sexta-feira, 7 de junho de 2019



07 DE JUNHO DE 2019
DAVID COIMBRA

O sagu perfeito

Meu amigo Ilgo Wink, grande repórter, histórico repórter, é um obcecado. Ele venera o sagu. Ele passa os dias em busca do sagu perfeito.

Considero essa preferência como mais uma das tantas boas qualidades que possui o Ilgo. Porque o gosto pelo sagu diz muito acerca do caráter de uma pessoa. Entenda: é fácil dizer que você "a-do-ra" petit gateau. É até bonito, você pode treinar o seu francês. Agora, o sagu é uma sobremesa raiz, uma sobremesa de avó. A minha, inclusive, fazia sagu com suas próprias mãos.

Então, o homem que, como o Ilgo, alardeia de público o seu amor pelo sagu é um homem que preza a simplicidade da vida, e a vida será tanto melhor quanto mais simples for.

Conto tudo isso porque, há anos, circula pelos corredores da internet um texto que o Ilgo escreveu a respeito da sua procura pelo sagu inefável. Ontem, esbarrei nesse texto. Me comovi. Manifestações de paixão em geral me comovem.

O Ilgo diz que escolhe o restaurante pelo sagu. Se o sagu é bom, o restaurante também é. "E o sagu bom tem cor escura, cor de vinho tinto, forte, aquele de garrafão", ensina o Ilgo, acrescentando, com horror: "Já vi até sagu de refresco de uva. Um acinte, uma agressão".

Passada a fúria, ele prossegue: "Depois de avaliar a cor, analiso a consistência. A parte líquida deve ser cremosa e as bolinhas firmes, mas macias, e não muito grandes. O sagu deve, obrigatoriamente, exalar um aroma de vinho tinto, com notas sutis de canela e cravo. Caso contrário, me afasto".

Até aí fui. Com tudo isso concordei. Mas, na sequência, o Ilgo faz uma observação que me causou espécie. Ele prega o seguinte:

"É imperdoável misturar o sagu com o creme. Mergulhe a colher no sagu e depois no creme, nesta ordem. O creme, valoroso coadjuvante, não pode ocupar mais do que 30% da colher. Eu costumo ficar nos 20, 25 por cento".

Não, Ilgo! Não, não, não e, digo mais: NÃO! O creme é imprescindível! O creme é tão importante quanto o sagu. O creme é como o molho, e sou um admirador de molhos. Às vezes, troco a carne pelo molho que dela foi feito. O creme pode não ser o gol, mas é o drible. O creme é o piano no fundo de Imagine, de John Lennon. É o véu da Virgem Velada, de Giovanni Strazza. O creme são as amenidades da vida.

É a arte.

Sim, Ilgo, o creme é a arte. A arte, tão menoscabada pela nova política. Tão desprezada. Tão aviltada. Tão mal compreendida, porque parece supérflua, quando é essencial porque, sem ela, a vida seria insuportável.

DAVID COIMBRA

07 DE JUNHO DE 2019
EDITORIAL

RELAÇÃO UMBILICAL



Brasil e Argentina têm desafios semelhantes, embora ao menos tenhamos deixado para trás o período de inflação descontrolada e reunido sólidas reservas cambiais que amortecem choques externos
Nenhuma relação externa brasileira é mais umbilical do que a mantida com a Argentina. Os dois países atravessaram períodos de rivalidade ao longo da História, mas nas últimas décadas se consolidou a visão de que as duas principais economias da América do Sul, mesmo que ainda não tenham se livrado de suas prolongadas crises internas, têm um destino a ser compartilhado. Estreitar laços é estratégico para ambas, não importa quem sejam os ocupantes de ocasião do Palácio do Planalto e da Casa Rosada.

A visita do presidente Jair Bolsonaro ao seu par argentino, Mauricio Macri, é uma oportunidade de os chefes de Estado reafirmarem o reconhecimento mútuo. A despeito de o Mercosul ter se mostrado até agora uma frustração, a sintonia entre Brasil e Argentina é essencial para fortalecer o bloco nas negociações do tratado de livre-comércio com a União Europeia, que se arrasta desde 1999 e pode finalmente ter desfecho nas próximas semanas.

As duas nações têm desafios semelhantes, embora ao menos o Brasil tenha deixado para trás o período de inflação descontrolada e possua sólidas reservas cambiais que permitem amortecer choques externos. Uma e outra precisam de reformulação profunda de suas estruturas. Neste ponto, tem razão o vice-presidente Hamilton Mourão, que, na terça-feira, mostrou decepção com o desempenho de Macri, por ter falhado em implantar as reformas necessárias para resgatar a Argentina da obsolescência. O resultado foi o aprofundamento da recessão, mais sofrimento imposto à população, a necessidade de voltar a recorrer ao FMI e a ameaça do retorno do populismo kirchnerista, movimento político alvo de acusações de corrupção e que fez a Argentina voltar mais algumas casas na busca pela retomada do desenvolvimento. É um alerta, portanto, que serve para o Brasil, em um momento de arrefecimento do otimismo pós-eleições.

O desgaste de Macri e a demora na implementação de sua plataforma liberal alimentaram ainda os argumentos retrógrados de um sindicalismo parasitário que se acostumou a sobreviver à custa do aparato estatal e, ainda ancorado no imaginário peronista, impede avanços que comecem a tirar a Argentina do atoleiro econômico. Um cenário até certo ponto semelhante ao do Brasil, onde as corporações esperneiam para não abrir mão de privilégios, como se vê nas pressões que envolvem a mudança no sistema de aposentadorias.

Ambos, portanto, têm muito a aprender e a compartilhar um com o outro. Não há mal para a Argentina que faça bem para o Brasil. E o contrário também é verdadeiro. O país vizinho é o terceiro mais importante parceiro comercial do Brasil e o cliente número 1 da indústria nacional, que, combalida, sofre mais sempre que o quadro se deteriora do outro lado da fronteira. Sentem mais ainda as fábricas gaúchas, que, pela proximidade geográfica e cultural, têm na nação do Prata um importante mercado para seus produtos.


07 DE JUNHO DE 2019
EDUARDO BUENO

Laico? Dê um like!


Sei que o Estado é laico, mas será que não está na hora de termos um ministro umbandista no STF? Eu pergunto-lhes: existe algum, entre os 11 ministros do Supremo, que seja umbandista assumido? Poxa, o Brasil é a pátria da umbanda, essa incrível seita sincrética que surgiu da mescla entre as religiões africanas e o cristianismo: a religião da mistura, da fusão, do "jeitinho". Além disso, na língua banto, "umbanda" significa "a arte de curar". E ninguém em sã consciência deixará de admitir que o Brasil e o STF precisam ser curados. Não seria, portanto, hora de um ministro umbandista no STF?

Sei que o Estado é laico, mas será que não está na hora de termos um ministro budista no STF? Existe algum ministro do Supremo que seja budista assumido? O budismo é do bem, você sabe: tudo na santa paz do Senhor, embora, tecnicamente, ele sequer seja uma religião, nem tenha "senhor". Mas, poxa, a seita brotou na luxuriante Índia, não num deserto infértil, e há mais de 2,5 mil anos. E no fim ninguém padece na cruz: Buda vira luz. Não seria hora de um ministro budista no STF?

Sei que o Estado é laico, mas será que não está na hora de termos um ministro xamanista no STF? Existe algum ministro do Supremo que seja xamanista assumido? Poxa, o Brasil deve tanto às suas raízes tupis. Tupi or not tupi, that?s the question. E os xamãs curavam doenças, tinham visões, orientavam as tribos na guerra e na paz. Aliás, viviam baforando o cachimbo da paz. Não seria hora de um ministro xamanista a baforar no STF?

Sei que o Estado é laico, mas será que não está na hora de termos um ministro islâmico no STF? Poxa, há tanta incompreensão com o Islã, tanto sangue vertido em horrendas guerras religiosas. O Brasil não poderia dar mais um exemplo de sua proverbial tolerância religiosa ao mundo? Não seria hora de um ministro islâmico no STF?

Sei que o Estado é laico, mas não está na hora de termos um ministro espírita no STF? Ele daria passes, invocaria os mortos, se livraria dos encostos e dos encostados, faria sessões de descarrego e até uma eventual sessão do copo. E um Hare Krishna no STF? Poxa, imagina a toga laranja dando cor àquelas asas negras que recobrem os demais e o suave som dos mantras. 

E um ministro Rajneesh então? Sei que toga vermelha é feia - nossas togas jamais serão vermelhas! -, mas, poxa, os Rajneesh são favoráveis ao amor livre! E um ministro maçom? O STF não é nenhuma Casa Masson, bem o sei, mas, poxa, a maçonaria esteve por trás da Independência, da abolição e da República. Dom Pedro I, Dom Pedro II, o Barão de Mauá, Benjamin Constant, eram maçons. Não seria hora de um ministro reintroduzir a maçonaria no STF?

"Não me vem (sic) a imprensa dizer que quero misturar a Justiça com religião. Todos nós temos uma religião, ou não temos. Um tem que respeitar o outro." Por isso pergunto: não está na hora de termos um ministro ateu no STF? Pois ministro à toa parece que já temos.

EDUARDO BUENO

quinta-feira, 6 de junho de 2019




06 DE JUNHO DE 2019
DAVID COIMBRA

Só as mães são felizes

Só as mães são felizes, cantou Cazuza no melhor disco da sua vida, O Tempo não Para, lançado num tempo em que para do verbo parar levava na testa o acento que lhe dava dignidade e força.

Essa faixa, Só as Mães São Felizes, ele cantou com uma ginga de gato vadio, de blueseiro dos distritos negros de Chicago.

Comprei o disco, na época, e o ouvia sempre no meu poderoso três em um. Todas as músicas eram boas. A poesia de Cazuza cortava feito navalha e suas interpretações eram cheias de manemolência.

Mas ele sofria.

Contaminado pelo HIV, Cazuza definhava diante de um Brasil que recém descobrira a praga da aids. Era aterrorizante. A revista Veja escreveu uma reportagem a respeito. Na capa, publicou a foto de Cazuza esquálido, com as mãos cruzadas no peito como um faraó egípcio, de óculos, o cabelo ralo, a face angulosa. O título: "Uma vítima da aids agoniza em praça pública".

Essa capa gerou polêmica, mas dizia a verdade. Ele agonizava em praça pública. Mais: fez bem ao Brasil. O medo que os brasileiros sentiram de terminar como Cazuza foi um estímulo para a prevenção.

Eu cogitava, então: será que, se Cazuza não tivesse contraído o HIV, produziria um disco tão bom quanto O Tempo não Para? Creio que não. Cazuza tornou-se mais profundo, devido ao drama pessoal. A dor fez bem para a arte. Sempre faz.

Uma vez, perguntaram a Dostoiévski qual era o segredo para escrever bem. Ele respondeu:

- Sofrer, sofrer e sofrer.

De fato, a obra imortal de Dostoiévski foi construída com tijolos de sofrimento.

Dostoiévski era czarista, não partilhava dos anseios revolucionários dos russos da sua época. Mas frequentou algumas reuniões de conspiradores em que ia seu irmão. O problema é que a polícia do Estado descobriu acerca desses encontros e prendeu todos os que deles participaram. Dostoiévski foi condenado à morte. Levaram-no diante de um pelotão de fuzilamento. O comandante gritou "preparar!", depois "apontar!" e, antes que ordenasse "fogo!", um cavaleiro entrou na praça de execução, avisando que o czar Nicolau I concedera o perdão ao condenado.

Na verdade, tratava-se de uma encenação cruel, feita a mando do czar. Dostoiévski, traumatizado, teve a pena comutada para prisão na Sibéria e lá ficou por quatro anos. Nesse período, reagiu à adversidade como Cazuza: criando. Escreveu um dos maiores romances da literatura mundial, Recordações da Casa dos Mortos.

Conto tudo isso por causa de Neymar. Tenho uma curiosidade a respeito dele. Será que os graves problemas que ele vem enfrentando nos últimos dias servirão para que amadureça? Será que veremos o "menino Ney" enfim crescer? Ou será que ele se deixará abater?

Agora saberemos qual é o tamanho real de Neymar. Porque os pequenos respondem aos reveses da vida diminuindo até quase sumir. Os grandes tornam-se maiores ainda.

DAVID COIMBRA

06 DE JUNHO DE 2019
INDICADORES

Inovação: vamos fechar o ciclo?


Em dezembro de 2015, a União Europeia adotou o Plano de Ação para a Economia Circular, com o objetivo de construir uma economia próspera, moderna, competitiva e neutra em termos de clima até 2050. Somente para o período 2016-2020, foram alocados mais de 10 bilhões de euros. A partir dos dados, é possível perceber que a economia circular, cujo objetivo é garantir que os materiais reintroduzidos na economia sejam economicamente rentáveis e seguros, já é uma tendência irreversível. 

O conceito se contrapõe à, ainda predominante, economia linear, baseada no processo de extrair, produzir e descartar. Essa etapa, na definição da economia circular, não existe, já que todos os materiais têm valor e devem ser reincorporados ao sistema.

E são muitas as motivações para se engajar nessa mudança. Estudos da Ellen MacArthur Foundation apontam que, adotando esses princípios, até 2030, a Europa pode gerar 1,8 bilhão de euros, mais de 1 milhão de postos de trabalho e, ainda, reduzir as emissões de gases com efeito estufa. O Brasil, que em 2016, de acordo com o World Resources Institute, ocupava a sexta posição mundial em emissão desses gases, precisa melhorar muito.

Nesse cenário, algumas das propostas do Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022 da CNI veem a economia circular como oportunidade para o uso mais eficiente dos recursos e aumento da competitividade da indústria. Entre os desafios, está o de considerar resíduos como recursos de valor, com destaque para o plástico, expandindo sua reciclagem de 9,8% para 12,5% até 2022. 

O aumento da eficiência energética em 10% e a redução de gases de efeito estufa em 37% até 2025 são outras metas. Mas existem diversas possibilidades para inovar na economia circular, como a adoção de modelos de negócios baseados no acesso, e não na posse, conforme a Exchange For Change Brasil.

