sexta-feira, 24 de abril de 2026

Claudio Bier destaca participação de pequenas indústrias gaúchas em Hannover

Presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier vê boas condições de competitividade

Presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier vê boas condições de competitividade

Guilherme Kolling/Especial/JC
Guilherme Kolling
Guilherme KollingEditor-chefeDe Hannover, Alemanha
"No ano passado, tínhamos só uma empresa do Rio Grande do Sul expondo aqui em Hannover. Passamos de uma para 38. A Fiergs está muito satisfeita, é uma participação maravilhosa." Essa é a avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Claudio Bier, sobre a presença gaúcha no maior evento de tecnologia industrial do mundo, que termina nesta sexta-feira, 24 de abril.
Bier projeta também um aumento das exportações brasileiras para a Alemanha, especialmente após a entrada em vigor do acordo de livre comércio União Europeia-Mercosul, que acontece na próxima semana, no dia 1º de maio.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o presidente do Sistema Fiergs ainda destaca a participação de pequenas indústrias gaúchas expondo em Hannover, o que, acredita, é um divisor de águas e deverá fazer com que esse movimento se renove em 2027.
Jornal do Comércio – Quando o Brasil foi escolhido país parceiro da Feira de Hannover 2026, no ano passado, havia o desafio de ampliar a participação no evento. Como avalia esse ano de trabalho até aqui e o resultado de Hannover 2026?
Claudio Bier – Primeiro, no ano passado, nós, da Fiergs, batalhamos muito para que o Brasil fosse o país irmão de Hannover (em 2026). Você estava junto naquela reunião que nós fizemos com os comandantes da feira (dirigentes da Deutsche Messe AG, empresa que organiza o evento). E insistimos que o Brasil fosse o país parceiro. Bom, obtivemos esse mérito de ter o Brasil como grande protagonista da feira deste ano. E aí fizemos um esforço muito grande, porque no ano passado nós tínhamos um expositor gaúcho.
JC – A empresa Novus, de Canoas...
Bier – A Novus, de Canoas, e só eles. E também 57 gaúchos que vieram para a feira, alguns já conheciam, outros ficaram encantados. Bom, depois disso (fim da Feira de Hannover de 2025), começamos a trabalhar na Fiergs, com o nosso departamento (de Relações Internacionais e Comércio Exterior) chefiado pelo Luciano (D'Andrea), para que tivéssemos mais expositores em 2026. Pois até te confesso que foi uma surpresa para mim: nós trouxemos 38 expositores (do Rio Grande do Sul). Alguns a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) ajudou, e a maioria deles a Fiergs ajudou. A Fiergs participou financeiramente dessa vinda. E estamos entusiasmados, porque com o advento do acordo Mercosul e comunidade europeia, temos que cada vez mais nos ligar com a Europa. Apesar do Custo Brasil e os juros altíssimos, temos condições de exportar para cá.
JC – Abrir mercado...
Bier – Sim, temos que abrir mercado e é isso que o pessoal está fazendo (em Hannover). Então, a feira está sendo um sucesso, porque essas 38 empresas – nós estamos visitando algumas – estão muito satisfeitas com a possibilidade de vir a exportar para a comunidade europeia. E perderam aquele medo, "ah, mas porque a Alemanha..." A Alemanha é um país como o Brasil, claro, tem suas peculiaridades, mas nós temos que ter coragem de vir aqui e mostrar que temos uma mão de obra excelente e especializada, que temos o segundo polo metalmecânico do Brasil, temos tudo para competir. E a Fiergs vai estar ao lado dessas empresas, principalmente as empresas pequenas que vieram para cá.
JC – Dar apoio...
Bier – Porque são essas empresas que precisam da Fiergs. As grandes não precisam, mas as pequenas precisam muito do nosso auxílio. Tenho certeza que essas 38 empresas que vieram vão difundir (a participação em Hannover) para os seus colegas. Ou até os concorrentes: " ah, mas se o fulano foi, eu tenho que ir também". Então, espero que ano que vem tenhamos mais empresas ainda, apesar de não ser o Brasil o país irmão  (em 2027). Até em função desse acordo Mercosul e União Europeia.
JC – A sua expectativa é que esse ano seja de virada de chave. E que Brasil e Rio Grande do Sul tenham presença, com expositores, cada vez mais constante em Hannover?
Bier – Sim. Esse ano já foi uma grande virada de chave. Viemos de uma empresa para 38. Temos que ajudar essas 38 empresas, ver as dificuldades que vão encontrar. E a Fiergs vai estar junto para ajudá-las no que for preciso. E mostrar que a feira, agora com o advento do acordo (União Europeia-Mercosul), é um grande passo para entrarmos na Alemanha e em toda a Europa.
JC – Grandes empresas também tiveram uma boa exposição em Hannover...
Bier – Sim, claro. Mas quis dizer que as grandes já têm departamentos, algumas têm até funcionários aqui (na Europa), não precisam da Fiergs (para vir a Hannover). Então, a presença das pequenas é que me animou, essas 38 empresas que aqui estão. E a feira está sendo muito positiva. Estamos visitando as empresas gaúchas, o pessoal está satisfeito. E nós estamos satisfeitos.
JC – E qual é a sua avaliação da presença do Brasil como um todo em Hannover?
Bier – Apesar do Custo Brasil e o juro altíssimo, mesmo assim temos condições de ser exportadores. E vai ser positivo, vamos exportar mais para cá do que eles para o Brasil, essa é a impressão que eu tenho. E têm um problema seríssimo aqui, que é a energia. Hoje a energia está caríssima na Alemanha. A energia para eles é o nosso Custo Brasil. Então, empatou. E temos condições (de competir), nossa mão de obra é tão competente quanto a deles, que é paga em euros, então, é mais cara que a nossa. A Fiergs tem que estar atenta (ao acordo Mercosul-UE). Acho que vai ser muito positivo.

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