quinta-feira, 4 de setembro de 2025


04 de Setembro de 2025
CARPINEJAR

A cadeira vazia de Bolsonaro. É mais fácil condenar uma cadeira vazia. Jair Bolsonaro erra em não se fazer presente no julgamento, ainda que sustente a tese de perseguição, ainda que argumente que se encontra debilitado, em decorrência de um quadro de esofagite e gastrite.

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, na manhã de terça-feira, à sessão que pode colocar atrás das grades Bolsonaro e outros sete réus no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado no país. O processo irá se estender até o dia 12 de setembro. De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente é acusado de comandar a "organização criminosa".

Se Jair Bolsonaro se considera inocente, deveria lutar pela sua liberdade. Deveria provar, ponto por ponto, que não é o mentor da tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, com dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com prejuízo significativo para a vítima; e da deterioração de patrimônio tombado e dos planos de atentado tendo como alvos o presidente eleito, o vice e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Não é temerário permanecer em casa se lamentando, choramingando ou assistindo pela televisão ao seu previsível confinamento, ladeado da família?

Poderia se valer, inclusive, da autoridade física do constrangimento, do olhar provocante, das caretas. Ou, pelo menos, exibir sua postura militar, de combatente que não se acovarda do front, de quem se formou na Academia Militar das Agulhas Negras.

O discurso da honra é a base moral com o seu eleitorado. Um dos seus bordões diante do coro de correligionários é o orgulho de ser "imbrochável". É esse o representante da oposição, que não chama a responsabilidade pelo nome nem assume o protagonismo das suas crenças? Que foge do confronto nos momentos difíceis? Por quê?

Não é na tempestade que se conhece o brio do capitão? Se acha que foi desrespeitado em seu direito de defesa, que use a coragem, que demonstre liderança, que proteja seu capital político e se empenhe para suspender sua cassação e se habilitar a se candidatar novamente.

Não adianta a resistência vir de fora para dentro, da Casa Branca, das articulações de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para favorecer a taxação e as retaliações diplomáticas que apenas prejudicam as empresas e os trabalhadores. Qualquer interferência dos Estados Unidos é ferir a soberania nacional e insistir com um segundo golpe.

Durante sua gestão, quando estava no poder, Jair Bolsonaro abusou da sua lábia incontinente e folclórica. Sempre realizou pronunciamentos desafiadores, inconsequentes, debochados, irônicos. Agora se mostra conformado, calado, abatido, sem reação alguma.

A passividade aumenta a culpa. A ausência revela desinteresse sobre o destino da dosimetria da pena.

Tem à sua disposição um palanque com 500 jornalistas credenciados do mundo inteiro. Tem uma tribuna para contrariar as versões de seus assessores ou contestar a delação premiada. Mas o isolamento cabisbaixo e apavorado é o único exemplo que vem oferecendo: a abstenção de si mesmo. _

CARPINEJAR

04 de Setembro de 2025
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Anistia imoral e casuística

Sobram razões para ser classificado como histórico o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que apontará as responsabilidades pela tentativa de golpe de Estado que buscou reverter, à margem da legalidade, o resultado da eleição presidencial de 2022. Estão no banco dos réus figuras que ocuparam altíssimas posições na República, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de ser o principal articulador das ações voltadas à ruptura, três generais do Exército que foram seus ministros e um almirante da Marinha, entre outros.

É predominante o sentimento de que o desfecho será a condenação. Podem ser criticáveis certos procedimentos adotados em especial pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte, mas o conjunto de provas é inquestionavelmente robusto. Além das revelações da investigação, como a chamada minuta do golpe, o plano para assassinar autoridades e os depoimentos dos comandantes à época do Exército e da Aeronáutica, não há como negar a longa e explícita preparação de um clima propício para uma virada de mesa em caso de derrota eleitoral de Bolsonaro. As peças do quebra-cabeça se encaixam.

É sabido que, como resposta, bolsonaristas do Congresso tentam emplacar um projeto de lei para anistiar os envolvidos no 8 de Janeiro de 2023 e outros implicados na tentativa de golpe, como o próprio ex-presidente. A articulação ganhou força nos últimos dias pela intervenção oportunista do governador paulista, Tarcísio de Freitas. A Câmara pode votar o tema ainda neste mês.

O pano de fundo é eleição presidencial. Tarcísio, em conchavo com o centrão, tenta que o gesto leve Bolsonaro a enfim declarar apoio a ele na disputa pelo Planalto e assim seja ungido herdeiro dos votos do ex-presidente, sem a possibilidade de outra candidatura do clã ou apoiada pela família. O novo ânimo para livrar condenados da cadeia, portanto, embute um cálculo casuístico puramente de viabilização de uma candidatura desejada pelo centrão, com Bolsonaro mantido inelegível. O juízo moral da iniciativa pouco importa aos seus orquestradores.

O caráter memorável do julgamento no STF não galvaniza atenções só no país. É acompanhado de forma atenta também no Exterior. Discute-se se o Brasil seria um exemplo de combate a ameaças autoritárias em um momento particularmente desafiador para as democracias e mesmo os excessos cometidos por Moraes, também já questionados neste espaço. Mas, em linhas gerais, o caso é tratado como um amadurecimento institucional do país e um passo rumo à consolidação da jovem democracia nacional. Isso porque são fartos, ao longo da existência brasileira, os episódios de golpe de Estado e quarteladas que restaram impunes. Anistias viraram regra e, como consequência, não desencorajaram novas rupturas. Punir de forma didática vândalos da democracia, portanto, é vacina para a história não se repetir.

A despeito da natureza indecorosa de tentar promover a impunidade, faz parte do jogo político que a oposição busque aprovar no Congresso uma forma de salvar golpistas da prisão. Mas a jogada não terá necessariamente o fim esperado. Não há dúvida de que o STF considerará a iniciativa inconstitucional. A crise entre os poderes será realimentada e assim seguirá o país, sem pacificação e com a radicalização reenergizada. 



04 de Setembro de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Sob pressão de Trump, avança acordo Mercosul-UE

Parecia improvável antes do tarifaço aplicado por Donald Trump, mas o rearranjo do comércio internacional patrocinado pelo presidente dos EUA fez avançar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE). A Comissão Europeia, espécie de órgão executivo equivalente à chefia de governo, apresentou a proposta ao Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado do bloco.

A estratégia será a que havia sido delineada na retomada do tema, em dezembro de 2024: separou apenas a parte comercial do acordo original, que era mais amplo. Dessa forma, não há necessidade de aprovação pelos cerca de 30 parlamentos nacionais e regionais dos Estados-membros da UE.

Com essa pequena manobra, será possível aprovar o acordo pela chamada "maioria qualificada", que significa ao menos 15 países que representem 65% da população, e maioria simples no Parlamento Europeu. Não é tão fácil, mas contorna o principal obstáculo, a resistência declarada da França.

Embora tenha boa probabilidade de aprovação por essa espécie de "fast track" aberta pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não se pode confiar que a tentativa será bem-sucedida. Agora, o nome do jogo é o seguinte: quantos aliados a França conseguirá para tentar evitar a formação da maioria qualificada. E quanto esforço o presidente francês, Emmanuel Macron, vai gastar para isso.

Até o tarifaço, Polônia e Irlanda eram apontados como os candidatos mais óbvios a engrossar a resistência francesa (com o perdão do trocadilho). Depois da bomba de alíquotas, tudo está sob revisão. A Comissão Europeia e sua presidente foram muito criticadas pelo acordo de alto custo para os europeus fechado com Trump.

Agora, precisam recuperar prestígio, e um acordo com o país que virou referência no enfrentamento ao presidente dos EUA pode ajudar a melhorar a imagem. E também nas vendas das indústrias europeias que podem perder mercado americano mesmo com tarifa de 15%. _

RS terá índice próprio de inflação

Estreia hoje, na Expointer, o primeiro índice estadual próprio de preços de alimentos. O RS será o primeiro Estado a contar com esse cálculo, desenvolvido pela Secretaria da Fazenda.

Batizado de Índice de Inflação da Cesta de Alimentos da Receita Estadual (ICA-RE), o indicador medirá a inflação média de 80 produtos alimentícios, com base nos preços registrados nas notas fiscais eletrônicas do varejo. É uma evolução do acompanhamento de preços lançado no ano passado, também na Expointer.

O cálculo permitirá o acompanhamento da variação da cesta completa, por grupo, subgrupos e produto. Será possível consultar o índice por região, o que proporciona retrato mais fiel do custo de vida em diferentes áreas do Estado. O ICA-RE será consultado por variação mensal, acumulado do ano e dos últimos 12 meses, além de recortes específicos, como a inflação registrada entre as empresas do Simples Nacional e da categoria geral.

O indicador ficará disponível no painel interativo Preços Dinâmicos, no portal Receita Dados. Também será divulgado mensalmente no Boletim de Preços Dinâmicos, publicado no primeiro dia útil de cada mês, com dados referentes ao mês anterior. _

IBGC com nova coordenadora

Com 22 anos de atuação, o capítulo Rio Grande do Sul do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) tem uma nova coordenadora-geral.

Escolhida pelo conselho de administração do instituto, Eliana Fialho Herzog terá mandato até 2027 e substitui Michelle Squeff, que ocupava o cargo até agora.

Eliana é conselheira de administração e consultiva e advogada com atuação em governança corporativa, compliance e privacidade de dados. Tem experiência como coordenadora do Fórum de Diversidade em Conselhos do IBGC, capítulo RS, vice-coordenadora do Comitê de Ética e Integridade do IBGC e sócia do escritório Chiapin Herzog Advogados.

Fundado em 1995, o IBGC é uma organização da sociedade civil referência em governança corporativa. O RS foi o primeiro Estado a ter uma unidade própria do instituto. _

Dólar recua após "cartinha"

Depois de três dias seguidos de alta, o dólar teve leve recuo ontem. Baixou 0,4%, para R$ 5,452. E foi justo no dia em que bancos brasileiros receberam "cartinha" do Departamento do Tesouro dos EUA sobre a aplicação da Lei Magnitsky.

Conforme o jornal Valor, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro (Ofac, na sigla em inglês) enviou um texto padrão perguntando sobre ações adotadas, sem entrar em detalhes nem sugerir que as sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não estariam sendo cumpridas.

Desde o início da semana, a perspectiva dessa correspondência havia provocado queda em ações de instituições financeiras, especialmente do Banco do Brasil. Ontem, recuaram mais 0,4%, moderando a intensidade das vésperas. Entre os bancos nacionais, há dúvidas sobre os limites de suas relações, mesmo em reais, com Moraes.

Aparentemente, o tom da "cartinha" foi considerado mais benigno do que se temia, e o dólar encontrou espaço para o pequeno recuo. Uma reunião de Donald Trump com a Suprema Corte de seu país sobre o tarifaço esteve no radar dos investidores, mas não chegou a pesar muito nas negociações. _

GPS DA ECONOMIA


04 de Setembro de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Leite critica anistia e quer ser alternativa a Lula e Bolsonaro

Disposto a se credenciar como alternativa ao bolsonarismo, o governador Eduardo Leite criticou a movimentação pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que sempre foi contra a reversão da condenação do presidente Lula.

- Não me sinto ligado nem a Lula nem a Bolsonaro - disse Leite, que considera o cenário político bastante instável.

O governador fez questão de destacar que tem muitos pontos de convergência com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, mas discorda dele no tema da anistia.

- Falar em anistia não me parece nada adequado do ponto de vista do amadurecimento institucional brasileiro. A tentativa de antecipar o perdão antes da apuração completa dos fatos e da definição das penas é, na prática, uma forma de deslegitimar o trabalho das instituições. É como dizer que, no Brasil, tentar um golpe pode ser uma aposta: se der certo, assume o poder; se der errado, é só esperar o Congresso limpar a ficha. Essa lógica é corrosiva para qualquer democracia.

Provas

Leite também lembrou que há provas documentais graves - planos de assassinato de autoridades, articulações para descredibilizar eleições e uma sequência de atos que atentam contra a Constituição. Ignorar tudo isso em nome de uma "pacificação" é, na verdade, normalizar o crime político.

Ao se posicionar contra a anistia neste momento, Leite não apenas reafirma sua confiança nas instituições como também marca uma diferença importante em relação a outros atores da direita brasileira, que preferem o silêncio ou a ambiguidade.

Sua fala é um chamado à responsabilidade: não se trata de vingança, mas de justiça. E justiça exige tempo, provas, julgamento - não acordos políticos.

Para o governador, se o Brasil quer amadurecer democraticamente, precisa aprender que não há reconciliação sem responsabilização. E que anistia, quando usada como escudo para crimes contra a democracia, deixa de ser instrumento de paz para se tornar ferramenta de impunidade. _

RS busca crescimento mais sustentável para o agronegócio

Crescimento sustentável foi o tema de mais uma edição do Campo em Debate, ontem, na Casa RBS, na Expointer. A sustentabilidade no desenvolvimento do agronegócio, a retenção de jovens no campo, os efeitos da tragédia climática de 2024 e a necessidade de inovação foram os principais temas.

Com mediação desta colunista, o debate reuniu o presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PT), o consultor Paulo Herrmann, o presidente da Organização das Cooperativas do RS (Ocergs), Darci Hartmann, e o diretor de celulose da CMPC, Antônio Lacerda, para discutir o futuro do Estado.

- Pretendemos entregar um documento aos governos do Estado e federal para pensar diretrizes e políticas públicas para um processo de crescimento econômico com sustentabilidade - disse Pepe. _

Quase R$ 1 milhão em shows em Viamão

Anunciada pela prefeitura de Viamão como "a maior da nossa história", a edição de 2025 da Feira Literária Cultural da cidade terá três shows nacionais, que vão custar R$ 943 mil para os cofres municipais. O que os três artistas (Ferrugem, Ana Carolina e Felipe Araújo) têm a ver com livros? Nada.

Valores das apresentações estão no portal de licitações do Tribunal de Contas do Estado.

À coluna, o secretário de Cultura, Vinicius Santos, explica que shows nacionais na feira do livro de Viamão não são novidade. Nando Reis (em 2018) e Vanessa da Mata (2019) se apresentaram na cidade.

- Viamão tem orçamento de quase R$ 1 bilhão, então não é um gasto fora do comum - alega o secretário. 

