quarta-feira, 7 de agosto de 2024



07 de Agosto de 2024
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Política e poder

Debate expõe pontos fracos de candidatos

Por quase duas horas, Felipe Camozzato (Novo), Juliana Brizola (PDT), Maria do Rosário (PT) e Sebastião Melo (MDB) tiveram a oportunidade de mostrar aos eleitores de Porto Alegre por que merecem um voto de confiança, mas não aprofundaram as propostas. Perderam uma oportunidade singular no debate da Rádio Gaúcha, o primeiro depois das convenções.

Melo, por ser prefeito na maior crise da história de Porto Alegre, a enchente de maio, foi menos cobrado do que poderia e pode comemorar a falta de objetividade de Juliana, que veio mais agressiva, mas se perdeu na formulação das questões.

Maria do Rosário vinha bem, falando dos problemas reais da cidade e de seu plano de ação, sem gritar, quando uma pergunta de Camozzato a desconcertou. Apesar de a eleição não ser sobre a prefeitura de Caracas, Camozatto questionou a deputada sobre a situação da Venezuela, lembrando que o PT divulgou nota saudando a vitória de Nicolás Maduro, que está sendo contestada por suspeita de fraude.

Aliás

Quem assistiu percebeu que, no espaço do debate propriamente dito, se formaram duas duplas óbvias: de um lado Maria do Rosário e Juliana Brizola, do outro Sebastião Melo e Felipe Camozzato. Isso não é incomum nos confrontos políticos, mas costuma ocorrer com candidatos que, sabendo não ter chance de chegar ao segundo turno, aceitam servir de escada para um concorrente. Não é o caso de Juliana e Camozzato, que querem ser protagonistas.

É inevitável que a enchente e as falhas no sistema de proteção às cheias sejam o tema central da campanha em Porto Alegre. Os candidatos precisam olhar para a frente e dizer o que farão para evitar que o alagamento se repita.

Eles gostaram, mas queriam ouvir propostas concretas

Nove eleitores assistiram ao debate no estúdio, como convidados. São eles: Rosaura Cavalcheiro, Maria Elcira Peretto, Heleno Garay, Francisco Fuchs, Juliana Corrêa Pérez, Josué da Silva, Rosiane Pontes, Dênis Rosa de Oliveira e Leici Machado Reichert.

De um modo geral, avaliaram a experiência como positiva, mas sentiram falta de propostas concretas e lamentaram o jogo de empurra dos candidatos em relação ao sistema de proteção às cheias e as respostas evasivas sobre temas como transporte coletivo. _

Presidente da Assembleia se afasta por três dias

O deputado Adolfo Brito tirou nova licença médica ontem e ficará afastado da presidência da Assembleia Legislativa até quinta-feira.

Brito será submetido hoje a uma angioplastia. Ontem, Brito enviou comunicado pelo WhatsApp aos colegas e servidores da Casa informando da necessidade do procedimento, que será feito pelo médico Fernando Lucchese, no Hospital São Francisco, referência cardiológica no Brasil.

"Passando para informar que deu uma ?zebrinha?. Estou com um dos stents de uma coronária entupido. Vou precisar fazer angioplastia e será nesta quarta feira, pela manhã. Estamos confiantes e, se Deus quiser, vai dar tudo certo", diz a mensagem. _

Complexo de vira-lata

Felipe Camozzato cometeu mais do que uma gafe ao dizer que o problema do sistema de proteção às cheias em Porto Alegre é que "foi projetado por alemães, mas executado à brasileira". Como se os engenheiros e operários brasileiros fossem incapazes de executar uma obra de qualidade.

O comentário também revelou desinformação: o sistema de proteção às cheias foi bem projetado e bem executado, mas faltou manutenção e fiscalização para evitar ocupação indevida dos diques. _

Telhado de vidro

Pelo menos nesse primeiro debate, Maria do Rosário evitou questionar Melo sobre as denúncias de corrupção no Dmae e na Secretaria Municipal de Educação. Ao que tudo indica foi o medo de o prefeito reagir falando em mensalão e petrolão, dois temas indigestos para a candidata do PT.

A deputada mostrou-se bem mais comedida do que em outras campanhas - inclusive no tom de voz. _

Extrema- esquerda?

Das voltas que o mundo dá: oito anos depois de ter sido candidato a prefeito tendo Juliana Brizola (PDT) como vice, Sebastião Melo coloca na agora adversária o carimbo de "extrema-esquerda".

Juliana está onde sempre esteve - no trabalhismo que vem lá de Getulio Vargas. Melo é que deu uma guinada para a direita ao se aproximar de Jair Bolsonaro e apoiar o candidato do PL, Onyx Lorenzoni, na eleição de 2022, sendo Gabriel Souza (MDB) o vice de Eduardo Leite (PSDB). _

mirante

No debate da Gaúcha, faltaram assuntos relevantes que devem ser aprofundados nas entrevistas. Entre eles, segurança, saúde, com foco nas consultas especializadas e cirurgias, zeladoria, coleta e tratamento de lixo.

Nelson Marchezan não resistiu e acompanhou o debate da Gaúcha. Sabia que seria citado e quis conferir.

Só Felipe Camozzato disse com clareza que vai fazer PPP para o saneamento.

POLÍTICA E PODER


07 de Agosto de 2024
INFORME - Rodrigo Lopes

Eleitor rejeita bate-boca e exige novas ideias e profundidade

Foi um aquece! O primeiro debate na Rádio Gaúcha e GZH com os pré-candidatos à prefeitura de Porto Alegre foi uma oportunidade para o eleitor tomar conhecimento sobre quem são e o que pensam aqueles que irão disputar o seu voto em outubro. Mas tudo está muito no começo e, por isso, os pré-candidatos ainda estão sentindo o ambiente, se testando e examinando os adversários.

O tema da enchente foi predominante na primeira parte do encontro de duas horas na manhã de ontem, seguindo uma lógica de Maria do Rosário (PT) e Juliana Brizola (PDT) atacando juntas a atual gestão em razão das falhas no sistema de proteção de Porto Alegre, Felipe Camozzato (Novo) evitando críticas mais fortes à administração atual e o prefeito Sebastião Melo (MDB) defendendo as ações do Executivo durante a tragédia.

A polêmica sobre se o Muro da Mauá resistiu ou não, cobranças sobre as casas de bombas e a altura dos diques dominaram a ponto de o tema transbordar para o segundo bloco.

Como tática, ficou clara a dobradinha entre os dois candidatos mais à esquerda, Maria do Rosário e Juliana, e os dois mais à direita, Melo e Camozzato, a ponto de concordarem entre si - e se escolherem mutuamente para responder a perguntas na hora do frente a frente.

O tema da enchente deixou pouco espaço para outros assuntos relevantes do dia a dia da cidade, como educação e saúde.

No terceiro bloco, a participação de moradores de Porto Alegre fazendo perguntas trouxe a público os desafios no sistema de transporte público: a qualidade dos ônibus, a privatização da Carris, o preço da passagem e a integração com a Região Metropolitana. Tudo muito "en passant".

Uma das características do formato de debate é a presença de plateia no estúdio. Nos bastidores, era possível perceber duas sensações:

1) Rejeição ao bate-boca, que apareceu no primeiro bloco. O eleitor está cansado de trocas de agressões entre os candidatos.

2) Cobranças por novas ideias e mais profundidade.

Fica o recado para os próximos confrontos entre os postulantes... _

Por que Kamala escolheu Tim Walz

Walz é ex-membro da Guarda Nacional, ponto relevante para os americanos, pelo histórico militar.

Considerado um "democrata moderado" por aliados, vem do meio rural, espaço que o Partido Republicano tem maior aderência. Joe Biden tem pouco contato com esse grupo, e o Partido Democrata vê oportunidade.

Alguns analistas apontam que Walz tem forte ligação com a classe média trabalhadora branca, espaço com o qual Biden também não tem proximidade. Ainda nesse grupo, ele é descrito como um "vovô do meio-oeste" e foi técnico de futebol americano.

Walz é presidente da Associação Nacional de Governadores Democratas e visto como um "político progressista", com pautas voltadas para o direito das mulheres e alinhado com o discurso de Kamala.

A expectativa era de um vice dos "swing states", os chamados "pêndulos". Minnesota é historicamente democrata, porém acredita-se que os republicanos estariam tentando conquistar o local e esse seria outro motivo para a escolha. Minnesota também está ao lado de Wisconsin e Michigan, que, estes sim, são "pêndulos". _

Uma proposta para lidar com as cheias

Trata-se de do engenheiro civil Carlos Tucci, pós-doutor em recursos hídricos pela Colorado State University, que atuou como professor titular do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS. É um dos membros do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Plano Rio Grande, instalado pelo Estado.

Ele é proprietário da Rhama Analysis, empresa de consultoria nas áreas de engenharia e ambiente.

Após o debate, a coluna apurou que o acerto entre prefeitura e a empresa está encaminhado, mas o contrato ainda não foi assinado. O Dmae disse que não poderia dar detalhes sobre valores e especificações do trabalho a ser feito até a assinatura.

Tucci tem relações com o grupo de holandeses que esteve no RS em junho para analisar o sistema de proteção contra enchentes no Estado.

A coluna conversou com Tucci em junho sobre a chuva no RS. _

Veja alguns pontos

INFORME

terça-feira, 6 de agosto de 2024


06 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

A felicidade dos brasileiros

Em qualquer parte da nação, houve gritaria, houve explosão de fogos de artifício, houve urros de felicidade. Assim como Guga fez com o tênis e Ayrton Senna fez com o automobilismo, Rebeca Andrade transformou a ginástica artística em esporte nacional. Todo brasileiro aprendeu as regras, entendeu como funciona a pontuação, para torcer melhor.

Se o collant da genial Simone Biles é bordado com 5 mil cristais Swarovski, o collant despojado e azul de Rebeca entrou no centro da nossa bandeira e atraiu estrelas.

Segundo Biles - lenda estadunidense com 11 medalhas olímpicas, sendo sete de ouro -, a atleta brasileira exigiu dela mais do que qualquer outra adversária ao longo de sua carreira. Chegou a brincar que ela estava dando cansaço. O duelo mexeu com os deuses gregos.

Agora o busto de Rebeca será eternizado em mármore na nossa história. Jamais esqueceremos o seu olhar gráfico, delineado em dois tons: um dourado com glitter, aplicado no canto externo e acima da pálpebra móvel, e um preto no estilo "gatinho", que segue para o canto interno.

Seus olhos são fulgores de concentração. Pedras eternas. As mais brilhantes. As mais carismáticas. Ela conquistou o ouro na final do solo na manhã de ontem, na Bercy Arena, em Paris, e hoje é a nossa maior medalhista de todos os tempos, ultrapassando os cinco pódios dos velejadores Robert Scheidt e Torben Grael.

Foi a quarta medalha da ginasta nas Olimpíadas 2024 e a sexta em sua trajetória. Só ela nos trouxe um ouro, duas pratas e um bronze na edição francesa dos Jogos, carregando o Brasil nas costas. Caso Rebeca Andrade fosse um país, ela estaria na 27ª colocação no quadro geral de medalhas, ao lado da Geórgia, logo atrás da Espanha e na frente da Suíça e da África do Sul.

Nem o roubo que a tirou do pódio da trave de equilíbrio, deixando-a em quarto lugar após realizar uma série sem nenhum erro, ofuscou a sua jornada. Na mesma manhã, deu o troco. Vingou-se com a perfeição.

A redenção veio com cravadas ao fim de cada acrobacia de uma apresentação graciosa e inventiva. Alcançou prodigiosos 14.166 pontos (precisou pôr os óculos para acompanhar a contagem) e talvez tenha que repensar o seu canto de cisne. Pois a ginasta confessou, nos últimos dias, que poderia abandonar o solo, alegando que cobra muito esforço de suas combalidas pernas.

Certamente não imaginava que se tornaria a nova campeã olímpica da modalidade, fundindo os nossos funks Movimento da Sanfoninha, de Anitta, e Baile de Favela, de MC João, com End of Time, de Beyoncé.

É a letra de Beyoncé que traduz o que estamos sentindo por ela: "I will love you so deeply" (eu te amarei tão profundamente). Enquanto sua mãe, dona Rosa, nas arquibancadas, migrava seu suor em lágrimas, reprisando os sacrifícios feitos na vida - como empregada doméstica em Guarulhos (SP), sustentou sozinha uma casa com oito crianças -, Rebeca convertia três cirurgias de ligamento no joelho em motivação e planava no ar.

Ninguém é capaz de supor, pelos seus voos e piruetas corajosos, o quanto sofreu para firmar os pés no chão novamente. Rebeca não demonstra nervosismo, tensão, medo. É tão simpática, tão sorridente que nem parece que está competindo em alta performance. Parece que ela está dançando para o mundo. _

CARPINEJAR

06 de Agosto de 2024
EMOÇÕES FINAIS

EMOÇÕES FINAIS

Emoções finais - Renascer

O que esperar do último mês da novela

Refilmagem da trama de Benedito Ruy Barbosa está prevista para chegar ao fim em 6 de setembro, com reprise no dia seguinte. Reta final deve trazer novidades em relação à história original, como a inserção de nova personagem, romances inesperados e um alento nos desfechos trágicos

Camila Bengo

Mais de seis meses se passaram desde que vimos José Inocêncio, então vivido por Humberto Carrão, ter a pele arrancada pelos jagunços do Coronel Firmino (Enrique Diaz) no primeiro capítulo da nova versão de Renascer. Hoje, o remake entra em seu último mês de exibição, com previsão para terminar em 6 de setembro (e reprise no dia 7).

Escrita por Benedito Ruy Barbosa, Renascer foi exibida pela primeira vez em 1993. Em 2024, a trama ganhou uma repaginada assinada pelo neto dele, Bruno Luperi, responsável também pela bem-sucedida regravação de Pantanal (2022).

Apesar de manter-se alinhada ao âmago do roteiro original, Renascer passou por inovações e mudanças bastante significativas. Confira, a seguir, o que se pode esperar nesta reta final.

Desfecho de José Inocêncio

Após romper de vez com Mariana (Theresa Fonseca), José Inocêncio (Marcos Palmeira) engatou um romance com Aurora (Malu Mader). O desfecho do casal ainda é incerto, mas há indícios de que a relação possa ser mais duradoura do que foi na primeira versão.

Na trama original, o fazendeiro rejeitava a ideia de ter algo mais sério com Aurora. Agora, José Inocêncio está disposto a se entregar ao relacionamento, o que indica que os dois podem, sim, acabar juntos. Se isso acontecer, significa que Mariana não conseguirá retornar ao convívio com Inocêncio - diferentemente do que ocorreu na versão original.

Entretanto, o desfecho principal do personagem não deve ser alterado: José Inocêncio morre no último capítulo da trama, após pedir desculpas e declarar o seu amor a João Pedro (Juan Paiva), o filho que sempre rejeitou. No plano celestial, ele finalmente reencontra Maria Santa (Duda Santos), o grande amor de sua vida.

João Pedro reencontra Sandra

O mais provável é que o caçula dos Inocêncio tenha o mesmo fim da versão original. Assim, João Pedro ficará com Sandra (Giullia Buscacio), mas terá um caminho difícil até o final feliz. Nos capítulos recentes, Sandra não quer enxergar o ex-marido nem pintado de ouro, enquanto ele se vê cada vez mais apaixonado por ela.

Já Mariana deve ter um raro momento de bom senso e parar de insistir em um romance com o jovem. O esperado é que, assim como ocorre anteriormente, ela vá embora da região após a morte de José Inocêncio.

Final feliz para Tião Galinha

Tião Galinha (Irandhir Santos) terá um final bem melhor do que visto em 1993, em que comete suicídio após ser preso por um crime que não cometeu. Nesta refilmagem, Tião já foi preso uma vez e, em breve, vai parar atrás das grades novamente. Mas ele conseguirá se livrar das injustiças sofridas e conquistará o tão sonhado pedaço de terra. Resta saber se isso será suficiente para salvar o casamento com sua amada Joaninha (Alice Carvalho).

Na primeira versão da novela, com a morte de Tião, Joana engata um romance com o padre Lívio, personagem de Breno da Matta na refilmagem, que abandona a batina para segui-la. No entanto, há grandes chances de que o final dela seja ao lado de Zinha (Samantha Jones) - que, na versão passada, era Zinho. Isso romperia com a história original, mas agradaria uma ala dos espectadores que torce para que a filha de Jupará (Evaldo Macarrão) consiga encontrar o amor.

Nova personagem

Se não ficar com Joana, Zinha pode acabar com Lilith (Lucy Alves). Trata-se de uma nova personagem, que deve chegar à trama na próxima semana. Ela, que é sanfoneira e usa o nome artístico de Jacutinga, será descoberta por Rachid (Almir Sater) e Norberto (Matheus Nachtergaele). Lilith vai mexer com os sentimentos de várias pessoas ao chegar à vila, incluindo Zinha.

Um romance entre as duas faria sentido, pois, na versão original, Zinho ficou com uma personagem que também surgiu na reta final. No entanto, muita coisa pode acontecer. Bruno Luperi já mostrou que não fica restrito ao roteiro original e, certamente, fará de tudo para fisgar os espectadores neste último mês. _


EDITORIAL - Atenção à cota de gênero

Atento a uma irregularidade recorrente no país, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) promete dar atenção especial neste ano às fraudes nas cotas de gênero. Será uma das prioridades, ao lado do combate às fake news. Trata-se de uma iniciativa meritória, voltada a assegurar o respeito à norma criada para incentivar uma maior participação feminina nas Casas Legislativas. As mulheres são 51,5% da população brasileira, conforme dados do Censo Demográfico de 2022. Mas, no último pleito municipal, em 2020, conquistaram apenas 16% das vagas nas Câmaras de Vereadores, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há muito a avançar em termos de representatividade.

A legislação prevê que pelo menos 30% das candidaturas lançadas por partidos, coligações e federações nas disputas proporcionais devem ser femininas. Tem se verificado no entanto que, para cumprir formalmente a exigência, em alguns locais e ocasiões, siglas têm registrado candidatas mulheres que na prática são postulantes fictícias. Sequer fazem campanha e acabam com votação ínfima .

Para enfrentar este problema no Estado, o TRE-RS instaurou no início do mês passado, de forma pioneira no país, o Comitê de Enfrentamento à Fraude à Cota de Gênero. A intenção é assegurar uma participação feminina efetiva na eleição municipal deste ano, impedindo que mulheres sejam usadas apenas como "laranjas". Na sexta-feira, no evento Diálogos Eleitorais, em Caxias do Sul, o presidente do tribunal, desembargador Voltaire de Lima Moraes, ressaltou que o objetivo é fiscalizar o cumprimento da legislação, mas também orientar os partidos sobre a observância da regra. O caráter educativo, para evitar a burla, é tão relevante quanto a punição após a ilegalidade ser flagrada e provada.

Também vigilante, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou em maio uma súmula sobre fraude à cota de gênero nas disputas proporcionais. À época, o presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, lembrou que essas irregularidades ocorrem em maior número nos pleitos municipais em relação às eleições gerais - a norma vale também para as candidaturas às Assembleias Legislativas e à Câmara dos Deputados. Somente em 2023, o plenário presencial do TSE confirmou 61 ocorrências de práticas de fraude à cota. Neste ano já foram 20. Em um julgamento virtual, em fevereiro, a Corte reconheceu casos em 14 municípios de seis Estados. Decidiu-se pela cassação dos mandatos de todos os vereadores das legendas envolvidas nestas cidades, além da anulação dos votos recebidos pelos seus partidos.

A súmula aprovada pelo TSE serve para julgar casos semelhantes. Aponta como sinais de fraude votação zerada ou inexpressiva, movimentação financeira da candidatura irrelevante, prestação de contas sem giro de recursos, ausência de atos de campanha e apoio a outro postulante ao cargo. Os partidos estão bem avisados. Espera-se que, de fato, trabalhem para diminuir a gritante desigualdade de gênero na política. Democracia também é uma representatividade mais à semelhança da população. 



06 de Agosto de 2024
GPS DA ECONOMIA - com João Pedro Cecchini

Rafael Vigna - GPS da Economia

O que influencia a alta do dólar além de EUA e Japão

Na quinta-feira passada, um dia após a disparada da cotação do petróleo, o dólar teve forte alta de 1,43%, para R$ 5,735, motivada pelo aprofundamento do cenário global de aversão ao risco. Na ocasião, a moeda norte-americana rompeu a barreira fixada pelo maior nível desde 21 de dezembro de 2021, quando fechou em R$ 5,738. Ontem, voltou a avançar 0,56%, cotada a R$ 5,741.

Agora, somam-se novos elementos ao rali especulativo. O principal destaque fica por conta da notícia do início da manhã de ontem, indicando o estopim de uma suposta crise nos mercados da Ásia, cujo epicentro seria o Japão, onde o índice Nikkei fechou em queda de 12,4%.

Ao longo do dia, a moeda norte-americana chegou a romper a cotação de R$ 5,86, a mais alta desde outubro de 2020, mas foi acomodada durante a tarde. Na B3, assim como na maioria dos mercados globais, as pressões sobre o dólar se intensificaram na sexta-feira, quando os dados do emprego nos Estados Unidos apontaram para o aumento da taxa de desemprego e a redução da renda do trabalho, aprofundando o temor de eventual recessão naquele país, que este ano irá às urnas pra escolher seu novo presidente.

Por outro lado, analistas apontam questões da agenda doméstica com peso e influência sobre o câmbio. Valter Bianchi Filho, sócio-diretor da Fundamenta Investimentos, lista entre esses fatores o que chama de "incapacidade do governo" em demonstrar compromisso firme com o equilíbrio fiscal.

Segundo ele, isso é acrescido da expectativa de inflação futura desancorada, o que aumenta a percepção de risco no Brasil e acelera a desvalorização do real.

Pressão externa

A queda de commodities representativas na pauta de externa do Brasil, sobretudo a soja e o minério, atrapalha o fluxo de dólares. Apesar do resultado das contas (exportações - importações + fluxo de investimento para cá) estar positivo, a retração recente da cotação dessas destas commodities impacta as expectativas sobre eventual deterioração dessas contas. _

Com a escalada do risco de intensificação dos conflitos no Oriente Médio, os mercados emergentes, dentre os quais o Brasil, tendem a sofrer mais com a desvalorização das moedas nacionais - nesse caso, do real ante o dólar.

Vendas de pé de moleque viram doações

A partir deste mês, o pé de moleque em versão crocante de 140 gramas da DaColônia ganha nova embalagem. Também recebe nova forma de distribuição, com cada unidade do doce embalada individualmente. Parte da arrecadação com a venda de produtos será transformada em ajuda ao Rio Grande do Sul. O verso da embalagem ainda tem QR code que facilita doações via Pix, em qualquer valor. Os valores vão ser destinados ao Instituto Cultural Floresta. A DaColônia investiu cerca de R$ 1,2 milhão para produzir a nova linha. _

Carlos Macedo, divulgação

Entrevista - Carlos Bortoli - Diretor da Profill, empresa de engenharia consultiva

"Todos sabem o que precisa ser feito, agora é planejar"

Os temas do Fronteiras do Pensamento mais próximos do RS

GPS DA ECONOMIA

06 de Agosto de 2024
IMPACTO DA ENCHENTE - Bruna Oliveira

IMPACTO DA ENCHENTE

Alimentos e calçados lideraram demissões

Conforme o Caged, desligamentos superaram admissões pelo segundo mês seguido no RS. Apenas a construção contratou mais do que os demais segmentos.

A fabricação de calçados e de produtos alimentícios são dois dos os ramos que mais demitiram no RS em junho. Com quedas em toda a indústria de transformação, os segmentos derrubaram as contratações formais do setor fabril. A indústria foi a que mais dispensou funcionários no mês, com baixa de 3,9 mil empregos com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).

Exceto a construção, todos os demais setores tiveram dados negativos. Mas os resultados são considerados comedidos diante do cenário.

Quando pensamos que a enchente alagou 80% do RS, não vejo que seja preocupante e sim um momento de adequação - destaca a economista e professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Maria Carolina Gullo.

Para o Ministério do Trabalho e Emprego, os números vieram melhor do que o esperado, dada a dimensão do impacto da cheia.

Atenção aos recursos

Excluindo a indústria de tabaco, que tradicionalmente dispensa trabalhadores neste período, os segmentos da indústria de transformação como fabricação de artigos de couro, alimentos, máquinas e confecção lideram as perdas. A fabricação de produtos alimentícios desligou 382 funcionários no mês. Muitas empresas do ramo, apesar de não fecharem por completo durante a cheia, tiveram problemas no recebimento de matéria-prima e na logística.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação e Bebidas (Siab RS), Marcos Oderich, diz que a morosidade na obtenção dos recursos destinados à recuperação econômica é o maior desafio para a retomada neste momento. Na indústria calçadista, a fabricação manteve uma das principais baixas, mas reduziu o ritmo de demissões em relação a maio e a junho do ano passado. A queda é sazonal, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, e os efeitos da enchente no setor são indiretos, pois houve dificuldade logística. _

Na contramão dos demais setores econômicos, a construção contratou 0,4% a mais no mês (saldo positivo de 546 postos). Foi o único setor no azul e o saldo positivo também pode ser relacionado à enchente. A tendência é de que o setor permaneça aquecido por alguns meses.

- É exatamente o que estamos vendo neste momento: a necessidade de obras e reformas, tanto em residências e locais comerciais quanto em estradas - diz a economista Maria Carolina Gullo. O setor de serviços teve o menor saldo no fechamento de postos (-451), já indicando retomada. Muitas atividades pararam completamente durante a enchente, sobretudo as ligadas ao turismo.

A partir do momento que a locomoção voltou a ser possível, o turismo de proximidade, em geral feito de carro, ganhou força. Para os especialistas, o desempenho do setor vai contribuir nos próximos meses para dados de emprego e de Produto Interno Bruto (PIB).



Viva ao contraditório

Há várias formas de aferir a capacidade de um candidato a um cargo público e um dos modelos são as entrevistas, que nos últimos anos têm se tornado mais incisivas - afinal, nesses 39 anos de democracia brasileira, a população está cansada de respostas vazias ou promessas descoladas das realidades dos orçamentos. É nelas que nós, jornalistas, estamos preocupados mais com o "como fazer" do que com "o que fazer". Há também o horário eleitoral; o acompanhamento do dia a dia do candidato, em persona; a análise de seus planos de governo; e, mais recentemente, sua interatividade nas redes sociais.

Debates alavancam campanhas ou as detonam: um exemplo recente foi o duelo na CNN com Donald Trump, em que ficou exposta em rede nacional a decadência cognitiva do presidente Joe Biden.

Mas o que importa, no final das contas, é mesmo o que o candidato tem a dizer, o conhecimento sobre a cidade, sua capacidade de refletir sob pressão, de ouvir o adversário, evitar provocações e, ao fim, explicar suas ideias.

Relatório apontará ações de prevenção

As conclusões da visita dos técnicos holandeses que estiveram no RS em junho para avaliar o sistema de proteção contra enchentes serão apresentadas no próximo dia 19.

Esses especialistas integram o programa de Redução de Risco de Desastres, com sede em Haia, na Holanda. A comitiva veio a Porto Alegre para compreender as causas, avaliar a estrutura, formular um diagnóstico e elaborar sugestões.

A coluna apurou à época que o documento deve recomendar, a curto prazo, melhor previsibilidade do nível de elevação dos rios e uma governança relacionada à gestão hídrica.

Emergencialmente, a Capital precisará elevar sua capacidade de previsão das cheias do Guaíba. Também deve ser recomendada uma melhor precisão das medições do nível do lago.

Depois da apresentação do relatório, será realizada, entre 20 e 22, uma conferência de "cocriação" para "repensar o sistema de proteção contra enchentes no delta metropolitano de Porto Alegre". Estão confirmados 10 especialistas de diversas organizações holandesas que debaterão com profissionais do Estado e de outras partes do país.

O encontro contará com técnicos do BNDES e do Banco Mundial (Bird). 

