Questão tarifária Brasil-EUA deve avançar em 30 dias

Juliano TatschEditor-assistente*Colaborou Emilly Rodrigues
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, concedeu entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira após o encontro de mais de 3h com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. Conforme Lula, a conversa foi produtiva, representando um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA.
"Nossa relação é muito boa. Uma relação que pouca gente acreditava que poderia existir", salientou o presidente brasileiro.
Mais cedo, Trump, escreveu nas redes sociais que Lula é "muito dinâmico" e que a reunião entre os dois correu "muito bem". Segundo o republicano, os líderes discutiram vários assuntos, incluindo comércio e tarifas.
Conforme Lula, Brasil e Estados Unidos, as duas maiores democracias do continente, podem servir de exemplo para o mundo em relação à resolução de atritos por meio do diálogo. Lula destacou que disse para Trump que é importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil. "Eu disse para ele que, muitas vezes, fazemos licitações internacionais e os Estados Unidos não participam das licitações, quem participa é a China", destacou o presidente brasileiro.
No que diz respeito às taxas, Lula disse que Trump acha que o Brasil cobra muito imposto dos produtos norte-americanos. "Eu disse, 'a média de imposto que cobramos de vocês é de apenas 2,7%'. Falei o seguinte: vamos colocar um grupo de trabalho e permitir que o moço da Indústria e Comércio do Brasil se reúna com o moço do Comércio dos Estados Unidos para que, em 30 dias, possamos bater o martelo. Quem tiver que ceder, vai ceder", enfatizou o brasileiro. "É preciso que estabeleçamos um plano de metas, em cada reunião, para que as pessoas cumpram", completou.
Lula relatou que os dois presidentes discutiram assuntos que pareciam tabus, entre eles a questão do crime organizado. "Eu disse que, muitas vezes, os EUA falavam em combater o crime organizado e as drogas tentando ter base militar nos outros países, quando é preciso que se criem alternativas econômicas para esses países. Enquanto houver gente necessitada de recurso e houver consumidor, não vamos parar de ter o mundo cheio de drogas. Estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina, quiçá do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado. Se a gente colocar a verdade em torno da mesa e criar um GT para trabalharmos juntos, podemos resolver em anos aquilo que não resolveu em séculos", destacou Lula.
Outros dois pontos importantes abordados no encontro foram as taxas aplicadas pelos dois países aos produtos importados e as chamadas terras raras. "Tudo que se fala hoje é dos minerais críticos. Eu disse que nós aprovamos uma lei sobre os minerais críticos, tratando como uma questão de soberania nacional, para que possamos compartilhar o potencial do Brasil, que ainda é pouco conhecido, com quem queira fazer investimento no Brasil", disse Lula.
O presidente também destacou que o País não dará prioridade para os negócios com nenhuma nação. "Não temos preferência, o que queremos é fazer parceria. Quem quiser trabalhar conosco está sendo convidado para vir ao Brasil."

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