Bruno Vanuzzi deixará o Dmae

Escolhido pelo prefeito Sebastião Melo para comandar o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) no início do segundo mandato, Bruno Vanuzzi deixará o cargo de diretor-geral nos próximos dias. A prefeitura não confirma, mas Vanuzzi admitiu à coluna:

- Estou precisando dar mais atenção à família, está muito corrido. Acho que já dei minha cota de contribuição e de sacrifício.

Vanuzzi não soube dizer quem será seu substituto. Secretário de Comunicação, Luiz Otávio Prates diz:

- Estamos trabalhando na ideia de organizar estrutura exclusiva para concessão. Posso garantir que Vanuzzi não vai assumir a Secretaria de Parcerias. _

Confusão na Câmara da Capital

Em sessão marcada por manifestações contrárias e favoráveis ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, o vereador Coronel Marcelo Ustra (PL) causou baderna no plenário da Câmara Municipal da Capital.

Na tribuna, fez uma manifestação em defesa do tio, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra - ex-chefe do DOI-Codi na ditadura e condenado por praticar tortura - e aproveitou para xingar a ex-presidente Dilma Rousseff de "terrorista".

Neste momento, o vereador Roberto Robaina (PSOL) foi em direção à tribuna e arrancou das mãos de Ustra a foto de Dilma. A presidente da Câmara, Comandante Nádia (PL), interrompeu a sessão. _

POLÍTICA E PODER


04 de Setembro de 2025
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Tarifaço nas carnes em pauta na Expointer

A pauta dos impactos do aumento de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros é um dos principais assuntos da Expointer, em Esteio. Com efeitos na agricultura e outros setores, os reflexos da medida também atingiram a pecuária. O assunto foi tratado ontem durante o evento Tá Na Mesa da Federasul, que recebeu o sócio-proprietário do Frigorífico Coqueiro, Luiz Roberto Saalfeld.

Na avalição do empresário, atualmente os EUA têm uma necessidade maior de importar carne brasileira do que o Brasil precisa vendê-la para os americanos.

- Hoje eles precisam muito da carne brasileira, porque a diferença de preço entre a nossa e a deles está muito grande. A nossa custa em torno de US$ 55 contra US$ 127 deles, dado da semana passada. Hoje, talvez, eu esteja em US$ 130 a arroba, que equivale a 15 quilos. Por isso, eu acho que, devido a essa diferença, eles precisam mais da nossa carne do que nós precisamos do mercado deles - afirmou à coluna.

Aposta de recuo

Saalfeld fez uma comparação com o suco de laranja, que foi retirado da lista de tarifas. Ele acredita que a carne também deveria ter entrado nas exceções:

- Deveria ter sido retirada, como foi o suco de laranja, porque de cada 10 copos de suco de laranja consumidos nos EUA, nove são produzidos no Brasil. Então, logo em seguida, eles isentaram (o produto). Eu, particularmente, achava que a carne seria retirada, mas não foi.

A aposta do sócio-proprietário é de que a tarifa deve cair em breve.

- É mais prejudicial para os próprios americanos do que para o Brasil. Diferentemente de outros segmentos, eles precisam mais da nossa carne do que nós (precisamos vendê-las).

O Frigorífico Coqueiro fica na zona sul do Estado e é especializado no processamento e comercialização de carnes bovinas e ovinas de alto padrão. _

Descarbonização na frota pesada

O gás natural veicular (GNV) emite, atualmente, cerca de 25% menos gases de efeito estufa do que o diesel. Se for acrescentado biometano, por exemplo, os índices são ainda mais baixos. Estes foram os principais assuntos tratados no Campo em Debate, ontem, na Casa RBS, durante a Expointer.

O evento, que teve como tema "Frota pesada no caminho da descarbonização", debateu o papel do gás na transição energética com o diretor de Energia da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do RS, Rodrigo Huguenin, o diretor comercial da Sulgás, Charles Netto, o presidente da Reiter Log, Vinícius Pilz, o head de Inteligência e Mercado da Commit Gás, Ricardo Vallejo, e o diretor-geral das Casas Scania Cavese e Suvesa, Ricardo Clemente. _

Superdesfile militar da China

O desfile militar promovido pelo presidente chinês, Xi Jinping, atendeu às expectativas com pompa e grandeza. A China exibiu boa parte de seu arsenal bélico ao mundo, revelando, pela primeira vez, sua nova geração de armamentos. O evento celebrou os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.

Entre os destaques, estava o míssil balístico intercontinental DF-5C, com alcance de 20 mil quilômetros - suficiente para cobrir metade da circunferência do planeta e atingir praticamente qualquer país.

Além do DF-5C, também foi exibido o novo míssil móvel de longo alcance DF-61.

O arsenal da China também inclui quatro mísseis antinavio: YJ-15, YJ-17, YJ-19 e YJ-20. Esses armamentos, projetados para causar danos significativos a grandes embarcações, podem ser lançados por navios ou aviões. Os modelos YJ-17, YJ-19 e YJ-20 são hipersônicos, atingindo velocidades até cinco vezes superiores à do som.

Também chamou atenção o conhecido "caçador de satélites", o HQ-29 - um sistema de defesa capaz de interceptar mísseis e atingir satélites em órbita baixa. _

Doutor Honoris Causa a Gilberto Gil

O cantor e compositor Gilberto Gil receberá amanhã o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A concessão do título foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consun) em abril, por proposição do Departamento de Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.

Na época, o conselho considerou o currículo e a importância histórica de Gil, além de seu amplo reconhecimento nacional e internacional.

- Estamos muito contentes em mostrar a cultura como instrumento central da UFRGS - comentou a reitora, Márcia Barbosa, à coluna. _

INFORME ESPECIAL

terça-feira, 2 de setembro de 2025


02 de Setembro de 2025
ARTIGOS

Cada vez mais, se apaixone cada vez menos por ativos

Cassio Grinberg - Sócio da Grinberg Consulting e autor dos livros Desaprenda e Desinvente

Durante décadas, acumular ativos era sinal de força. Quem possuía fábricas, frota, prédios e servidores garantia barreiras de entrada e posição dominante no mercado. Mas esse paradigma começa a se desfazer - primeiro lentamente, depois será mais rápido - diante da disseminação da inteligência artificial (IA) generativa e da economia de plataformas.

A nuvem substituiu os data centers. O e-commerce eliminou a necessidade de loja física e, de repente, barreira de entrada virou commodity. Michael Porter deve estar de cabelos em pé percebendo que futuras fábricas plug and play transformarão a própria produção em serviço, uma vez que a IA encurta o ciclo entre ideia e execução - tornando possível um produto global sem linha de produção ou rede de distribuição próprias.

Eu mesmo, neste momento, estou planejando a estratégia de marcas que se lançarão bem assim.

Isso não significa, é claro, que todos ativos perderam valor absoluto. Mas estão perdendo, por um lado, muito do valor estratégico. Se todo concorrente pode acessar a mesma infraestrutura com um clique e pagar apenas pelo uso, o diferencial competitivo não está mais no que você possui: está no que você imagina.

A vantagem migra para os intangíveis: marca, comunidade, dados, propósito. Ativos que não aparecem no balanço, mas determinam se a empresa será desejada. O jogo competitivo está deixando de ser sobre "o que você tem" e passando a ser sobre "quem você é".

