29 de Junho de 2026
OPINIÃO RBS
Conforme os dados do Censo Escolar de 2025, conhecidos na sexta-feira, a taxa de abandono no Ensino Médio da rede pública no Estado foi de 2,6%. O abandono ocorre quando um aluno deixa de frequentar as aulas ao longo do ano letivo, enquanto a evasão se refere a estudantes que não voltam à escola no ano seguinte. Em 2023, era de 8,9%. No ano retrasado, caiu para 5,2%. Em 2023, a taxa gaúcha era quase três vezes superior à brasileira. Agora, com a do país em 2,5%, ficaram semelhantes.
Um dos principais motivos a levar o jovem a abandonar o Ensino Médio é a necessidade de trabalhar precocemente para auxiliar no orçamento familiar. Foi por essa constatação que os governos do Estado e federal lançaram mão nos últimos anos de programas de auxílio financeiro a alunos em situação de vulnerabilidade social, para incentivar a conclusão dos estudos.
O Piratini criou, ainda em 2021, o Todo Jovem na Escola. Hoje, beneficia mais de 80 mil estudantes. Prevê R$ 150 mensais para matriculados no Ensino Médio regular e na Educação de Jovens e Adultos e R$ 225 para quem está em escolas de tempo integral ou em cursos técnicos integrados, além de auxílio para compra de material, valor extra por aprovação e prêmios por desempenho. Com o mesmo propósito, o governo federal deu início, em 2024, ao programa Pé-de-Meia, que basicamente garante R$ 200 por mês mais R$ 1 mil a cada ano concluído. O valor anual só pode ser retirado após a formatura no Médio. Um mesmo estudante pode ser favorecido pelas duas iniciativas. Ambas foram aprovadas pelos respectivos Legislativos e são agora ferramentas de Estado.
Merece registro, ainda, a Política de Proteção à Trajetória do Estudante, apresentada em maio do ano passado pelo Piratini. Com o uso de inteligência artificial, identifica alunos em situação de risco, para que passem a ser acompanhados de perto. As ações previstas incluem diálogo com a família, acolhimento e identificação de problemas de aprendizagem, entre outras medidas, para reter o estudante e levá-lo a concluir a jornada escolar.
Ainda que não exista a comprovação por estudos de fôlego de que os programas de bolsa estão diretamente relacionados à queda do abandono, é plausível que essa relação exista. De qualquer forma, a permanência de mais estudantes nas salas de aula, em especial no Rio Grande do Sul, é esperança de futuro melhor. Jovens que deixam a escola têm a vida profissional prejudicada. Tendem a perpetuar o ciclo da pobreza. Por outro lado, ter capital humano mais bem formado e produtivo é essencial para a competitividade da economia gaúcha. Para isso, também é primordial começar a avançar de forma robusta na aprendizagem.
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