Proprietário da Olivas do Sul aponta logística como desafio do Vale do Jacuí
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Ana StobbeRepórter
A Ponte do Fandango, principal via de acesso à cidade de Cachoeira do Sul, no Vale do Jacuí, está em obras. Uma balsa tem feito a travessia, mas passageiros relatam espera de até quatro horas para realizar o trajeto em horários de pico. É possível, ainda, acessar o município via Rio Pardo, pela ERS-403. Mas, para isso, é preciso percorrer um trecho em estrada de chão. Nesse contexto, o proprietário e administrador da Olivas do Sul, José Alberto Aued, aponta a logística como um grande entrave regional.
O tema foi abordado por ele durante a realização do segundo encontro do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul em 2026, nesta quarta-feira, 15 de abril, na Sociedade Rio Branco. Aued foi um dos painelistas do evento que debateu o desenvolvimento econômico da Macrorregião Central do Estado.
"Não tivemos três anos de livre acesso à Ponte do Fandango. Surgiu alguém e disse que tinha que aumentar a ponte em três metros. O prejuízo que está trazendo ao nosso povo é impressionante. Acho uma obra absurda, não tem justificativa", criticou Aued.
A estrutura foi afetada pelas enchentes de maio de 2024 e também por uma cheia em 2025. Agora está passando por obras realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit). A previsão é de que a construção seja concluída em 2026, com uma altura ampliada em 3,3 metros. A expectativa é de que, com a restauração, a capacidade de carga suportada pela ponte seja quase triplicada.
O problema precede a própria enchente. Outra revitalização já havia sido conduzida em 2018. Mas, em outubro de 2021, a ponte foi interditada por problemas estruturais, levando à realização de intervenções a partir de 2023.
O grande gargalo é a relevância da estrutura para conectar a BR-290/RS e a RS-287, rodovias que cruzam o Estado de leste a oeste. E, por isso, cruciais para o escoamento agrícola da região – principalmente, ao considerar que, em Cachoeira do Sul, há uma forte relevância do setor primário na economia, com destaque a produtos como arroz, milho, soja, noz pecã e azeite de oliva.
"Os municípios não são ilhas. Mas nós (em Cachoeira do Sul), somos quase uma ilha", descreveu o painelista.
Expansão da olivocultura é oportunidade para a Região Central do RS
Por outro lado, José Alberto Aued também reconheceu oportunidades de desenvolvimento econômico. Entre elas, a diversificação da produção agropecuária. "Já temos produtos diversificados, mas ainda há muito a crescer", pontuou o olivicultor, considerando ser necessário criar incentivos para o cultivo de novas variedades agrícolas.
A própria olivicultura é recente no Estado. Na Itália, conforme o painelista, há oliveiras milenares utilizadas na produção de azeite. No Rio Grande do Sul, a produção iniciou nas últimas décadas. E o teste de novos cultivares depende, sobretudo, de tempo e paciência.
Mas há espaço, tanto para explorar novos cultivares de olivais, quanto para outros produtos. Entre eles, Aued cita o pistache e a maçã como produtos que poderiam ser testados para produção na Região Jacuí Centro.

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