Kamala Harris deve anunciar hoje o seu vice. Quem são os nomes? Kamala Harris deve anunciar hoje o seu vice. No domingo, ela se reuniu com três possíveis nomes para compor a chapa.

Mark Kelly é senador pelo Arizona. Militar reformado, foi piloto da marinha e astronauta pela Nasa. Político de primeiro mandato, ele é "pulso firme", segundo aliados, e costuma abordar temas de segurança pública e imigração. Além disso, o Arizona é considerado um swing state, logo um Estado cobiçado pelos candidatos.

Ex-membro da Guarda Nacional, Tim Walz é governador de Minnesota. Considerado um "democrata moderado", vem do meio rural, onde os republicanos têm maior aderência. Recentemente chamou Donald Trump e o vice, Vance, de "estranhos".

Governador da Pensilvânia, Josh Shapiro já foi procurador-geral. Após a desistência de Joe Biden, foi um dos primeiros democratas a apoiar Kamala. Shapiro, que é judeu, já criticou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mas afirmou que o país tem direito à autodefesa. _

Porto Alegre e o apoio a Trump

A eleição dos EUA chegou a Porto Alegre. A coluna recebeu a foto de um carro estacionado em uma das ruas do bairro Petrópolis com um adesivo de apoio ao candidato do partido republicano Donald Trump.

No adereço, colado no para-choque, está escrito "Trump, pegue a América de volta". Ainda mostra a face do ex- presidente com a bandeira do Brasil. _

Venezuela cada vez mais isolada

Com a Venezuela cada vez mais encapsulada, jornalistas credenciados para cobrir a eleição do 28 de julho estão encontrando dificuldades para retornar a seus países. Boa parte das conexões do Brasil com o território de Nicolás Maduro passa por Peru e Panamá, nações com as quais o regime rompeu relações. Resultado: os voos foram cancelados. Um jornalista precisou ir à Turquia para regressar ao Brasil. Outra viajou a Madri para voltar para sua base, em Buenos Aires. _

Grupo do Senado doa R$ 70 mil para duas escolas no Sarandi

A Liga do Bem do Senado, um grupo de voluntários do órgão e da comunidade em geral, destinará R$ 70 mil para duas escolas municipais do bairro Sarandi, em Porto Alegre. A unidade Major Miguel José Pereira receberá R$ 23,7 mil, que serão aplicados para a aquisição de computadores e impressoras, recuperação da áre de lazer e aquisição de livros.

Já a escola Cristóvão Colombo receberá R$ 47 mil, valor que será utilizado para a recuperação do laboratório de biologia e química, além da instalação de computadores em diversos setores.

Os recursos são remanescentes da campanha realizada pela Liga desde o início da enchente, que arrecadou mais de R$ 350 mil. _

INFORME ESPECIAL 

segunda-feira, 5 de agosto de 2024


05 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

O chavismo morreu

Nicolás Maduro é o típico ditador latino-americano. Uma caricatura terrível e repulsiva. Repete a sina de Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, que adulterou a votação de 2021, com a prisão de diversos opositores e com o resultado rejeitado pela grande maioria da comunidade internacional.

Da mesma forma, Maduro simula eleições, os venezuelanos votam, e ele finge que é o vencedor. Depois de executar o golpe de Estado, ele inverte a realidade como se fosse vítima de um complô, diz que vem sofrendo tentativa de golpe das nações que não aceitam as irregularidades do pleito e age com truculência para abafar dissidências.

Ou alguém que ganha as eleições limpamente não iria querer ostentar a contagem das urnas, seção por seção? Se Maduro tivesse vencido com justiça, ele mostraria tudinho. Até as suas roupas íntimas.

A questão é que ele brinca que está numa democracia. Desde 2013, o país não conhece urnas livres e legítimas. São 11 anos de tirania. E ninguém faz nada. E ninguém o remove da encenação canhestra. E o presidente Lula não se posiciona firmemente. Qual a solução por vias institucionais, se até o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral estão atrelados ao Executivo?

Enquanto não ocorrer independência entre os poderes, enquanto o Legislativo e o Judiciário permanecerem como marionetes da mão de ferro presidencial, jamais veremos uma Venezuela democrática novamente. Pois todo julgamento tem a insídia oculta da perseguição ideológica.

Trata-se de uma omissão injustificável do governo brasileiro, que vive opinando sobre os conflitos da Ucrânia ou de Israel. No meu entendimento, omissão significa apoio, chapa-branca. Lula está dando tempo para a situação se tornar irreversível. A sede da oposição acabou de ser vandalizada por anônimos encapuzados. Precisa de mais algum sinal?

O diálogo é impossível, o escândalo é evidente na vizinha Venezuela. O chefe da diplomacia da Casa Branca, Antony Blinken, denunciou fraude e afirmou que havia "evidência esmagadora" da vitória do opositor Edmundo González Urrutia nas eleições presidenciais de 28 de julho.

É um "conto de fados" que Maduro tenha conseguido a reeleição, com 52% dos votos contra 43% de González, candidato da aliança opositora Plataforma Unitária Democrática - isso após tirar do caminho sua candidata original, María Corina Machado. Há indícios de que ele perdeu por 67% a 30%.

Agora, começam o terror, a violência, a opressão. Qualquer um que se declare contrário será preso. Já assistimos a esse filme várias vezes. Nicolás Maduro trancafiou 1,2 mil pessoas insatisfeitas com o regime em prisão de segurança máxima. Promete capturar outras mil. O destino é o silêncio total dos presídios Tocorón e Tocuyito. Os manifestantes, chamados por ele de "quadrilhas das novas gerações", ficarão enclausurados com quem cometeu crimes hediondos e dificilmente vão sobreviver dentro das facções carcerárias.

Como de costume, haverá uma "Marcha da Vitória". Aqueles que marcham serão soldados do Exército, jamais sociedade civil. Parece mais tropa de choque do que apoio popular. Existe um numeroso inventário dos crimes contra a humanidade praticados na autocracia venezuelana. Os direitos básicos de cidadania são sucessivamente vilipendiados, ontem e hoje.

O chavismo morreu (Hugo Chávez é um fantasminha camarada), o que vigora é o antigo e indisfarçável fascismo de todas as horas. Se Maduro tivesse vencido com justiça, ele mostraria tudinho. Até as suas roupas íntimas

CARPINEJAR

05 de Agosto de 2024
CLÁUDIA LAITANO

Clube do livro

Um livro sobre amor aos livros chegou ao topo das listas de mais vendidos do Brasil na última semana. Entre títulos de autoajuda espiritual e financeira e histórias açucaradas, o romance distópico Fahrenheit 451 (1953), do escritor americano Ray Bradbury (1920-2012), parece ter renascido das cinzas para uma nova geração.

O milagre da multiplicação de leitores tem nome: Felipe Neto. Com uma audiência potencial de 46,5 milhões de seguidores no YouTube, o empresário lançou no final de julho o Clube do Livro FN, plataforma em que os assinantes pagam R$ 499 por ano (o livro é adquirido por fora) para ter acesso a videoaulas e lives e interagir com outros leitores. Apenas na live da leitura de Fahrenheit 451, o clube conquistou 4 mil sócios.

