oriente Médio dependeriam da derrota também no Senado - um Congresso democrata poderia aprovar recursos adicionais para defesa aérea da Ucrânia. No Oriente Médio, poderia ampliar investigações sobre uso de armamentos americanos na Faixa de Gaza.
Maira Caleffi, do RS e do mundo
De olho em 2028
A mastologista Maira Caleffi foi reeleita para o Conselho Diretor da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), uma das principais organizações globais dedicadas ao enfrentamento da doença.
Maira, que é chefe do Núcleo de Mama do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, e fundadora da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), conquistou uma das 14 vagas do conselho em uma eleição que mobilizou mais de mil membros da entidade em todo o mundo. Maira é a única representante brasileira no colegiado, onde permanecerá até outubro de 2028.
Na edição de 2026 do ranking Legal 500, uma das publicações jurídicas mais reconhecidas do mundo, o escritório de advocacia Ritter Linhares Advocacia Criminal continua sendo o único do Rio Grande do Sul a figurar na categoria direito penal e econômico.

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