domingo, 6 de setembro de 2026

05 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Crise sem precedentes expõe as entranhas do STF

No fundo do poço em que está o Supremo Tribunal Federal, existia um alçapão, revelado agora na crise que expôs as entranhas de uma Corte movida a interesses e vaidades. Não são todos, é preciso frisar, mas a guerra entre Alexandre de Moraes e André Mendonça acaba atraindo tanta atenção que os outros submergem como se fossem espectadores na arena em que se digladiam os briguentos.

A reação do ministro Alexandre de Moraes à divulgação de suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro foi partir para o ataque a Mendonça, acusando-o de atropelar os ritos previstos na Constituição Federal.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, deu cinco dias úteis para os briguentos se explicarem. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal são parte do problema e terão de participar da solução.

Não há até agora equivalência entre os delitos de Moraes e de Mendonça, mas tudo tem de ser investigado. Ninguém está acima da lei. O silêncio barulhento de Moraes soa como confissão de que suas conversas com Vorcaro e o contrato de R$ 130 milhões da esposa, Viviane Barci de Moraes, não têm explicação republicana.

Do alto de sua condição de decano, o ministro Gilmar Mendes propôs a saída de agentes da Polícia Federal dos gabinetes de ministros. Moraes e Mendonça têm os seus, e isso desagrada a direção da PF, porque mina a própria instituição.

A perda de credibilidade das instituições cria o cenário ideal para os oportunistas, ainda mais quando se está a um mês da eleição que vai definir dois terços do Senado, o presidente da República, 27 governadores, 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais de todo o país. _

INSS anuncia redução nas filas

Depois de anos de reclamações de segurados pela demora no atendimento, o INSS anuncia que atingiu a meta de reduzir as filas em todo o Brasil, tanto para as aposentadorias quanto para as perícias médicas. No Rio Grande do Sul, de acordo com os números divulgados na sexta-feira, a redução foi de 56%. Traduzindo o percentual em números, a pilha diminuiu de 140.413 processos em janeiro deste ano para 60.459 em agosto.

O tempo médio de decisão para os segurados é de 23 dias, número inferior ao do Brasil, que está em 34 dias. O tempo de espera por uma perícia médica, que era de 28 dias em agosto de 2023, caiu para 15 dias em agosto deste ano. É importante registrar que esses números são referentes à média. _

Juliana Brizola leva campanha para a região central do Estado

Depois de uma semana focada na Região Metropolitana, com agendas na Capital, na Expointer e em Eldorado do Sul, a candidata ao governo do RS pelo PDT, Juliana Brizola, encerrou o período com um roteiro pela região central do Estado.

Juliana passou a sexta-feira em Santa Maria, onde gravou materiais de campanha, acompanhada de Paulo Pimenta, santa-mariense que concorre ao Senado pelo PT. Depois de rápida passagem por São Martinho da Serra, onde visitou uma propriedade rural, caminhou pela Praça Saldanha Marinho até o Calçadão de Santa Maria, onde manteve contato com comerciantes e moradores.

A agenda terminou em ato do presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, que tenta vaga na Câmara dos Deputados.

Neste sábado, Juliana passa por Venâncio Aires e retorna a Porto Alegre no domingo. _

Divisão do fundo eleitoral do PP mostra repasses desiguais no RS

A falta de clareza sobre os critérios adotados para a distribuição do fundo eleitoral entre os 29 candidatos a deputado estadual do Progressistas no Rio Grande do Sul tem causado frustração e revolta entre postulantes do partido. Cerca de R$ 10,5 milhões foram distribuídos entre os concorrentes, com repasses que variam entre R$ 60 mil e R$ 1,2 milhão.

Entre os atuais deputados, ficou definido que todos receberiam R$ 400 mil para disputar a reeleição. Entretanto, Guilherme Pasin aparece no topo da lista, com R$ 1,2 milhão, seguido por Joel Wilhelm, contemplado com R$ 920 mil. Rodrigo Lorenzoni e Gaúcho da Geral, ambos concorrendo pela primeira vez pelo PP, têm mais de R$ 600 mil à disposição. Marcus Vinícius, que disputa o segundo mandato, e Adolfo Brito, que tenta chegar ao nono mandato consecutivo, ganharam cerca de R$ 450 mil cada um.