Apaixonar-se por ativos, hoje, é como investir em cavalos na véspera da invenção do automóvel: eles ainda correm, mas o futuro não está ali. O risco de prender capital em estruturas pesadas é perder agilidade justamente quando o mercado mais a exige.

Cada vez mais, será preciso amar menos os tijolos, as máquinas e os cabos - e apaixonar-se mais pelas ideias, pelas conexões e pelas histórias que unem pessoas. É nesse campo intangível que a vantagem competitiva se estabelece. Quem entender mais rápido essa mudança, vai investir melhor e navegar com mais significado. _

CPI da Energia: compromisso com o consumidor gaúcho

Marcus Vinícius de Almeida - Deputado Estadual, Líder da bancada do Progressistas na ALRS

A energia elétrica é um serviço essencial, fundamental para o bem-estar das famílias, para a atividade econômica e para a confiança da população nas instituições. No Rio Grande do Sul, as interrupções recorrentes no fornecimento têm gerado insatisfação e preocupações legítimas entre os consumidores.

Diante desse cenário, a Assembleia Legislativa instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as causas das dificuldades na prestação de serviços de energia, com prazo de 120 dias. Na condição de relator, reafirmo que o compromisso com a verdade é inegociável. Atuaremos com transparência, responsabilidade e foco em esclarecer os fatos, sempre em defesa dos gaúchos, da ordem e da justiça.

A CPI terá caráter técnico e colaborativo. Serão ouvidos todos os elos da cadeia: as concessionárias CEEE Equatorial e RGE, agências reguladoras, empresas terceirizadas, órgãos públicos e, sobretudo, os consumidores. Pretendemos levar os trabalhos de inquérito, inclusive, para regiões mais atingidas pelas interrupções, a fim de compreender detalhadamente os problemas enfrentados e identificar soluções efetivas que possam ser implementadas.

Além de investigar responsabilidades, a Comissão irá propor soluções duradouras, fortalecendo a fiscalização, aperfeiçoando as regras do setor e criando mecanismos para prevenir novas falhas. O foco não será "desperdiçar energia" em disputas políticas, mas sim trabalhar de forma responsável e colaborativa para entregar resultados concretos.

Da minha parte, o compromisso com esta CPI é claro: buscar a verdade, propor melhorias e garantir eficiência, transparência e segurança no serviço de energia elétrica, assegurando qualidade de vida e confiança para todos os consumidores gaúchos. 


Dívidas rurais à espera de solução

Uma das mais marcantes características da Expointer é ser palco de discussões e tratativas relacionadas às principais pautas do agronegócio brasileiro e do Estado. A feira de Esteio, afinal, é ponto de encontro obrigatório de lideranças do setor e de ocupantes de altos cargos públicos encarregados de políticas para o campo. O tema palpitante de 2025, sem dúvida, é a renegociação das dívidas acumuladas pelos agricultores gaúchos após uma sequência perversa de estiagens e enchentes que frustrou safras e espalhou prejuízos, dificultando ou mesmo impedindo a quitação dos créditos tomados para a produção de alimentos.

Traz alento a informação de que avançaram as conversas entre entidades de produtores e governo federal para uma repactuação ampla e alongada das dívidas sobrepostas pela repetição de ciclos sem a colheita esperada e a correspondente renda. Uma nova rodada de conversas ocorreu no fim de semana na Expointer, com a participação do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos Júnior. Dias antes, tomou parte das tratativas o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.

Sabe-se que, após grande pressão, o governo federal finalmente apresentou uma proposta às entidades. Em linhas gerais, prevê a renegociação de R$ 10 bilhões, com prazo de pagamento de sete anos e mais um de carência. O juro seria de 6% ao ano para pequenos produtores, 8% para médios e 10% para os grandes. A oferta permanece muito aquém do que seria necessário para equacionar todo o problema. O total de dívidas acumuladas chega a R$ 70 bilhões, calcula a Federação da Agricultura do Estado (Farsul). De qualquer forma, é um ponto de partida para dar prosseguimento às negociações.

As entidades fizeram uma contraproposta. Buscam aumentar o montante a ser renegociado e espichar o prazo de pagamento. Os produtores, de todos os portes, estão interessados apenas em ter condições de honrar seus compromissos. Tenta-se ampliar o horizonte de pagamento para 10 anos e assegurar uma repactuação de até R$ 25 bilhões.

Ao menos existe uma mesa de diálogo aberta para encontrar uma solução factível. A proposta inicial defendida pelo campo, de uma securitização das dívidas nos moldes acordados na década de 1990, mostrava-se desde o início inviável pelo grande impacto fiscal. Mas serviu para o assunto ganhar mais atenção nacional. O governo federal também se opõe à opção de uso do Fundo Social do Pré-Sal, aprovada na Câmara e agora em tramitação no Senado.

O certo é que, após meses de um certo descaso do governo federal com o quadro dramático do superendividamento dos produtores gaúchos causado por uma sucessão inaudita de eventos climáticos extremos, há espaço para avançar nas negociações e se chegar a um acordo possível. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, estará na Expointer na quinta-feira. O titular da Agricultura, Carlos Fávaro, pode comparecer na sexta-feira. Aguarda-se uma solução para breve, em tempo não apenas de evitar uma quebradeira no campo, mas de assegurar acesso ao crédito necessário para a preparação da próxima safra de verão que se avizinha.  


02 de Setembro de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Bolsonaro está pagando o preço das suas escolhas

Se em 2022 o então presidente Jair Bolsonaro tivesse acatado o resultado das urnas, hoje estaria livre para concorrer ao Planalto no ano que vem. Como não aceitou e tentou dar um golpe para continuar no poder, estará sentado no banco dos réus - mesmo que opte pelo sofá mais confortável de sua prisão domiciliar e decida assistir ao julgamento pela TV.

O julgamento que começa hoje é histórico. Bolsonaro sentará no banco dos réus na condição de inelegível. Perdeu o direito de concorrer quando foi condenado por difamar o sistema eleitoral brasileiro, subvertendo as regras do jogo democrático. Em 2022, escolheu o caminho da confrontação, da desinformação e da tentativa de deslegitimar o processo eleitoral. Pagou - e ainda está pagando - o preço das suas escolhas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi claro ao reconhecer o abuso de poder político e o uso indevido dos meios de comunicação durante a reunião com embaixadores em julho de 2022. Na ocasião, Bolsonaro usou a estrutura oficial da Presidência para atacar o sistema eleitoral, disseminar mentiras sobre as urnas eletrônicas e promover sua candidatura à reeleição.

A decisão do TSE não foi apenas jurídica. Foi política no melhor sentido da palavra: reafirmou que a democracia brasileira tem instituições capazes de reagir a ataques e preservar sua integridade. O voto da ministra Cármen Lúcia, que formou a maioria, foi emblemático ao apontar o caráter eleitoreiro do evento e o desvio de finalidade na conduta do então presidente.

Impactos

Bolsonaro não reconheceu a derrota nas urnas. Em seu pronunciamento pós-eleição, preferiu alimentar a narrativa de que houve injustiça no processo eleitoral. Essa postura contribuiu para a radicalização de seus apoiadores e para os atos antidemocráticos que culminaram na invasão dos prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

O impacto político da provável condenação é profundo. A direita, que orbitava em torno de Bolsonaro, terá de se reorganizar. O filho Eduardo Bolsonaro se queimou com a campanha que resultou no tarifaço de Donald Trump. A esposa Michelle poderia ser candidata, mas a família resiste - Bolsonaro prefere que ela concorra ao Senado. O nome mais forte, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ainda não decidiu se concorre à reeleição ou à Presidência.

