terça-feira, 6 de outubro de 2026

Zucco quer enxugar máquina pública e indica redução de até metade das secretarias

Governador eleito no Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), em entrevista a veículos locais

Governador eleito no Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), em entrevista a veículos locais

Mateus Raugust/Divulgação/JC
O governador eleito para comandar o Rio Grande do Sul entre 2027 e 2030, Luciano Zucco (PL), buscará enxugar a máquina pública e aponta para a redução das atuais 30 secretarias estaduais para 15 ou 20 pastas. Zucco foi eleito ao Palácio Piratini neste domingo (4), em primeiro turno.

“Não vamos divulgar ainda quais (secretarias) serão reunidas, mas pode ter certeza que a informação é correta, e a intenção é que fiquem de 15 a 20 secretarias, e que a gente possa realmente enxugar essa máquina, e que não há necessidade, na nossa visão, de tanta secretaria”, afirmou o governador eleito.

Sobre o processo de transição, Zucco já conversou com o atual governador, Eduardo Leite (PSD), e está em tratativas junto ao executivo estadual para agendar uma reunião nesta semana. “Essa semana mesmo deve ocorrer a primeira reunião, que é uma reunião, logicamente, preliminar para que a gente possa alinhar como vai funcionar a transição, que acredito que se inicie na segunda-feira que vem”, disse.

Além de governador eleito, Zucco também tem, até o final deste ano, mandato como deputado federal. Ele acredita que a simultaneidade destas duas funções “veio a calhar”, pois buscará já nesta semana buscará ir a Brasília para tratar de temas do interesse do Rio Grande do Sul, como a renegociação da dívida com a União - atualmente superior a R$ 100 bilhões - e a prorrogação do fundo da reconstrução gaúcha, o Funrigs.

“Vou lá (em Brasília) já começar alguns diálogos próximos em relação às bancadas federais sobre a renegociação da dívida, sobre a prorrogação do Funrigs. Vou estar lá com parlamentares que se elegeram senadores. Não só o Sanderson e o Marcel (van Hattem), mas também Carol de Toni (eleita em SC) e Felipe Barros (eleito no PR) são deputados muito próximos a mim e que vou pedir articulação a partir do ano que vem”, disse.

O governador eleito ainda afirmou: “Eu ainda não tomei posse. A transição é uma troca de informações para a gente também aprimorar e começar a intenção de indicar nomes para a transição, e também formar uma equipe de secretariado. Então, na prática, vai permanecer o governo Eduardo Leite e eu vou aos poucos me inteirando de todas as demandas, todos os projetos, todos os programas. Então é importante essa conciliação com o Congresso Nacional, que vai favorecer despachos e articulações para o ano que vem em Brasília”.

Sobre as prioridades do próximo governo gaúcho, Zucco apontou para o desenvolvimento econômico com a sua principal bandeira e que, em 2031, ao final de seu mandato, quer ser lembrado por essa agenda de crescimento. 

“Um governo que fez a retomada do crescimento, que não só ficou com a agenda fiscal, que realmente seja marcado por uma agenda de desenvolvimento econômico, com mais infraestrutura, logística de conectividade, de energia, que a gente leve a internet para o Interior, a energia trifásica para o Interior. Ou seja, um governo que dê mais opções de cursos técnicos profissionalizantes, de qualificação da mão de obra para segurar os jovens aqui. Um governo que tenha mais liberdade econômica, que tenha mais segurança jurídica, menos burocracia. Vamos focar em licenciamentos rápidos, baratos”, disse.

A coligação de Zucco - PL, Podemos, Novo e Federação União-PP - elegeu 27 deputados estaduais, o que indica que o próximo Executivo está muito próximo de construir uma maioria simples de aliados no Parlamento. Mas a ideia do governador eleito é buscar o diálogo com partidos que não compuseram a chapa, e que ele acredita que possam somar ao projeto. Apesar disso, ele afirmou que ainda não há conversas oficiais com outras siglas, como o MDB e o PSD.

“Nós não temos nenhum diálogo. Agora, logicamente que há uma coerência, e todos os partidos que quiserem ter uma construção conjunta de um novo Rio Grande serão todos bem-vindos. A nossa (chapa) majoritária já faz uma maioria simples, nós já temos, hoje, um parlamento gaúcho de maioria simples, e logicamente que a gente pretende conversar com deputados do MDB, do PSD, e são partidos que acredito que vão querer também essa aproximação, mas não há um diálogo formal não, e eu espero que a gente consiga conversar não só com eles, como também com quem pensa diferente, e que entenda que pode agregar valor a este projeto”, afirmou.

Outro tema abordado por Zucco foi o da resiliência climática e proteção contra desastres naturais. Questionado sobre a sua opinião quanto ao Plano Rio Grande, elaborado pelo atual governo para proteger o Estado contra cheias, o governador afirmou que vai analisar todos os projetos vigentes, mas destacou que obras de grande porte, como diques, “podem seguir o seu trâmite”. Ele ainda apontou para uma prioridade de retirar residentes de áreas de risco.

“Em relação à resiliência climática, o nosso foco é a remoção das pessoas das áreas de risco. Esta é a prioridade número um. Em paralelo a isso, vamos buscar o desassoreamento e dragagem de arroios urbanos, vamos buscar aquelas atividades que não necessitam de grandes licenciamentos, para que a gente possa iniciar já em janeiro uma nova forma de gestão”, disse o governador eleito.

No domingo, após ser eleito, Zucco comemorou a vitória, mas também indicou que fará “forte campanha” para buscar a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, que disputará segundo turno com o atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tratando disso, ele afirmou que tem agenda nesta semana com os outros dois governadores eleitos na Região Sul, Jorginho Mello e Sergio Moro - ambos do PL -, para articular como será o apoio a Flávio nestes três estados.

Sete das 28 regiões do RS não elegeram deputados estaduais em 2026

Entre os 55 parlamentares, é possível ver força da Metade Norte do Estado e da área Metropolitana

Entre os 55 parlamentares, é possível ver força da Metade Norte do Estado e da área Metropolitana

Fernando Gomes/ALRS/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórter
A representação das diferentes regiões gaúchas na Assembleia Legislativa demonstra uma disparidade entre áreas com maior ou menor articulação política. Entre os 55 deputados estaduais eleitos no domingo, 4 de outubro, a Região Metropolitana, por exemplo, liderou em números absolutos, elegendo 15 representantes.
Já sob um viés proporcional, é notória uma organização de regiões na área setentrional do Estado, como a Região Nordeste, que elegeu 2,3 deputados a cada 100 mil habitantes, e as Missões, com 1,2 parlamentar para cada 100 mil habitantes.
Ao todo, a Macrorregião Norte conquistou 15 parlamentares, pouco menos que a Macrorregião Metropolitana, que fez 19. É mais do que o dobro das outras três grandes áreas do Estado, que fizeram 7 parlamentares cada. 
Ao mesmo tempo, há locais que ficarão sem representação. Isso ocorre em sete dos 28 Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), divisão criada pelo governo do Estado em 1994 para agrupar os municípios gaúchos geograficamente em microrregiões. São eles: Campos de Cima da Serra, Hortênsias, Noroeste Colonial, Rio da Várzea, Vale do Caí e Vale do Jaguari. Essas áreas do RS não elegeram deputado estadual na eleição de 2026.
Em 11 dos demais Coredes, o que se observa é a eleição de apenas um representante local. Mas isso não significa que esses locais tenham sido sub-representados. Afinal, o Alto da Serra do Botucaraí, a região menos populosa do Estado com apenas 98 mil habitantes, elegeu a parlamentar mais votada do Legislativo gaúcho, Adri Cherini (PL), do município de Soledade.
Ao mesmo tempo, o Vale do Taquari, devastado pelas enchentes de 2023 e 2024 conquistou uma cadeira, que não possuía anteriormente. Agora, será possível ter uma representação regional, que ficará a cargo de Roberto Lucchese (MDB).
Maneco Hassen (PT) foi o segundo candidato mais votado da região na disputa à Assembleia Legislativa e ficou como primeiro suplente. Assim, em caso de alterações na bancada da Federação Brasil da Esperança, é ele quem assume a vaga, ampliando a participação do Corede no Parlamento gaúcho.
Em outras áreas há uma força política inferior proporcionalmente à população. É o caso da Região Central, onde está Santa Maria, a quinta cidade mais populosa do Rio Grande do Sul. Mesmo com a densidade demográfica a seu favor, tem apenas um deputado. Valdeci Oliveira (PT) se tornou deputado federal. No seu lugar, a Região Central ficará representada por Beto Fantinel (MDB), vinculado a municípios vizinhos, na área conhecida como Quarta Colônia, mas com inserção regional.
Mas é santamariense Giuseppe Riesgo, primeiro suplente do Novo, que poderá assumir uma cadeira caso o único parlamentar eleito para a sigla, Ramiro Rosário, deixe o cargo.
Passo Fundo, a principal cidade da Macrorregião Norte, localizada no Corede Produção, por sua vez, retomou sua representação no Parlamento gaúcho. Em 2022, o então deputado estadual Mateus Wesp (eleito pelo PSDB, hoje PSD) não conseguiu se reeleger, deixando a cidade sem nenhum legislador vinculado. Agora, Gio Krug (PSD) retoma essa posição.
Também ficaram na primeira posição de suplência de seus partidos Marcio Patussi (PL), representante do município, e Sandro do Covatti (PP), que apesar de ter seu reduto eleitoral na região de Frederico Westphalen, mantém vínculos com Passo Fundo. A Produção também reelegeu Dirceu Franciscon (União), mas sua base se divide entre cidades da região e do Vale do Taquari.
A Serra Gaúcha demonstrou uma concentração da representação no Corede homônimo, especialmente em candidatos ligados ao seu principal centro, Caxias do Sul. São relacionados à cidade Pepe Vargas (PT), Daiane Mello (PL), Professor Cláudio Branchieri (PL) e Scalco (PL).
A vizinha Bento Gonçalves reelegeu Guilherme Pasin (PP). Ao olhar para a macrorregião, outros dois candidatos despontam, ambos no Vale do Paranhana e Encosta da Serra: Diego Picucha (PDT), de Sapiranga, e Joel Wilhelm (PP), de Taquara.
Enquanto isso, a Macrorregião Sul foi a única a ter todos os seus Coredes representados. Da Campanha, foi reeleita Adri Lara (PL), representando Bagé. Marcus Vinícius (PP), de Sentinela do Sul, novamente será o deputado estadual do Centro-Sul. Já a Fronteira Oeste garantiu duas cadeiras, com a ex-prefeita de Santana do Livramento, Ana Tarouco (PSD), e o são-borjense Tiago Cadó (PDT).
O Corede Sul conquistou três vagas na Assembleia Legislativa, divididas entre três dos principais municípios da região. Rio Grande elegeu Halley (PT), Pelotas conquistou uma cadeira para Junior Fox (PL) e São Lourenço do Sul reelegeu Zé Nunes (PT). Fernanda Miranda (PSOL), também de Pelotas, conquistou a primeira suplência psolista.