
O fim da era Trump
4 de novembro de 2026. Anote esta data: é o começo do fim da Era Donald Trump.
Por vários motivos. A Constituição dos Estados Unidos permite que uma pessoa seja eleita presidente, no máximo, duas vezes, mesmo que os mandatos não sejam consecutivos. Essa regra está na 22ª Emenda à Constituição, ratificada em 27 de fevereiro de 1951.
Trump foi eleito em 2016 e novamente em 2024. Portanto, seu segundo mandato termina em 20 de janeiro de 2029, e ele não pode ser eleito para um terceiro mandato em 2028, segundo a Constituição vigente. Para permitir uma terceira eleição, seria necessário alterar a Constituição, um processo que exige aprovação de dois terços da Câmara e do Senado e ratificação de três quartos dos Estados (38 dos 50), algo que ele não vai conseguir a partir da derrota histórica que sofreu nas midterms.
Outra razão: Trump chegou às eleições de meio de mandato com um recorde histórico de desaprovação (apenas 36% aprovam seu mandato). A derrota avassaladora fará com que muitos republicanos, de olho nas eleições presidenciais de 2028, se afastem do presidente. Trump deixa de ser visto apenas como um líder capaz de mobilizar eleitores e passa a ser associado também a derrotas eleitorais.
Tomar distância
Durante anos, o apoio de Trump foi decisivo para muitos republicanos, especialmente nas eleições primárias. Mas, se os candidatos associados a ele são derrotados, cresce o incentivo para buscar uma identidade política própria, capaz de conquistar eleitores independentes e moderados. Como Trump não poderá ser eleito novamente, os republicanos precisam construir novas lideranças para 2028. Isso significa que políticos com ambições presidenciais podem começar a se diferenciar de suas políticas, principalmente nas áreas que provocaram rejeição eleitoral.
Com a maioria democrata, o presidente terá menos capacidade de aprovar sua agenda legislativa. Isso pode estimular parlamentares republicanos a negociar posições próprias, principalmente em temas como economia, tarifas e política externa.
Agora, o fim de Trump não é o fim do trumpismo. Vários disputarão seu espólio. O vice-presidente JD Vance está fortemente associado ao presidente, enquanto nomes como Marco Rubio, Ted Cruz e Ron DeSantis representam diferentes possibilidades de continuidade ou reformulação do conservadorismo republicano. A derrota vai abrir essa disputa interna.
Voltemos a Trump. Ainda que os democratas não tenham dois terços dos votos no Senado para aprovar um impeachment, as comissões nas duas Casas podem abrir várias investigações sobre seu governo até agora - sobre a truculência do ICE, a polícia migratória, sobre denúncias de corrupção envolvendo sua família, corporações empresariais e governos, interferência em eleições no Exterior, como no Brasil, intervenções militares, como na Venezuela e no Irã, entre outras. Isso não tirará Trump do poder, mas fará seu governo sangrar até janeiro de 2029. _
Campanha de descarte
Se você tem celulares antigos, computadores sem uso, cabos velhos ou outros equipamentos eletrônicos guardados em casa, anote na agenda: no próximo sábado, haverá uma oportunidade para dar a esses materiais o destino correto.
O Parcão, em Porto Alegre, receberá o drive-thru de resíduos eletrônicos. A ação é desenvolvida pela RS Recicla, empresa especializada na gestão desses resíduos, acompanhada de atividades gratuitas que unem sustentabilidade e conscientização ambiental. A programação ocorre das 9h às 17h, no recuo do estacionamento localizado na esquina da Rua Mostardeiro e da Avenida Goethe.
Parceria
A empresa é parceira na organização do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE), promotores do evento.
Os equipamentos serão encaminhados para triagem e destinação ambientalmente adequada.
Outra atração serão robôs da RS Recicla, construídos a partir de materiais eletroeletrônicos recolhidos pela empresa e que, depois de devidamente tratados, foram reaproveitados. _
Personagens de destaque
Apesar de a apuração das midterms - as eleições de meio de mandato dos EUA - ainda estar em andamento, algumas curiosidades e os nomes de parlamentares eleitos já chamam a atenção dos americanos e do mundo. A coluna reúne, abaixo, alguns dos pontos de destaque:
Primeira governadora negra
No Estado da Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms será a primeira mulher negra governadora da história dos Estados Unidos. Desde 1998 os democratas não venciam o governo do Estado, conhecido por ser um reduto republicano. Ex-prefeita de Atlanta, Bottoms venceu o bilionário executivo da área da saúde Rick Jackson.
Primeiro senador gay
O democrata Chris Pappas venceu as eleições e vai ocupar uma cadeira no Senado por New Hampshire. Ele será o primeiro homem abertamente gay a ocupar o cargo na ala masculina do Senado (anteriormente, outras parlamentares abertamente LGBT+ ocuparam cadeiras, porém todas mulheres). Ele derrotou o republicano John Sununu.
Primeira governadora indígena
A democrata Deb Haaland foi eleita a primeira governadora indígena da história dos EUA ao conquistar o governo do Novo México. Integrante do povo Laguna Pueblo, Haaland superou o candidato republicano Gregg Hull.
Primeira senadora indígena
A democrata Peggy Flanagan tornou-se a primeira senadora indígena da história do país. Ela ocupará a cadeira no Senado pelo Minnesota após derrotar a republicana Michele Tafoya. Flanagan é atual vice-governadora do Estado e integrante da Nação White Earth Ojibwe.
Primeiro senador muçulmano
Abdul El-Sayed tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos pelo Estado do Michigan. Nascido nos arredores de Detroit, é filho de egípcios e integra a ala progressista do Partido Democrata.
Brasileiros eleitos
Ao menos sete brasileiros se elegeram ou se reelegeram para Legislativos estaduais. Um dos destaques, Felipe Sousa-Lazaballet, de Duque de Caxias (RJ), foi eleito deputado estadual pelo Partido Democrata na Flórida.
Papa no Brasil em 2027?
O papa Leão XIV inicia, na sexta-feira, a sua viagem apostólica pela América do Sul, onde passará por Uruguai, Argentina e Peru. Havia a expectativa de que o Pontífice visitasse o Brasil, fato que não se concretizou. Entretanto, há um convite para que o líder da Igreja Católica venha ao país em setembro do próximo ano.
A informação foi dada à coluna durante o Conversas Cruzadas de terça-feira pelo arcebispo metropolitano de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler:
- Existe, sim, o convite que nós apresentamos na última visita da presidência da Conferência para ele vir ao Brasil em setembro do próximo ano, quando teremos um evento da Igreja Católica do Brasil em Goiânia (19º Congresso Eucarístico Nacional). Nós o convidamos para o encerramento deste evento.
Segundo o cardeal, a ideia é de que, além da agenda em Goiás, seja organizado um roteiro por outras cidades do país. Porto Alegre estaria fora da rota.
Nenhum comentário:
Postar um comentário