Estaleiro Rio Grande projeta contratações e resultado de nova licitação para este semestre
Jefferson KleinRepórter
Com contratos firmados para a construção de nove embarcações para a Petrobras e a iminência de confirmar a implementação de mais quatro navios para a estatal, o Estaleiro Rio Grande começa uma fase de contratação de pessoal para atender a essas demandas. Para este mês, a Ecovix, empresa que administra o complexo, projeta agregar mais cerca de 100 profissionais como soldadores, montadores, operadores de máquinas especiais, entre outros.
Os números poderão aumentar de forma exponencial, se a Ecovix confirmar a vitória em uma nova licitação que recentemente foi feita pela Transpetro (uma subsidiária da Petrobras) para a realização de quatro navios de médio porte da classe MR1 (Medium Range - para o transporte de petróleo e derivados). O pico de mão de obra no estaleiro gaúcho, com o acréscimo dessa nova encomenda, deverá chegar a cerca de 4 mil trabalhadores até o final de 2027.
Com essa demanda, haverá serviço para o complexo gaúcho, pelo menos, até 2031. No momento, em torno de 350 trabalhadores atuam no Estaleiro Rio Grande. O diretor operacional da Ecovix, Ricardo Ávila, calcula que, até o final do ano, o estaleiro deverá chegar a algo entre 600 a 700 trabalhadores. Hoje, o estaleiro gaúcho tem como encomendas firmadas quatro navios do tipo Handy Max (que operam com a movimentação de derivados de petróleo) e cinco navios gaseiros (que transportam gás).
Esses projetos (sem contar os MR1) totalizam R$ 3,62 bilhões em investimentos, informa a Petrobras. Os dois pacotes de encomendas serão feitos em Rio Grande, mas enquanto os gaseiros são uma responsabilidade exclusiva da Ecovix, os Handys Max serão desenvolvidos pelo Consórcio MaréNova (formado pelas empresas Ecovix e MacLaren).
No caso dos MR1, a Ecovix apresentou a melhor proposta comercial na licitação internacional para a construção desses quatro navios: US$ 267 milhões. Ávila projeta que a homologação do resultado final dessa disputa será anunciada ainda neste primeiro semestre.
Sobre a encomenda dos Handys Max, o diretor operacional da Ecovix recorda que o contrato para a construção dos quatro navios foi firmado em fevereiro do ano passado. Porém, levando em conta o período da assinatura do acordo até a sua chamada eficácia, ou seja, o tempo para apresentação de documentos, o prazo de entrega das encomendas começou a vigência em setembro do ano passado. Assim, explica Ávila, os 43 meses estipulados para acabar as embarcações valem a partir desse marco.
“Enquanto o contrato não vira eficaz, não entra nenhum dinheiro e não se começa a operar”, detalha o integrante da Ecovix. Já iniciaram no complexo os cortes de chapas metálicas para implementar os Handys Max. Ávila argumenta que a empresa sabe do anseio da comunidade local pela célere contratação de pessoal, mas ele reforça que se trata de um processo complexo.
Uma particularidade dessas embarcações, cita Ávila, é operar com três combustíveis diferentes MGO (Marine Gas Oil), metanol e etanol. “Com etanol, nenhum navio do mundo opera hoje”, frisa. Outra dificuldade enfrentada no momento, aponta o diretor, é trazer o aço do exterior com a guerra no Oriente Médio. Ele comenta que o frete internacional quase que dobrou de preço, passando de US$ 90 por tonelada para US$ 160.
Ávila lamenta que no Brasil a indústria naval ainda é uma política de governo e não de Estado. Essa situação acaba gerando incertezas quanto à continuidade de encomendas para os estaleiros nacionais. Além dos navios que serão feitos no Estaleiro Rio Grande, o empreendimento está conduzindo o desmantelamento da plataforma de petróleo P-32 da Petrobras. Ávila prevê que o desmonte dessa estrutura deverá ser finalizado até meados de junho e uma nova plataforma, a P-33, deverá chegar logo em seguida para ser submetida a um serviço semelhante.
Sindicato vê avanço, mas mantém cautela após início das contratações
Gabriel Margonar
Após meses de críticas ao ritmo considerado lento na retomada das atividades do Estaleiro localizado no Sul do Estado, o anúncio das primeiras contratações trouxe um sinal de alívio ao Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande (Stimmmerg). A abertura das cerca de 100 vagas é vista como um indicativo de que o projeto começa, enfim, a sair do papel, ainda que de forma gradual.
“A expectativa é positiva, até porque já existe uma ansiedade grande sendo represada há mais de um ano”, afirma o tesoureiro da entidade, Sadi Machado. O dirigente ressalta, no entanto, que o movimento ainda é inicial diante do potencial do complexo e da dimensão dos contratos anunciados.
Segundo ele, o ritmo de novas admissões deve estar diretamente ligado à chegada de insumos, especialmente aço, cuja logística vem sendo impactada pelo cenário internacional.
“A expectativa é que comecem com 100 contratações, depois mais 100, conforme o restante do material vá chegando. Porque, na nossa visão, a demanda vai depender totalmente disso: chegou material, há contratação.”, projeta.
No início de março, o sindicato chegou a questionar, em conversa com à reportagem, o descompasso entre os anúncios e a execução dos projetos, apontando ausência de movimentação compatível com o cronograma previsto. À época, a entidade afirmava que o cenário observado ainda estava distante do esperado para um período pré-operacional.
Agora, embora veja o início das admissões como um avanço, a avaliação é de que o processo ainda ocorre em ritmo abaixo do necessário para cumprir os prazos inicialmente projetados. "Ainda é tudo muito incerto. Estamos vendo uma luz bem pequena diante de um horizonte muito grande", finaliza Machado.



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