quinta-feira, 11 de junho de 2026

 Flávia Fiorin é a primeira mulher a comandar o Tecnopuc, parque tecnológico que atua há 23 anos no fomento à inovação, abrigando mais de 320 empresas em seu ecossistema

Tecnologia

Com mais 320 empresas, Tecnopuc consolida modelo de fomento à inovação

Em uma área de 40 mil m², parque tecnológico reúne startups, centros de pesquisa e multinacionais em um ambiente voltado ao desenvolvimento de novas tecnologias

Convergência é a palavra-chave que define toda a filosofia e o funcionamento do Tecnopuc (Parque Científico e Tecnológico da Pucrs), que completa 23 anos em agosto. O espaço funciona sob o modelo da quádrupla hélice, um ecossistema projetado para ser o exato ponto de encontro entre universidade, empresas, sociedade e poder público.

"Nosso compromisso é identificar e olhar para o interesse de cada um, de forma bem objetiva: saber qual é a pauta relevante para esses quatro grandes atores e identificar o ponto de convergência", resume Flávia Fiorin, diretora do ecossistema de inovação.

Segundo ela, estar inserido em uma universidade do tamanho da Pucrs transforma o parque em um verdadeiro ímã para empresas globais e locais. Acima da infraestrutura, o que atrai o mercado é o acesso direto à produção acadêmica, aos novos talentos e à ciência de ponta, elementos essenciais para gerar soluções reais. "O que a universidade produz é o novo conhecimento, os novos talentos, a nova ciência, a camada de futuro para além do que já existe", define a diretora. 

O único critério é o propósito

Para fazer parte do Tecnopuc, Flávia esclarece que não há qualquer restrição de porte: o parque abriga desde a ideia embrionária de um aluno até parcerias com gigantes multinacionais, como Apple, Microsoft, HP e Dell.

O requisito fundamental, na verdade, é o alinhamento de intenções. Organizações que preferem atuar mais fechadas e de forma individual não encontram ali o seu habitat natural.

"A empresa será provocada a desenvolver iniciativas em harmonia, a olhar para um futuro ao lado do parque e a colocar seus recursos à disposição para um desenvolvimento conjunto", argumenta.

A diretora ressalta que não há nada de errado com o modelo, mas reforça que a essência do Tecnopuc exige colaboração. "O que converge essas dimensões é o propósito conjunto, é a intencionalidade de identificar o que está disponível e fazer o novo", completa.

Uma operação que se sustenta (e expande)

Diferente de muitos ecossistemas de inovação que dependem de verbas estatais para manter as portas abertas, o Tecnopuc possui autonomia. "A gente tem uma operação sustentável e um modelo de negócio azeitado e regular que roda a nossa operação", elucida Flávia, garantindo o funcionamento básico sem dependência de políticas públicas.
Os recursos externos até entram, mas de forma estratégica, no fomento à pesquisa. Projetos específicos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) contam com aportes de agências governamentais, como FINEP e CNPq, somados a fortes investimentos da iniciativa privada, direcionados integralmente à criação de tecnologia.

É essa engrenagem que tem impulsionado um impacto regional expressivo. Em 2019, quando o Tecnopuc se uniu à Ufrgs, Ufcspa e à Unisinos na Aliança para a Inovação — articulação formada para tornar a Região referência internacional no ambiente de inovação, conhecimento e empreendedorismo —, o parque contava com 170 empresas. "Hoje. já somos mais de 320", celebra a diretora.

Célula global

Atualmente, comunidade corporativa do parque movimenta cerca de 7 mil pessoas, distribuídas em 22 edificações e 40 mil metros quadrados, repletos de ambientes compartilhados e áreas ao ar livre projetadas para estimular a criatividade.
"A gente leva muito a sério a dimensão da criatividade, entendemos que isso é o que nutre camadas de pensar para além da tela do computador", enxerga.

Contudo, Flávia faz questão de redimensionar o tamanho do ecossistema. "A nossa representação tem muito mais sentido quando digo que estou vinculada a outros 150 ecossistemas de inovação ao redor do mundo. Essa representação global nos representa muito mais do que os prédios em que transitamos", acentua, destacando as recentes trips de agentes do Tecnopuc em países como Espanha, Catar, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

Empresa gaúcha mais antiga do Tecnopuc conta com mais de 30 anos na área de tecnologia da informação e software

A DB foi impulsionada pelo ecossistema do Parque Tecnológico, constuindo grande cartela de clientes ao logo de mais de duas décadas
É no quinto andar do Tecnopuc, que está localizada a DB, a primeira empresa gaúcha a integrar o Parque Tecnológico. A organização, que conta com mais de 30 anos na área de tecnologia da informação e software, já alcançou grandes marcos através de expansões e mudanças de vínculos, tendo como grande fator de impulsionamento ao longo da sua história a experiência no ecossistema do Tecnopuc.
Em 2003, ano em que o Parque Tecnológico foi inaugurado, ainda sob o nome de DB Server, a empresa completava 10 anos de história. Foi a partir de um questionamento feito por um dos sócios-fundadores, Eduardo Peres, diretamente para Jorge Audy, Superintendente de Inovação e Desenvolvimento do Tecnopuc, que a ida para a atual localização foi provocada.
"O Tecnopuc só vai ter multinacionais? Quando é que vai existir espaço para as empresas locais?", foi a pergunta de Eduardo. A resposta de Jorge foi rápida e clara: "Então vem". A partir desse momento a DB se consolidou como a primeira empresa gaúcha a integrar o ecossistema do parque, estando há mais de 20 anos no local. 

Construindo soluções

Foi no ano de 1993 e sem aporte inicial que surgiu a DB Server em uma garagem residencial, a iniciativa foi nomeada para fazer analogia ao termo Database Server, já que a área de principal atuação da empresa era com bancos de dados. A idealização da DB partiu de três ex-alunos da Ufrgs, Eduardo Peres, Werner Heidrich e Mário Bastos.
Ao longo de mais de 30 anos, o negócio se desenvolveu, passando inclusive por uma ressignificação no nome oficial, por conta da expansão dos principais serviços oferecidos. Hoje, DB passa a representar os termos design and build.
"A empresa, hoje, tem um slogan que é Design and Build the Future, porque nós sabemos construir soluções digitais", conta Eduardo, único sócio-fundador que permanece na empresa como diretor institucional.
Atualmente a DB atua como uma empresa B2B, auxiliando organizações em múltiplas frentes que culminam na construção de software, como projetos sob demanda, outsourcing (prática de contratar empresas para realizar processos internos) e administração de capacitações. Eduardo conta que a área de dados e Inteligência Artificial vem tomando grande espaço dentro da DB, que oferta desde projetos incrementais até o letramento da IA."A nossa área é uma das que já está efetivamente impactada pela nova era da Inteligência Artificial", conta.

Um ecossistema de inovação

O ecossistema proporcionado pelo Tecnopuc é descrito por Eduardo como uma importante fonte de impulsionamento para a empresa, proporcionando já inicialmente a captação de mais clientes. "Nós já tínhamos uma visão da relevância que tem as empresas trabalharem em conjunto com as universidades e os órgãos públicos para construir um ecossistema. E a gente entendeu que o Tecnopuc era essa grande oportunidade", explica.
A organização, que atualmente conta com grandes nomes na cartela de clientes, como Dell, Sicredi, Banrisul e Lojas Renner S.A, realizou essa grande mudança com cerca de 50 pessoas envolvidas nos processos internos. Atualmente, após 20 anos de convivência no parque, expandiram o cenário para mais de 1 mil colaboradores trabalhando de forma remota em 21 estados.
"A quantidade de atividades que existem aqui dentro por causa do compartilhamento do local é muito impressionante. Existe também o ponto da atratividade para talentos, em um mundo em que hoje, a carência de pessoas especializadas em tecnologia da informação é muito grande", conta Eduardo.

