quarta-feira, 13 de maio de 2026

UE ameaça barrar proteína animal brasileira a partir de setembro

Bloco europeu indicou que a lista poderá ser revista caso o Brasil apresente as informações exigidas

Bloco europeu indicou que a lista poderá ser revista caso o Brasil apresente as informações exigidas

Embrapa/Divulgação/JC

Claudio Medaglia
Claudio MedagliaRepórterCom Agências
A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco dominou as discussões do agronegócio nesta terça-feira e mobilizou governo federal e entidades do setor de proteínas animais. A medida, aprovada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, passa a valer a partir de 3 de setembro de 2026 e está relacionada às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
A atualização da lista europeia excluiu o Brasil da relação de países considerados em conformidade com os protocolos sanitários do bloco para exportação de carnes e outros produtos de origem animal. Segundo a Comissão Europeia, o governo brasileiro ainda não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização de determinados antimicrobianos na pecuária.
A medida envolve bovinos, aves, ovos, mel, produtos aquícolas e outros itens de origem animal. Apesar disso, as exportações brasileiras seguem normalmente até setembro, e o próprio bloco europeu indicou que a lista poderá ser revista caso o Brasil apresente as informações exigidas.
Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmaram ter recebido a decisão “com surpresa” e disseram que o governo brasileiro adotará “todas as medidas necessárias” para reverter a exclusão. O Itamaraty informou ainda que o chefe da delegação brasileira junto à União Europeia tem reunião marcada nesta quarta-feira (13) com autoridades sanitárias europeias.
O governo ressaltou que o Brasil exporta produtos de origem animal ao mercado europeu há cerca de 40 anos e classificou o sistema sanitário brasileiro como “robusto e de qualidade internacional reconhecida”.
O Brasil pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões em carnes por ano para a União Europeia. Dados do Ministério da Agricultura mostram que, em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes para a União Europeia, somando 368,1 mil toneladas. No total, o Brasil exportou US$ 31,8 bilhões em carnes no ano passado. A China foi o principal destino, com US$ 9,8 bilhões, seguido da União Europeia e dos Estados Unidos, que importaram US$ 1,6 bilhão.
A maior parte do volume enviado ao bloco europeu é de carne bovina: o Brasil vendeu US$ 1,04 bilhão do produto para a região no ano passado. No caso da carne de frango, foram exportados US$ 762,9 milhões aos europeus.
As entidades do setor também reagiram rapidamente. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacou que não há suspensão imediata das exportações e afirmou que o setor privado trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura para adequar protocolos às novas exigências europeias.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçou que o Brasil “cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia” e afirmou que as empresas brasileiras seguem protocolos rigorosos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos.
O anúncio europeu ocorre após o avanço político do acordo Mercosul-União Europeia e em meio ao aumento das discussões sobre barreiras sanitárias e ambientais ao agronegócio brasileiro. Nos bastidores do setor, representantes da cadeia da carne avaliam que a decisão europeia também reflete pressões de produtores rurais do continente diante da competitividade da proteína brasileira.
Durante o lançamento do Secretariado Mundial Angus 2027, realizado nesta terça-feira em Porto Alegre, o diretor executivo da Associação Brasileira de Angus, Mateus Pivato, afirmou que a entidade acompanha o tema “com atenção”, especialmente pelo perfil premium do mercado europeu.
Segundo ele, as preocupações europeias se concentram principalmente no uso de antimicrobianos nutricionais empregados em confinamentos para melhorar a eficiência alimentar dos animais.
A Europa acaba impondo maiores dificuldades”, afirmou.
Pivato avaliou, porém, que o Brasil vem avançando em rastreabilidade, sustentabilidade e sanidade animal, além de viver um momento favorável no mercado global diante da redução dos rebanhos bovinos em países concorrentes, como Estados Unidos, Austrália, Argentina e Uruguai.

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