Alguns dias antes, Fernanda Torres havia inaugurado um perfil no TikTok dedicado exclusivamente a indicações literárias. A estreia foi com a recomendação de livros que analisam diferentes aspectos da obra de Machado de Assis (Ao Vencedor as Batatas e As Ideias Fora do Lugar, ambos de Roberto Schwarz, O Otelo Brasileiro, de Helen Caldwell, e Machado, de Silviano Santiago). No embalo de um renovado interesse impulsionado pelo vídeo elogioso de uma influencer americana, Machado também anda vivendo seus dias de best-seller póstumo.

Felipe Neto e Fernanda Torres talvez sejam as primeiras celebridades brasileiras a ingressarem no disputado terreno dos influencers literários, nicho que no Brasil ainda é dominado por desconhecidos ou ex-desconhecidos. Nos Estados Unidos, o número de famosos (famosas, na verdade) com seus próprios clubes de leitura não para de aumentar. A ponto do site The Cut publicar: 

"Por que toda mulher famosa agora tem um clube do livro?". Oprah Winfrey começou o dela em 1996, recomendando mais de cem livros desde então. Reese Witherspoon fundou uma empresa para gerir seu clube de leitura, a Hello Sunshine, que ajuda a transformar as histórias selecionadas em filmes e séries de TV. Estrelas como Dakota Johnson, Dua Lipa, Emma Watson, entre outras, também têm usado a atenção dos fãs e da mídia para falar sobre seus autores preferidos.

Se a leitura exige recolhimento, descobrir novos livros e autores pode ser uma experiência compartilhada: não há ferramenta de marketing mais poderosa do que um leitor apaixonado. Não importa o quanto as telas dominem o mundo e ditem o ritmo das nossas vidas, sempre vai haver alguém disposto a salvar seus livros favoritos da destruição, do esquecimento e da censura. Em poucas palavras, esse é o resumo da história narrada em Fahrenheit 451. _

CLÁUDIA LAITANO

05 DE AGOSTO DE 2024
ARTIGOS - Daniel Randon -Presidente da Randoncorp e presidente do Conselho Superior do Transforma RS

O caminho do pódio

Neste momento de Olimpíadas, os olhos do mundo se voltam para os atletas que, com garra e determinação, representam o Brasil e conquistam medalhas. Essa realidade é um reflexo do potencial inegável do nosso país, mesmo diante da falta de apoio e estrutura em comparação a países desenvolvidos. A resiliência e o caráter dos nossos atletas são admirados internacionalmente. Eles nos ensinam que, independentemente das adversidades, é possível acreditar e lutar pelos sonhos.

O esporte, em sua essência, é uma poderosa ferramenta de transformação. Ele ensina lições valiosas, como disciplina, coragem de se levantar após uma derrota, de competir de maneira saudável, adaptabilidade diante das adversidades e persistência para buscar excelência em cada desafio. São valores fundamentais para a formação de indivíduos mais fortes e preparados para enfrentar as dificuldades da vida. Quando falamos em ensino integral, é fundamental que as instituições aproveitem essas horas para investir mais no esporte, apoio que não apenas promove a saúde física, mas também a mentalidade resiliente de que tanto precisam os jovens.

Ao integrar o esporte à educação, formamos cidadãos que aprendem a liderar, a trabalhar em equipe e a respeitar o próximo. São habilidades cruciais para o desenvolvimento de uma nova geração de líderes, empreendedores e cidadãos engajados. Precisamos de uma geração que não apenas sonhe, mas que tenha coragem e determinação de transformar os sonhos em realidade. O espírito olímpico, que valoriza a superação e o comprometimento, deve ser cultivado desde cedo.

Ao celebrarmos as conquistas dos nossos atletas, devemos ter a consciência do papel do esporte na formação de um Brasil mais forte. Incentivar a prática esportiva para crianças e adolescentes é um passo crucial para que possamos nos tornar protagonistas de nossa própria história. O Brasil tem um potencial imenso, basta acreditarmos e investirmos naqueles que estão prontos para brilhar no pódio da vida. _

Vitalidade comunitária e antifragilidade

Pedro Valério Diretor-executivo do Instituto Caldeira

Nos últimos 200 mil anos, nada nos moldou tanto quanto a cidade: nós prosperamos quando colaboramos e também competimos em ambientes que facilitam os fluxos de informação. O historiador inglês Ben Wilson destaca um aspecto importante das cidades: sua capacidade de regeneração. Ele lembra as cidades em tempos de guerra ou que passaram por desastres naturais e continuavam pulsando: algo fez as coisas funcionarem contra todas as probabilidades. O autor chama esse fator de "vitalidade comunitária": ele é responsável pelas formas criativas que fazem as cidades avançarem em momentos caóticos.

É impossível não associar essa ideia ao neologismo "antifrágil", que o matemático Nassim Taleb usou para designar o que permite que algo melhore depois de sofrer o impacto de uma grande força destruidora. Essa propriedade está além da resiliência ou da robustez: "o resiliente resiste ao choque e permanece igual; o antifrágil fica melhor", explica o autor.

O Instituto Caldeira nasceu em plena pandemia, sob o bombardeio diário das quarentenas. De 26 de março de 2021, quando finalmente inauguramos o espaço físico do hub, até 3 de maio de 2024, quando vimos o prédio ser invadido pelas águas do Guaíba, mais de 500 empresas e instituições se associaram ao projeto e cerca de 600 mil pessoas circularam pelo hub. Uma excepcional vitalidade comunitária se formou nesse período. Vimos nascer uma comunidade antifrágil.

Porto Alegre, ao longo de seus 252 anos, também passou por incontáveis testes e, nos últimos anos, buscava tornar-se uma versão melhor de si mesma. Eis que temos um novo teste e cabe a nós decidir o que queremos para o futuro. Deste teste, o Caldeira quer sair melhor e mais forte, e nossa visão é de que Porto Alegre também pode aperfeiçoar-se e melhorar. Apostaremos na vitalidade comunitária e na antifragilidade, duas propriedades que serão responsáveis pelo ímpeto de "fazer as coisas funcionarem contra todas as probabilidades". Vai dar certo? Seguiremos no dale, tentando sempre. 


05 de Agosto de 2024
EDITORIAL

Emendas às claras

Agiu no sentido certo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, na semana passada, ao tomar duas decisões que, uma vez rigorosamente observadas, dificultarão bastante a opacidade no manejo do dinheiro público pelo Legislativo. A transparência no repasse de recursos recolhidos junto aos contribuintes é preceito básico da República. Este princípio, no entanto, vinha sendo contornado pelo Congresso com os subterfúgios que passou a usar para deputados e senadores distribuírem verbas por meio de emendas. São os casos do chamado orçamento secreto e das emendas Pix, que contêm obstáculos para a sociedade saber quem as apadrinhou e a finalidade do uso dos recursos, por exemplo.

Em uma das decisões, em caráter liminar, Dino atendeu a pleito da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e determinou ao governo e ao Congresso ampla publicidade às transferências por emendas Pix, com fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU). O escrutínio inclui repasses anteriores. Indicou ainda critérios para novas liberações, como forma de conferir racionalidade às despesas, que devem passar a ser rastreáveis. Espera-se que o plenário da Corte confirme o entendimento. A força do colegiado é importante.