Chamam atenção ainda os repasses feitos a Nicole Webber Covatti e Sandro Franciscatto, o Sandro do Covatti - esposa e tio de Covatti Filho, presidente estadual do partido. Ambos receberam R$ 400 mil, mais do que a metade da nominata, que obteve repasses entre R$ 60 mil e R$ 300 mil.

À coluna, Covattinho explicou que os candidatos a federal informaram à direção nacional com quais postulantes a estadual fariam dobradinha e quanto destinariam da sua parte para a campanha conjunta. _

POLÍTICA E PODER

05 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

rodrigo.lopes@zerohora.com.br

Inovação, ciência e tecnologia: os planos de governo para o RS

Há consenso entre os principais candidatos ao governo do Estado sobre um ativo importante do Rio Grande do Sul: universidades de excelência, instituições de pesquisa e um ecossistema de inovação consolidado, formado por parques tecnológicos, incubadoras, startups e empresas.

O desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento. Ainda existe um descompasso entre o conhecimento produzido nos campi e sua aplicação no setor produtivo e na gestão pública.

Nos programas de governo dos postulantes ao Piratini, essa preocupação aparece de diferentes maneiras, mas com um ponto de convergência: a necessidade de aproximar universidades, centros de pesquisa e tecnologia, empresas e poder público, criando condições para que conhecimento e inovação se traduzam em novos produtos, negócios, investimentos e soluções para o Estado.

A coluna analisou os programas de governo e reúne, a seguir, as principais propostas dos quatro candidatos, em ordem alfabética, de partidos com representação no Congresso Nacional. _

Fortalecer ecossistema de inovação por meio de Coredes, universidades e setor produtivo.

Apoiar municípios na criação de legislações.

Criar Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape) para fortalecer a cooperação entre governo e educação superior.

Ampliar apoio a startups, incentivando proteção intelectual, transferência de tecnologia e acesso a financiamento.

Regulamentar e operacionalizar o Sandbox Regulatório no Estado.

Internacionalizar o ecossistema de inovação, fortalecendo o RS como destino de investimentos. Ampliar parcerias e potencializar eventos, como o South Summit Brazil.

Consolidar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação 2025-2030.

Preservar financiamento da pesquisa.

Fortalecer a Fapergs e direcionar o fomento à pesquisa e à inovação para áreas de desenvolvimento, aproximando universidades, centros de pesquisa, empresas e setor produtivo.

Fortalecer projetos cooperativos, núcleos de inovação tecnológica, provas de conceito, propriedade intelectual e licenciamento.

Aperfeiçoar o Inova RS e apoiar parques, incubadoras e ambientes regionais.

Instituir sandboxes e fluxos experimentais apenas nas áreas de competência estadual.

Ampliar a integração entre universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.

Apoiar startups e empresas inovadoras e promover a "soberania digital" da administração.

Assegurar recursos da Fapergs. Apoiar startups e govtechs.

Expandir ambientes comunitários de inovação e inclusão digital nas periferias.

Fomentar pesquisas e soluções em inteligência artificial em áreas como saúde, clima, agricultura e gestão pública.

Fortalecer soberania e infraestrutura tecnológica, expandindo a Infovia Gaúcha, e estimular a implantação de data centers sustentáveis, abastecidos por energia renovável.

Fortalecer o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Financiar pesquisa orientada a desafios climáticos, saúde, agro e indústria.

Apoiar parques, incubadoras e ambientes de inovação no Interior.

Criar programa de transferência tecnológica para pequenas empresas.

Estimular capital semente, venture capital e fundos de coinvestimento.

Conectar universidades, empresas e governos em redes temáticas. Medir patentes, contratos, startups, produtividade e empregos gerados.

