Defesa do vinho nacional é pauta na abertura da ExpoBento e Fenavinho

Roberto HunoffJornalistaDe Bento Gonçalves
A solenidade de abertura da 34ª ExpoBento e 21ª Fenavinho, na manhã desta quinta-feira (4), teve como uma das marcas dos discursos de autoridades presentes a defesa do vinho nacional e de seus derivados diante do acordo Mercosul-União Europeia e da reforma tributária, que inclui o setor no chamado imposto do pecado. Os dois eventos ocorrem até o dia 14 de junho, no Parque de Eventos da Fundaparque, em Bento Gonçalves.
A defesa dos produtos nacionais foi iniciada pelo presidente da Câmara de Bento Gonçalves, vereador Anderson Zanella, que exigiu respeito dos governos não apenas com o setor vitivinícola, mas com todos os demais e com os consumidores, reduzindo a desburocratização e a alta carga tributária, além colocar fim à insegurança jurídica, para garantir qualidade de vida e condições para empreender. Criticou o fim da escala 6x1, feita, segundo ele, a toque de caixa. “Precisamos de responsabilidade com a nossa gente”, reforçou.
O deputado Guilherme Pasin, representante da Assembleia, reforçou que é preciso falar da pauta da uva e do vinho que será o futuro do Rio Grande do Sul por meio do enoturismo. “O governo gaúcho precisa abraçar mais esta pauta e acompanhar as comitivas que vão à Brasília para tirar o vinho do imposto seletivo, presente na Reforma Tributária”, assinalou. Comentou que o projeto que trata o vinho como alimento, em tramitação no Congresso, não é uma inovação, apenas se alinha ao que países europeus, como Espanha e Portugal, já fazem. “Lá, o vinho não é visto como bebida alcoólica, mas como cultura, valorizando a longa cadeia, do agricultor ao comércio. Eles compreendem isto como alimento e produto regional. Isto é o que queremos para o Brasil”, destacou.
Representante da Câmara Federal, o deputado Pedro Westphalen também ressaltou que é preciso criar condições para garantir competitividade ao vinho nacional, hoje prejudicada pela alta carga tributária, pois qualidade já tem para concorrer com produtos importados. “O mercado que se abre no Mercosul para produtos importados é preocupante. É uma questão que precisa ser tratada nas diversas instâncias de Brasília”, observou.
Ao definir o turismo como essencial para o futuro do Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza destacou parcerias do Estado com a prefeitura de Bento Gonçalves para melhorar a infraestrutura. Citou a destinação de recursos para o asfaltamento do estacionamento do Parque de Eventos e a climatização dos pavilhões. Anunciou recursos para a pintura do hall de entrada dos pavilhões e melhorias no estacionamento, e destacou a aplicação de R$ 650 mil do Estado e do Banrisul para fomentar a ExpoBento e Fenavinho.
Para o vice-governador, o Acordo Mercosul-União Europeia trará benefícios para o estado no cenário macroeconômico, mas será prejudicial para alguns setores, como o vitivinícola. A isto, segundo ele, se somam o descaminho e a Reforma Tributária, que irá simplificar os procedimentos, mas que exigirá subvenção econômica. “Teremos, sim, que discutir estes pontos em Brasília e buscar proteção para quem for prejudicado”, afirmou.
O vice-governador anunciou que, pela primeira vez, os recursos do Fundovitis deverão ser integralmente repassados para ações do setor vitivinícola. Segundo Souza, no passado, o governo, por falta de caixa, usava parte dos recursos dos fundos para custear a máquina. “Com as finanças organizadas e por determinação legal, os valores dos fundos serão aplicados em ações específicas de cada setor contemplado”, frisou.
Dentre as primeiras medidas para a atividade da uva e do vinho anunciou R$ 13 milhões para promoção e divulgação em campanhas publicitárias. Também garantiu a destinação de recursos do Fundovitis, em parceria com o Sicredi que fará a compra dos equipamentos, para a implantação do sistema antigranizo em até 19 municípios produtores de uva, com custeio avaliado entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões por ano.
Números similares à edição passada
A comissão organizadora tem a expectativa de atrair 280 mil visitantes e gerar negócios na ordem de R$ milhões para as 520 marcas expositoras. A projeção se ampara em uma estrutura planejada ao longo de meses para conectar empresas e consumidores.
Para o coordenador-geral, Jonatas Ferrari, a grandiosidade do evento é fruto de um trabalho contínuo que vai muito além dos dias de realização. “A ExpoBento se consolidou como uma força econômica fundamental para o desenvolvimento da indústria, do comércio, da agricultura e do setor de serviços”, destacou.
A vocação para os negócios caminha lado a lado com a valorização da identidade local. A celebração da Fenavinho, uma homenagem à cultura vitivinícola da região, traduz a continuidade de uma história construída por gerações. “A Fenavinho representa a conexão viva entre o passado e o futuro de prosperidade que estamos construindo, com os valores que queremos ver refletidos em cada brinde, em cada encontro, em cada edição”, afirmou a coordenadora do comitê da festa, Ana Maria de Paris Possamai.
A combinação entre desenvolvimento econômico e valorização cultural é um dos elementos que ajudam a explicar a longevidade e a relevância dos eventos. Presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços, entidade promotora da feira e da festa, Daniel Panizzi ressaltou os reflexos que ambas geram em diversos segmentos da economia regional. “Além das oportunidades comerciais geradas dentro do parque, ExpoBento e Fenavinho movimentam hotéis, restaurantes, transportes, comércio e serviços, impulsionando o turismo e o enoturismo e atraindo visitantes para a Serra”, observou.
O prefeito de Bento Gonçalves, Amarildo Lucatelli, destacou o significado dos eventos para o desenvolvimento da cidade e da região. “Eles representam a força, a tradição e o espírito empreendedor da comunidade. Mais do que movimentar a economia, gerar empregos e atrair visitantes, a feira e a festa celebram o vinho e o trabalho dos agricultores”, ressaltou.
Os ingressos custam R$ 15 nos dias 9, 10, 11 e 12 e R$ 22 nos dias 5, 6, 7, 13 e 14. A segunda-feira, dia 8, é de entrada franca. O estacionamento no parque custa R$ 25 entre os dias 8 e 12 de junho e R$ 35 nos dias 5, 6, 7, 13 e 14. Para motos, o valor é fixo em R$ 12 durante todo o evento. Os pavilhões estão abertos à visitação das 10h às 22h30 nos dias 5, 6 e 13; das 10h às 21h, nos dias 7 e 14; das 18h às 22h30 nos dias 8, 9, 10 e 11; e das 14h às 22h30, dia 12.

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