O julgamento no STF não é apenas sobre Bolsonaro e seus parceiros na trama golpista. É sobre o futuro da democracia brasileira e sobre a mensagem que o país quer enviar a quem ocupa cargos públicos: há limites, há regras, e quem as ignora pode - e deve - ser responsabilizado. _

Vem aí o "iFood" da agricultura familiar

Imagine sentir vontade de comer aquela copa produzida em Tupanciretã ou o queijo com sementes de lavanda, pedir pelo celular e receber em casa. É isso que prevê a Feira Digital Sabor Gaúcho, plataforma que será lançada hoje no estande do governo do RS no Pavilhão Internacional da Expointer.

- Será o iFood da agricultura familiar - diz o secretário de Desenvolvimento Regional, Vilson Covatti.

Vai ser a primeira plataforma digital de vendas da agricultura familiar no Brasil. Inicialmente, acessível só para empresas, mas depois, também para pessoas físicas.

Marcelo Maranata assina ficha no PSDB de olho no Piratini

O prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, assinou a ficha no PSDB ontem e reafirmou a intenção de ser candidato a governador em 2026. Ele foi recebido na Escadaria 14 de Outubro por líderes tucanos que vestiam camisetas com a frase "Maranata é PSDB".

Para se cacifar ao Piratini, o prefeito se apega ao apoio de 78% dos guaibenses que o reelegeram na eleição passada. Ele já vinha negociando com o PSDB há alguns meses, em movimento liderado pelo presidente tucano em Porto Alegre, vereador Moisés Barboza. _

Edegar Pretto em compasso de espera

Candidato que quase foi ao segundo turno em 2022, Edegar Pretto quer voltar a concorrer ao governo do Estado no próximo ano. O petista, que está no comando da Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento, tem se mantido próximo do agro gaúcho e da política do RS.

Pretto garante que o objetivo não é se lançar candidato e conseguir seguidores, mas sim construir uma aliança com PSB e PDT. Apesar de dizer que só tem esse plano para 2026, ele não descarta ser vice de Juliana Brizola, que tem aparecido bem nas pesquisas prévias. _

mirante

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL) propôs criar o Prêmio Literário Luis Fernando Verissimo na Câmara, para homenagear escritores relevantes para a cultura brasileira.

O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, será homenageado com a Medalha do Mérito Farroupilha na Assembleia Legislativa. A proposição é do deputado Paparico Bacchi (PL).

Será assinada amanhã a regulamentação do turismo rural nas propriedades do RS. Estarão no ato o governador Eduardo Leite, o secretário Ronaldo Santini e o ministro do Turismo, Celso Sabino.

POLÍTICA E PODER


02 de Setembro de 2025
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

O que esperar do julgamento de Bolsonaro

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus por tentativa de golpe de Estado que começa hoje terá "algum grau de tensão" para o país. Quem disse isso foi o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso.

Para o magistrado, que não faz parte da Primeira Turma - grupo de ministros que irá julgar os envolvidos -, o resultado do julgamento, pela condenação ou pela absolvição, ocorrerá com o devido processo legal e sessões públicas.

- Nós vivemos esse momento tenso, inevitável, dos julgamentos do 8 de Janeiro e dos julgamentos do que, segundo a denúncia do procurador-geral da República, teria sido uma tentativa de golpe de Estado. É evidente que esses episódios trazem algum grau de tensão para o país - disse o ministro durante evento na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O julgamento, que pode se estender até dia 12, remete a outros episódios que ficaram marcados na história do país. Como em 29 de dezembro de 1992, quando brasileiros assistiram Fernando Collor de Mello renunciar ao cargo em uma tentativa de evitar um processo de impeachment.

Ou como em 2017, quando a população ficou com os olhos fixos na TV assistindo a Sergio Moro, então juiz federal de primeira instância, condenar o presidente Lula no caso do triplex de Guarujá.

Quatro presos

O Brasil república conta com quatro ex-presidentes que já foram presos. Além de Lula e Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, Michel Temer foi preso preventivamente em março de 2019 em uma operação que investigou um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes em licitação e cartel em relação à construção da usina nuclear no Rio de Janeiro. Collor foi condenado, em abril deste ano, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por envolvimento em um esquema de corrupção na BR Distribuidora.

O julgamento que se inicia nesta terça-feira é um marco para o processo democrático e para a história do país. _

Maduro diz estar pronto para a "luta armada"

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou, ontem, que está preparado para a "luta armada" caso seu país seja invadido pelos Estados Unidos. A declaração foi uma reação à mobilização militar anunciada por Donald Trump nas águas do Caribe.

- Se a Venezuela for agredida, passará imediatamente ao período de luta armada em defesa do território nacional, da história e do povo da Venezuela - disse Maduro em rede nacional.

Segundo ele, oito navios militares americanos e 1,2 mil mísseis estariam apontados para o país sul-americano.

Ontem também, Maduro anunciou que a Milícia Bolivariana ultrapassou 8,2 milhões de combatentes alistados. Há algumas semanas, Maduro havia afirmado que mobilizaria 4,5 milhões de milicianos.

O número chama atenção, pois de acordo com projeções do Banco Mundial e do Instituto Nacional de Estatística da Venezuela (INE), a população do país é estimada entre 28 milhões e 30 milhões de habitantes. Ou seja, se confirmado o novo número de 8,2 milhões, a Milícia hoje representaria cerca de 27% da população. _

Produção de vinhos no "Campo em Debate"

A vitivinicultura gaúcha foi destaque no Campo em Debate de ontem, na Casa RBS, na Expointer. A iniciativa tratou de perspectivas do setor em duas etapas: a primeira sobre descaminhos do vinho, como contrabando e falsificação. Na segunda, sobre o uso de herbicidas hormonais e impactos na uva e na fruticultura.

O evento reuniu representantes do Consevits-RS; da Uvibra; da Secretaria da Agricultura do RS; da Assembleia Legislativa; da Fecovinho; da Agapomi; da Aliança pela Fruticultura Gaúcha; da Seapi-RS; do Ministério da Agricultura no RS; da Aprosoja; e do Ibraoliva. _

na expointer

O seminário "Unidos pela Reconstrução do RS", que será promovido pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os Danos Causados pelas Enchentes do Estado, foi transferido para sexta-feira. O evento ocorrerá às 14h na Casa da Assembleia Legislativa do RS no Parque de Exposições Assis Brasil.

O TRE-RS está realizando cadastros biométricos, emissão do primeiro título de eleitor, transferência de domicílio eleitoral, revisão cadastral e outras atividades durante a feira. O atendimento ao público ocorre das 10h às 18h, no Pavilhão Internacional, até domingo.

Presidente da Be8, o empresário Erasmo Carlos Battistella será um dos homenageados na 1ª edição do Prêmio Ceres, iniciativa inédita promovida pela Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra) e pela Associação das Empresas Cerealistas do Rio Grande do Sul (Acergs). A cerimônia ocorre hoje, às 19h.

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 1 de setembro de 2025


01 de Setembro de 2025
CARPINEJAR

A primeira vez que Verissimo nos fez chorar

Antes de Luis Fernando Verissimo, a crônica se centrava na primeira pessoa, no tom confessional, nas nuances biográficas, no plano interior. Depois dele, nada mais foi igual. Surgiram os tipos universais: o amigo, a vizinha, o professor, o policial, o viajante.

Ao não falar de si, um tímido nos revelou por completo. Colocou o mundo no papel. Subverteu o modelo intimista pela narração, pelos diálogos, a partir da criação de personagens. A crônica casou com o conto - e viveram em litígio para sempre.

Virou o território ficcional da terceira pessoa, capaz de retratar qualquer um, inclusive secretamente o próprio Verissimo. Gigolô das palavras, como jocosamente se caracterizava, ou saxofonista dos pensamentos, o escritor favoreceu a plasticidade das ações, não mais se limitando à norma culta, capturando o coloquial das ruas.

Ele pregava: "A gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda". Verissimo é inimitável, o mais cinematográfico de nossos tradutores, o mais teatral de nossos bardos, o maior cronista brasileiro pós-Rubem Braga, com cerca de cerca de 80 obras e mais de 5 milhões de exemplares vendidos.

Começou com o horóscopo e o copidesque no jornal Zero Hora, em 1966, e arrebatou colunas nas principais publicações do país, como Veja, O Estado de S.Paulo e O Globo. Manteve a sua atividade literária até janeiro de 2021, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).

Com sua fama estrondosa, o mítico Erico Verissimo, do monumento O Tempo e o Vento, passou a ser lembrado por ter sido o pai de Luis Fernando. Em poucas linhas, ele desvendava dilemas comportamentais. Escrevia como quem desenhava: rápido, certeiro, irônico. O poder de síntese se aproximava de uma epifania.

Quem nunca se sentiu parte da Família Brasil, seus esquetes humorísticos satirizando a classe média nos anos 1970 e 80? O lar se abastecia de conflitos geracionais entre a figura paterna conservadora e machista, a dona de casa lúcida e de paciência esgotada, e os filhos adolescentes, desafiando valores antiquados.

Quem não se politizou com as tirinhas das Cobras, protagonizadas por animais rastejantes antropomorfizados que conversavam entre si sobre os destinos do país?

Quem não se compadeceu da Velhinha de Taubaté, que foi concebida durante a ditadura militar e ficou famosa por ser "a última no Brasil que ainda acreditava no governo"?

Quem não riu com o Analista de Bagé, mais ortodoxo do que pomada Minâncora, um psicanalista freudiano que resolvia mimimi com o joelhaço? Submetia o paciente a um golpe amnésico, provocando uma dor tão intensa que ele logo se abstraía dos aborrecimentos.

Quem não viu alguma tia representada na Dorinha e seu cortejo de socialites, buscando a eterna juventude por sucessivas e incansáveis intervenções estéticas?

Quem não desistiu de recorrer à espionagem acompanhando as peripécias de Ed Mort, um detetive particular pobre e trapalhão, um ímã de encrencas e de causas perdidas?

Quem não se valeu dos exemplos das Comédias da Vida Privada para não levar a sério os desentendimentos de casal? Era um jantar que dava errado, uma visita inesperada, um segredo mal guardado, um flerte perigoso.

O mestre gaúcho elaborou uma vivissecção do amor com seus blefes e chantagens, mostrando o drama do quase divórcio, da quase infidelidade. Ele exorcizava o nosso desencanto com a evolução dos costumes, a recessão e a violência: "Não sei para onde caminha a Humanidade, mas, quando souber, vou para o outro lado".

Mudava os estereótipos de lugar, produzindo reflexivo estranhamento. Assim como o divã do Analista de Bagé fora desconstruído para o atendimento num pelego, com tapete de pele de carneiro, o charme dos romances policiais se converteu no escritório de pulgas e traças de Ed Mort em Copacabana, com 117 baratas e um rato albino chamado Voltaire.

Os dados oficiais professam que Verissimo faleceu aos 88 anos, no sábado, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Mas ele não morreu. É impossível que morra. Se Luis Fernando nos fez esquecer que a morte existe, que ela seja educada e faça o mesmo. Ele sempre nos fez rir, é a primeira vez que nos faz chorar. 

CARPINEJAR

Adorável grotesco

Em mais ou menos oito meses de exílio voluntário das redes sociais (ainda dou uma espiada de vez em quando, mas parei de postar), não passa um dia sem que eu pense que essa ignorância seletiva é um luxo.

Sinto falta dos amigos e dos leitores queridos que me mandavam mensagens, é verdade, mas o que perdi em contatos esporádicos ganhei em higiene mental. As "trends" agora passam por mim voando longe, como gaivotas que nunca chegam realmente a pousar na minha metafórica ilha deserta. Vejo os memes, as manias, as musiquinhas e outros babados-fortes se aproximando, mas não sei de onde vêm nem para onde vão. Morango do amor: nunca te vi, nunca te amei. Prazer em não te conhecer, labubu. Se não atravessar o filtro um pouco menos poroso dos jornais ou dos amigos hiperconectados, a moda talvez passe sem que eu sequer fique sabendo que ela chegou. Luxo.

Para quem viveu uns bons 30 anos sem internet e mais tempo ainda sem redes sociais, não é tão difícil pular fora. É só lembrar como era antes. O que a gente fazia mesmo quando não tinha nada pra fazer? Talvez os nossos cérebros estejam sentindo falta daquele tédio irrevogável das filas e das salas de espera, dos intervalos não preenchidos, do ócio profundo.

Muita gente, eu sei, não pode se dar ao luxo do ostracismo digital porque de alguma forma depende das redes. ("Monetizam", diriam os farialimers.) Não é o meu caso. Talvez seja justamente o contrário. Com tanta publicidade baseada nos meus gostos e no meu perfil, é provável que ficar de fora tenha me deixado mais rica - ou pelo menos mais protegida da necessidade urgente de consumir badulaques aleatórios.

Falando em badulaques aleatórios, o jornalista Kyle Chayka escreveu na New Yorker, há alguns dias, sobre um novo estágio do consumismo induzido pelo zeitgeist da vida em rede. Fenômenos como o morango do amor e os desenhos para colorir Bobbie Goods (no Brasil), assim como os bonecos labubus, o chá matcha e um tal "chocolate de Dubai" (nos EUA) seriam as encarnações palpáveis do "adorável grotesco" que nasce como tendência nas redes e depois migra para lojas reais. Não se trata apenas de uma marca de status, como um tênis ou uma grife, mas de uma sinalização de pertencimento. É preciso fotografar, copiar, ironizar, produzir memes, assuntar em torno do morango do amor - e não apenas comê-lo. E quanto mais saturação é induzida pelo algoritmo, mais inescapável parece o circuito.

Esses nada obscuros objetos de desejo ganharam um nome que dá uma boa ideia do que os próprios consumidores das "trends" pensam a respeito delas: "IRL brain rot" ("cérebro podre na vida real"). _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

CLÁUDIA LAITANO 



01 de Setembro de 2025
LUIS FERNANDO VERISSIMO

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Às 16h55min de sábado, em meio a aplausos calorosos e olhares emocionados, o corpo do escritor Luis Fernando Verissimo deixou o Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Estado, onde ele estava sendo velado desde o meio-dia. O ataúde seguiu para sepultamento no Cemitério São Miguel e Almas, em ato reservado a familiares e amigos próximos.

O velório esteve aberto a quem desejasse se despedir do escritor até seu encerramento. A informação inicial era de que uma cerimônia de despedida restrita a familiares seria realizada a partir das 16h45min, quando as portas seriam fechadas ao público externo. Contudo, o fim da cerimônia foi anunciado ao microfone às 16h55min, e o corpo do escritor foi cortejado pelo público até a saída da Assembleia Legislativa.

O esquife que guardava o célebre escritor, romancista e saxofonista permaneceu com o tampo fechado. Um buquê de rosas brancas repousava sobre o ataúde, junto de uma flâmula do Internacional, uma das paixões de Verissimo. Estiveram presentes familiares do escritor, como a esposa Lúcia Verissimo e os filhos Fernanda, Mariana e Pedro. Amigos e autoridades também compareceram, como o presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PT), que celebrou os personagens de Verissimo, a sua capacidade de captar de forma bem-humorada os aspectos da vida cotidiana e a contribuição para as artes.

- Quando eu era prefeito de Caxias do Sul, ele foi patrono da feira do livro. Teve um debate e perguntaram quem era a musa inspiradora do Verissimo. Ele respondeu que, além da Lúcia, a musa inspiradora dele, como cronista, era o prazo de entrega - recordou Pepe.

O prefeito Sebastião Melo chegou às 12h30min.

- A cidade se despede de um dos ícones da escrita, do jornalismo e das artes. Um legado enorme para a literatura do Brasil. Que descanse em paz - afirmou Melo.

Amor à Capital

Pedro Verissimo comentou a relação do seu pai com Porto Alegre e o carinho recebido nos dias que antecederam a partida. O escritor viveu por alguns anos nos Estados Unidos entre a infância e o início da vida adulta. Também residiu por um período no Rio de Janeiro, na década de 1960. A maior parte de seus 88 anos, contudo, foram desfrutados na capital gaúcha.

- Ele tinha um amor especial por Porto Alegre. Tanto que nunca quis sair daqui, mesmo sendo um autor de alcance nacional - comentou Pedro.

O ex-governador Tarso Genro celebrou a arte de Verissimo, mas também a cidadania.

- Ele é um dos cinco grandes intelectuais da história do Rio Grande do Sul. E teve a coragem cívica de se posicionar em todas as grandes questões que o país atravessou - saudou Tarso.

O ex-senador Pedro Simon chegou, em cadeira de rodas, por volta das 16h, permanecendo até o fim da cerimônia. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que veio a Porto Alegre para um ato do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), também compareceu representando o chefe do Executivo nacional, Luiz Inácio Lula da Silva.

Presidente de Honra da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Batista Filho destacou o caráter cidadão de Verissimo e relembrou que, além de colorado, ele também nutria simpatia pelo Botafogo.

- Ele tinha um humor clássico e uma crítica profunda de extremo conteúdo social - declarou.

O governador Eduardo Leite chegou à Assembleia Legislativa em torno das 14h30min.

- A produção e a obra que ele tem, naturalmente, fazem com que permaneça vivo - homenageou Leite.

Jornalistas

O velório também foi marcado pela presença de artistas e personalidades da cultura gaúcha, como o músico Duca Leindecker, o ator Zé Vitor Castiel, a jornalista Katia Suman e os escritores Luís Augusto Fischer, Martha Medeiros, Sergio Faraco e Eduardo Bueno.

Jornalista com atuação em distintas redações do Brasil, Bueno salientou o privilégio de ter compartilhado com Verissimo a profissão e a amizade.

- Convivemos na casa dele e nas redações do Estadão e da Zero Hora - declarou Bueno.

Jornalistas e autoridades ligadas ao Grupo RBS também estiveram presentes, como a apresentadora Cristina Ranzolin, a diretora-executiva de Jornalismo e Esporte, Marta Gleich, e o publisher e presidente do Conselho da RBS, Nelson Sirotsky.

Verissimo foi colunista de Zero Hora durante décadas, o que foi lembrado por Sirotsky:

- Luis Fernando Verissimo é alguém que ficará para a eternidade e que teve uma jornada memorável na nossa história. Através da sua obra, seus livros e suas crônicas, ele construiu um legado que é eterno. _

Governador decreta três dias de luto no Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou homenagem no X: "Dono de múltiplos talentos, cultivou inúmeros leitores em todo o Brasil com suas crônicas, contos, quadrinhos e romances. Criou personagens inesquecíveis, a exemplo do Analista de Bagé, As Cobras e Ed Mort".

Em uma postagem no Instagram, o cartunista Angeli expressou sua solidariedade à família de Verissimo, acompanhado de uma charge que mostra o cronista com uma de suas paixões: o saxofone. O dramaturgo Walcyr Carrasco, pelo X, prestou uma homenagem ao escritor, o qual definiu como "gigante que fez da simplicidade sua genialidade".

Importância

Verissimo começou a carreira como revisor do jornal Zero Hora, que anos mais tarde publicaria suas crônicas. A diretora-executiva de Jornalismo e Esporte do Grupo RBS, Marta Gleich, destacou a importância do escritor para o jornal:

- Luis Fernando Verissimo foi, por décadas, uma das presenças mais consistentes de Zero Hora, onde elevou a crônica ao patamar de reflexão cultural e social. Com precisão de linguagem, criatividade, ricos personagens e olhar único sobre as sutilezas do cotidiano, conferiu ao jornal uma dimensão literária singular, ampliando sua relevância. A contribuição de Verissimo ajudou a consolidar Zero Hora como espaço de convivência entre informação e literatura, no qual o leitor encontrava não apenas notícia, mas também interpretação sensível e irônica do país e de sua época - disse.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o publisher e presidente do Conselho do Grupo RBS, Nelson Sirotksy, falou sobre a importância de Luis Fernando Verissimo para a literatura brasileira.

- A obra de Luis Fernando Verissimo é tão sólida, é tão importante, é tão relevante, que ela se eterniza. As próximas gerações terão a oportunidade de ler os livros, de ler as crônicas que o Luis Fernando produziu ao longo de toda a sua vida. Então, esse é um desses profissionais, uma dessas pessoas que literalmente são imortais - destacou Sirotsky - Nós da RBS temos uma gratidão muito grande à colaboração que o Luis Fernando deu especialmente para a Zero Hora - concluiu. 


01 de Setembro de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Respostas capitais

Rachel de Sá

Estrategista de investimentos da XP, mestre em economia política internacional pela London School of Economics

"Pela primeira vez em dois anos, revisamos o PIB para baixo"

Rachel de Sá esteve em Porto Alegre na quinta-feira para falar com investidores. Nesta entrevista, avalia que, como resultado do choque monetário, os sinais de desaceleração apareceram "um pouco antes e um pouco mais fortes" do que o esperado, mas ainda não alteram a previsão de início do corte de juro no Brasil. Os "ruídos" com os EUA mantêm a tensão. E amanhã começa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

? Como a megaoperação que teve como alvo a Faria Lima bateu no setor financeiro?

É um ponto em que não vou conseguir te ajudar.

 Antes, já se falava em "risco PCC" em investimentos. É algo presente?

Nunca tinha ouvido falar, vou ser bem honesta. Não é algo que, por enquanto, esteja no radar em termos de impacto no mercado.

Os efeitos do choque monetário estão aparecendo?

Começamos a ver efeitos, mas não temos cenário de recessão ou queda abrupta do PIB. O objetivo da política monetária é controlar a inflação, e uma das ferramentas é o juro. Não é que o economista fique feliz quando desemprego sobe. É o que se espera para evitar doença muito pior, inflação alta. Há muitos trimestres, só revisávamos a projeção do PIB para cima. No mês passado, pela primeira vez em uns dois anos, revisamos para baixo, de 2,5% para 2,2% de crescimento. O freio está chegando.

Para reduzir, veio antes do esperado ou mais forte?

No setor primário, houve crescimento muito forte no primeiro trimestre, mas, no segundo semestre, esperamos redução substancial na velocidade. Os sinais vieram um pouco antes e um pouco mais fortes do que se esperava. A economia global desacelera, e o BC vai conseguir tirar o pé do freio. A nossa projeção é de que a Selic comece a cair em janeiro do ano que vem.

Ainda aposta da minoria do mercado, a possibilidade de corte neste ano tem crescido?

Existe chance de acontecer em dezembro, mas não é nosso cenário-base. O DXY (indicador que mede o dólar frente às principais moedas) está enfraquecendo. Nossa perspectiva é de que se mantenha estável. Agora tem instabilidade institucional no Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), com Trump querendo demitir uma diretora. E dólar é muito importante para política monetária. Temos um estudo que mostra que 40% da cesta de bens e serviços do IPCA tem impacto do dólar e 20% tem impacto muito forte.

Por que não deve ocorrer?

Porque há ruído desde o escalonamento das tensões entre EUA e Brasil, por mais que o impacto macro seja muito pequeno para o Brasil. E ruído é precificado nos ativos. Em resumo, para antecipar o corte, a inflação não pode dar repique, a atividade tem de cair mais forte e o real tem de se manter relativamente apreciado. O Fed indicando novo ciclo de baixa contribui.

O IBGE vai divulgar o PIB nacional do segundo trimestre amanhã. O que esperar?

Estamos prevendo alta de 0,3%. Quando se compara com o primeiro trimestre, que teve alta de 1,4% puxada pelo agro, parece que vai desacelerar muito, mas ainda vai aparecer crescimento, mas com os primeiros sinais de desaceleração, principalmente no consumo voltado ao crédito. Só prevemos queda para o PIB do quarto trimestre, de 0,1%. E outro ponto importante é a possível queda de Formação Bruta de Capital Fixo, de investimento, pelo aperto monetário.

 Enquanto isso, a bolsa ronda recorde. Como explicar?

No primeiro semestre, vimos a bolsa ser muito beneficiada pelo fluxo estrangeiro. Com o vaivém da administração Trump, países desenvolvidos e emergentes se beneficiaram, e o Brasil era visto, na primeira metade do ano, como ganhador. Um país emergente, muito fechado em termos de comércio. Em 99% do tempo, é ruim sermos um país fechado, mas, em uma briga de tarifas, não somos muito impactados, porque não dependemos muito do comércio internacional.

Mas no segundo semestre, veio a elevação de tarifas.

Calculamos que o impacto no PIB seria de 0,2 ponto percentual. Depois que vieram as isenções, 0,15. É pequeno, só que o ruído fala alto. Veio a Lei Magnitsky, não se sabe até agora se vai ter ou não um tipo de sanção contra bancos. Temos visto uma reversão do fluxo estrangeiro. No segundo trimestre, os resultados das grandes empresas foram muito bons, grande parte trouxe números acima do esperado.

O que o mercado precifica para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro?

Como a maior probabilidade é de que haja condenação, sem juízo de valor, está no preço. Qualquer cenário diferente pode elevar a volatilidade. O que pode não estar no preço são derivadas. Se começar a bater no investimento externo direto, dinheiro que vem para fábrica, é mais preocupante. Os EUA são a nossa principal fonte de investimento externo direto. O ruído pode começar a bater em questões mais estruturais. _GPS DA ECONOMIA



01 de Setembro de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

A crítica e o humor de Verissimo na coluna Informe Especial

Em sua gigantesca obra como cronista e escritor, o mestre Luis Fernando Verissimo foi titular do Informe Especial, de Zero Hora, coluna que tenho a honra de assinar atualmente, junto com o colega Vitor Netto, desde junho de 2024.

Na edição de 19 de abril de 1969, sua estreia foi anunciada na capa do jornal: o "jovem e talentoso" assinaria a coluna, depois de dar mostras de seu "poder de criação e inteligente humor", dizia a texto.

Bem diferente do modelo atual, que mescla informação com opinião, o Informe Especial de Verissimo consistia em uma coluna na qual o autor deliciava os leitores com crônicas recheadas de ironia sobre política, futebol (sobre o Inter, claro) e cotidiano. No primeiro texto, intitulado Entrando em campo, apresentava-se como alguém que ocuparia o espaço em substituição a "um astro". Falava do antecessor na coluna, Sérgio Jockymann, e prometia suar a camiseta. Também admitia, vejam só, logo, ele, "tremor" diante do "desafio ali de cima". Ora, Verissimo, o que sobra para nós, seus sucessores na página que abre o jornal?

Senão no estilo, ao menos nos temas a coluna guardava, às vezes, certa semelhança com a atual: gaúcho, mas cidadão do mundo (em especial, a paixão por sua Paris), Verissimo volta e meia abordava temas da política internacional. No primeiro Informe Especial falava da queda de Alexander Dubcek na então Tchecoslováquia, após o fracasso da tentativa de liberalização conhecida como Primavera de Praga.

Em coluna de 30 de janeiro de 1970, por exemplo, Verissimo falava sobre um "grupo de excedentes da Filosofia da UFRGS" que havia solicitado ajuda na luta pela oportunidade de estudar. Na mesma edição, anunciava que iria tirar férias e se autodenominava "irresponsável" pela página. E conta: "Partimos hoje rumo ao Rio. De fuca, que a BR-116 nos seja propícia".

De volta das férias, relatou suas aventuras no Rio de Janeiro. Na edição de 4 de março de 1970, comentou sobre o espetáculo de Jô Soares a que assistiu e levou aos leitores suas impressões sobre o desfile das escolas de samba no domingo de Carnaval. Na coluna, discordou do resultado da disputa: "E posso afirmar que houve injustiça. Salgueiro foi a melhor disparada, seguida pelos Unidos de São Carlos. Portela ganhou pelo tamanho e prestígio."

Durante sua trajetória no Informe Especial, também fez críticas ao Inter, seu time do coração. Na edição de 5 de março de 1970, perguntou aos colorados como o time havia se portado em sua ausência - e, de pronto, respondeu: "Uma careta."

Duas de suas marcas eram as seções "Por trás da notícia", em que trazia bastidores das informações, principalmente sobre política nacional e internacional, e À boca pequena, que sempre começava com O que se cochincha.

Vá em paz, Verissimo, ás das letras.

Obrigado por ter sido luz nos momentos de sombra e pela oportunidade de convivermos contigo. Por aqui, prometemos cuidar bem da coluna Informe Especial - sem a pretensão de te igualarmos, mas honrando o teu legado. Já fazes falta ao Rio Grande - e ao mundo. 

INFORME ESPECIAL