Segundo o Global Footprint Network, estamos usando recursos quase duas vezes mais rápido do que eles conseguem se regenerar, algo obviamente insustentável e que torna fácil de entender a frase que diz "todo lixo é um erro de design". Precisamos, urgentemente, começar a fazer certo.

GABRIELA FERREIRA


06 DE JUNHO DE 2019

+ ECONOMIA



ERRO E ACERTO NO PLANALTO


Engessado entre a falta de recursos no orçamento federal e a pouca fé do ministro da Economia, Paulo Guedes, em medidas de estímulo para a economia, o governo tenta descobrir alternativas de incentivo. Acerta, no caso das iniciativas da Caixa Econômica Federal: abriu renegociação de dívidas para pessoas físicas, baixou o juro do financiamento habitacional e ameaça cobrar dívidas graúdas, como as da Odebrecht. Mas também tropeça nos próprios pés ao cogitar, publicamente, trocar as cédulas de R$ 100 e R$ 50 com o objetivo de obrigar seus portadores a voltar para o sistema financeiro.

Sem contar com as imediatas associações ao recente escândalo que envolveu Fabrício Queiroz, ex-assessor de um dos filhos de Bolsonaro, a hipótese mencionada pelo presidente em entrevista ao SBT oscila entre a inocuidade e a ingenuidade:

- Daí, quem tem dinheiro guardado por aí vai ter de se virar. Vai no mercado, bota para rodar esse recurso.

O primeiro problema é que a mudança de cédula vai custar dinheiro, seja na reimpressão seja no recolhimento. Segundo, "quem tem dinheiro guardado por aí" tem bons, ainda que errados, motivos para fazê-lo. Estará disposto a "investir" para driblar eventuais controles e se manter no escuro, onde quer estar. Os movimentos da Caixa, por outro lado, apontam um dos possíveis caminhos para dar algum alento à economia, que se reaproxima perigosamente da recessão.

A proposta de renegociação de dívidas de pessoas físicas, que deveria ser copiada pelos demais bancos, reabilita brasileiros que estão em cadastro negativo e recupera a capacidade de aquisição de ao menos uma parcela dos inadimplentes. A redução do juro no crédito habitacional vai pelo mesmo caminho virtuoso: atrai interessados em contratar empréstimo para compra de casa própria, cria mercado para a construção civil, um dos segmentos que ainda não conseguiu se reerguer depois da recessão e que tem potencial para contratar milhares de desempregados. Portanto, há caminhos, mesmo que sejam descobertos no percurso.

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BASTOU CRESCER O RUMOR DE QUE O PLANALTO ESTUDA FLEXIBILIZAR O TETO DE GASTOS INSTITUÍDO NO GOVERNO TEMER PARA MUDAR O HUMOR DO MERCADO. O DÓLAR SUBIU 1%,PARA FECHAR EM R$ 3,895. A BOLSA CAIU 1,4%. A DERROTA DO GOVERNO NA TENTATIVA DE OBTER R$ 248 BILHÕES NÃO AJUDOU. VOLTOU A TENSÃO.

ALTOS DE GRAVATAÍ

Gravataí deveria ter sido cenário do prédio mais alto do Rio Grande do Sul, projeto da M.Grupo. Não deu, a empresa entrou em recuperação judicial. Agora, ao menos, vai sair o prédio residencial mais alto da cidade, com 18 andares e vista panorâmica. Com apartamentos que chegam a 85,7 metros quadrados e área de lazer no terraço com 300 m², o Upper Residence é um projeto da Tomasetto Engenharia. Será ao lado do Parcão, na região da Parada 79.

A estrutura também terá fechaduras eletrônicas e tomadas com saída USB. As áreas comuns terão piscina com deck molhado, lounge externo, espaço gourmet com parrilla, brinquedoteca, salão de festas e espaço fitness. O empreendimento tem previsão para ser entregue em três anos.

MARTA SFREDO

06 DE JUNHO DE 2019
POLÍTICA

Incentivo a empreendedores é reconhecido


NOVO HAMBURGO vence prêmio nacional promovido pelo Sebrae

Única representante do Rio Grande do Sul ganhadora da 10ª edição do Prêmio Nacional Sebrae Prefeito Empreendedor, a prefeita de Novo Hamburgo, Fatima Daudt, foi homenageada ontem à noite em Brasília. A intenção do evento é reconhecer prefeituras que incentivam empreendedores.

Fatima ganhou na categoria Cooperação Municipal para o Desenvolvimento Econômico, com o projeto Estratégia Intermunicipal em Prol do Vale do Sinos. O objetivo do programa é promover o acesso de pequenos negócios da indústria calçadista a feiras nacionais e posicionamento no mercado internacional.

Além de Novo Hamburgo, seis municípios representaram as boas práticas desenvolvidas no Estado: Bento Gonçalves, Campo Bom, Farroupilha, Frederico Westphalen, Lajeado e São Marcos. Em novembro de 2018, as sete prefeituras foram premiadas pelo Sebrae RS. Agora, concorreram com projetos de todo o país.

Janaína Medeiros, gerente de Políticas Públicas do Sebrae RS, destaca que a retomada da economia e do emprego passa pelos municípios:

- De nada adianta o prefeito esperar pelo presidente ou pelo governador. Ele também tem a sua responsabilidade.

Ao disseminar práticas produtivas, o prêmio busca incentivar que outras prefeituras implementem medidas favoráveis ao empreendedorismo.

- Municípios mais ágeis e menos burocráticos atraem mais empresas e geram mais emprego e renda - diz Janaína.

AS INICIATIVAS

MUNICÍPIO DO RS QUE VENCEU

Local: Novo Hamburgo

Prefeito: Fatima Daudt

Projeto: Estratégia intermunicipal em prol do Vale do Sinos

Categoria: Cooperação Municipal para o Desenvolvimento Econômico

Objetivo: acesso de pequenos negócios da indústria calçadista a feiras nacionais e posicionamento no mercado internacional

OUTROS MUNICÍPIOS GAÚCHOS QUE CONCORRERAM EM DIVERSAS CATEGORIAS

Local: Farroupilha

Prefeito: Claiton Gonçalves

Projetos: Farroupilha 4.0: Cidade inteligente,negócios inovadores; Quer vender para o Município? A prefeitura de Farroupilha vai te ajudar

Categorias: Políticas Públicas para Desenvolvimento dos Pequenos Negócios; Compras Governamentais de Pequenos Negócios

Objetivos: agilidade no registro de empresas,auxílio na criação de sites e páginas nas redes sociais a pequenos empresários e ensino de educação financeira em escolas; aumento do acesso de microempreendedores individuais e empresas de pequeno porte,principalmente locais, em licitações públicas.

Local: Bento Gonçalves

Prefeito: Guilherme Pasin

Projeto: Sabor de Bento: o DNA do empreendedorismo rural de Bento Gonçalves

Categoria: Pequenos Negócios no Campo

Objetivo: acesso a certificado de qualidade de produtos a agroindústrias familiares para aumento de visibilidade e mercado.

Local: Frederico Westphalen

Prefeito: José Alberto Panosso

Projeto: Fertirrigação do solo por meio de sistema de canalização por gravidade

Categoria: Inovação e Sustentabilidade

Objetivo: destino adequado a dejetos suínos produzidos em duas granjas do município e melhoria da produtividade em mais de cem propriedades rurais.

