quarta-feira, 15 de abril de 2026

 Duplicação da RSC-287 avança no Vale do Rio Pardo

Trecho urbano de Santa Cruz do Sul esteve na primeira parte da duplicação da RSC-287

Trecho urbano de Santa Cruz do Sul esteve na primeira parte da duplicação da RSC-287

Divulgação/Rota Santa Maria

Eduardo Torres
Eduardo TorresRepórterEnquanto avança em seus projetos de duplicação da RSC-287, entre as regiões Central e Vale do Rio Pardo, a concessionária Rota Santa Maria, do Grupo Sacyr, ainda negocia com o governo do Estado uma fórmula para custear obras de recuperação e resiliência em trechos críticos da rodovia, ainda resultantes da enxurrada de 2024. Com isso, a concessionária projeta desembolsar R$ 240 milhões entre 2026 e 2027. Valor que, se houver entendimento com o poder público - possivelmente com aportes do Funrigs -, de acordo com a concessionária, pode somar outros R$ 600 milhões.
De acordo com o diretor-geral da Rota Santa Maria, Leandro Conterato, começam neste ano obras de duplicação no trecho considerado fundamental para o fluxo da produção fumageira gaúcha, entre Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul e Vera Cruz, justamente onde se concentra a maior parte das indústrias do setor.
"É o trecho de maior volume de tráfego da rodovia e, atualmente, também de maior acidentalidade. Então, serão investimentos fundamentais não apenas para a economia da região, abrindo caminho para novos investimentos e fortalecendo a logística das indústrias atuais, mas principalmente para garantir maior segurança aos usuários", aponta Conterato.
O primeiro trecho, que já está com ações de preparação do terreno na área, compreende 20 quilômetros entre Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul. A ideia, conforme o diretor, é finalizar as obras, orçadas em R$ 150 milhões, até o início de 2027. Já entre Santa Cruz do Sul e Vera Cruz, onde também já iniciaram-se as ações de supressão vegetal, a obra custará R$ 90 milhões para duplicar dez quilômetros, com previsão de entrega no final do primeiro semestre do próximo ano.
Mesmo com a inundação de 2024, a Rota Santa Maria tem conseguido antecipar o cronograma inicial das obras de duplicação da rodovia. Os trechos em execução neste ano tinham previsão de entrega entre 2027 e 2029. Em 2025, já foram concluídas as duplicações de outros 14 quilômetros, com desembolso de R$ 125 milhões. Foram dez quilômetros entre Tabaí e Taquari e outros quatro no trecho urbano de Santa Cruz do Sul.
"São todos trechos executados com adaptações de resiliência, mas todas menos expressivas em relação aos pontos considerados críticos após a enchente. E nestas, fizemos estudos profundos e chegamos a uma solução estrutural em relação a pontes, cotas de pistas e sistemas de drenagem", explica o diretor.
Trechos críticos sob impasse
O impasse, porém, está no momento de custear a recuperação dos quatro pontos considerados críticos. Dois deles, com obras já praticamente finalizadas. Em dezembro do ano passado, o Conselho do Funrigs aprovou a destinação de R$ 110,9 milhões à concessionária a título de reequilíbrio financeiro para obras de recuperação e adaptação da rodovia. No entanto, até o começo de abril, o Portal da Transparência do Fundo não apontava nenhum repasse feito à concessionária. A empresa confirma que ainda não foi reembolsada com este valor.
Conforme Leandro Conterato, foram mais de R$ 55 milhões desembolsados além do previsto no contrato inicial de concessão pela empresa desde o ano passado nas obras para reconstruir, com nova estruturação, a ponte sobre o Arroio Barriga, em Paraíso do Sul, e a primeira parte da nova ponte, que será duplicada, sobre o Arroio Grande, em Santa Maria.
Agora, foram finalizados os estudos para a reconstrução, mas com pistas duplicadas, novas pontes e estruturas resilientes em Candelária e o distrito de Mariante, em Venâncio Aires, destruídos pela água.
"Calculamos que sejam necessários R$ 600 milhões além do que tínhamos previsto no contrato de concessão. Apresentamos ao governo uma fórmula que consideramos a mais equilibrada para esse reequilíbrio. Nosso plano, chegando a um acerto com o poder público, é iniciarmos essas obras neste segundo trimestre, mas não podemos dar o início sem essa garantia. O Grupo Sacyr tem muita responsabilidade com os nossos investimentos contratuais. Tudo precisa ter o devido lastro jurídico para que a empresa possa investir no projeto", afirma Leandro Conterato.
A diferença fundamental em relação ao projeto original de duplicação dos dois trechos está na criação de novas pontes secas, garantindo a resiliência, que não eram previstas inicialmente. Em Candelária, serão 160 metros de pontes, aterros em rocha e revisão de todo plano de drenagem da pista. Já em Mariante, são 1,3 quilômetro de novas pontes previstas.
A partir do início das obras, a perspectiva é executar, em Candelária, 15 meses de obras, e, em Mariante, 20 meses. Segundo Conterato, porém, serão obras em etapas, que garantirão as liberações de trechos já duplicados com antecipação.
FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 240 milhões
Estágio: Em execução até 2027
Empresa: Rota Santa Maria
Cidades: Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Vera Cruz
Área: Infraestrutura
Investimento em 2025: R$ 180 milhões

Nenhum comentário: