segunda-feira, 13 de abril de 2026

Litoral Norte ganha fôlego com eventos fora do verão

Para além do céu colorido pelo balonismo, a Secretaria de Turismo de Torres trabalha para consolidar um plano contínuo de eventos que projete a cidade o ano inteiro

Para além do céu colorido pelo balonismo, a Secretaria de Turismo de Torres trabalha para consolidar um plano contínuo de eventos que projete a cidade o ano inteiro

Prefeitura Municipal de Torres/Divulgação/JC
Loraine LuzDe Cidreira
Especial para o JC*
O Litoral Norte do Rio Grande do Sul vem reforçando sua estratégia para reduzir a dependência do veraneio, apostando em um calendário diversificado de eventos ao longo de todo o ano. Grandes atrações como o Festival Internacional de Balonismo, em Torres, e a Festa Nacional do Peixe, em Tramandaí — que projeta público de até 300 mil pessoas — ilustram o potencial de iniciativas capazes de movimentar turismo, comércio e serviços fora da alta temporada. A consolidação desse modelo passa pelo engajamento do poder público e do trade turístico, além de investimentos contínuos e da construção de uma identidade própria para cada destino.
Além dos megaeventos, a região amplia sua oferta com rodeios, festas culturais, programações religiosas e iniciativas gastronômicas, que fortalecem a economia local e valorizam a identidade regional. Municípios como Capão da CanoaImbé e Arroio do Sal estruturam agendas com foco em experiência, diversidade de público e geração de renda, enquanto Torres aposta em um calendário permanente para fidelizar visitantes. A combinação entre tradição, cultura e entretenimento sustenta a estratégia de transformar o litoral em destino atrativo durante os 12 meses do ano.

Tramandaí espera 300 mil visitantes para a Festa do Peixe

Combinando gastronomia, música e comércio, o evento fortalece a economia do Litoral Norte ao longo do inverno

Combinando gastronomia, música e comércio, o evento fortalece a economia do Litoral Norte ao longo do inverno

Prefeitura Municipal de Tramandaí/Divulgação/JC
Vêm aí pelo menos dois grandes eventos que são incontestáveis ímãs puxando milhares de visitantes para o Litoral Norte do Estado fora da temporada de verão: o 36º Festival Internacional do Balonismo, em Torres, no final do mês, se beneficiando do feriado de 1º de maio, e a 34ª Festa Nacional do Peixe, em Tramandaí, de 25 de junho a 19 de julho. Outros eventos na região recebem incrementos ano a ano, tentando conquistar o mesmo apelo.
Em comum entre as prefeituras a certeza de que, para o bem da economia local, as praias precisam ser vividas o ano inteiro. O mosaico de eventos, em dimensões e impactos variados, tenta reduzir a dependência exclusiva do veraneio nos quesitos maior geração de renda, empregos e oportunidades para empreendedores locais.
Para especialistas em turismo de eventos, insistir faz parte da trajetória daqueles que atingiram o patamar de ímãs e garantem picos de demanda por hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços em meses nos quais a beira-mar já não exerce tanta atração.
"O turismo de eventos só se consolida em uma cidade se o trade turístico e a governança pública da cidade abraçarem o evento, para ter edições futuras", explica o professor Tiago Savi Mondo, diretor administrativo da Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Turismo/ANPTUR. "Senão, a gente vai morrer na primeira, na segunda, na terceira edição", conclui. Segundo ele, a rentabilidade das iniciativas precisa ser relativizada no início. "Muitos eventos surgem deficitários e negativos, mas a gente entende como investimento, porque depois de cinco, dez anos, ele se torna muito rentável para a cidade", argumenta. A capacidade de criar uma marca turística se torna um ponto de virada. "O principal é a utilização dos recursos já existentes, os diferenciais competitivos que a cidade tem e que a diferenciam", ensina.
Não é à toa, portanto, a ocorrência de eventos alusivos a peixes. Com o tempo, a comemoração gastronômico-cultural de base identitária evolui para algo maior, atingindo um status como o da Festa Nacional do Peixe de Tramandaí, que alcançou um formato híbrido com duração de 25 dias. A gastronomia está lá, mas abrange música, feira comercial, expositores e outros eventos em paralelo.
Com atrações de peso confirmadas nesta edição - entre elas, os shows de Ana Castela, Menos é Mais, Raimundos, Armandinho e Reação em Cadeia - a Festa Nacional do Peixe iniciou a venda de ingressos em 30 de março. Conforme a Secretaria de Turismo, a expectativa é receber 300 mil pessoas. Na edição passada, foram 250 mil visitantes. O investimento na realização, assim como a participação da iniciativa privada, cresce gradualmente a cada edição - este ano, é cerca de 30% superior a 2025. Todos os mais de 150 estandes em dois pavilhões e na rua coberta já estavam comercializados em meados de março, com predomínio de restaurantes, além de operações de shopping, doces e food trucks. Conforme a organização, foram servidas 20 toneladas de tainha assada na edição passada. A projeção para 2026 é chegar a 25 toneladas. Os pescados utilizados são majoritariamente da própria região, com participação ativa dos pescadores locais, que se mobilizam especialmente para o evento.
Há pelo menos três anos, a divulgação do evento é reforçada, especialmente em canais digitais, mas não somente. A festa deste ano ganhou destaque nas comemorações do aniversário do município em setembro passado, quando o grupo Roupa Nova fez show para marcar os 60 anos. Outro momento especial ocorreu em fevereiro, à beira-mar, anunciando as principais atrações aos veranistas espalhados na areia, como se dissesse: "voltem em junho!". Comitivas com a participação das soberanas da festa também marcaram presença em outras cidades para espalhar o chamado - nos festejos de Saint Patrick's Day, na Capital, e no Festival de Cerveja e Gastronomia de Igrejinha, por exemplo.