Local: Campo Bom

Prefeito: Luciano Orsi

Projeto: Campo Bom de olho no futuro

Categoria: Empreendedorismo nas Escolas

Objetivo: desenvolvimento de educação empreendedora em escolas para estímulo a criatividade e disciplina

Local: Lajeado

Prefeito: Marcelo Caumo

Projeto: Simplifica Lajeado

Categoria: Desburocratização e Implementação da Redesimples

Objetivo: processo de abertura e mudanças de empreendimentos em até 24 horas e regras claras na concessão de alvarás.

Local: São Marcos

Prefeito: Evandro Carlos Kuwer

Projeto: Sala do empreendedor e vigilância sanitária, uma parceria de sucesso

Categoria: Inclusão Produtiva e Apoio ao Microempreendedor Individual

Objetivo: orientaçãosobre alvará sanitário para  novos empreendimentos e certificação de estabelecimentos da área de carnes com selo açougue seguro.

quarta-feira, 5 de junho de 2019


05 DE JUNHO DE 2019
BOAS IDEIAS

BOAS IDEIAS - LANÇAMENTO


Uma das pioneiras no Rio Grande do Sul em móveis de espelho e vidro cristal, a Tokglass comemorou no final de maio 15 anos da melhor forma possível: apresentando novas peças em seu portfólio.

São sete criações entre bufês, mesas de jantar e de centro com lareira e carrinho-bar.

Entre os destaques, está a mesa de jantar Luxor, com tampo em madeira revestido em vidro cristal branco. A base é em aço carbono pintado. Já a Cristalle aposta em transparência no pé de design contemporâneo.

Peça cada vez mais queridinha pela função de apoio, os bufês ganharam espaço na linha com modelos como o Austin, também com estrutura em madeira revestida em cristal branco. Ponto para os detalhes em aço carbono dourado.

Cristalle

Linhas retas na base e design oval ou circular no tampo

Luxor

O vidro cristal pintado está presente nas peças

Austin

Alguns modelos têm o uso do aço carbono dourado

É TENDÊNCIA

Além da opção cromada tradicional, agora também é possível escolher acessórios da linha Origami, da Meber Metais, em tom dourado fosco.

A novidade chega ao mercado com seis peças (toalheiros argola e linear, cabide, porta-papel, saboneteira de parede, porta-xampú), que podem ser adquiridas avulsas ou em duas opções de kit.

Origami

A linha remete à arte milenar japonesa

CASA PRÁTICA

Os espumadores de leite da marca Pressca levam a facilidade do preparo de um leite aerado. A jarra transparente tem 200ml de capacidade.

Espumadores

A base e o êmbolo (que força que o leite passe por uma trama de plástico para criar uma espuma consistente) têm sete opções de cores


05 DE JUNHO DE 2019
DAVID COIMBRA

O que diz o ódio contra Neymar

Deparei, ontem, com o seguinte título no site do jornal El País: "Como o futebol alimenta a cultura do estupro e menospreza a violência contra mulheres". Era uma matéria sobre Robinho, reaproveitada agora para o caso Neymar.

Nem precisaria ir texto abaixo, mas fui. Li.

Se você tiver paciência, leia também. Verá como o texto é superficial, preconceituoso e mal-escrito. Mas não foi isso que me incomodou, e sim a desonestidade da matéria, a mesma desonestidade que se esconde no núcleo de muito do que tem sido escrito e falado acerca desse tema e de outros que tais, no Brasil.

Parece que estamos em uma guerra: mulheres versus homens. As mulheres são o Bem, os homens são o Mal. Neymar é estuprador não porque haja indícios fortes de que ele cometeu o crime, mas porque ele é homem. Os indícios, na verdade, apontam para o lado oposto: as evidências mostram que Neymar está sendo vítima de extorsão. Só que é politicamente correto apontá-lo como estuprador, até porque, além de homem, Neymar é rico, famoso, poderoso e, o que configura prova definitiva para El País, jogador de futebol. Como não odiar alguém que é homem, rico, famoso e jogador de futebol?

Tenho cá minha opinião a respeito do assunto e já a publiquei: Neymar é inocente. Mas não é isso que importa, até porque posso estar errado. O que importa foi o termo que escrevi no parágrafo acima: "politicamente correto". É o politicamente correto que, muitas vezes, está no centro das análises acerca do que acontece no país.

Não por acaso, em seu discurso de posse como presidente da República, Bolsonaro disse que foi eleito para governar contra o politicamente correto. Aquela declaração me chocou. Porque o politicamente correto, na essência, é positivo. Querer uma sociedade menos preconceituosa, que trate homens e mulheres com igualdade, que aceite qualquer orientação sexual com naturalidade, que repudie o racismo, que proteja os mais fracos e que abomine a discriminação, querer uma sociedade assim é bom. É ótimo! E isso é o politicamente correto. Logo, o politicamente correto é ótimo.

Como, então, um presidente da República pode deblaterar contra esse sentimento? E mais: como pode ele ter sido eleito exatamente porque deblatera contra esse sentimento? Por que isso aconteceu no Brasil?

Por causa de manifestações como a do El País.

Como dizia o meu sábio avô, o sapateiro Walter, "tudo que é demais derrama". O exagero torna torto o que é direito, torna incorreto o que é correto.

Porque NÃO, nós não estamos em guerra. A maioria das mulheres não é contra os homens e a maioria dos homens não desrespeita as mulheres. Há mulheres boas e mulheres más, assim como há homens bons e homens maus. Você pode dizer que uma mulher é mal-intencionada e isso não significa que você seja contra as mulheres. Você pode não gostar de coisas típicas das mulheres, como futebol feminino, por exemplo, e isso não significa que você seja machista.

A sociedade se movimenta segundo Newton e Hegel compreenderam: a toda ação sempre há uma reação de mesma intensidade; diante de toda tese sempre surge uma antítese que se lhe opõe com a mesma potência. A agressividade do politicamente correto e das esquerdas empurrou a sociedade para o politicamente incorreto e para a direita. São as esquerdas e o politicamente correto os pais de Bolsonaro e Trump.

Mas o bom senso não está nos extremos. Está, como ensinou Sidarta, no caminho do meio. Temos, todos, de viver juntos. Sem ódio, essa tarefa ficará bem mais fácil de ser cumprida.

DAVID COIMBRA

05 DE JUNHO DE 2019
OPINIÃO DA RBS

POR UMA REFORMA ÚNICA

Transferir a decisão sobre o tema para Estados e municípios daria maior poder de barganha às corporações locais, pela proximidade e influência das suas estruturas
A inclusão dos servidores estaduais e municipais na reforma da Previdência que tramita em Brasília é salutar para o país. Primeiro, pela relevância da unificação do sistema, que precisa de coerência interna para atingir seus propósitos de reorganizar as aposentadorias dos brasileiros. Não há motivos para que uma parcela do funcionalismo seja tratada de forma privilegiada. Mas há outros aspectos que justificam a concentração dos debates no Congresso.

Transferir a decisão sobre o tema para Estados e municípios, que somam déficit anual de R$ 96 bilhões, daria maior poder de barganha às corporações locais, pela proximidade e influência de suas estruturas. A busca por se desvencilhar de medidas impopulares, que afetem suas bases eleitorais, aparece com a resistência de parte dos próprios deputados para que a reforma fique restrita aos servidores federais. 

O receio de perder votos e não alcançar o apoio necessário para a aprovação da nova Previdência faz o Planalto ceder, embora mantenha o alerta. A inclusão dos demais entes federados na proposta não altera a projeção de R$ 1,2 trilhão de economia calculada pela equipe do ministro Paulo Guedes, mas ceder a posições populistas, inclusive de vários governadores, notadamente do Nordeste e de oposição ao Planalto, é não desarmar uma bomba-relógio no tempo apropriado. É uma conta, portanto, que chegará. E a procrastinação costuma elevar a fatura, exigindo sacrifícios ainda maiores da população.

A possibilidade de inclusão de uma emenda com a adesão automática de Estados em situação financeira mais dramática beneficiaria o Rio Grande do Sul e as outras unidades da federação com alto endividamento, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ainda não seria o ideal, mas ao menos garantiria que os gaúchos, por exemplo, não perdessem mais tempo com uma questão já atrasada, levando em consideração características como a maior proporção do Brasil entre funcionários públicos inativos em relação ao número de ativos.

Mesmo que a autonomia de Estados e de municípios seja um princípio a ser ampliado e defendido, há casos em que a centralidade do Congresso, onde estão representantes de todos os quadrantes brasileiros, precisa prevalecer. Não há mais tempo para postergações ou espaço para tergiversar. A reforma da Previdência não é um tema simpático e, apesar disso, encontra apoio popular, como demonstrado nas manifestações pró-governo do último dia 26 de maio. Justamente por isso, cabe também a governadores e prefeitos não se omitir nesse debate, assumindo posições públicas claras e transparentes. É a coragem responsável de que o Brasil tanto precisa neste momento de encruzilhada.

OPINIÃO DA RBS

05 DE JUNHO DE 2019
VIATURA DE LUXO

Camaro de R$ 130 mil começa a ser usado pela Polícia Civil


A Polícia Civil de Passo Fundo recebeu um reforço de luxo. Apreendido em uma operação contra o golpe do bilhete em junho do ano passado, um Camaro já se encontra adesivado e começou a ser usado ontem. O carro, que antes era amarelo e agora exibe as cores branca e preta, faz parte da frota de viaturas da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) do município do Norte.

O proprietário do Camaro teria adquirido o veículo - avaliado em cerca de R$ 130 mil - com dinheiro supostamente ilícito após golpes em dezenas de vítimas no Rio Grande do Sul e em outros quatro Estados. Responsável pela investigação que resultou na apreensão do carro, o delegado Diogo Ferreira afirma que a viatura atuará em ofensivas contra suspeitos de crimes. O uso pela corporação foi autorizado pela Justiça.

Pelo menos 71 carros, 18 motocicletas, dois barcos, uma moto aquática, dinheiro em espécie e joias em ouro foram apreendidos em junho do ano passado pela Polícia Civil no âmbito da operação Pólis. A ofensiva foi deflagrada contra uma rede de suspeitos de estelionato que aplicariam o golpe do bilhete premiado e agiriam no norte do Estado, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e até Minas Gerais.

A prioridade da operação era atacar os bens dos investigados e colher provas robustas para a apuração. Em Passo Fundo, o trabalho policial começou em 2015 e identificou 140 pessoas vítimas da trapaça.

terça-feira, 4 de junho de 2019



04 DE JUNHO DE 2019
DAVID COIMBRA

Aos pés da cama, minha irmã

De repente me surgiu, dobrando alguma esquina escura da memória, uma cena que havia esquecido.

Essa cena aconteceu durante o período de recuperação da cirurgia a que fui submetido seis anos atrás, para retirada de um rim. Era o primeiro dia depois da operação, o pior dos dias. Estava meio dopado pelos poderosos analgésicos que eles dão para a gente nessas situações, mas, ainda assim, sentia muita dor. Muita dor.

Comigo estava a minha irmã Silvia, mas não conseguia conversar com ela, não conseguiria conversar com ninguém, só conseguia sentir dor. Via a consternação em seu rosto e deduzi que a minha aparência devia ser assustadora. Mas não me importei. Quando você está internado num hospital, toda a vaidade se acaba. Você só quer ficar bom e sair dali.

Então, minha irmã fez algo, e foi disso que lembrei agora: ela começou a massagear meus pés.

Naquele momento, talvez também devido ao efeito da morfina, comecei a ver flashes do passado. Eu e minha irmã ainda pequenos, brincando no pátio da nossa casa, no Parque Minuano. Nós tínhamos um cachorrinho, o Banzé, que estava sempre saltitando a nossa volta. A rua era calma, nunca passava carro algum. Por isso, a mãe não se preocupava quando saíamos para a calçada, para o terreno baldio que havia ao lado, para o jardim dos vizinhos da casa em frente. O Banzé ia conosco, bem faceiro. Um dia, ele escapuliu de nossas mãos e cruzou o leito da rua exatamente no instante em que um carro solitário passava. Morreu na hora.

Eu e minha irmã compartilhamos a dor da perda do bichinho. Tivemos outros, claro. Ela adotou um gato covarde, que corria até de barata, e, a despeito disso, colocou-lhe o nome de Tigre. Mas do que mais gostamos foi, imagine, uma codorna, a Matilde.

Passamos a infância juntos, eu e minha irmã. Às vezes se divertindo, às vezes brigando, quase sempre rindo. Quando penso em nós, nós estamos rindo. Depois, passada a adolescência, ela saía comigo e meus amigos, nos fins de semana. Eram sete, oito guris e uma guria.

A vida tem significado quando outras pessoas acompanham a sua história, sabem de você, torcem por você. Minha irmã é uma de minhas testemunhas oculares mais próximas. E eu dela.

E, naquele dia difícil, lá estava ela, aos pés da cama em que eu sofria, com meus pés entre as mãos, massageando-me com suavidade. Foi um gesto simples, mas não inconsequente. Porque, se a dor não diminuiu, aumentou o ânimo. Cheguei a recordar, com ironia meio amarga, os versos de Álvares de Azevedo:

"Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã".

Achei aquilo engraçado, mas suponho que não ri. Apenas pensei: não vou morrer amanhã. Por algum motivo, a presença da minha irmã me deu essa certeza.

Havia esquecido disso, e agora algo que vi ou uma música que ouvi, sei lá, algo me fez lembrar. Uma massagem nos pés. Um carinho. Um movimento de atenção de uma pessoa em relação a outra, e tudo se ilumina. Nós podemos tornar o mundo melhor. Basta nos tratarmos como irmãos.

DAVID COIMBRA

04 DE JUNHO DE 2019
INDICADORES

Inovação e Reformas


Baseada nas infraestruturas universitárias de tecnologia e de ciência, Porto Alegre e Região Metropolitana têm excelente oferta em termos de capacitação. Centros como o Tecnopuc, Tecnosinos, vários locais na UFRGS, entre outros não menos importantes, formam uma oferta diferenciada quando comparada com o resto do país. As iniciativas de se fazer um pacto para a inovação entre parceiros afins, com óbvio apoio do setor público, repetem-se historicamente e, neste momento, mais uma destas louváveis ações se repete reunindo várias lideranças. É o pacto pela inovação no âmbito da Capital. Não há duvidas de que bons resultados serão obtidos.

Por outro lado, cabe alertar que qualquer análise baseada na experiência do Brasil e na sua comparação com países capacitados em criar inovações e delas usufruir riqueza acaba escalando o problema para o ambiente global do país, escapando da pura e simples iniciativa de capacitação técnica e do conhecimento científico, principalmente o acadêmico.

A inovação é fenômeno econômico que ocorre apenas em ambientes favoráveis. E para se ter economia favorável, precisa-se de política favorável. Quanto mais aperfeiçoado o capitalismo de uma nação, mais inovação será produzida. Empresas iniciantes (startups) geradas por cultura empreendedora, auxiliadas por mecanismos de financiamentos com alta fluidez e por ambientes com alta facilidade de se fazer negócios, são os "girinos" que vão gerar a fauna produtiva do ambiente em questão. 

Estas empresas usarão a tecnologia, gerada talvez por conhecimento científico, como insumo para alimentar ideias novas na forma de produtos, meios de produção ou, ainda, novos serviços, e criarão valor novo, muitas vezes grandioso, gerando impulsos de riqueza na sociedade.

Diante disto, qualquer iniciativa, por mais louvável que seja, é incompleta se não direcionar energia para a transformação da sociedade brasileira por meio de profundas reformas e mudança cultural. Não seremos, nunca, inovadores se permitirmos um ambiente de desequilíbrio fiscal nas contas públicas. Portanto, o pacto pela inovação deve apoiar totalmente a reforma da Previdência, pois, sem ela, será difícil obter resultados concretos em termos de ambiente inovador.

RICARDO FELIZZOLA

04 DE JUNHO DE 2019
OPINIÃO DA RBS

OS MALES DA PIRATARIA


É preciso fechar o cerco a quem vende o produto para as fábricas clandestinas e aumentar a vigilância em relação à importação irregular de equipamentos

Merece atenção redobrada das autoridades e aprofundamento das apurações a nova estratégia do crime organizado de montar fábricas de cigarros piratas no Brasil. O funcionamento do esquema, que envolve paraguaios e brasileiros, foi mostrado em reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI), veiculada na noite de domingo pelo Fantástico e publicada na edição de ontem de Zero Hora.

O plano conduzido pelos criminosos busca escapar das eventuais punições mais pesadas por contrabando, quando são flagrados trazendo o produto ilegal do Paraguai para o Brasil. Mas, ao executar a engenhosa artimanha, os membros das quadrilhas enfileiram uma série de delitos como falsificação, sonegação fiscal, descaminho, organização e associação criminosa, além de trabalho escravo e crime contra a saúde pública. Se o cigarro legalizado, que passa por todos os controles preconizados pelas normas técnicas, já é sabidamente um produto nocivo à saúde, o fabricado sem qualquer vigilância é uma ameaça ainda maior à população, ainda mais para o consumidor de baixa renda, atraído pelo preço convidativo.

O desmantelamento pelas polícias Civil e Federal de 15 fábricas ilegais em sete anos, sendo quatro no Rio Grande do Sul, indica um estratagema consolidado e que tem como um dos focos exatamente o Estado, por ser o principal produtor de tabaco do Brasil. É preciso, portanto, fechar o cerco a quem vende o produto para as indústrias clandestinas e aumentar a vigilância em relação à importação irregular de equipamentos para o estabelecimento dessas indústrias e ao ingresso no país de trabalhadores paraguaios, mantidos nesses locais em sistema análogo ao da escravidão.

Em um momento de crise fiscal, estima-se que os cigarros piratas causem uma evasão de R$ 11,5 bilhões, quase o mesmo volume que é arrecadado com os impostos, na ordem de R$ 11,4 bilhões. A carga tributária sobre o cigarro é elevada exatamente para desestimular o consumo da população. Mas mais da metade das carteiras vendidas no país é ilegal e, portanto, mais acessível do ponto de vista do preço. O tabagismo, por outro lado, impõe gastos muito mais elevados à saúde pública brasileira. Um estudo de 2017, com participação do Ministério da Saúde, estimou em R$ 56,9 bilhões o custo do tratamento por problemas relacionados ao fumo.

Ao lado de campanhas educativas para diminuir o consumo de cigarros no Brasil, tendência clara nos últimos anos, o combate às fábricas clandestinas de cigarros em solo nacional é necessário para mitigar a evasão fiscal e, principalmente, preservar a saúde dos brasileiros. A indústria do tabaco está em transformação no mundo todo, buscando novas alternativas de produtos. Essa mudança deve ser consistente e segura para conciliar uma transição econômica sem trauma nas regiões produtoras e o incentivo a hábitos mais saudáveis para a população.

OPINIÃO DA RBS

04 DE JUNHO DE 2019
NEGÓCIOS DE FUTURO

WHATSAPP GAUDÉRIO?



Depois de meses de desenvolvimento, a empresa gaúcha de soluções em telefonia Summit Networks oferece um novo pacote de comunicação para empresas. O Uniq é apresentado como uma mistura de WhatsApp, Skype e até do velho PBX corporativo. A nova ferramenta será apresentada amanhã no Abrint, maior evento de provedores de internet da América Latina, em São Paulo.

O Uniq promete reunir as principais soluções em comunicação corporativa aos benefícios dos principais aplicativos - como WhatsApp e Skype. Uma das vantagens com que acena será começar uma ligação convencional por telefone e poder segui-la em qualquer outro dispositivo sem precisar encerrar a chamada. A solução tem como modelo a operação em nuvem para o usuário final com a estrutura da plataforma de forma física na operadora.

MARTA SFREDO


04 DE JUNHO DE 2019
GDI

FACÇÕES NA VENDA DE PIRATAS

COMERCIANTES DIZEM OPTAR PELO CIGARRO FALSIFICADO em razão do lucro fácil ou porque são coagidos pelas organizações criminosas a entrar no negócio
O Grupo de Investigação da RBS (GDI) constatou vários indícios de que uma facção criminosa está por trás da fabricação de cigarros paraguaios no Rio Grande do Sul, fenômeno retratado ontem em Zero Hora. Comerciantes foram abordados por integrantes desse grupo, com origem no Vale do Sinos, e tiveram a mercadoria verificada para garantir que só vendessem as marcas ligadas a essa facção.

Os comerciantes foram seduzidos pelo lucro e, quando em dúvida, forçados. Alguns bandidos se passaram por policiais, para coagir comerciantes. O dono de um mercado, no Vale do Taquari, que só vende cigarro paraguaio diz ter sido aconselhado a não vender tabaco legalizado:

- Fiquei sabendo que tinha outros vendendo. Entrei nessa pelo lucro. Ambição do dinheiro. Com cigarro fabricado no Brasil tu ganhas R$ 0,25 por carteira. Paga R$ 7,50 e vende a R$ 7,75. No Classic paraguaio, paga R$ 2,10 pela carteira e vende por R$ 3,50, R$ 4. Vale o mesmo para Paladium e Bill. Tem muita procura. Vendia uma caixa por semana, com 500 maços. Pagava R$ 1,1 mil por ela. Chegou um cara oferecendo, peguei. Comecei a comprar. Aí fiquei com medo... O sujeito me disse: "Melhor tu continuar vendendo. 

É bom para ti. Entenda como quiser". Como já fui assaltado, apesar de estar errado continuei fazendo a venda. Vai saber? Sorte que não deu coisa pior. Eles só vendem marca paraguaia, em vários lugares da cidade. A cada dia aparecia um entregador diferente. Carro e moto diferente. Dinheiro na mão, nada de crédito. É um esquema muito bem organizado. E não é só aqui. Lá em Tramandaí, no camelódromo, no Centro, tem cigarro empilhado. Quando deu problema, levaram meu cigarro, deu Polícia, apreenderam meu estoque. Avisei que não queria mais. Eles não voltaram.

O delegado Paulo Costa, que atua na Polícia Civil em Montenegro, corrobora a informação dos comerciantes e diz que investiga o domínio exercido pelas facções na venda de cigarro paraguaio no varejo. O mesmo estaria acontecendo em toda a Região Metropolitana. O comércio ambulante de cigarros clandestinos é disputado pelas facções, assim como o contrabando na fronteira.

FUMO É LEVADO NA MIRA DE ARMAS

MÁRCIO JALKUTSKI

Produtor rural em Chuvisca, no sul do Estado

"Levávamos três caminhões carregados de fumo para Venâncio Aires, umas quatro horas de viagem. Nas proximidades de Vale Verde, os pneus de um dos veículos furaram, acho que eram miguelitos colocados na estrada. Mal a gente parou e uma caminhonete estacionou atrás. Três caras armados desceram e mandaram sair dos caminhões. Fomos levados na caminhonete e num dos caminhões, com cabeça abaixada, proibidos de olhar para a frente. Rodamos por quatro horas, em estradas de chão, até nos obrigarem a descer num matagal. Nos amarraram e começaram a descarregar o fumo dos veículos. Levaram umas 15 toneladas, o equivalente a R$ 200 mil em mercadoria, além do caminhão. Nos avisaram que o veículo seria abandonado e assim aconteceu. Nos desamarramos e tocamos a vida. Os outros dois caminhões não chegaram a ser roubados porque um taxista estranhou o abandono e chamou a BM, que recuperou os veículos. Nossa empresa já sofreu outro roubo em 2016 e na nossa região foram 10 assaltos em 2016".

LETIERE VAZ

Produtor rural em Barão do Triunfo, no sul do Estado

"Era fim de tarde. Eles entraram na minha propriedade e renderam, na casa, minha esposa. Três caras armados. Depois, dois deles foram até o galpão onde seco fumo e também me renderam. Fomos colocados de bruços no chão, cobertos com um lençol. Perguntaram de dinheiro e armas. Pegaram o que puderam, levaram uns eletrodomésticos. Mas o que queriam, mesmo, era fumo. Só saquearam a residência porque tiveram oportunidade. 

Eles encheram minha caminhonete com fumo e eletrodomésticos e levaram. Tive um prejuízo de R$ 16 mil em fumo, mais o veículo perdido. Mas o maior problema é que não consegui mais morar naquela casa. Foram 40 anos naquele lugar, nasci e me criei junto à lavoura, agora coloquei tudo à venda. Em três dias abandonei o esforço de uma vida. E não sou só eu. Perdi a conta dos casos de assalto como o que nos aconteceu".

FÁBIO ALMEIDA E HUMBERTO TREZZI


04 DE JUNHO DE 2019
CARPINEJAR

Quando dei conselhos ao meu irmão mais velho

O ouvido não capta tudo na infância.

Quando tinha seis anos, minha mãe disse que o Rodrigo precisava de meus conselhos. Vivia muito briguento. Excessivamente irritado. Sem paciência para fazer os temas e batendo a porta do quarto assim que chegava da escola.

Eu entendi quase a ladainha inteira. Quase. Peguei de raspão "meus conselhos" (desconhecia a palavra) por "meus selos", o meu passatempo predileto.

Com custo e sacrifício, separei parte da minha coleção para oferecer ao mano. Nem questionei a injustiça. Comprava os selos na banca da rodoviária com o que economizava da merenda. Não gastava nada no recreio para acumular moedas e adquirir as cartelas no sábado de tarde, acompanhando o pai em seu passeio pelo centro de Porto Alegre.

Deveria pagar um resgate para ter o Igo (seu apelido) de volta ao convívio. Para ele, busquei escolher as peças duplas, as menos avaliadas em guias de colecionadores, as mais novas, as da América do Sul, tentando reduzir os danos. As horas da madrugada doíam com a peneira na mesinha da sala. Às vezes, fingia ímpar ou par entre duas figurinhas para decidir qual ia.

Protelei ao máximo a tarefa. A mãe já me cobrava:

- Falou com o Rodrigo? Descobriu o que era?

Precisei tomar coragem, assim como engolia xarope ruim, com gosto de peixe, em momentos de febre. O irmão estava mal. Não podia só pensar em mim. Depois conseguiria recuperar o material novamente.

Entreguei para o mano uma série de 20 envelopes.

- Aqui está parte da minha coleção de selos para você ficar feliz.

Ele me olhou assustado, abriu os papeizinhos, e perguntou o que significava aquilo.

- Você é mais importante do que aquilo de que mais gosto na vida.

E me abraçou chorando pelo presente, nunca vi meu irmão mais velho chorar.

A mãe me cumprimentou dois dias depois.

- Não sei qual conselho você passou para o Rodrigo, mas funcionou, é outra pessoa.

Aprendi duas coisinhas na infância: dar um presente para quem sofre é o melhor conselho e o ouvido da criança é o coração.

CARPINEJAR

segunda-feira, 3 de junho de 2019


03 DE JUNHO DE 2019
DAVID COIMBRA

Neymar caiu em uma armadilha



É fácil não gostar de Neymar. Ele é vaidoso. Ele é o que os cariocas chamam de "marrento" e os gaúchos de "exibido". Ele se acha muito esperto. Mas, na verdade, trata-se do exemplo clássico do falso malandro. Neymar pensa que está enganando os outros e, assim pensando, cai em armadilhas que só não são destruidoras graças à proteção do seu imenso talento.

Não há nenhum jogador no planeta tão bom quanto Neymar hoje em dia, com exceção de Messi. Assisti à aborrecida decisão da Champions, no sábado passado. Um jogo protocolar e, às vezes, surpreendentemente lento. Não havia um único jogador, entre titulares e reservas que lá estavam, que reunisse metade da habilidade que escorre feito seiva dos pés de Neymar.

Esse talento fez dele rico e famoso. Não sei se o faz feliz. Porque Neymar, sendo como é, transformou-se em alvo perfeito para a malícia humana. E o pior: muitas vezes, ele dá razão a quem o ataca ou critica. Na Copa do Mundo, Neymar se transformou em chacota porque exagerava em suas reações quando era derrubado por um adversário. Ficou ridículo. Ficou até vergonhoso. Só que Neymar é derrubado mesmo. Ele é caçado pelos zagueiros, não raro com maldade. Tanto que já sofreu lesões graves em pouco tempo de carreira. Foi sua falsa malandragem que lhe tirou a condição de vítima e o consagrou como fraude.

