quinta-feira, 8 de agosto de 2024


08 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

O exílio amargo dos venezuelanos

Os incomodados que se retirem? Não é bem assim. Quem abandona um país adota uma atitude extrema. Realmente é quando há violação dos direitos básicos da cidadania, é quando há insalubridade, desemprego, miséria e supressão da autonomia. Trata-se de uma medida urgente, que desencadeia o brutal afastamento de parte da sua família e de suas raízes.

O pensador palestino Edward Said talvez tenha melhor definido o que é essa sensação de ruptura de vínculo. Ele a concebe como a quebra de um osso em Reflexões sobre o Exílio (Companhia das Letras, 2001): "É terrível de experienciar. Ele [o exílio] é uma fratura incurável entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada".

Os estilhaços não se recompõem. Se a dignidade humana está representada em tudo o que foi construído com o suor do trabalho ao longo da existência, perde-se subitamente a identidade da memória. Ao morar em qualquer local, você também percebe a si como qualquer pessoa.

O exílio é o gosto amargo de uma derrota coletiva. É uma saída forçada, jamais cogitada. É aquilo que o filósofo italiano Giambattista Vico dizia de "se sentir um estrangeiro em sua própria pátria".

No caso da Venezuela, aqueles que saíram do país estão inseridos em duas categorias: os que foram expulsos e impedidos de voltar (exilados na acepção literal da palavra); e os que moram voluntariamente em outro país, geralmente por motivos sociais (na condição de expatriados).

É uma situação muito diferente da dos emigrados, com liberdade de escolha, que optaram por deixar seu país por questões pessoais. Se, apesar das irregularidades escandalosas da nova eleição de Nicolás Maduro, alguém tem dúvida (e segue a conduta periclitante e melindrosa do presidente Lula) de que a Venezuela mergulha numa tirania sem precedentes, basta ver o contingente de evasão de seus habitantes.

Como explicar que existam 7,7 milhões de venezuelanos vivendo fora? De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), eles migraram desde 2014, no maior êxodo da história recente da América Latina, cobrindo a extensão do primeiro ao terceiro mandato de Maduro.

7,7 milhões de uma população de 28,3 milhões! Um número expressivo que evidencia a opressão. 27,2% da nação atravessou as fronteiras, um a cada quatro moradores procurou refúgio no estrangeiro.

Se fôssemos comparar com o Brasil, proporcionalmente, seria o equivalente a 54 milhões de brasileiros no Exterior. Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações, há cerca de 586 mil venezuelanos acolhidos no nosso país. É só falar com um deles para entender a natureza nada turística do asilo.

Não são indivíduos que buscaram simplesmente uma alternativa de sobrevivência, porém escaparam de um regime autoritário que castiga a pluralidade, censura manifestações, pune dissidentes, persegue artistas e jornalistas de tendências críticas e prende opositores.

Até o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral têm atitudes suspeitas, condicionadas pelo Executivo. Nem o WhatsApp é recomendado pelo ditador, que pediu para a população excluir o aplicativo e usar os serviços do Telegram, criado na Rússia, e do WeChat, desenvolvido na China.

Não sobra esperança, essa luz no fim do túnel. O findar da esperança é o mais profundo desterro. As trevas da pátria. _

CARPINEJAR


08 de Agosto de 2024
ELEIÇÃO CONTESTADA

ELEIÇÃO CONTESTADA

Opositor de Maduro não comparece a audiência

O candidato de oposição Edmundo González Urrutia desobedeceu, ontem, a uma convocação do tribunal supremo de justiça da Venezuela. A convocação era para "certificar" a questionada eleição na qual o presidente Nicolás Maduro foi declarado vencedor. González, representante da líder inabilitada María Corina Machado, denunciou fraudes e afirma ter provas que mostram sua vitória nas eleições de 28 de julho.

- Se eu for à câmara eleitoral nestas condições, estarei em absoluta vulnerabilidade devido ao desamparo e à violação do devido processo. E colocarei em risco não só a minha liberdade, mas, mais importante ainda, a vontade do povo venezuelano expressa em julho - destacou o opositor nas redes sociais.

A audiência foi realizada sem González Urrutia. Uma cadeira vazia com seu nome foi exibida pela TV estatal.

- É importante que o seu não comparecimento e o não cumprimento da convocação fiquem registrados em ata - disse a presidente do tribunal, Caryslia Rodríguez, que já havia alertado para "consequências" em caso de não comparecimento.

Prisão mostrada em vídeo

María Oropeza, colaboradora da líder da oposição María Corina Machado, registrou ontem, em uma transmissão ao vivo, o momento em que é levada por militares. A detenção ocorreu horas depois de ela criticar uma campanha oficial que pede a denúncia de casos de "ódio" em meio aos protestos contra a questionada reeleição de Maduro.

- Eu não sou uma criminosa, sou apenas mais uma cidadã que quer um país diferente - disse María Oropeza, antes do corte da transmissão. _


08 de Agosto de 2024
CONCURSO NACIONAL

CONCURSO NACIONAL

Candidatos podem conferir local de prova a ser realizada no dia 18

Os mais de 2,11 milhões de candidatos do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) já podem conferir, desde ontem, o seu local de realização da prova, que será realizada no próximo dia 18. No Rio Grande do Sul, que conta com 78,6 mil inscritos, o exame será aplicado em 10 municípios. São 6.640 vagas abertas em 21 órgãos federais.

O local e horário da prova estarão presentes no Cartão de Confirmação de Inscrição na Área do Candidato no site da Fundação Cesgranrio, organizadora do Concurso Nacional Unificado. Para acessar, basta realizar login no endereço cpnu.cesgranrio.org.br com os dados da conta cadastrada no portal gov.br.

Além de indicar o local, o documento apresenta o número de inscrição de cada candidato e informações sobre tratamento especial - como nome social, por exemplo.

O candidato pode solicitar a correção de informações do cartão de confirmação, de acordo com o que ele pediu no ato da inscrição, mas não é possível solicitar para mudar de município de realização da prova. Para pedir correções no documento, os candidatos devem entrar em contato com a empresa aplicadora do concurso, a Fundação Cesgranrio, pelo telefone 0800-701-2028. Embora não seja obrigatório, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) recomenda levar o cartão no dia da realização da prova.

Lista de espera

Além das 6.640 vagas, o certame terá um banco de candidatos com mais de 13 mil classificados que ficarão na lista de espera, com a possibilidade de novas convocações, inclusive para vagas temporárias que surgirem. As novas convocações para os cargos previstos neste concurso poderão ser feitas a cada seis meses ou conforme a necessidade e o fluxo de liberação e desocupação dos cargos. Os salários básicos iniciais dos aprovados variam de R$ 4.407,90 a R$ 22,9 mil. _

Candidatos inscritos no RS

Porto Alegre 37.546

Pelotas 10.795

Santa Maria 8.778

Passo Fundo 4.943

Santo Ângelo 4.285

Caxias do Sul 3.096

Santa Cruz do Sul 2.922

Bagé 2.553

Uruguaiana 2.533

Farroupilha 1.228

Total 78.679


08 de Agosto de 2024
GESTÃO PÚBLICA

PGR pede ao Supremo que declare emenda Pix inconstitucional

Procurador-geral da República diz que mecanismo deturpa sistema republicano e destaca riscos de transferências especiais em períodos eleitorais

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucionais as emendas Pix - a transferência direta de recursos federais sem transparência, controle de aplicação das verbas ou fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU).

Gonet diz que é patente a "deturpação do sistema republicano" de acompanhamento dos gastos públicos. A avaliação é a de que o mecanismo não é "admissível", considerando a falta de transparência e de rastreabilidade dos recursos.

A Procuradoria-geral da República (PGR) pede que a Corte suspenda imediatamente os dispositivos que regulam as emendas Pix destacando os riscos das transferências especiais em períodos eleitorais, como o que se inicia neste mês. A PGR vê possibilidade de danos "irreparáveis ou de difícil reparação ao erário", com "mal ferimento dos deveres estatais de transparência, máxima divulgação, rastreabilidade e controle social dos gastos públicos".

A ação foi impetrada na terça-feira, quase uma semana após o ministro Flávio Dino, do STF, determinar que o governo e o Congresso deem total transparência às emendas Pix. Dino ainda estabeleceu critérios para a liberação dos recursos, determinando que o Executivo federal só efetue os repasses quando forem preenchidos os requisitos constitucionais da transparência e da rastreabilidade.

Tal decisão foi proferida no bojo de uma ação movida pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Segundo a PGR, há dúvidas sobre a legitimidade da Abraji para questionar as emendas Pix. Assim, a ideia de Gonet foi "garantir que o tema seja apreciado pelo STF". O chefe do Ministério Público Federal pediu que a ação seja distribuída também ao gabinete de Dino.

