Zucco quer enxugar máquina pública e indica redução de até metade das secretarias
Bolívar CavalarRepórter
O governador eleito para comandar o Rio Grande do Sul entre 2027 e 2030, Luciano Zucco (PL), buscará enxugar a máquina pública e aponta para a redução das atuais 30 secretarias estaduais para 15 ou 20 pastas. Zucco foi eleito ao Palácio Piratini neste domingo (4), em primeiro turno.
“Não vamos divulgar ainda quais (secretarias) serão reunidas, mas pode ter certeza que a informação é correta, e a intenção é que fiquem de 15 a 20 secretarias, e que a gente possa realmente enxugar essa máquina, e que não há necessidade, na nossa visão, de tanta secretaria”, afirmou o governador eleito.
Sobre o processo de transição, Zucco já conversou com o atual governador, Eduardo Leite (PSD), e está em tratativas junto ao executivo estadual para agendar uma reunião nesta semana. “Essa semana mesmo deve ocorrer a primeira reunião, que é uma reunião, logicamente, preliminar para que a gente possa alinhar como vai funcionar a transição, que acredito que se inicie na segunda-feira que vem”, disse.
Além de governador eleito, Zucco também tem, até o final deste ano, mandato como deputado federal. Ele acredita que a simultaneidade destas duas funções “veio a calhar”, pois buscará já nesta semana buscará ir a Brasília para tratar de temas do interesse do Rio Grande do Sul, como a renegociação da dívida com a União - atualmente superior a R$ 100 bilhões - e a prorrogação do fundo da reconstrução gaúcha, o Funrigs.
“Vou lá (em Brasília) já começar alguns diálogos próximos em relação às bancadas federais sobre a renegociação da dívida, sobre a prorrogação do Funrigs. Vou estar lá com parlamentares que se elegeram senadores. Não só o Sanderson e o Marcel (van Hattem), mas também Carol de Toni (eleita em SC) e Felipe Barros (eleito no PR) são deputados muito próximos a mim e que vou pedir articulação a partir do ano que vem”, disse.
O governador eleito ainda afirmou: “Eu ainda não tomei posse. A transição é uma troca de informações para a gente também aprimorar e começar a intenção de indicar nomes para a transição, e também formar uma equipe de secretariado. Então, na prática, vai permanecer o governo Eduardo Leite e eu vou aos poucos me inteirando de todas as demandas, todos os projetos, todos os programas. Então é importante essa conciliação com o Congresso Nacional, que vai favorecer despachos e articulações para o ano que vem em Brasília”.
Sobre as prioridades do próximo governo gaúcho, Zucco apontou para o desenvolvimento econômico com a sua principal bandeira e que, em 2031, ao final de seu mandato, quer ser lembrado por essa agenda de crescimento.
“Um governo que fez a retomada do crescimento, que não só ficou com a agenda fiscal, que realmente seja marcado por uma agenda de desenvolvimento econômico, com mais infraestrutura, logística de conectividade, de energia, que a gente leve a internet para o Interior, a energia trifásica para o Interior. Ou seja, um governo que dê mais opções de cursos técnicos profissionalizantes, de qualificação da mão de obra para segurar os jovens aqui. Um governo que tenha mais liberdade econômica, que tenha mais segurança jurídica, menos burocracia. Vamos focar em licenciamentos rápidos, baratos”, disse.
A coligação de Zucco - PL, Podemos, Novo e Federação União-PP - elegeu 27 deputados estaduais, o que indica que o próximo Executivo está muito próximo de construir uma maioria simples de aliados no Parlamento. Mas a ideia do governador eleito é buscar o diálogo com partidos que não compuseram a chapa, e que ele acredita que possam somar ao projeto. Apesar disso, ele afirmou que ainda não há conversas oficiais com outras siglas, como o MDB e o PSD.
“Nós não temos nenhum diálogo. Agora, logicamente que há uma coerência, e todos os partidos que quiserem ter uma construção conjunta de um novo Rio Grande serão todos bem-vindos. A nossa (chapa) majoritária já faz uma maioria simples, nós já temos, hoje, um parlamento gaúcho de maioria simples, e logicamente que a gente pretende conversar com deputados do MDB, do PSD, e são partidos que acredito que vão querer também essa aproximação, mas não há um diálogo formal não, e eu espero que a gente consiga conversar não só com eles, como também com quem pensa diferente, e que entenda que pode agregar valor a este projeto”, afirmou.
Outro tema abordado por Zucco foi o da resiliência climática e proteção contra desastres naturais. Questionado sobre a sua opinião quanto ao Plano Rio Grande, elaborado pelo atual governo para proteger o Estado contra cheias, o governador afirmou que vai analisar todos os projetos vigentes, mas destacou que obras de grande porte, como diques, “podem seguir o seu trâmite”. Ele ainda apontou para uma prioridade de retirar residentes de áreas de risco.
“Em relação à resiliência climática, o nosso foco é a remoção das pessoas das áreas de risco. Esta é a prioridade número um. Em paralelo a isso, vamos buscar o desassoreamento e dragagem de arroios urbanos, vamos buscar aquelas atividades que não necessitam de grandes licenciamentos, para que a gente possa iniciar já em janeiro uma nova forma de gestão”, disse o governador eleito.
No domingo, após ser eleito, Zucco comemorou a vitória, mas também indicou que fará “forte campanha” para buscar a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, que disputará segundo turno com o atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tratando disso, ele afirmou que tem agenda nesta semana com os outros dois governadores eleitos na Região Sul, Jorginho Mello e Sergio Moro - ambos do PL -, para articular como será o apoio a Flávio nestes três estados.


