terça-feira, 14 de julho de 2015



14 de julho de 2015 | N° 18226 
DAVID COIMBRA

O casamento do frango com o dinossauro

Fiquei sabendo que os americanos estão criando um dinossauro a partir da galinha. É o frangossauro.

Sou contra.

Não quero que os americanos criem o frangossauro.

Não é boa combinação. Uma galinha cruzada com um dinossauro seria algo esdrúxulo, algo como... Pense num encontro muito esdrúxulo. Tipo... Mas antes de dizer qual é o mais esdrúxulo dos encontros, preciso deixar claro que, para mim, os dinossauros são um caso de feliz extinção. Arrisco afirmar que a queda daquele meteoro lá no México não foi a única causa do desaparecimento deles. Mesmo que o meteoro tivesse passado raspando e acertasse, sei lá, um anel de Saturno, os dinossauros teriam sumido. Pelo seguinte motivo: eles eram grandes.

Um dia os cientistas vão comprovar minha teoria de que, quanto menor o organismo, mais chances ele terá de sobrevivência. O que se aplica aos humanos: os pequenos vivem mais.

Por que derrotamos os neandertais, mais altos, mais fortes e mais bonitos do que nós? Por duas razões: por causa de nossas mulheres e porque éramos menores do que eles. Nossas mulheres inventaram a arma mais letal já surgida no planeta: a civilização. E nosso tamanho nos permitia sobreviver com menos comida. Pronto: os neandertais, ainda que tivessem o cérebro maior, foram eliminados feito pássaros dodôs. 

Verdade que, antes disso, eles tiveram casos com algumas das nossas mulheres. Ou alguns de nossos homens tiveram casos com as mulheres deles, pode ser. O que significa que ainda hoje há entre nós descendentes de neandertais. Como identificá-los? Como eles são? Loiros e grandes. O Baidek pode ser um neandertal. Até porque neandertais dão bons zagueiros.

Os dinos, a mesma coisa. Imagine o que um bicho de 15 metros de altura tem de comer no café da manhã. No mínimo, uma árvore. Ou um hipopótamo, se ele não for vegano. Enquanto isso, as baratas, que já rastejam pelo mundo há 350 milhões de anos, se contentam com gosma de cerveja rançosa ou pedacinhos de cebola, elas adoram cebola. E podem ficar um mês sem água ou comida, imagine.

Porém, a despeito desses méritos evolutivos, confesso que preferia que as baratas, bem como as moscas, tivessem sido extintas com os dinossauros. Não fariam falta.

É essa a questão. O que quero dizer é que temos de nos contentar com alguns finais. A natureza decidiu que os dinossauros, os pterodátilos e os craques do futebol brasileiro fossem extintos? Paciência. A natureza sabe o que faz. Paixões acabam; dores também. Quem diria que o Império Romano, a Varig, as máquinas de escrever e o cachorro-quente do Zé do Passaporte deixariam de existir? Quem diria que a Rose di Primo e a Monique Evans envelheceriam? Temos de respeitar os finais.

Nada de misturar dinossauros com galinhas. Seria uma junção tão estranha quanto a de Dilma com Lewandowski naquele encontro secreto em Portugal. Foi neles que pensei, ao imaginar uma união esdrúxula. A chefe do Executivo reunir-se à sorrelfa com o chefe do Judiciário, que provavelmente julgará atos de seu governo, tendo ocorrido esse encontro num país estrangeiro, sem que estivesse em agenda, sem que o país fosse avisado... Cristo! Eis um galinhossauro. Acredite: nada de bom pode sair disso.

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