Emendas Pix é como são chamadas as emendas individuais que repassam recursos do orçamento da União sem a indicação de destino e emprego do dinheiro. Isso dificulta a fiscalização e abre brechas para a malversação. Fere, portanto, princípios constitucionais como os da publicidade, da moralidade e da eficiência, já que também não se consegue aferir o emprego, mesmo quando há boa-fé.

No outro caso, sabia-se que o Congresso estava driblando a decisão do STF de 2022 de acabar com as emendas de relator, popularmente batizadas de orçamento secreto. Os repasses foram transferidos para as emendas de comissão e a farra continuou. A decisão de Dino se deu no âmbito de um processo de conciliação entre governo, Congresso e órgãos de controle que discutia a burla da decisão da Corte que considerou o mecanismo inconstitucional. O ministro determinou que as informações sobre indicação e destino das emendas sejam centralizadas, transparentes e de fácil fiscalização.

As emendas se converteram na forma de o Congresso se assenhorar de maiores fatias do orçamento. As duas modalidades em questão também se tornaram um instrumento de poder para as lideranças do parlamento, pela distribuição de verbas conforme interesses políticos. Não é de se duvidar que surja alguma inconformidade. O orçamento secreto foi criado no governo Jair Bolsonaro, mas a gestão Luiz Inácio Lula da Silva, sem base consistente, assistiu inerte à manobra para mudar a forma de pagamento. O orçamento de 2024 prevê R$ 44,67 bilhões em emendas, sete vezes o valor de uma década atrás. Os brasileiros devem ter assegurado o direito de saber em detalhes como os recursos de seus impostos são usados. _



05 de Agosto de 2024
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Respostas capitais

Pesquisador associado do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) e especialista em contas públicas

"Por vinculação, gasto com saúde subiu R$ 50 bilhões só entre 2023 e 2024"

O Brasil já viu cortes de R$ 15 bilhões e "pré-contingenciamento" em 2024, e agora as atenções vão para uma tesourada ainda maior e mais estratégica, de R$ 25,9 bilhões em gastos obrigatórios para 2025, importantes por representar economia que se sustenta ao longo dos anos.

Os cortes em saúde e educação surpreenderam?

Para quem acompanha, não. É importante lembrar que, por conta da vinculação desses gastos à receita, o mínimo constitucional da saúde subiu R$ 50 bilhões só entre 2023 e 2024. O orçamento deste ano foi feito assumindo R$ 170 bilhões em aumento de receita. Isso elevou a necessidade de gastos para cumprir a vinculação. Existe até dúvida se vão conseguir gastar tudo isso, o que pode elevar o empoçamento (gastos previstos e não realizados).

A contenção extra de gastos ao longo do ano ajuda?

Aumenta a contenção de R$ 15 bilhões para cerca de R$ 47 bilhões. É uma espécie de pré-contingenciamento, com redução de empenhos, que não permite gastar tudo o que está programado. É uma medida inteligente. Ajuda a evitar o comportamento de muitos ministérios que estavam acelerando empenhos para tentar fugir dos cortes de orçamento.

Ajuda na percepção do compromisso de déficit zero?

É a medida mais forte, sinal de maior compromisso do governo como um todo, porque não foi feito só na Fazenda, teve aval da ala mais política. É importante porque ainda se vê, no mercado, projeções de déficit alto. Algumas poucas casas já corrigiram, inclusive descontando o crédito extraordinário para o RS que não vale para o cumprimento da meta. Deve gerar, nas próximas semanas, revisões para melhor do resultado fiscal.

E falta o corte de 2025...

Até o final do mês, o governo precisa encaminhar o projeto de lei orçamentária para 2025. Aí terão de aparecer os R$ 25,9 bilhões de corte, e nas obrigatórias, não nas discricionárias como as deste ano. O mercado reagiu bem, mas quer detalhamento. Não é fácil. O governo anunciou auditoria no BPC (Benefício de Prestação Continuada) e na previdência.

Será suficiente?

É importante que o governo mostre, a cada mês, estimativas do percentual de fraudes para mostrar o potencial da medida. Há uma boa pista no número de benefícios, que explodiu. Talvez seja necessário um projeto de lei para mudar ou reduzir brechas nos critérios. E ainda há ajustes a fazer no Bolsa Família. Os benefícios unipessoais aumentaram de 2 milhões para 6 milhões depois que o governo mudou a regra em 2021, pouco antes das eleições. Ao longo de 2023, houve redução para perto de 4 milhões. É um indício de que existe muita fraude. Se o número voltasse a 2 milhões de beneficiários unipessoais, representaria só aí uma economia anual de R$ 14 bilhões. Pode ser que não se consiga reduzir tanto, mas é para mostrar como é relevante. E esse tipo de redução de gasto é importante porque não ocorre uma vez só, é permanente da despesa.

Haddad diz que há estudo para desvincular despesas de saúde e educação. É possível?

Não é preciso desvincular, dá para fazer vinculação mais inteligente. Vincular despesa a receita é ruim. Coloca no orçamento a volatilidade da receita e prejudica o planejamento plurianual. E se saúde e educação acompanham, enquanto as demais estão limitadas a 70% do aumento da receita, vão espremer as discricionárias. Isso pode levar a uma situação semelhante ao shutdown dos Estados Unidos, ter de descontinuar serviços públicos. Na prática, a vinculação inviabiliza o próprio arcabouço fiscal. Não é um tema urgente, mas precisa se pensar agora porque depende de emenda constitucional.

Isso não foi percebido?

Nós alertamos, no Ibre. Mas ignoraram.

Qual seria a vinculação mais adequada?

O ideal seria desvincular de ciclos econômicos. Uma das formas seria definir um gasto real per capita, definir um piso e poder corrigir pela inflação, talvez até com algum crescimento real. Seria uma vinculação mais inteligente. Ao usar gasto per capita, já se restringe porque não se leva em conta toda a população. Daria muito maior previsibilidade plurianual. _

GPS DA ECONOMIA

05 de Agosto de 2024
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Política e poder

Partidos escolhem vices que não acrescentam votos novos

Adiló disputa reeleição em Caxias com Néspolo de vice

Com o encerramento do período de convenções, convém olhar com atenção as chapas completas e não apenas o titular. Porque a figura do vice, muitas vezes tratada como decorativa, deveria ser vista com a responsabilidade que o cargo impõe e não apenas como uma imposição do partido aliado. Nunca é demais lembrar que o vice substitui o titular em caso de morte ou impedimento.

Nos Estados Unidos, a vice-presidente Kamala Harris foi indicada pelos democratas por ser mulher, negra, senadora, promotora de Justiça. Teve um desempenho discreto ao longo do mandato, mas estava pronta para assumir a candidatura quando o presidente Joe Biden mostrou que não tinha condições e foi pressionado a desistir.

No Brasil, o presidente Lula se elegeu três vezes tendo como vice um político mais liberal do que ele, capaz de acrescentar votos que não teria: o empresário José Alencar em 2002 e 2006 e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin em 2022.

Alencar, um dos barões da indústria têxtil, foi decisivo para quebrar a desconfiança de setores empresariais que temiam a implantação do comunismo com Lula. Alckmin ajudou a conquistar votos entre eleitores que não gostam do PT, mas não queriam saber de Jair Bolsonaro.