Litoral Norte é destino de tradicionalistas de todo o País

Calendário organizado favorece economia em eventos gaúchos

Calendário organizado favorece economia em eventos gaúchos

Alaides Paim/Divulgação/JC
Quem aprecia e vive a cultura gaúcha vê o Litoral Norte como um destino para muito além da combinação sol e mar. Especialmente de março a maio, um calendário robusto de rodeios em diferentes cidades  atrai grande público de dentro e de fora do Estado. Edições com patamar internacional abrem caminho para a presença de competidores de países vizinhos.
Para o presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Alessandro Gradaschi, os eventos realizados nas cidades litorâneas são muito significativos. Repletos de gineteadas, provas campeiras e atrações culturais, como dança, música e declamação, eles fortalecem a tradição, reunindo famílias inteiras acampadas por dias, e movimentam a economia dos balneários.
Em 2024, um estudo pioneiro analisou o tradicionalismo como um setor produtivo, focando no mapeamento de eventos, como rodeios e festas, e de itens culturais, intitulado "A participação do Tradicionalismo no Produto Interno Bruto (PIB) do RS". Conduzido pela Universidade Feevale em colaboração com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), o levantamento apontou um valor total de R$ 4,5 bilhões - a categoria de rodeios foi a que mais causou impacto, gerando R$ 2 bilhões. Segundo Gradaschi, a cifra está revisada, atualmente, para R$ 5 bilhões. O estudo não especifica o impacto por regiões. 
 