Sistema antigranizo

O governo do Estado lançou, durante a Expointer, o edital de chamamento para apoio à manutenção e operação de sistemas antigranizo, iniciativa que envolve 18 municípios da Serra e dos Campos de Cima da Serra. A proposta prevê a instalação de cerca de 130 unidades de proteção distribuídas entre os municípios. A estrutura será voltada à redução de danos causados pelo granizo em áreas agrícolas, especialmente em regiões com forte produção de uva e outras culturas. _

Os cem mais da saúde

Vários executivos gaúchos ou de entidades com forte ligações com o RS foram reconhecidos entre as cem personalidades mais influentes da saúde, em 2026. O prêmio é realizado desde 2013 pelo Grupo Mídia, por meio do Ecossistema Healthcare. Entre os premiados está Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento (categoria Qualidade e Segurança); Franco Pallamolla, presidente da Lifemed (Empresário); Pedro Tedesco Silber, diretor-presidente da Construtora Tedesco (Espaço, Operações & Facilities); Evandro Luis Moraes, diretor-geral do Hospital São Lucas da PUCRS (Qualidade e Segurança); Hilton Mancio, CEO do Tacchini Saúde (Qualidade e Segurança); e Pedro Westphalen, deputado federal (Representatividade). O prêmio foi entregue em São Paulo. _

Gramado no top 10

A Decolar registrou crescimento de 20% nas buscas por viagens para este feriado de 7 de Setembro na comparação com 2025. Gramado, na Serra, aparece em 10º lugar. Veja os principais destinos:

Rio de Janeiro

São Paulo

Maceió

Foz do Iguaçu

Salvador

Recife

Fortaleza

Natal

Porto Seguro

Gramado

Tensão geopolítica

Em uma amostra do aumento da tensão geopolítica no Ártico, a Noruega reteve o navio russo Professor Molchanov no arquipélago de Svalbard, a pedido da estatal ucraniana Naftogaz, que busca cobrar mais de US$ 4 bilhões por expropriação de ativos da Crimeia. A embarcação de pesquisa, com cientistas russos a bordo, ficou impedida de deixar o porto de Barentsburg, na ilha de Spitsbergen. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou a embaixadora norueguesa em Moscou, Heidi Olufsen, para apresentar um protesto e classificou o gesto como "ato de pirataria".

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Novo romance da fenomenal Carla Madeira

quando

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EDITORA RECORD/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime Cimenti

A mineira Carla Madeira, 61 anos, autora dos romances Tudo é rio; A natureza da mordida e Véspera, fenômeno editorial, é hoje a autora mais lida do Brasil, com 1.4 milhão de exemplares vendidos. Há poucas semanas Carla lançou seu novo romance, Quando (Editora Record, 280 p., R$ 69.90), que já encabeça a lista de mais vendidos da revista VEJA.


Narrando cenas familiares e cotidianas com linguagem intensa, carregadas de imagens fortes, neste novo romance a autora traz um pano de fundo mais amplo da história e realidade brasileiras. Depois de três grandes sucessos editoriais com seus romances, Carla pretendia parar de escrever por um tempo, para viajar, ler e respirar. Atropelada por uma sequência de lutos, viu que era impossível não escrever.


Quando é a história da família de Viridiana, que ficou viúva cedo com três filhos para criar. A trama se passa no Brasil da década de 1980 e aborda temas como a ditadura, a maternidade, machismo, feminismo e homofobia. Viridiana precisou contornar valores discutíveis deixados pelo marido, Afonso. 


A filha Margarida se casou com Otávio, tão machista como o pai. Valquíria empedrou o coração depois de uma tristeza e , no intervalo dos plantões de enfermagem, cuida da mãe idosa e doente. Tito, o outro filho, sumiu há vinte anos. As irmãs e o sobrinho Francisco esperam por sua visita.


No calor de um acontecimento trágico, Viridiana será capaz de um ato impensado: denunciar o próprio filho à polícia, abrindo um abismo entre eles. Depois dos vinte anos de ausência , quando o tempo parecia ter dissolvido as possibilidades, Carla Madeira nos colocará diante da extraordinária força dos afetos.

Bem recebido pela crítica, o livro está sendo considerado o melhor de Carla, que enfrentou muito bem a circunstância de seguir trabalhando com criatividade depois do enorme sucesso de Tudo é rio.

Lançamentos

vendas movem o mundo

vendas movem o mundo

DVS EDITORA/DIVULGAÇÃO/JC

A cor que nos separa - A origem (Avec, 216 pág.), oitavo livro do advogado e escritor Daniel Tonetto, é um romance que inicia com Ndala, arrancada de Angola em 1837 e lançada num navio negreiro rumo ao Brasil. No sul do País, em meio a frio, charqueadas e sonhos de liberdade nasce o velho Becca, herdeiro de uma África imortal. Depois virão os italianos e eles conviverão com o sombrio Isidoro, ex-capitão do mato.


Banda Municipal de Porto Alegre (Libretos, 376 pág, R$ 100,00), de Álvaro Santi, músico, escritor e gestor cultural, é uma obra instrutiva e instigante para as pessoas que vivem em Porto Alegre, que amam a música e a cidade. Inícios e primeiros tempos da Banda (1912-1931), da redução à dissolução (1932-1963) e a Banda atual (1975-2025) são as três grandes partes da bela obra de Santi, que nasce referencial sobre o tema.


Vendas que movem o mundo- Como treinar equipes de vendas para transformar potencial em impacto (DVS Editora, 280 pág, R$ 84,00), de Carol Manciola, empreendedora, palestrante e escritora, questiona os modelos tradicionais de treinamento e enfatiza a capacidade de aprender. Verdadeiro guia para quem acredita no potencial humano como motor de transformação.

O Brasilino enlouqueceu

Quase não acreditei quando me disseram que o Brasilino tinha pirado e que estava internado numa clínica psiquiátrica da zona sul de Porto Alegre. Brasilino, aposentado do Banco do Brasil, sempre penteado, arrumadinho e elegante como um soneto parnasiano numa clínica? Essa tinha que conferir. Fui lá e ele estava sentado no belo jardim, olhando para os patos que nadavam no laguinho.

Por que tu veio parar aqui, meu amigo? O que houve? Brasilino tomou uns goles de chimarrão, me olhou sem pressa e disse: Nunca pensei estar num lugar desses. Vivia quieto no meu canto, com meus pensamentos de centro-direita, e aí a Dora, minha mulher, professora estadual aposentada, passou a falar do Lula e do PT desde que acordava até dormir. No início tentei ficar quieto e democraticamente aceitar a polarização conjugal, mas aí ela queria me doutrinar e fazer eu votar no cara e aí eu achei demais e saía de casa toda hora.


Um dos meus genros é PT, professor da Ufrgs e outro é empresário, bolsonarista raiz. No almoço de domingo não era servida paz alguma junto com o churrasco. Uma das filhas acha que os militares têm que voltar e botar ordem e a outra, esquerda-caviar-beluga, acha que a esquerda é o caminho, desde que se caminhe para Paris na primavera, com um monte de euros para tomar cafezinho no Flore e sorvete de cereja na ilê Saint-Louis.


Quando eu ficava quieto ou tentava apartar ou impor democracia e civilidade me chamavam carinhosamente de isentão e diziam que eu tinha que me atualizar. Aí larguei de mão, passei a desligar meu aparelho auditivo e ouvir o som do silêncio. De repente melhor deprê ou meio gagá do que ficar estonteado com aquelas confusões que não iam a lugar nenhum.


Para tentar me acalmar até arrumei uma "amiga" jornalista, que conheci no Bar do Beto. No início conversas amenas sobre comida, futebol, música e causos de pessoas, mas adiante ela, que foi diretora do CPERS, começou a me patrulhar antes, durante e depois dos jogos na hora da sesta. Não aguentei e nem ela. Um para cada lado, com sequelas tristes de amor invernal. Ela era viúva de um coronel do exército e tinha lembranças "complicadas e ambivalentes".


Fui fazer terapia e tomar uns remédios para ver se conseguia "elaborar" minhas ideias mais enroladas que namoro de cobra. O terapeuta me ouvia pacientemente, sem dizer quase nada, e um dia falou que vivemos no meio de relações líquidas, conflituadas, num mundo de conectados-desconectados, intoxicados digitalmente, narcisistas, individualistas e que o que poderíamos fazer era tentar preservar a paz interior e não se deixar levar pelas insanidades e depressões da contemporaneidade. 


Ele disse que o mel era doce, que a vida tem ganhos e perdas e que precisamos exercer a escuta interior e exterior. Acabei me desentendendo com o grupo do cafezinho no shopping. Um é bolsonarista, outra lulista , outro sonha com a terceira via utópica e outro é anarquista-romântico distópico. Eu tentava dar uma de pomba da paz, unir os impossíveis e acabei me dando mal. Disseram que eu era sem noção, que meu coração até era legal, mas minha cabeça confusa.

A propósito

Começaram a dizer que eu andava estranho, fora da casinha, que ficavam preocupados com meus silêncios e isolamentos. Pedi para meu terapeuta me internar. Ele não queria. Mas aí disse que ele podia me atender na clínica ou por vídeo e insisti na internação, inventando ideias suicidas e papos epiléticos. Disse para ele que tomava sopa com garfo, rasgava notas de dólar, dormia nos trilhos e que ia me amarrar num poste. 


Aí estou aqui. Não te assusta, que não estou tão louco. Meu negócio é ficar fora do caos, olhando os patos por algum tempo e pensando que é melhor não pensar muito. Tem duas camas no meu quarto, quer ficar aí, meu amigo? A comida até que é boa. Vais gostar. 

(Jaime Cimenti) 

04 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

O recreio voltou

Não sei você, mas percebo um retorno saudável às práticas do passado. Ninguém mais aguenta ser digital. Sequer as crianças nativas das redes sociais. Veja o crescimento dos clubes de leitura. Minha esposa já participa de dois e se debruça no dever de casa, lendo clássicos e revisitando as estantes.

O número desses grupos de reflexão no país saltou 35% nas últimas duas décadas, reunindo 2 milhões de pessoas em torno de algum título - dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Nielsen BookData apontam alta de 7,7% no faturamento e de 6,5% no volume de livros vendidos.

A solidão do hábito virou solidariedade. As rodas de análise de textos mexem no sobe-desce da lista dos best-sellers e se destacam pelos encontros presenciais, pelo confronto dos mais diferentes pontos de vista e pelo prazer de conversar sobre afinidades. Não são organizadas apenas por escritores, mas também por diletantes da literatura.

Um ano e meio após a Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares em escolas de educação básica, 97% dos gestores escolares relatam que a norma aumentou o engajamento dos estudantes nas atividades pedagógicas.

Houve, inclusive, um movimento de ressocialização nos recreios. Agora estão na moda os lanchinhos entre as mesas de fórmica e os jogos como cartas, pingue-pongue, vôlei e futebol. Vários alunos até se esquecem da existência do aparelho nas caixas coletoras e precisam regressar à instituição para buscar.

Passamos, aos poucos, a recuperar o domínio das mãos, deixando- as livres para brincar e interagir, para escrever bilhetes, não mais destinando a atenção exclusivamente para as telas.

A ansiedade diminui, assim como a sensação de estar perdendo um acontecimento importante no mundo e a competição pelos melhores modelos de smartphone. A abstinência migra para a alegria, com a redescoberta de brincadeiras e de antigos suportes. A biblioteca é mais frequentada, e o barulho do falatório nos minutos sem aula eleva consideravelmente seus decibéis.

Além disso, adolescentes vêm resgatando câmeras velhas, iPods, Walkmen, fones com fio e vinis. Registrou-se uma demanda de quase 50% a mais na aquisição de iPods e Walkmen pelo eBay no Reino Unido em 2025. Tira-se uma foto sem poder conferir imediatamente se ficou boa, suportando a espera e o erro de foco.

Cansada da hiperconectividade, a Geração Z espanou o pó do MP3 player, procurando a ausência de notificações, algoritmos e feeds infinitos na hora de treinar ou de ouvir música em paz.

O site de vendas Enjoei revelou que o valor total de dispositivos comercializados na plataforma no primeiro trimestre deste ano (janeiro, fevereiro e março) foi 47% maior do que no mesmo período de 2025.

Na contramão da modernidade, os jovens querem novamente os fios, querem uma âncora, uma experiência particular, só sua, que não seja imposta por tendências do momento ou playlists do streaming. É menos tecnologia para mais pessoalidade e privacidade, tendo que lidar com o nó no bolso, com um lado que para de funcionar, com ajuste no plugue para normalizar o som.

O trabalho ou o esforço são insignificantes perto da reserva e da discrição. Ainda se abre a perspectiva gentil de dividir um fone com alguém e mostrar uma canção predileta. A vibe saudosista é uma forma de reaver o controle da vida, que só a simplicidade, cheia de ruídos, possibilita.

A igreja analógica tem cada vez mais adeptos. O recreio voltou com a bênção das sinetas. _

CARPINEJAR

04 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

Safra entre a crise e a esperança

A próxima safra de verão do Rio Grande do Sul tem a marca da crise no campo, mas também se inicia com perspectivas que podem ser consideradas animadoras, embora a incerteza seja eterna companheira de jornada de uma atividade a céu aberto como a agricultura. O quadro de dificuldades, sequela das várias estiagens e do alto endividamento, se reflete no recuo da área cultivada com soja, a locomotiva do agronegócio gaúcho.

Conforme a Emater, que divulgou as projeções para o ciclo 2026/2027 nesta semana, na Expointer, a cultura terá uma extensão cultivada de 6,65 milhões de hectares, queda de 0,9% em relação à safra anterior. Parece uma redução insignificante, mas é o segundo ano consecutivo de retração, na contramão do histórico de avanços constantes das lavouras de soja no Estado. É consequência da descapitalização, dos obstáculos para acessar crédito, do juro extorsivo e das cotações recentes pouco alentadoras.

Mas há fatores que trazem alguma esperança. O prognóstico climático é um deles. A ocorrência do El Niño indica que a falta de chuva não será problema. Assim, espera-se elevação da produtividade. A Emater estima que a colheita de soja pode superar 21 milhões de toneladas, ante os 18,3 milhões de toneladas retiradas das lavouras neste ano. Seria a maior marca já registrada pelo Estado. 

O fenômeno também traz transtornos, como atraso na semeadura e maior risco de doenças. Em 2024, causou prejuízos pontuais em lavouras prontas para a colheita. Áreas de várzea têm mais risco. Mas as precipitações acima da média costumam elevar o rendimento por hectare.

O mercado está em alta nos últimos meses. O indicador Cepea/Esalq mostra que, neste início de setembro, a saca de 60 quilos no Porto de Paranaguá (PR) chegou à casa dos R$ 160, patamar que não era praticado desde o começo de 2023. As cotações são alavancadas pela demanda internacional firme e pelas incertezas climáticas relacionadas ao El Niño em outras áreas produtoras, onde os efeitos não são os mesmos observados no Estado.

Uma colheita farta e a preços mais remuneradores, além de dar tração ao PIB do RS, significaria a possibilidade de os produtores começarem a sair do sufoco financeiro. Mas muito desse horizonte otimista depende do avanço da renegociação das dívidas dos produtores, que transcorre com lentidão e sem as condições ideais.

As projeções do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) também indicam um recuo na área da orizicultura. Seria da ordem de 3,4%, caindo para 861,7 mil hectares. O preço, por outro lado, tem mostrado reação. O milho produzido para grão destoa das demais culturas. A estimativa é de que a extensão plantada suba 7,4%, para 896,4 mil hectares. É outra lavoura beneficiada pelo aumento da precipitação.

