sábado, 21 de dezembro de 2019


21 DE DEZEMBRO DE 2019
CARPINEJAR

Filho não é conselheiro amoroso

Um dos erros dos pais é acreditar que o seu filho pode ser um conselheiro amoroso. Ainda que seja o seu melhor amigo, não há como confundir a cabeça da criança ou mesmo do adulto que nunca deixará de ser uma criança. A sua criança.

É mexer com as memórias do filho, ou influenciá-lo em suas escolhas. Não passe dos limites de suas responsabilidades, confessando o que aconteceu em sua vida sexual, sem filtro e censura. A confidência é uma amizade que exige igualdade de papéis, paridade emocional, discernimento, características improváveis entre pais e filhos, com vivências complementares e sobrepostas.

Detalhes e indiscrições são dispensáveis. Não esqueça que ele é o seu filho acima de tudo e que tem também uma mãe ou um pai em questão que ele leva em alta conta.

Não abra segredos de sua trajetória, contando infidelidades ou aventuras que são capazes de destruir o que ele pensava do amor. Confessar que já traiu a esposa ou o marido é atormentá-lo com o que ele sente pela mãe e pelo pai. É ativar uma bomba-relógio e repassar para as suas mãos. Ainda mais quando a parte interessada desconhece a verdade. Ele ficará em dúvida sobre qual lealdade manter, a materna ou a paterna. É um dilema que destruirá o convívio e agigantará crises de consciência.

Seus problemas têm grandes chances de serem os mesmos problemas dele, portanto é a vítima pedindo ajuda para a outra vítima.

Dar a sua versão é mudar a versão dele. Ou constrangê-lo a tomar um partido e deixar a posição confortável de consenso da família. Filho não deve ser escudo de nossas fragilidades, ou cabo de força de relacionamentos.

Não diga a um filho o que gosta ou não gosta na cama, o que faz ou deixa de fazer no quarto, as suas excentricidades e manias, já é difícil para ele imaginá-lo nu, ouvir descrições de cenas será um tanto desagradável.

Não realize inventários dos defeitos do seu par, o quanto foi infeliz no casamento, o quanto a parceria não o contentava, não justifique as suas decisões erradas repassando a culpa a terceiros, proteja a memória mais pessoal com o silêncio, para evitar ciúme e confusão.

Nem é questão de manter as aparências, mas de não destruir a essência de cada um. Pois a liberdade de falar não significa ferir a reputação dos afetos, uma vez que toda confidência envolve personagens próximos. Roupa suja se lava em casa, mas cada um precisa cuidar de seus lençóis.

CARPINEJAR

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