Mudanças e impulsionamento

Há cerca de três anos, a empresa passou por sua maior virada de chave, quando foi adquirida pela Randoncorp, conglomerado da área da mobilidade. A empresa já tinha vínculo com a DB há mais de uma década antes da aquisição no papel de cliente.
"Foi a oportunidade de aumentar a nossa atuação na indústria. Nós tínhamos, mas ela não era muito relevante dentro do nosso portfólio", explica Eduardo.
Entre muitas mudanças a DB passou a integrar a vertical de tecnologia avançada da Randoncorp, tendo sob direção principal o executivo de tecnologia Mateus Abreu. Já o espaço físico no Tecnopuc passou a ser 50% compartilhado com outras empresas do grupo.
O gatilho contratual para esse novo modelo de associação entre as organizações, foi justamente a possibilidade de manter as características operacionais da DB em relação a todo o mercado em um modelo em que a Randoncorp pode utilizar uma quantidade limitada dos serviços da empresa. "A Randoncorp não fez a aquisição, que algumas empresas fazem, de uma empresa de TI, para ser a sua TI. Ela fez a aquisição de uma empresa de TI para atuar no mercado em que essa empresa atua", detalha.
Para Eduardo, a sociedade com a grande organização é o que possibilita a atual constância da DB, já que o conglomerado tem maior capacidade de investimento e um nome sólido no mercado. Essa mudança traz benefícios principalmente no atual cenário da Inteligência Artificial, que gera muita insegurança para os negócios do setor, capacitando a empresa para realizar movimentos estratégicos que não seriam possíveis de serem alcançados isoladamente.
"Assim como a gente fala para os nossos clientes que eles precisam mudar, fazer a sua transformação digital, as empresas de TI também precisam fazer a sua transformação digital", pondera Eduardo.

Perspectivas futuras

A DB continua em processo de expansão, tendo como próximo passo a abertura de uma unidade em Atlanta, nos Estados Unidos. Para Eduardo, essa mudança traz consigo novos desafios, como a captação de talentos locais que compreendem a respectiva cultura de negócios.
No entanto, o objetivo principal continua sendo de maior perspectiva. "Nós entendemos que ao criar uma operação física nos Estados Unidos, nós vamos conseguir fazer contratos na moeda forte, contratos em dólar", explica.
Com esse futuro desenvolvimento, a empresa passará a ter mais uma unidade, somadas às de Caxias do Sul, São Paulo e a sede no Tecnopuc. Segundo Eduardo, todas essas mudanças têm relação com o processo de fortalecimento da DB. "Sempre falei que o meu concorrente não mora na mesma rua que eu. O meu concorrente é global e nós precisávamos nos fortalecer. Então, vir para o Tecnopuc foi o que nos permitiu exercitar esse conceito", finaliza.

