quarta-feira, 4 de novembro de 2026

03 de Novembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O eleitor, nos EUA ou no Brasil, vota pensando no bolso

O eleitor, nos Estados Unidos ou no Brasil, pode pensar na democracia, nas disputas entre direita e esquerda, mas, ao final, acaba votando com o bolso. Daí por que o custo de vida é o principal tema das eleições de meio de mandato, as midterms, que ocorrem hoje nos EUA.

Donald Trump pode dizer que os EUA "estão mais ricos agora" e que "não há inflação" (o que, aliás, não é verdade). O que realmente importa é a economia vivida. Pesquisas recentes mostram que mais de 60% dos americanos condenam as políticas econômicas e reclamam do elevado custo de vida. A guerra contra o Irã, deflagrada pela Casa Branca, e o fechamento do Estreito de Ormuz, que ajudou a turbinar a inflação, atingiram em cheio uma paixão - e necessidade - americana, andar de carro. O americano olha para o preço do supermercado, mas principalmente para o preço da gasolina. O eleitor quer saber se o dinheiro está rendendo. E, na prática, não está. _

O que dizem as últimas pesquisas

Americanos irão às urnas para as midterms. Atualmente, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, detém a maioria nas duas Casas, mas pesquisas indicam uma possível virada a favor dos democratas, o que alteraria a governabilidade do governo nos próximos dois anos.

Uma pesquisa genérica de preferência dos eleitores para o Congresso feita pela AtlasIntel, divulgada no domingo, aponta 55,5% das intenções de voto para os democratas e 41,4% para os republicanos. No levantamento da NBC News, os democratas aparecem com 52%, contra 45% dos republicanos. Na pesquisa I&I/TIPP, divulgada ontem, 52% optaram pelos democratas e 42% pelos republicanos.

Já o levantamento da Reuters/Ipsos, divulgado em 26 de outubro, indica 53% para os democratas, em comparação com 44% para os republicanos.

Senado

Atualmente, no Senado, os republicanos contam com 53 cadeiras, contra 45 dos democratas mais dois independentes que votam com a oposição. Os democratas precisam conquistar quatro cadeiras para obter a maioria de 51 assentos (contando com os dois independentes). Para alcançar essa meta, o partido precisa vencer em Estados onde Trump saiu vitorioso em 2024.

Câmara dos Representantes

Na Câmara, os republicanos contam atualmente com 218 cadeiras (além de um independente que vota com eles) e os democratas com 214. São necessários 218 votos para a maioria. Os democratas precisam de um ganho líquido de três cadeiras para retomar o controle da Casa. _

Olhos brasileiros na disputa

A advogada especialista em inteligência artificial e coordenadora de especialização em Direito Eleitoral da FMP, Francieli Campos, é uma das observadoras internacionais das midterms - as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Ela está na Flórida e ontem visitou um "cartório" eleitoral do Condado de Broward, onde observou todo o processo, desde a impressão das cédulas até a contagem dos votos por correio (que já foi encerrada) e o treinamento dos mesários. Ela também participou de reuniões no Condado de Miami-Dade.

Lula 4 e as relações exteriores

A coluna perguntou a três professores qual é o principal desafio do presidente na política externa no quarto mandato.

Redes sociais

"Lula deixa claro que vai cuidar de regular redes sociais. E onde estão as big techs? Nos Estados Unidos, muito próximas do governo Trump. Temos um dos grandes enroscos da política externa nos próximos anos: o Brasil tentando medir forças com empresas que são muito poderosas economicamente, tecnologicamente e politicamente."

Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional da UFMG

Terras raras

"O governo Lula já fez a regulamentação neste ano, e temos a implementação do Conselho Nacional sobre minerais críticos, mas teremos uma pressão muito grande, sobretudo dos Estados Unidos e da China, para a exploração desses minerais. O Brasil precisará ter jogo de cintura. Isso envolve, talvez, o redesenho de parcerias e participação em fóruns e organizações internacionais."

Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais na ESPM São Paulo

Tarifaço

"Enfrentar Donald Trump e a questão das tarifas. Por mais que tenhamos midterms agora, nos Estados Unidos, ainda temos um certo tempo de governo Trump e dessa atuação frente, por exemplo, ao "Escudo das Américas" (projeto da Casa Branca de combate ao que chama de narcoterrorismo na América Latina). De que maneira o Brasil vai reagir a isso, haja vista essa pressão por parte dos Estados Unidos que também pode se desdobrar por meio de sanções econômicas? Esse vai ser também um grande desafio mais imediato."

Tatiana Squeff, professora de Direito Internacional da UFRGS

INFORME ESPECIAL

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