segunda-feira, 15 de junho de 2026

Argentina autoriza criação de free shops na fronteira terrestre com o RS

Instalação de lojas francas no país vizinho deverá ser complementar ao comércio sem impostos no lado brasileiro

Instalação de lojas francas no país vizinho deverá ser complementar ao comércio sem impostos no lado brasileiro

TÂNIA MEINERZ/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterO governo argentino publicou um decreto em 10 de junho autorizando a abertura de free shops nas suas fronteiras terrestres. A medida, já em vigor, ainda deverá ser regulamentada ao longo dos próximos 30 dias pela Agência de Recaudação e Controle Aduaneiro (Arca) e pelo Ministério da Economia da Argentina. Isso deverá impactar as cidades-gêmeas gaúchas de Uruguaiana, Itaqui, São Borja, Porto Xavier e Porto Mauá. 
“A princípio, o sistema, em geral, deverá ser uma cópia do que já existe nos sistemas vizinhos, no Brasil, no Uruguai e no Paraguai. Mas terão a possibilidade de comprar mercadorias nacionais e importadas comercializadas nessas lojas de fronteira tanto estrangeiros quanto argentinos. É assim que funciona no Brasil, mas diferente do Uruguai, onde os cidadãos uruguaios não compram nas lojas francas nacionais”, explica o assessor de lojas francas, administrador de empresas e despachante aduaneiro Oscar Mário Bentancur.
Ao todo, do lado brasileiro da divisa gaúcha com a Argentina, estão instaladas 24 lojas francas — isso, sem contar os quatro free shops de Barra do Quaraí, na tríplice fronteira. Entre elas, a cidade que mais concentra essa modalidade de estabelecimentos comerciais no Rio Grande do Sul: Uruguaiana, com 18 free shops. 
Entretanto, Bentancur acredita que a liberação da modalidade do lado argentino da fronteira não deverá afetar negativamente o comércio dos free shops brasileiros. Para ele, a atuação deverá, inclusive, ser complementar, a partir da definição da cota para compras nas lojas francas da Argentina — uma das questões a serem regulamentadas pela Arca e pelo Ministério da Economia local. 
“É interessante porque, por exemplo, em Uruguaiana, na fronteira com Paso de los Libres, caso abra uma loja franca no lado argentino e a cota individual fique em US$ 500, como é no Uruguai e no Brasil, o comprador poderá comprar, ao todo, US$ 1.000, somando as transações de cada lado da fronteira. Ou seja, a cota passa a ser o dobro. De certa forma, isso ajuda bastante, porque o viajante, quando decide ir para uma região de fronteira, terá um benefício maior, de poder comprar mais coisas e fazer a viagem valer a pena”, avalia o especialista. 
Alguns produtos não poderão ser comercializados sob o regime de isenção de impostos. Isso, conforme o acordo 64/2018 do Mercado Comum do Sul (Mercosul), assinado por Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. 
Entre eles, estão meios de transporte, combustíveis e peças de reposição, assim como produtos da cesta básica alimentar. Também ficaram fora os animais vivos, as plantas, as armas e munições, além dos produtos derivados do tabaco. A proibição ainda se estende às máquinas agrícolas, industriais e comerciais, aos eletrodomésticos de grande porte, aos materiais de construção e aos pneus. No setor têxtil, também há algumas restrições. Não poderão ser vendidos tecidos, fios e a maioria dos calçados, com exceção de tênis e chinelos. 
O decreto contempla mecanismos de controle para garantir o cumprimento das normas. Caso detecte irregularidades, a Direção Geral de Aduanas poderá iniciar investigações e até mesmo revogar as autorizações concedidas aos operadores.
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