Blue Ville aposta na inovação e transfere operação comercial para o Tecnopuc

Desde de abril no Tecnopuc, a empresa levou para o novo espaço equipes das áreas de marketing, P&D e parte da operação comercial
Em um movimento que marca uma nova fase da trajetória da marca, a Blue Ville, uma das principais indústrias de alimentos do Rio Grande do Sul, transferiu parte de suas operações estratégicas para o Tecnopuc, parque científico e tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs).
A mudança ocorre em um momento de transformação interna da companhia, fundada em 1983 por Luis Fernando Dal Ben, atual presidente da Blue Ville, que se prepara para passar o bastão para a segunda geração. O movimento, que é visto como parte de uma estratégia mais ampla de modernização e preparação para os próximos ciclos de crescimento, é capitaniado pelos sucessores Bruno Dal Ben, diretor de operação, e Gustavo Dal Ben, gerente de suprimentos.
A iniciativa de mudança reforça o posicionamento da empresa em direção à inovação, à transformação digital e à aproximação com o ecossistema de tecnologia, startups e pesquisa acadêmica.
Instalada oficialmente no Tecnopuc desde abril deste ano, a empresa levou para o novo espaço equipes das áreas de marketing, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e parte da operação comercial. A sede industrial segue localizada em Camaquã, onde a companhia foi fundada há 43 anos e mantém suas atividades produtivas.
Segundo o gerente de marketing da Blue Ville, Luciano Amorim, a decisão começou a ser planejada ainda em outubro do ano passado. O objetivo era criar uma conexão mais próxima entre a indústria alimentícia e os ambientes que hoje concentram conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico.
"A empresa tem uma visão muito clara de futuro. Queremos ser referência em arroz e em alimentos derivados desse universo. Para isso, entendemos que precisávamos estar mais próximos das startups, da tecnologia e do meio acadêmico", explica Luciano.
Desde a chegada ao Tecnopuc, a Blue Ville já iniciou projetos em parceria com o próprio parque tecnológico, com startups residentes e também com diferentes áreas da universidade. A empresa promoveu ainda um evento de apresentação na Arena Tecnopuc para estreitar relações e se integrar ao ecossistema local.
Para Luciano, a aproximação com startups representa uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que a empresa busca novas soluções e oportunidades de negócios, também oferece ao ambiente de inovação a experiência prática de uma organização consolidada no mercado.
"Entendemos que não somos os únicos que ganham com essa aproximação. As startups também passam a ter contato com uma empresa que atua diretamente no varejo, com metas claras, demandas concretas e foco em resultados. Isso cria uma dinâmica muito interessante", afirma.
O executivo compara a estrutura de uma indústria tradicional a um grande transatlântico, cuja direção não pode ser alterada de forma brusca. Nesse contexto, as startups funcionariam como embarcações menores, capazes de testar novas rotas e validar projetos com mais rapidez.
"É como lançar alguns jet skis na água para explorar possibilidades. Se o projeto funciona, seguimos desenvolvendo. Se não funciona, ajustamos a rota sem comprometer toda a operação", exemplifica o executivo.
Embora os projetos atualmente em desenvolvimento estejam protegidos por acordos de confidencialidade, a expectativa da empresa é apresentar novidades ao mercado ainda até o fim deste ano.
Outro aspecto considerado estratégico na mudança é a proximidade com talentos em formação. A presença dentro do Tecnopuc e da Pucrs permite à empresa acessar estudantes, pesquisadores e profissionais especializados em áreas como tecnologia, dados e Inteligência Artificial. "A tecnologia é importante, mas o diferencial continuará sendo as pessoas. Queremos estar próximos dos melhores talentos e criar conexões duradouras", destaca Luciano.
A Inteligência Artificial, inclusive, já faz parte das discussões internas da empresa. Ferramentas vêm sendo testadas em diferentes áreas, tanto no marketing quanto em processos operacionais. No entanto, a prioridade atual é estabelecer regras e diretrizes para garantir o uso responsável da tecnologia.
"Mais importante do que utilizar IA em larga escala é construir uma governança adequada. Precisamos entender como utilizar essas ferramentas de forma segura e eficiente", afirma.
Com presença consolidada no Rio Grande do Sul e atuação em mercados como Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e região Norte do país, a Blue Ville acredita que a presença no Tecnopuc representa um passo importante para fortalecer sua competitividade e acelerar processos de inovação. A expectativa é que o movimento também inspire outras indústrias a ocuparem espaços dentro de ambientes tradicionalmente ligados à pesquisa e ao empreendedorismo tecnológico.
"Queremos criar raízes aqui. Não buscamos apenas contatos, mas parceiros de longo prazo. Acreditamos que inovação acontece quando conhecimento, negócios e pessoas trabalham juntos", conclui.

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