Sem fiscalização

Segundo Gonet, essas transferências geram "prejuízo inaceitável" ao modelo de controle sobre a aplicação de verbas federais. "As assim chamadas emendas Pix, desprovidas das ferramentas de fiscalização constitucionais, arriscam a se convolar em instrumento deturpador das práticas republicanas de relacionamento entre agentes públicos, propiciando o proveito de interesses distintos dos que a atividade política deve buscar", argumentou na ação.

Segundo Gonet, as emendas Pix implicam "inequívoca degradação" do papel do Executivo de planejar e executar o orçamento. A PGR destacou que, no caso das transferências especiais, a distribuição de recursos é imposta pelo parlamentar autor da emenda, "que não é cobrado a definir com mínima precisão a finalidade e a destinação do recurso e também escapa aos mecanismos de controle democrático sobre as vicissitudes desses recursos". 



08 DE AGOSTO DE 2024
INFORME - Rodrigo Lopes

Todos somos atores do trânsito

A EPTC divulgou nesta semana um relatório detalhado que serve de alerta para a população de Porto Alegre não só pelo elevado número de mortes no trânsito, o que já deveria, com o perdão do trocadilho, acender o sinal vermelho em todos nós, mas, principalmente, pelo caráter educativo por trás dos dados.

Nos sete primeiros meses de 2024, foram registradas 53 mortes no trânsito - 16 óbitos a mais do que no mesmo período no ano passado. Em todo o 2023, foram 71. Os principais fatores são conhecidos: velocidade excessiva; condutor sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) regular; comportamento imprudente e alcoolemia (teor alcoólico no sangue). Foram 7.349 incidentes, que resultaram em 3.556 pessoas feridas até julho.

Todos nós somos atores do trânsito - enquanto pedestres, ciclistas, usuários de patinetes, skatistas, motoristas e motociclistas. Ou seja, devemos colocar a mão na consciência sobre nossas condutas ao sairmos às ruas.

Conforme o relatório, o principal tipo de acidente de trânsito é abalroamento (colisão lateral em movimento): 3.143. A EPTC tem intensificado as ações de fiscalização e educação. Já foram 561 autuações, 128 casos de problemas com a CNH, 116 recolhimentos de veículos e 167 documentos recolhidos, além de 17 pessoas em que, nas abordagens, foi constatada a ingestão de álcool.

- Estamos com ações, mas a sociedade precisa se dar conta de que passou por um trauma ambiental e isso parece que segue refletindo no comportamento. O número de capotamentos, por exemplo, que observamos em ruas mais calmas e de colisões, resume bem esse cenário - diz o presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2024


07 de Agosto de 2024
MÁRIO CORSO

Intersexo e transgênero

A Olimpíada da França está marcada pela polêmica. Após o mal-entendido sobre a Santa Ceia, agora o alvo é Imane Khelif, lutadora de boxe argelina. A acusaram de ser transgênero, uma mentira. Depois ela seria intersexo, alguém que nasce com genitália ambígua, quando não se sabe, ao nascer, qual é o sexo. Transgênero é quem não se reconhece com o corpo que nasceu.

Imane nasceu e foi criada como menina. Os boatos sobre ser intersexo começaram quando a Associação Internacional de Boxe (IBA) a desclassificou do mundial de boxe de 2023. Conforme eles: "tendo vantagens competitivas sobre outras competidoras femininas". Mas não foram claros quanto à razão.

Intersexo é uma palavra guarda-chuva. A genitália ambígua pode ter várias origens. Por exemplo, entre tantas possibilidades, nos extremos podemos ter um menino que depois se revela geneticamente XX, ou o contrário, uma menina depois revelada XY.

Nada nos permite concluir quanto a Imane, os fatos e os boatos se misturam. Além disso, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a IBA não se entendem. O COI, e não só ele, dizem que a IBA não é farinha de se fazer hóstia. A acusam de manipular resultados.

A polêmica tem fundo político. Mas não é só isso, é difícil decidir sobre o tema, tanto no caso transgênero como no caso de intersexo. O COI é obcecado quanto a questão do uso de doping para obter vantagens físicas. Como eles fariam para classificar atletas, entre ser homem ou mulher, nos casos trans e intersexo, com o mesmo rigor que têm quanto ao doping?