XVIII Rodeio de Imbé é consagrado como o maior da história | Márcio Sardá/Divulgação/JC
XVIII Rodeio de Imbé é consagrado como o maior da históriaMárcio Sardá/Divulgação/JC
O Litoral Norte, no entanto, oferece estrutura para dar vazão a um patrimônio imaterial dos gaúchos: o Rio Grande do Sul tem uma das culturas regionalistas mais organizadas do país, com mais de 1,7 mil CTGs e entidades tradicionalistas, e os rodeios funcionam como grandes encontros sociais, fomentando o turismo local. Enquanto as provas envolvendo a lida campeira atraem um nicho específico de público, shows - inclusive de peso nacional - ampliam o perfil dos frequentadores.
No dia 23 de abril, começa no CTG Rincão da Estância, em Arroio do Sal, a 34ª edição do Rodeio Crioulo Nacional, com o apoio da prefeitura local. Até domingo, o evento distribui mais de R$ 80 mil em premiação. "Os tradicionalistas se mobilizam muito", atesta o secretário de Turismo local, Luciano Costa.
No início do mês que vem (de 6 a 10  de maio), o destino dos tradicionalistas será Imbé, que realiza, conjuntamente às comemorações pela emancipação política do município, o seu principal evento fora da temporada de verão: o Rodeio Crioulo Internacional, em sua 19ª edição. Segundo o secretário municipal de Turismo, Adriano Pacheco, cerca de 40 mil pessoas devem circular na cidade, atraídas pelas competições, pelos bailes e shows, além da estrutura de apoio, como praça de alimentação e 50 estandes comerciais, espalhados pelos 16 hectares de área utilizável do Parque de Eventos Municipal.
"O rodeio vem em uma crescente. Antes da pandemia, não atingia 250 duplas, por exemplo. Na edição passada, foram 429 duplas. Estamos trabalhando para atingir a sua autossuficiência. Antes de a gente assumir aqui, o rodeio arrecadava em torno de R$ 30 mil. Ano passado, foram quase R$ 118 mil", afirma o secretário.
Conforme Pacheco, o rodeio é pioneiro na informatização de ponta a ponta. Planilhas de papel foram eliminadas, e uma plataforma online conecta em tempo real desde a secretaria até narradores e juízes. Para Q edição deste ano, a prefeitura reservou um orçamento de R$ 1,3 milhão - R$ 100 mil a mais do que em 2025. Há oportunidades de trabalho até 20 dias antes do evento, começando pela montagem da estrutura e depois envolvendo os serviços oferecidos no parque. Em torno de 80% dos visitantes chegam a bordo de motorhomes.
Com a experiência de quem trabalhou na Secretaria de Agricultura do Estado e foi vice-presidente do MTG, o secretário de Turismo de Imbé afirma que o Litoral gaúcho virou destino forte para quem aprecia o tradicionalismo porque um calendário sem conflito de datas foi estabelecido há pelo menos três anos. Desde então a agenda só se fortalece em qualidade.
Um dos mais concorridos é o Rodeio Crioulo de Xangri-lá, cuja 13ª edição foi realizada de 25 a 29 de março e distribuiu R$ 220 mil em prêmios na Campeira com recorde de público, conforme a organização. A Campeira teve 600 duplas inscritas em apenas dois minutos. O evento é uma realização da prefeitura, com a coordenação do GTC 20 de Setembro. Pela segunda vez, também foi internacional, com a participação de argentinos e uruguaios. "Nosso rodeio é muito conhecido dentro e fora do Estado, com inscrições do Paraná, do Mato Grosso e de Santa Catarina", comenta o coordenador, Sérgio Norato. Ele afirma que é o maior do sul do país, perdendo, eventualmente, para Vacaria, em número de inscrições. A área comercial teve 300 interessados, disputando 90 estandes, onde o visitante encontra todo o tipo de produto e serviço. "O que eu não consegui colocar ainda foi salão de beleza, caso a pessoa queira se maquiar para ir ao baile, porque tem baile toda noite", diz.
Capão da Canoa também teve vez, de 8 a 12 de abril, com o seu 27º Rodeio Crioulo - pela 16ª vez também internacional. A realização é do CTG João Sobrinho, com apoio institucional da prefeitura. A cota limite de inscrições foi atingida ainda no início de março. Pela primeira vez, em paralelo, ocorreu o Festival Internacional de Danças Folclóricas e Tradicionais de Capão da Canoa, reunindo grupos e companhias de dança do Chile, México, Paraguai e Uruguai.
 

Próximos eventos tradicionalistas no Litoral Norte

  • 23 a 26 abril
34º Rodeio Crioulo Nacional de Arroio do Sal, no CTG Rincão de Estância
Principais atrações: Jonathan Pacheco e Quarteto Coração de Potro (quinta), Estação Fandangueira (sexta), Tchê Barbaridade + Gabriel Expresso (sábado)
  • 6 a 10  de maio
19º Rodeio Crioulo Internacional de Imbé, no Parque de Eventos
Principais atrações: Grupo Cincerro e Gabriel do Expresso, na quarta; Quarteto Fronteira e JJSV na quinta; George Henrique & Rodrigo e Bailaço, na sexta; César Oliveira & Rogerio Melo, além de Estação Fandangueira no sábado.
  • 22 a 31 de maio
41º Rodeio Crioulo Internacional de Osório, no Parque de Rodeios Jorge Dariva
  • 8 e 11 de outubro
3ª Festa Campeira da Capital das Praias, em Tramandaí
O destaque da programação é o 2º Duelo de Prendas – Rainha da Capital das Praias.

Fé impulsiona eventos nas praias gaúchas

Santuário de Santa Rita, em Balneário Pinhal, é considerado patrimônio histórico-cultural do Estado

Santuário de Santa Rita, em Balneário Pinhal, é considerado patrimônio histórico-cultural do Estado

Prefeitura Municipal de Balneário Pinhal/Divulgação/JC
A fé e a devoção motivam um tipo de visitante ou turista recorrente bastante fiel, que não depende de tendências ou modismos. Iniciativas no Litoral Norte contemplam esse movimento, que se destaca especialmente entre os viajantes com 60 anos ou mais.
Uma pesquisa do Ministério do Turismo em parceria com a Nexus, divulgada no final do ano passado, aponta que os brasileiros desta faixa etária são os que mais se interessam pelo turismo religioso e espiritual no Brasil. Enquanto a média nacional de interesse por essa modalidade é de 20%, o índice entre brasileiros da terceira idade sobe para 30%, a maior taxa entre todas as faixas etárias analisadas. O turismo religioso ocupa o segundo lugar na preferência dos viajantes 60 , ficando atrás apenas dos destinos de sol e praia (34%). Em seguida vêm o turismo cultural/histórico (22%) e o turismo de bem-estar (14%).
As encenações da Via-Sacra são ponto alto de muitas feiras organizadas pelas prefeituras no feriado de Páscoa, como a Chocomel em Balneário Pinhal, um dos eventos mais tradicionais do calendário cultural da cidade. Os atores da encenação são integrantes/participantes do Centro do Idoso.
No mês que vem, as atrações na cidade se voltam para Santa Rita de Cássia, considerada padroeira dos apicultores e que tem um santuário a céu aberto no município. Uma estátua da santa se ergue no meio de um lago, cercado por grandes árvores. Estão previstas missas e a 2ª Peregrinação em Louvor a Santa Rita, quando os fiéis saem da Igreja Matriz e se dirigem ao santuário.
Inserido no famoso Túnel Verde de Balneário Pinhal, um corredor de eucaliptos de cerca de 3,5 km na ERS-040, considerado patrimônio histórico-cultural do Estado, o recanto de Santa Rita passou recentemente por melhorias: as churrasqueiras foram restauradas, os banheiros reformados e a estátua recebeu uma nova pintura. Então, também pode ser aproveitado de forma mais descontraída.
Eventos não religiosos na sua essência que incluem shows também vêm se beneficiando desse tipo de interesse espiritual, de forma indireta. Nas programações, lá estão nomes de cantores com temática cristã, como a noite gospel prevista na Festa do Pescador de Arroio do Sal e os artistas cogitados para o Festival Internacional de Balonismo, em Torres. Segundo o secretário de Turismo, Gabriel de Mello, só esses nomes garantem de 5 mil a 6 mil pessoas no evento, "sem grandes forças". A próxima Capão Fest também prevê uma noite de música gospel.
Em Imbé, a terceira edição da Marcha para Jesus está prevista para setembro. Segundo representantes da Associação dos Pastores Evangélicos de Imbé (APEIM), trata-se de um dos principais momentos de expressão de fé do calendário cristão no município. De acordo com o secretário de Turismo de Imbé, o Congresso da Assembleia de Deus, em outubro, também atrai público para a cidade.
Dados do governo federal dão conta de que o turismo religioso é responsável por 8,1 milhões de viagens domésticas anuais, número que chega a 18 milhões se forem incluídos excursionistas (que não pernoitam nos destinos visitados). A atividade movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano.
 

Festival de Inverno e 'aquece' de verão lideram agenda em Capão da Canoa

Com eventos como o Festival de Inverno e a Capão Fest, a cidade dá um passo em direção a um turismo mais sustentável e diversificado

Com eventos como o Festival de Inverno e a Capão Fest, a cidade dá um passo em direção a um turismo mais sustentável e diversificado

PMCC/Divulgação/JC
As opções turísticas de Capão da Canoa fora da temporada de verão têm como principais eixos o Festival de Inverno, de 20 de junho a 20 de agosto, e a Capão Fest, em outubro, para funcionar como um “esquenta” da alta temporada. “A Capão Fest com certeza vai ser o nosso maior evento”, afirma o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Rodrigo de Souza Estevam. Até lá, a cidade tem alternativas confirmadas para atrair visitantes.
Com atletas do Paraguai, Uruguai, Colômbia, Argentina, Chile e Brasil, o 11º Open Mundial de Patinação Artística JGB ocorrerá de 10 a 14 de junho. Ano passado, o Ginásio Otto Birlem recebeu mais de 1 mil competidores na 10ª edição. Outra iniciativa, que atrai atletas amadores, é a Maratona de Capão de Canoa, cuja segunda edição está marcada para 2 de agosto, conectando o Parque Náutico e a Beira-Mar.
Um dos principais destaques do Festival de Inverno – que, de acordo com o secretário, deverá ter opções todos os finais de semana durante dois meses – envolve chope e cervejas artesanais. As duas bebidas já foram atração principal de um evento, em julho do ano passado: o 1º Festival da Cerveja e do Chope Artesanal reuniu cervejarias artesanais do município e região por três dias na Praça Dr. José Agostinelli, com shows, feira e praça de alimentação.
Resultado de um redesenho de modelo capitaneado pela secretaria, o conjunto de atrações para o ano foi pensado mais a longo prazo. De acordo com Estevam, cuja nomeação foi oficializada no início de março, a secretaria está trocando volume por qualidade, buscando eventos mais estruturados e com maior retorno. A antecedência e a maior riqueza no planejamento da secretaria, que envolve 2027, buscam ganhar eficiência e, principalmente, atrair financiamento externo.
“Para eu poder captar recursos, eu preciso de um projeto de turismo de Capão da Canoa. Porque, com planilha, projeção de gasto, de público, de pré e pós, é possível captar recursos. O calendário tem como objetivo trazer respaldo financeiro para a secretaria. A gente coloca menos eventos, mas com mais força em cada um”, explica. A previsão de orçamento para pôr em prática os novos planos é de no mínimo R$ 5 milhões.
A estratégia aposta em ações tradicionais de promoção, como materiais institucionais e presença em eventos. “Queremos fazer turismo de uma forma bem objetiva e tradicional. É a gente fazer o básico, com capricho, atenção e estratégia. Eu acredito que o básico bem feito é melhor do que o perfeito não feito”, comenta o secretário. Um folder promocional contendo um QR Code com a integralidade das atrações, que está previsto para chegar aos hotéis, é citado como um exemplo pelo secretário.
Estevam afirma que a forma final do calendário recebeu o olhar de outras secretarias ligadas à organização e logística, além de representantes de diferentes ramos empreendedores da cidade. A intenção foi ouvir as demandas, especialmente da baixa temporada, e alinhar os interesses.
A maior aposta – com orçamento previsto de R$ 3 milhões – é a Capão Fest, como principal evento de pré-temporada, reunindo gastronomia e entretenimento. A programação, conectando o centro da cidade à orla, prevê: - shows, - festival de sorvete e de crepe, com tentativa de quebra de recorde (o maior crepe do mundo), - circuito gaúcho de churrasco, - uma noite com música gospel.
“Queremos envolver o nosso comércio. As ruas serão decoradas e um pórtico indicará a rota dos sabores”, explica o secretário. A organização estuda a oferta de produtos a preços acessíveis, buscando ampliar o acesso do público. “Para o ano que vem, queremos trazer Gusttavo Lima. Este ano, a gente queria Ana Castela, só que a Festa Nacional do Peixe, em Tramandaí, conseguiu antes”, ilustra Estevam, como exemplo do esforço com que a secretaria está comprometida.
O anúncio oficial do calendário de eventos 2026 ocorreria neste último domingo, dia 12, no fechamento do 16º Rodeio Internacional e 27º Rodeio Crioulo, que também marcaria as comemorações pelos 44 anos de Capão da Canoa. Esta edição foi fechada antes das festividades.

Festa do Pescador terá cinco dias de shows em Arroio do Sal

Com programação diversificada, o evento é o maior destaque econômico do município

Com programação diversificada, o evento é o maior destaque econômico do município

Thayson Machado/Divulgação/JC
Mais encorpada, a 24ª Festa do Pescador de Arroio do Sal será realizada de 29 de julho a 2 de agosto, no Parque Municipal de Eventos, em revitalização desde o ano passado. O ponto alto da programação são os shows, com diversidade de estilos. "Resguardadas as proporções, realizamos aqui uma espécie de Planeta Atlântida", compara Luciano Costa, secretário de Turismo, Esporte, Cultura e Juventude. A entrada é gratuita no parque. O evento é o de maior peso econômico para o município.
Estão previstos cinco dias de música, com gospel na quarta-feira, tradicionalista na quinta, pop rock, pagode e sertanejo na sexta e no sábado, além do bailão no domingo. Um humorista sobe ao palco nas últimas horas do evento. "A Festa do Pescador é pensada para ser um evento de experiência", define o secretário. Com um orçamento previsto de R$ 1 milhão, a projeção é de 35 mil pessoas circulando pelo parque. A secretaria se movimenta para conquistar apoios financeiros junto a empresas, como no ano passado, quando a Porto Meridional Participações S/A, responsável pelo projeto de construção de um porto na cidade, e a Corsan & Aegea contribuíram, conforme Costa. "A gente busca alguns apoios para que se consiga dar um incremento ou até mesmo sobrar um pouco desse orçamento para aplicar em outras coisas na cidade", explica. A data foi definida levando em conta o período de férias escolares.
Festa do Pescador foi criada com esse nome em função da cultura local. É mais uma homenagem, com fomento de renda, e não uma vitrine da produção, já que o nível é bem artesanal. O pescado vem de fora, com destaque para a tainha assada. A associação de pescadores (APAS) recebe um aporte da prefeitura para a aquisição da quantidade necessária para a festa. "São milhares de pratos servidos aqui, algo em torno de 5 mil nos cinco dias", afirma o secretário.
A edição deste ano mais do que dobrou o número de estandes comerciais, de 40 para cem. Os empreendedores locais têm prioridade: eles têm desconto de 50% na aquisição dos espaços. Fechando o prazo, abre-se a oportunidade para comerciantes de fora do município. A programação deve envolver múltiplas atividades, envolvendo outras pastas, como as secretarias da Agricultura e da Cidadania. Pela terceira vez, a organização promove ainda um evento esportivo: é o Pedal da Festa do Pescador, no domingo (2 de agosto), com largada às 8h30min para um trajeto de 30 quilômetros.
Desde o ano passado, a Feira do Livro da cidade também recebe atenção especial: ampliou de duas pirâmides de 10m x 10m para um grande pavilhão no centro, com duração de cinco dias e a presença de autores de peso regional. A prefeitura buscou recursos na Lei de Incentivo à Cultura. Em 2026, o evento será em outubro.

24ª Festa do Pescador de Arroio do Sal

  • De 29 de julho a 2 de agosto
  • Atrações confirmadas: Galpão das Patroas, ⁠Acústicos & Valvulados, ⁠Grupo Chocolate, ⁠DJ Cabeção, ⁠Tributo a Tim Maia, ⁠Falamansa, ⁠DJ Capu, ⁠Barbarella e ⁠Paulinho Mixaria

Torres aposta em atrações para toda a família

Cidade busca se consolidar como destino de turismo durante o ano todo, com ao menos dois eventos mensais, conquistando cada vez mais público

Cidade busca se consolidar como destino de turismo durante o ano todo, com ao menos dois eventos mensais, conquistando cada vez mais público

