sexta-feira, 26 de junho de 2026

Mercado aéreo volátil leva empresas gaúchas a ampliarem antecedência na compra de passagens

Passagens aéreas para viagens corporativas compradas antecipadamente reduzem custos

Passagens aéreas para viagens corporativas compradas antecipadamente reduzem custos

Dani Barcellos/ Especial
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Ana Stobbe
Ana StobbeRepórter
Com um mercado volátil, impactado pela alta do querosene de aviação, o custo de passagens aéreas tem crescido recentemente. Dados da Paytrack mostram que, entre a última semana de fevereiro e a última semana de março de 2026, o preço médio das passagens pesquisadas nacionalmente subiu 27%, enquanto no mesmo período do ano anterior a variação havia sido de apenas 3%. Nesse cenário, o estudo, baseado em médios e grandes empreendimentos, demonstra que as empresas gaúchas têm buscado uma maior organização corporativa, focada na antecipação da compra dos bilhetes aéreos para driblar os custos.
De março a abril, a antecedência média das compras de passagens corporativas entre as corporações do Rio Grande do Sul aumentou cerca de sete dias, passando de aproximadamente 30 para 37 dias.
“Quando a gente olha para fora de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, teve um aumento de quase 30% no ticket médio das passagens aéreas. Só que, dando um zoom e olhando para as empresas gaúchas, vemos que elas não tiveram um impacto tão alto. Elas estão mais ou menos em linha com o ticket médio do ano passado nas viagens corporativas. E aí tem alguns pontos que explicam o porquê desses valores não terem se elevado tanto conforme o comparativo com o resto do Brasil e até do mundo”, avalia o CEO da Paytrack, Pedro Góes.
Conforme o executivo, o primeiro ponto está associado justamente à antecipação na aquisição das passagens. “Essa é uma das diferenças, a postura das empresas gaúchas frente ao benchmark nacional. Elas estão se organizando com maior antecedência e isso impacta nos custos. Porque quanto mais cedo você compra uma passagem aérea, mais barata ela será, em tese”, avalia.
O outro fator envolvido é a redução na taxa de cancelamento das passagens aéreas. No Rio Grande do Sul, o índice caiu de 11,4% para 7,3% nos cinco primeiros meses de 2026, em relação ao mesmo período de 2025. A redução dos cancelamentos foi acompanhada por queda no ticket médio das passagens, que passou de R$ 1.245,99 para R$ 1.161. O recorte analisado considera os voos com origem em Porto Alegre, capital do estado.
“As empresas compram um bilhete e, às vezes, acabam tendo que cancelar ele e remarcar a viagem. Essa taxa de cancelamento caiu. E, com isso, na média, os custos associados às viagens também caem. Porque se perde menos dinheiro com bilhetes comprados e não utilizados ou aqueles cancelados em que só parte do valor é recuperado. O que a gente percebeu, em geral, foi uma capacidade de adaptação e organização das empresas gaúchas”, aponta Góes.
Conforme o executivo, as altas nos preços das passagens estão diretamente associadas aos conflitos geopolíticos atuais. Portanto, é possível que não seja uma tendência a longo prazo. “Com o arrefecimento da guerra no Oriente Médio, é esperado que os preços caiam. Mas o que vai acontecer e em qual velocidade não tem como precisar”, acrescenta o CEO da Paytrack.

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