A diferença entre os sexos não se resume apenas a quais hormônios estão ativos, mas quais estavam quando o corpo se constituiu. Os músculos de homens e mulheres são diferentes no volume e na distribuição dos tipos de fibras. O aporte de oxigênio para as células é diferente. As vantagens tendem para o corpo de genética masculina.

Enfim, é um tema complexo, daqueles em que somos felizes por não ser da nossa alçada. Na Grécia antiga só homens participavam das Olimpíadas. Na época moderna, as mulheres entraram depois da Primeira Guerra. A Olimpíada de Berlim foi marcada por derrotar o racismo. Talvez esse seja o desafio do momento. 

MÁRIO CORSO

07 de Agosto de 2024
EDITORIAL

EDITORIAL

À espera de maior aprofundamento

Debates entre postulantes a cargos públicos estão entre os momentos mais cruciais em uma campanha eleitoral. É nestes encontros que os candidatos são desafiados a responder à queima-roupa sobre projetos e explicar programas de governo. São confrontados com posturas contraditórias, opiniões e decisões pretéritas. Estão expostos ao embate de ideias frente a frente com os adversários. Para o eleitor, é a oportunidade de ter um panorama amplo das candidaturas, compará-las e decidir o voto com maior convicção.

Todos esses elementos apareceram ontem no primeiro debate entre os pré-candidatos à prefeitura da Capital, realizado pela Rádio Gaúcha. Participaram Felipe Camozzato (Novo), Juliana Brizola (PDT), Maria do Rosário (PT) e Sebastião Melo (MDB), pré-candidatos cujos partidos e federações têm representantes no Congresso Nacional. 

Como era esperado, o principal tema foi a enchente de maio e as formas de evitar novos alagamentos no futuro, com o fortalecimento do sistema anticheias. É a inquietação número 1 hoje dos porto-alegrenses. Mas aguarda-se que, nas próximas oportunidades, os pretendentes à tarefa de administrar o município entre 2025 e 2028 sejam mais objetivos e se aprofundem não apenas nesta questão, central para o futuro da Capital, mas em outros de grande relevância, como saúde, educação e mobilidade urbana.

Merecem registro, entre os pontos positivos, a manutenção do respeito entre os pré-candidatos, mesmo nos momentos mais tensos de contundência e de cobrança, além do dinamismo do debate possibilitado pelo número enxuto de participantes. Também é digna de nota a precedência da discussão em torno dos problemas reais da cidade, que afetam o dia a dia da população, mesmo que temas relacionados à polarização nacional tenham emergido em alguns instantes.

Ainda assim, é dever postular mais dos que estão em busca da confiança do eleitor de Porto Alegre. Será necessário que, daqui para a frente, as candidaturas esmiúcem melhor as suas propostas, apresentem de forma detalhada como irão cumprir os compromissos assumidos e digam de onde sairão os recursos. Os porto-alegrense estão à espera de soluções palpáveis. Jogo de empurra sobre responsabilidades e acusações mútuas nada resolve.

Cioso do dever de estar a serviço da sociedade gaúcha, o Grupo RBS centrará a sua cobertura eleitoral na apresentação de propostas. Veículos e plataformas abrirão amplos espaços para a exposição de ideias. Em setembro, o Gaúcha Atualidade fará entrevistas individuais com os quatro primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto. Entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro, no programa em vídeo Me Leva, em GZH, a gerente de Programação e Jornalismo da Rádio Gaúcha, Andressa Xavier, dará uma carona aos candidatos para circular pela cidade e tratar de respostas aos problemas de Porto Alegre. 

No videocast Zona Eleitoral, serão sabatinados os cabeças de chapa e os seus vices. Os concorrentes também responderão a temas do cotidiano da Capital na seção Vida Real, de Zero Hora, e voltarão a debater no dia 3 de outubro, na RBS TV. 


 07 de Agosto de 2024

TROCA DE GESTÃO - Leticia Mendes

TROCA DE GESTÃO

Começa a transição na última penitenciária sob comando da BM

Quase 30 anos depois de assumir o comando da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, a Brigada Militar vai, gradativamente, deixar o local. A expectativa da BM é de que a transição completa para a Polícia Penal - que começou nesta segunda-feira - ocorra até abril de 2025.