Agora, Neymar foi pego em outra cilada. A moça que o acusa de estupro o enganou. Sei bem que é arriscado emitir opinião em assuntos desse tipo, porque parece que se está diante de um caso ortodoxo do homem rico e poderoso que se aproveita da mulher pobre e indefesa. As mensagens trocadas pelo casal, porém, provam que não foi assim.

A moça foi para Paris, a expensas de Neymar, prometendo fazer sexo com ele. Não há nada de errado nisso, e tampouco seria errado se, ao chegar à França, ela se negasse a cumprir a promessa. Mas ela cumpriu e, aparentemente, gostou, porque insistiu para que se encontrassem de novo. Ele topou, foi ao hotel onde ela estava instalada e fizeram sexo mais uma vez. Foi então que ela disse ter sido forçada pelo jogador. 

No entanto, a moça o chamou pela terceira vez e pediu que ele trouxesse uma garrafa de vinho e um presente para seu filho. Neymar não foi, e ela avisou: "Vou dormir, tá? Você não vem e tá dando mancada". Ora, uma mulher que se sente vilipendiada não irá, mais do que pleitear, exigir nova noite de amor com o abusador. Na mensagem, ela parece ressentida com o que Neymar não fez, não com o que fez.

Tudo isso é muito ruim por vários motivos. É ruim para quem gosta de futebol, porque o jogo bonito de Neymar é que deveria ser o assunto dos torcedores, e não sua vida pessoal. É ruim para Neymar, porque mostra que ele continua sendo o "menino Ney", tolo, fútil, entre o patético e o arrogante. É ruim para a moça, porque foi exposta de várias maneiras. E é ruim, sobretudo, para as mulheres que realmente sofrem abuso. Como o comportamento do próprio Neymar demonstra, o exagero transforma possíveis vítimas em fraudes óbvias.

DAVID COIMBRA

03 DE JUNHO DE 2019
ARTIGO

O GOSTO QUE SE DISCUTE


A liberdade artística sempre rendeu debates acalorados, não apenas por seus supostos limites mas também por seu resultado estético. Ou seja, o gosto que se discute. Todas as artes estão sujeitas a esse julgamento. A música popular é submetida a ele através da aceitação nas paradas de sucesso. Poderíamos aludir ao fato de que muitos “hits” alcançam esse status apenas depois de investimentos pesados, mas essa é outra discussão.


A versão de Paula Fernandes e Luan Santana para o sucesso americano Shallow não foi submetida a debate: foi imediatamente ridicularizada na internet por meio de memes implacáveis.


Mas qual teria sido seu pecado? Na minha opinião, foi ter se proposto a fazer uma versão em português para um letra em inglês que, justo no refrão, abriu mão dessa ideia, assumindo o idioma original e deixando sem sentido o restante do verso. Ao invés da guilhotina, a polêmica catapultou a versão para o topo das paradas. Nenhuma surpresa, afinal, a música brasileira não tem se caracterizado por trabalhos poéticos muito elaborados - ao contrário de outros tempos, quando poetas geniais escreviam letras memoráveis.


Vivemos o tempo da canção de amor que estaciona na superfície, sem camadas mais profundas. O tempo em que arranjos e composições se replicam como se seguissem receitas de bolo. Batidas iguais, melodias recicladas e versos que parecem apenas ter alterado a ordem dos fatores, o que em nada altera o produto. Ao que parece, a culpa é da própria língua portuguesa, que, segundo Paula Fernandes, não seria muito melódica. 


Então nada nos resta além de aceitar suas "limitações" e dar como perdida a batalha das versões. Quando o Nenhum de Nós foi desafiado a fazer uma versão em português para Starman, de David Bowie, optamos por uma licença poética no refrão que contrariava a gramática. Fomos massacrados por isso! Hoje essa crítica parece ainda mais sem sentido do que à época. Nunca imaginaríamos que um dia estaríamos todos juntos e shallow now em defesa de uma língua sem melodia ou inspiração. #sóquenão


Músico e palestrante thedy10@gmail.com @thedycorrea - THEDY CORRÊA

03 DE JUNHO DE 2019
OPINIÃO DA RBS

UMA CONCILIAÇÃO ÓBVIA


Preservação ambiental não é mais uma questão ideológica, mas uma exigência do mercado

Trata-se de um falso dilema a mais recente polêmica entre produtores rurais e ambientalistas brasileiros. A celeuma ao redor da Medida Provisória 867, que altera o Código Florestal, expõe a obsoleta incapacidade de compreender que a preservação ambiental não é mais questão ideológica, mas uma exigência do mercado. Uma nova geração de consumidores, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, incluiu, definitivamente, o respeito dos fornecedores à natureza em seus fatores de decisão de compra, seja de alimentos, de serviços ou de produtos industrializados.

Aprovado em 2012 depois de um amplo debate, o Código Florestal é passível, como qualquer norma, de discussão e aperfeiçoamento, desde que garantida sua função de aliar desenvolvimento econômico à fundamental preservação do ambiente. Na contramão dessa lógica, a MP em avaliação pelo Congresso prevê menos obrigações no que se refere à recuperação, com vegetação nativa, de áreas desmatadas.

A Câmara aprovou o texto-base da MP na última quarta-feira, mas o Senado se negou a apreciá-lo. Seu presidente, Davi Alcolumbre, alegou falta de acordo na Casa. Em um almoço promovido pelo Lide e pela Federação Israelita do Rio Grande do Sul, na sexta-feira, em Porto Alegre, Alcolumbre explicou as dificuldades para se chegar a consensos na elaboração das pautas. A profusão de siglas representadas nas reuniões de líderes (18) transforma cada um desses encontros em uma babel de opiniões.

Contaminada pelo clima de radicalismo reinante no país, essa discussão precisa ser devolvida a paradigmas racionais. Dividir produtores rurais e ambientalistas em mocinhos e bandidos, ou vice-versa, é uma simplificação nociva aos interesses do país. São inúmeras as experiências, dentro e fora do Brasil, que conciliam a geração de riqueza e empregos ao manejo sustentável da natureza. São esses os exemplos que devem nos inspirar, e não o ranço que ameaça contaminar o futuro na nação.

A julgar pelos sinais em Brasília, a tendência é de que o Senado não vote a MP hoje. Com isso, o texto caducará. A estratégia do Planalto é reeditar a medida. Assim, haverá tempo para aprofundar o debate no Congresso, onde todas as forças da sociedade nele representadas poderão discutir razões e consequências das alterações. É cada vez mais significativa a relevância do tema para a imagem externa do Brasil. O campo e os seus negócios encadeados formam uma ilha de prosperidade em um país que pena para sair da crise. Se crescer a percepção de que o governo Jair Bolsonaro não tem compromisso com a preservação ambiental, os produtores brasileiros, incluindo os do Rio Grande do Sul, correrão o risco de perder mercados significativos no Exterior.



OPINIÃO DA RBS