@vempratorres/JC
Para além do céu colorido pelo balonismo, a Secretaria de Turismo de Torres trabalha para consolidar um plano contínuo de eventos que projete a cidade o ano inteiro. O calendário completo será apresentado no palco do Festival Internacional de Balonismo, que começa no final do mês, mas já movimenta a cidade.
"É uma agenda com uma média de dois eventos mensais, entre esportivos e culturais, chegando, tranquilamente, a mais de 30 opções", afirma o secretário da pasta, Gabriel de Mello.
Ainda que a projeção de público para o festival deste ano seja menor do que o total recebido no ano passado - 250 mil ante 350 mil -, Mello tem a expectativa de um maior impacto econômico do evento para a cidade. A lógica da programação é transformar cada visitante em alguém que vivencie a cidade. Com investimento mantido na casa dos R$ 5 milhões, a aposta não está focada somente na bilheteria, mas na fidelização ao destino e no consumo de produtos e serviços.
A prioridade são atrações com apelo familiar, capazes de estimular permanência e os efeitos em diferentes setores, da gastronomia ao artesanato. A partir do próximo ano, a prefeitura espera mensurar com mais precisão quanto o festival e o novo calendário de eventos movimentarão a economia local. Em 2025, o evento de caráter internacional teve uma receita direta de R$ 1,5 milhão. A prefeitura estima que o retorno chegou à casa dos R$ 50 milhões, afirma Mello, considerando 10 dias antes e até 5 dias depois do evento. A movimentação no parque, com organização e montagem, começa cerca de um mês antes. Por conta dessa antecipação, o ano passado identificou mais de mil empregos diretos.
A importância do festival para a cidade fica clara no efeito sobre o artesanato, por exemplo. A Casa da Terra, um espaço dedicado à produção de artesãos locais, no centro de Torres, vendeu quase R$ 16 mil em apenas quatro dias de evento no ano passado - muito próximo de um mês inteiro da alta temporada daquele ano (R$ 23,6 mil, em janeiro). O festival é muito esperado pelos artesãos também porque há espaço para eles no parque - uma participação que vem crescendo a cada ano, via edital, como resultado de incentivo e fomento ao trabalho dos artesãos, observa Sâmera Elias, diretora de trabalho e qualificação profissional da Secretaria de Indústria e Comércio e responsável pela Casa da Terra: "Estamos sempre buscando a valorização e oportunidade para estes empreendedores". Para este ano, são 34 estandes, além da área reservada à própria Casa da Terra, com os seus 18 artesãos - o grupo faturou no parque em torno de R$ 61 mil na edição 2023 do festival. "Em 2025, tivemos um problema no sistema e perdemos alguns dados, mas possivelmente foi nessa média", afirma a diretora.
Um dos itens de maior sucesso em vendas são as réplicas de balões, trabalho de Vanessa Santos. A artesã está em alta produção, em função do festival: fará 300 réplicas no tamanho pequeno e em torno de 60 dos maiores.
O fluxo provocado pelo evento impulsiona a hotelaria. "O meu hotel praticamente já está lotado para o evento. Todos os hotéis se beneficiam. O festival causa um fluxo muito bom para todos os hotéis e restaurantes", comentou, em meados de março, Ivone Ferraz, CEO do Ficare Hotéis e presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral Norte. De acordo com a Secretaria de Turismo, os 10 mil leitos da cidade ficam ocupados no período. "A gente observa restaurantes abrindo pela manhã e fechando só na madrugada", destaca o titular da pasta. Além disso, o prestígio do festival fomenta o mercado imobiliário. Segundo o secretário, a procura sempre aumenta e a média de valores sobe.
De acordo com dados da AirDNA, no ano passado, os aluguéis de curto prazo na cidade tiveram um pico de demanda por hospedagem, especialmente em 3 de maio (760 locações ativas) - o festival ocorreu de 1º a 4 de maio. A AirDNA é uma empresa de dados que analisa o mercado de aluguel de curta duração, com base em plataformas como Airbnb e Vrbo. "Observando as datas do festival, as reservas atuais estão à frente das de 2025. A sexta-feira, 1º de maio, atualmente tem o maior número de reservas, estando 11,1% à frente da mesma sexta-feira em 2025", comenta Bram Gallagher, diretor de economia da AirDNA, em entrevista por email em meados de março. "Observo também que, nesta mesma época do ano passado, apenas cerca de um quarto das reservas finais haviam sido feitas para as datas do festival, então ainda estamos nos estágios iniciais", acrescenta ele.
Na edição passada, o festival somou cem balões e cerca de outros 10 que têm alguma forma específica, como personagens ou objetos. Segundo a organização, para cada um tem um piloto e cerca de outras quatro pessoas formando a equipe. "Então, de 100 balões, você arranca em 500 pessoas envolvidas diretamente só com balão, sem falar na arbitragem técnica e nos organizadores", calcula Mello.
Ainda que o festival represente o pico da programação de eventos turísticos da cidade, a intenção do poder público é manter constância em todo o resto do ano e assumir, cada vez mais, uma identidade própria. "Uma das estratégias é potencializar o turismo de endorfina", anuncia o secretário, que projeta a oferta de atividades físicas todos os finais de semana. O próprio parque que sedia o festival internacional deve receber, no segundo semestre, etapas do Campeonato Nacional de Handebol, além de competições de balonismo a nível estadual e municipal. Torres também será sede do Campeonato Nacional de Pesca Esportiva.

36º Festival Internacional de Balonismo de Torres

  • De 30 de abril a 3 de maio
  • Parque Odilo Webber Rodrigues
  • Está mantida a mistura de esporte, cultura e entretenimento.Estão previstos sete shows (três a mais que na edição anterior). O principal nome é Xande de Pilares. Outros nomes são Armandinho, Lagun e Grupo Traia Véia.
  • A noite gospel inclui nomes como Thalles Roberto e Gerson Rufino.
  • A feira comercial conta com 44 estandes.
  • A área kids foi ampliada. A organização prevê ainda um planetário.
  • Loraine Luz é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), atua como freelancer desde 2007, depois de 12 anos de experiência em redação de jornal impresso. 

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