Inteligência Artificial consolida protagonismo na reinvenção da indústria em Hannover
Guilherme KollingEditor-chefede Hannover, na Alemanha
A Inteligência Artificial (IA) consolidou-se como elemento onipresente no maior evento de tecnologia industrial do mundo em 2026. Se nos anos anteriores a IA ainda era uma tendência se tornando realidade como principal tema do encontro, desta vez é apresentada como algo já incorporado aos milhares de estandes na Feira de Hannover, sendo considerada fundamental para a reinvenção da indústria que está em curso.
Além de entrar na agenda de discursos de governantes, o tema tem sido central na fala de executivos convidados ao evento. Em 2025, o CEO da multinacional alemã Siemens, Roland Busch, foi contundente ao afirmar que as empresas, em breve, serão divididas entre as que adotam a IA e as que não usam. Para ele, as primeiras serão bem-sucedidas, ao passo que as demais irão fracassar.
Neste ano, apresentada como uma das pessoas mais influentes do mundo, a CEO da empresa multinacional de consultoria de gestão Accenture, Julie Sweet, provocou a todos a considerar normal fazer algo no seu negócio de uma forma completamente diferente do que fazia há 12 meses por causa da IA.
“Reinvenção significa mudar radicalmente algo que já existe”, afirmou a executiva, ressaltando que os vencedores serão aqueles que utilizarem suas forças inerentes, como dados e conhecimento técnico do negócio, para operar de formas completamente novas.
A especialista considerou que a Inteligência Artificial vai promover a refundação da produção industrial, redefinindo todas as indústrias. “Mas isso ainda é pouco discutido”, avaliou.
Como exemplo de mudança, citou a própria Accenture, que recentemente implodiu seu modelo operacional para se adaptar ao novo cenário tecnológico. “Mudamos coisas que fazíamos há 50 anos. E eu também implodi o modelo que coloquei em marcha em 2019, quando me tornei CEO. E vou dizer, é muito mais fácil implodir o modelo do CEO anterior do que o seu próprio”, confidenciou ao público de Hannover.
Julie Sweet entende que a aplicação da Inteligência Artificial exige dois imperativos: focar no crescimento (e não apenas na produtividade) e abraçar uma reinvenção radical, já que é preciso disposição para transformar estruturas existentes.
Como exemplos práticos na indústria, a executiva citou montadoras que operam com o sistema de gêmeos digitais – a réplica da operação física – para conectar e operar dezenas de fábricas. Ou o processo de produção de empresas de alimentação, embalagens e logística, que estão adotando sistemas completamente diferentes.


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