quinta-feira, 9 de abril de 2026

Soja tem queda de 78,5% nas exportações no primeiro trimestre do ano

Safra gaúcha de soja, estimada em 19 milhões de toneladas, deve normalizar exportações, afirma Renan Hein dos Santos

Safra gaúcha de soja, estimada em 19 milhões de toneladas, deve normalizar exportações, afirma Renan Hein dos Santos

ELISE AZAMBUJA SOUZA/EMATER/RS-ASCAR/DIVULGAÇÃO/JC

JC
JCAna Esteves
especial para o JC
volume exportado de soja pelo Rio Grande do Sul teve queda de 78,5% entre janeiro e março deste ano, se comparado com o mesmo período do ano passado. Em termos de valor, a redução foi de 77%, também em relação ao primeiro trimestre de 2025, conforme levantamento de dados da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O motivo, segundo especialistas, é a falta de grão para os envios, pela quebra de safra registrada no período de 2024/2025, em função de mais um ciclo de estiagem no Estado. O presidente da Brasoja, Antonio Sartori, diz que o cenário é preocupante, pois, além de baixa, a comercialização está muito atrasada, o produtor muito endividado, num cenário de muita incerteza. “Há muito medo e muita preocupação. Historicamente, nessa época do ano, nós teríamos de 30% a 40% da soja comercializada, mas hoje não passamos de 20%. É perigoso”, avalia o especialista.
A justificativa para a queda do volume de exportação, a maior desde 2019, é o problema de falta de oferta exportável, por um estoque de passagem muito baixo, como resultado de uma safra de soja pequena no ano passado, de pouco mais de 13 milhões de toneladas. “Junto com isso, entram as questões de gargalo logístico, inspeções mais duras da China, o que piora o cenário, mas o problema central é que não temos produto”, explica o assessor de relações internacionais da Farsul, Renan Hein Santos.
Diante desse cenário, a participação do Estado nas exportações brasileiras caiu de 2,76% para 0,56%, nas exportações para a China, a participação gaúcha caiu 76%, enquanto o Brasil caiu 4,5%. Para o Irã, o Rio Grande do Sul caiu 100% e o Brasil 24%. “Essa questão geopolítica importa, mas não é motivo para uma queda tão drástica, porque o Brasil segue exportando. Por aqui, o problema é a falta do produto pela estiagem”, acrescenta Santos.
A tendência é que, com a colheita da safra 2025/2026, prevista para 19 milhões de toneladas, conforme levantamento da Emater, os envios voltem a normalizar. “Neste período, vamos ter uma safra mais próxima do normal para exportar. A tendência para os próximos meses é de um aumento considerável nas exportações de soja, até maiores do que as de 2025”, diz Santos.
No entanto, o presidente da Brasoja disse que é difícil projetar um número de safra de soja no Estado, em função da janela de plantio de mais de 60 dias, o que fará com que a colheita, que está recém começando,  também mais de dois meses. “A Emater fala em 19 milhões de toneladas, mas depende do que vem pela frente, do clima que faz que a safra seja um pouco maior ou um pouco menor”, argumenta.
Sobre os reflexos da guerra no Oriente Médio no escoamento da safra de soja que começa a ser colhida, a preocupação é de que, com a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz, os envios de soja para aquela região possam ter prejuízo. “Mas é uma commodity tão importante que será possível encontrar novos mercados”, diz Santos.
O aumento do valor do diesel e dos fertilizantes também preocupa, especialmente no que se refere à implantação da safra de inverno e também à de verão, já que o volume desses insumos importados da região de conflito é muito significativa. “O que temos visto são exportadores mais importantes até do que aquela região, como China e Rússia, limitando essas exportações de fertilizantes. O nosso medo é que se repita um cenário da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando nós tivemos uma disparada violenta no custo desses insumos”, afirma Santos.
O incremento do esmagamento de soja para a produção de biodiesel no Estado não chega a refletir de forma significativa na redução do volume exportado, por ser uma quantidade muito incipiente, se comparada com o volume dos envios. “A indústria de biodiesel ainda é recente, pode contribuir, mas marginalmente. Os efeitos do biodiesel nas exportações ainda é coisa para o futuro”, completa.

Presidente da Brasoja destaca potencialidades do Estado em palestra na Federasul

Os principais riscos e oportunidades do agronegócio gaúcho foram as pautas centrais da palestra do presidente da Brasoja, Antonio Sartori, durante o Tá na Mesa da Federasul, realizado nesta quarta-feira (08). Com o tema O agro que vem pela frente? Soberania alimentar e energética, o especialista falou sobre as perspectivas que, segundo ele, serão “fantásticas para quem for dramaticamente competente e competitivo, fazendo aquela trilogia que os europeus e os americanos sabem fazer: lobby, marketing e pressão”.
Sartori destacou a importância do Brasil na produção de alimentos, como milho e carne bovina que podem crescer em produtividade. “O mundo com crise ou sem crise não para de comer. 
E o consumo mundial de alimentos é crescente e vai crescer. A Ásia, Europa, Estados Unidos não têm mais fronteira agrícola, o Brasil sim”.
Outro potencial destacado foi o da produção de biodiesel pela disponibilidade de matéria-prima, pela sustentabilidade e geração de emprego e renda. O especialista considera irrigação uma “utopia” e defende uma melhor gestão do perfil dos solos para mitigar os efeitos da estiagem no Estado. “Irrigação não é factível, não tem reserva d'água não tem energia, não tem crédito se ele consegue crédito é muito caro a legislação é difícil, portanto o produtor tem que fazer rotação de cultura”.

Nenhum comentário: