
04 de Novembro de 2026
OPINIÃO RBS
OPINIÃO RBS
A missão contínua de avançar na educação
É unânime que, para ter um futuro mais próspero, o Rio Grande do Sul precisa evoluir na qualidade da educação pública e ter melhores índices de aprendizagem. Trata-se de um desafio contínuo, que a partir de janeiro será uma das tarefas prioritárias do governo Luciano Zucco (PL).
Os esforços nesse sentido sofreram os reveses recentes da pandemia e da enchente de 2024. Ainda assim, alguns avanços passaram a ser percebidos, como os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado em agosto. O desempenho cresceu em todas as etapas de ensino em relação a 2023. O governo Eduardo Leite, com a pasta da Educação sob o comando da secretária Raquel Teixeira, formatou uma série de programas que deixam bases sólidas sobre as quais será possível obter melhores desempenhos nos próximos anos.
Mas é natural e legítimo que a nova gestão imprima sua marca. Ao longo da campanha, Zucco se posicionou de forma clara, por exemplo, contra o modelo de progressão parcial, em que o aluno passa de série mesmo reprovado em parte das disciplinas, precisando reforçar o estudo nessas áreas no ano seguinte. Os defensores da fórmula alegam que ela evita o pior, que seria a evasão escolar.
Em entrevista ontem ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o futuro secretário da Educação, Roni Miranda Vieira, demonstrou ser favorável a um sistema intermediário entre o que está em vigor no Estado e o método tradicional de reprovação. A ideia é reforçar a aprendizagem nas áreas de maior deficiência do aluno ao longo do próprio ano letivo, com base nas avaliações trimestrais. Assim, se evitaria um vácuo de aprendizagem. Esse reforço ajudaria na aprovação e, ao mesmo tempo, diminuiria o risco de evasão.
O modelo defendido por Vieira é o utilizado no Paraná, onde foi secretário nos últimos quatro anos. Convém referir os resultados obtidos pelos paranaenses na área. No Ideb de 2025, o Estado foi, pela terceira edição consecutiva, líder nacional da Educação Básica. Também alcançou a primeira colocação entre as unidades da federação no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025. Os dados foram divulgados em setembro.
Na entrevista, Vieira também abordou a questão das escolas cívico-militares. Observou que a adoção do modelo dependerá exclusivamente da vontade da comunidade escolar. Propôs fortalecer o ensino técnico no turno integral do Ensino Médio, com currículos ligados às vocações econômicas regionais. Comprometeu-se a trabalhar o tema do combate à violência contra a mulher nas escolas. Defendeu ainda que as instituições de ensino e as direções tenham maior autonomia para contratar obras. Nesse ponto também há discordância em relação à diretriz do governo Leite, que delegou as tarefas de melhoria da infraestrutura da rede à Secretaria de Obras, pela maior especialização.
Mesmo expressando pontos de vista que podem despertar controvérsia, o futuro secretário deixa a impressão de ser um gestor público aberto ao diálogo e à conciliação. Além disso, traz as credenciais dos resultados conquistados no Paraná, o que cria a expectativa de a educação no RS também alcançar, nos próximos anos, uma performance à altura das necessidades do Estado.
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