Somadas, as principais culturas de verão - soja, arroz, milho e feijão - devem ocupar 8,42 milhões de hectares, uma leve retração de 0,37% ante o ciclo 2025/2026. Mas as projeções de rendimento maior indicam uma produção total de grãos de 35,6 milhões de toneladas, crescimento de 8,64% sobre o volume obtido neste ano. Seria uma supersafra, puxada pela soja, capaz de melhorar o ânimo no campo. 

04 de Setembro de 2026
CONEXÃO BRASÍLIA - Matheus Schuch

Como o caso Moraes-Vorcaro ajuda Flávio

Flávio Bolsonaro (PL), Cláudio Castro (PL), Ciro Nogueira (PP), Jaques Wagner (PT) e todos os demais investigados no caso Master respiram um pouco mais aliviados eleitoralmente desde que vieram à tona as mensagens escandalosas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A revelação dos tentáculos do Banco Master no Poder Judiciário, a um mês das eleições, muda de direção, ao menos temporariamente, os holofotes e ajuda eleitoralmente os políticos de partidos que também têm contra si suspeitas graves envolvendo Vorcaro.

Flávio Bolsonaro, por exemplo, visitou Vorcaro em sua casa após a prisão do banqueiro, trocou mensagens de visualização única com o pivô do escândalo bilionário e aparece em diálogos cobrando repasses de dinheiro.

Nada disso impede Flávio, neste momento, de apontar o dedo para o escândalo envolvendo Moraes e fazer eco aos pedidos de afastamento do ministro. Este movimento de deslocamento do foco do escândalo é precisamente o que pode aliviar o peso do caso Master sobre os ombros de Flávio e gerar danos eleitorais para Lula (PT).

Moraes não foi indicado pelo petista nem tem relações diretas com o governo Lula. Contudo, como foi o relator do processo que culminou na prisão de Jair Bolsonaro, Moraes foi taxado de aliado da esquerda na narrativa bolsonarista.

Claramente, até o momento, o escândalo Moraes-Vorcaro favorece Flávio e a demanda de outros candidatos bolsonaristas que pregam uma limpeza no STF. O tamanho do benefício eleitoral para esse grupo, contudo, ainda é incerto e dependerá das próximas cenas de um escândalo que atravessa a República e abraça diariamente novos agentes públicos. 

*Participou Gabriel Jacobsen

CONEXÃO BRASÍLIA

04 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Minerais críticos e terras raras: o que propõem os candidatos à Presidência

O Senado aprovou na quarta-feira a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com investimentos de até R$ 7 bilhões em incentivos a projetos de mineração e processamento no país. O projeto de lei aponta o Brasil como um dos países com as maiores reservas mundiais das chamadas terras raras, minerais indispensáveis para a transição energética e para tecnologias de ponta para a produção de painéis solares, carros elétricos, smartphones e até equipamentos militares.

A coluna analisou o que dizem os planos de governo dos principais candidatos à Presidência com base na última pesquisa Quaest e nos partidos que têm representação no Congresso. A seguir um resumo. _

Duas iniciativas ligadas ao Sistema Tribunais de Contas foram vencedoras do Prêmio Transparência e Fiscalização Pública 2026, promovido pela Câmara dos Deputados. Trata-se do Reporta+, um mecanismo de controle e transparência desenvolvido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), e do Escuta Cidadã, desenvolvido pela Ouvidoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS).

Mutirão para endividados

A Defensoria Pública do Estado realiza hoje um mutirão de informações contra o superendividamento. A ação ocorre das 13h às 17h30min, no ônibus do órgão, localizado próximo à entrada de pedestres do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

A iniciativa conta com atendimento especializado da Câmara de Conciliação Cível da DPE/RS, que prestará orientações à população sobre direitos relacionados ao superendividamento e possíveis caminhos para a solução de conflitos financeiros. _

Personagens gaúchos

Quem entra na Expointer 2026 pelo portão principal do Parque de Exposições Assis Brasil é recepcionado pelo estande da Secretaria de Turismo do RS. No local, cinco personagens que representam a cultura gaúcha são as atrações principais, do primeiro ao último dia de evento. São eles o Laçador, um gaúcho e três prendas. 

INFORME ESPECIAL