A vice do prefeito Sebastião Melo (MDB), Betina Worm, foi escolhida pelo PL, mais especificamente por seu presidente municipal, Luciano Zucco. Dado o perfil dos adversários, não acrescenta um voto que Melo já não tivesse.

O mesmo se pode dizer da vice de Maria do Rosário, Tamyres Filgueira, indicada pelo PSOL. É uma escolha em nome da diversidade (uma mulher negra), mas Tamyres não traz para a chapa votos novos, até porque não há candidatos viáveis à esquerda de Rosário.

Não é diferente o caso de Felipe Camozzato, que terá como vice Raqueli Baumbach, empresária do ramo da gastronomia. Raqueli também é novata na política, o que tem prós e contras, mas mantém o Novo restrito ao seu próprio círculo.

Juliana Brizola (PDT) é quem tem um vice de perfil diferente do dela. O médico Thiago Duarte entra em áreas em que a neta de Leonel Brizola não transita. _

Sem a presença do governador Eduardo Leite e da presidente estadual do partido, Paula Mascarenhas, o PSDB e seu parceiro de federação, o Cidadania, aprovaram por aclamação a candidatura do prefeito Adiló Didomenico à reeleição em Caxias do Sul, tendo Edson Néspolo (União Brasil) como vice. A coligação conta ainda com Republicanos, PRD e Democracia Cristã.

Néspolo, que disputou as eleições de 2016 e 2020, disse que foi convidado por outros partidos, mas decidiu ficar ao lado do prefeito:

- Estou aqui porque aqui tem ternura e tem firmeza. Esta não é hora para extremismo nem aventura. _

Jairo Jorge concorre em Canoas com o apoio de 12 partidos

Apoio a Juliana racha federação

Apesar de PSDB e Cidadania formarem uma federação, o apoio dos tucanos à candidata do PDT, Juliana Brizola, rachou o grupo que vive um casamento de aparências. O Cidadania decidiu continuar apoiando o prefeito Sebastião Melo. O tempo de TV, no entanto, vai para Juliana, já que oficialmente os dois partidos têm personalidade jurídica única.

Na votação entre os membros da executiva da federação partidária sobre quem apoiar, foram sete votos favoráveis a endossar a candidatura de Juliana e quatro contrários. A divisão é proporcional ao tamanho dos dois partidos na executiva.

Os candidatos a vereador pelo Cidadania já haviam ajudado a implodir a candidatura de Nelson Marchezan (PSDB). _

Marroni vai para a sexta tentativa em Pelotas

Vinte e quatro anos depois de ter sido eleito prefeito de Pelotas, o ex-deputado federal e estadual Fernando Marroni disputará sua sexta eleição para o cargo. Marroni concorreu, sem sucesso, em 1996, 2004, 2008 e 2012.

A vice será a professora e musicista Dani Brizolara, do PSOL. A coligação é formada por cinco partidos: PT, PCdoB, PV, Rede e PSOL. _

Por que um prefeito que teve problema atrás de problema, sendo o maior deles uma enchente sem precedentes, resolve tentar o quarto mandato? O prefeito Jairo Jorge (PSD), de Canoas, responde:

- Por amor à cidade e porque preciso reconstruir Canoas. Este mandato foi atípico. Assumi na pandemia. Quando as coisas estavam começando a andar fui afastado por um ano pela Justiça. Voltei, parecia que a cidade estava entrando no prumo e me afastaram de novo, por 130 dias. Reassumi no dia 2 de abril e, um mês depois, veio a enchente. Não posso me omitir.

Jairo Jorge concorrerá pela Coligação Amar Canoas (Aliança Municipal para Avançar e Reconstruir), composta por 12 partidos (PSD, PT, PCdoB, PV, Rede, PDT, PSDB, Cidadania, Podemos, PSB, Avante e Agir) e terá como vice a professora e vereadora Maria Eunice Wolf (PT). 

POLÍTICA E PODER

sábado, 3 de agosto de 2024

 

 Elias Wagner e seu filho Zé Elias - MEU VELHO PAI

   

Elias Wagner e Elias Filho Clipe OFICIAL "Mais que pai e filho"

   

Enzo Rabelo - Pai, por quê? Clipe Oficial

 

AMOR DE PAI E FILHO - ESPECIAL DIA DOS PAIS

   

 Dia dos Pais - Homenagem Especial - Simples Assim

03 de Agosto de 2024
MARTHA MEDEIROS

Ausência e abstração

Muitos rejeitaram a diversidade exposta no evento. Houve quem definisse como uma "parada gay sem restrição de horário". A velha e pontual resistência à mudança. Eram apenas artistas em cenas alegóricas e multiculturais, um happening festivo - mas os saudosos de 1895 ainda querem Oscar Wilde atrás das grades.

Ninguém é obrigado a ter relações homossexuais, nem a gostar do que vê. É só trocar de canal e continuar preservando seus dogmas, livre para ser como deseja e acreditar no que lhe conforta. Mas gasta saliva à toa quem esbraveja pela volta do padrão oficial de comportamento. A revolução que nos coube é esta, a hierarquia de costumes ficou para trás. Agora, cada um se veste como quer, ama quem quer, e isso não deveria soar ameaçador.

Um mundo horizontalizado, todos com sua devida importância e representatividade. O que atormenta? Talvez o medo de que nossos netos se tornem drags, trans... Que desperdício de pânico. Confiemos no chamado da natureza humana: cada um descobrirá para o que nasceu, cedo ou tarde, e à nossa revelia. É uma vitória da sociedade quando ninguém mais precisa se esconder atrás de estereótipos para realizar os sonhos dos pais, falsificando a si mesmo. 

O que estamos vendo é um ajuste, uma apertada de parafusos, pela segurança da engrenagem: gente feliz agride menos. Ninguém perseguirá héteros, nem os brancos serão escravizados: não haverá revide, tudo continuará a ser como é, apenas sem a tirania do modelo único. O normal é sermos desiguais, como são irmãos e irmãs de uma mesma família.

O sagrado pode ser teatralizado sem risco: não é função da arte inibir, ao contrário, ela expande o espírito, e o humor faz parte desta transcendência. A diversão é expectorante, ajuda a respirar, sem prejuízo à seriedade de nossos valores, portanto, sejamos uma plateia inteligente e relaxada diante de um mundo que jamais cessará de se transformar, é só conferir os livros de História. Enquanto estivermos vivos, testemunharemos o novo. Quem não suporta, pode fechar a janela, mas sem tentar fechar a dos outros, é ineficaz. O tempo nunca perdeu para o medo, o homem é que perde para o tempo.

Guerras são objetivas como um tiro. A paz, ao contrário, vem do mergulho emocional nas diversas camadas que nos constituem, até que se compreenda que o universo é mais vasto do que nossas escolhas e vontades, e que o amor que dizemos sentir pelo próximo não pode ser da boca pra fora. Se for, aí sim o pânico se justifica. _

O que estamos vendo é um ajuste: gente feliz agride menos. Enquanto estivermos vivos, testemunharemos o novo

MARTHA MEDEIROS