Assim como ocorreu na Cadeia Pública de Porto Alegre (antigo Presídio Central), os policiais penais serão responsáveis pela administração. Com a saída da BM do antigo Central, a PEJ se tornou a única ainda gerida por PMs.

O futuro diretor da PEJ será Ricardo Vicent, que substituirá o major Glenio Daison Argemi Filho. A estimativa é de que sejam necessários 270 agentes para atuar na penitenciária, que abriga cerca de 2,5 mil presos.

A Polícia Penal é mais otimista em relação ao prazo e acredita que pode estar com a equipe apta a assumir a unidade ainda em janeiro. A confirmação depende da formação dos servidores.

- O governador deve encaminhar nos próximos dias a ampliação de forma emergencial dos cargos classe A de agente penitenciário. Deve entrar em votação e tão logo seja aprovado, e governador efetivar o chamamento dos servidores para a PEJ, vamos fazer a formação deles. Entre nomeação e formação leva-se uns quatro meses - afirma o superintendente dos Serviços Penitenciários, Mateus Schwartz.

Modelo de ressocialização

A PEJ se tornou modelo em projetos de ressocialização de presos. São fomentadas atividades como reciclagem, horta comunitária e criação de peixes. Segundo o comandante-geral da BM, coronel Cláudio dos Santos Feoli, o intuito é de que a transição seja realizada mantendo essas ações:

- A PEJ é uma das cadeias mais organizadas, do ponto de vista da disciplina, limpeza, dos processos e iniciativas mantidas ali. Para que permaneça tudo isso é que essa gestão compartilhada se iniciou. _

Brigadianos também deixarão a guarda dos muros de presídios

Além de transferir a administração da PEJ, a BM também deve deixar a guarda externa de outras prisões no Estado. O processo vem ocorrendo desde abril do ano passado. Ainda há 362 PMs em 29 cadeias.

- No início dessa jornada, tínhamos em torno de mil PMs exercendo essas funções e deixando de atender nossa missão, que é o policiamento ostensivo e a manutenção da ordem. Na última semana, a BM deixou a guarda dos muros de Santa Maria, vamos sair das duas cadeias de Caxias do Sul e até o fim do ano de Osório também - afirma Feoli.

Os soldados que deixarão as prisões retornarão para o policiamento em seus municípios.

- Temos PMs de todos os cantos do RS. Eles vão robustecer o policiamento nas pequenas cidades - diz o coronel. 



07 de Agosto de 2024
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Política e poder

Debate expõe pontos fracos de candidatos

Por quase duas horas, Felipe Camozzato (Novo), Juliana Brizola (PDT), Maria do Rosário (PT) e Sebastião Melo (MDB) tiveram a oportunidade de mostrar aos eleitores de Porto Alegre por que merecem um voto de confiança, mas não aprofundaram as propostas. Perderam uma oportunidade singular no debate da Rádio Gaúcha, o primeiro depois das convenções.

Melo, por ser prefeito na maior crise da história de Porto Alegre, a enchente de maio, foi menos cobrado do que poderia e pode comemorar a falta de objetividade de Juliana, que veio mais agressiva, mas se perdeu na formulação das questões.

Maria do Rosário vinha bem, falando dos problemas reais da cidade e de seu plano de ação, sem gritar, quando uma pergunta de Camozzato a desconcertou. Apesar de a eleição não ser sobre a prefeitura de Caracas, Camozatto questionou a deputada sobre a situação da Venezuela, lembrando que o PT divulgou nota saudando a vitória de Nicolás Maduro, que está sendo contestada por suspeita de fraude.

Aliás

Quem assistiu percebeu que, no espaço do debate propriamente dito, se formaram duas duplas óbvias: de um lado Maria do Rosário e Juliana Brizola, do outro Sebastião Melo e Felipe Camozzato. Isso não é incomum nos confrontos políticos, mas costuma ocorrer com candidatos que, sabendo não ter chance de chegar ao segundo turno, aceitam servir de escada para um concorrente. Não é o caso de Juliana e Camozzato, que querem ser protagonistas.

É inevitável que a enchente e as falhas no sistema de proteção às cheias sejam o tema central da campanha em Porto Alegre. Os candidatos precisam olhar para a frente e dizer o que farão para evitar que o alagamento se repita.

Eles gostaram, mas queriam ouvir propostas concretas

Nove eleitores assistiram ao debate no estúdio, como convidados. São eles: Rosaura Cavalcheiro, Maria Elcira Peretto, Heleno Garay, Francisco Fuchs, Juliana Corrêa Pérez, Josué da Silva, Rosiane Pontes, Dênis Rosa de Oliveira e Leici Machado Reichert.

De um modo geral, avaliaram a experiência como positiva, mas sentiram falta de propostas concretas e lamentaram o jogo de empurra dos candidatos em relação ao sistema de proteção às cheias e as respostas evasivas sobre temas como transporte coletivo. _

Presidente da Assembleia se afasta por três dias

O deputado Adolfo Brito tirou nova licença médica ontem e ficará afastado da presidência da Assembleia Legislativa até quinta-feira.

Brito será submetido hoje a uma angioplastia. Ontem, Brito enviou comunicado pelo WhatsApp aos colegas e servidores da Casa informando da necessidade do procedimento, que será feito pelo médico Fernando Lucchese, no Hospital São Francisco, referência cardiológica no Brasil.

"Passando para informar que deu uma ?zebrinha?. Estou com um dos stents de uma coronária entupido. Vou precisar fazer angioplastia e será nesta quarta feira, pela manhã. Estamos confiantes e, se Deus quiser, vai dar tudo certo", diz a mensagem. _

Complexo de vira-lata

Felipe Camozzato cometeu mais do que uma gafe ao dizer que o problema do sistema de proteção às cheias em Porto Alegre é que "foi projetado por alemães, mas executado à brasileira". Como se os engenheiros e operários brasileiros fossem incapazes de executar uma obra de qualidade.

O comentário também revelou desinformação: o sistema de proteção às cheias foi bem projetado e bem executado, mas faltou manutenção e fiscalização para evitar ocupação indevida dos diques. _

Telhado de vidro

Pelo menos nesse primeiro debate, Maria do Rosário evitou questionar Melo sobre as denúncias de corrupção no Dmae e na Secretaria Municipal de Educação. Ao que tudo indica foi o medo de o prefeito reagir falando em mensalão e petrolão, dois temas indigestos para a candidata do PT.

A deputada mostrou-se bem mais comedida do que em outras campanhas - inclusive no tom de voz. _

Extrema- esquerda?

Das voltas que o mundo dá: oito anos depois de ter sido candidato a prefeito tendo Juliana Brizola (PDT) como vice, Sebastião Melo coloca na agora adversária o carimbo de "extrema-esquerda".

Juliana está onde sempre esteve - no trabalhismo que vem lá de Getulio Vargas. Melo é que deu uma guinada para a direita ao se aproximar de Jair Bolsonaro e apoiar o candidato do PL, Onyx Lorenzoni, na eleição de 2022, sendo Gabriel Souza (MDB) o vice de Eduardo Leite (PSDB). _

mirante

No debate da Gaúcha, faltaram assuntos relevantes que devem ser aprofundados nas entrevistas. Entre eles, segurança, saúde, com foco nas consultas especializadas e cirurgias, zeladoria, coleta e tratamento de lixo.

Nelson Marchezan não resistiu e acompanhou o debate da Gaúcha. Sabia que seria citado e quis conferir.

Só Felipe Camozzato disse com clareza que vai fazer PPP para o saneamento.

POLÍTICA E PODER


07 de Agosto de 2024
INFORME - Rodrigo Lopes

Eleitor rejeita bate-boca e exige novas ideias e profundidade

Foi um aquece! O primeiro debate na Rádio Gaúcha e GZH com os pré-candidatos à prefeitura de Porto Alegre foi uma oportunidade para o eleitor tomar conhecimento sobre quem são e o que pensam aqueles que irão disputar o seu voto em outubro. Mas tudo está muito no começo e, por isso, os pré-candidatos ainda estão sentindo o ambiente, se testando e examinando os adversários.

O tema da enchente foi predominante na primeira parte do encontro de duas horas na manhã de ontem, seguindo uma lógica de Maria do Rosário (PT) e Juliana Brizola (PDT) atacando juntas a atual gestão em razão das falhas no sistema de proteção de Porto Alegre, Felipe Camozzato (Novo) evitando críticas mais fortes à administração atual e o prefeito Sebastião Melo (MDB) defendendo as ações do Executivo durante a tragédia.

A polêmica sobre se o Muro da Mauá resistiu ou não, cobranças sobre as casas de bombas e a altura dos diques dominaram a ponto de o tema transbordar para o segundo bloco.

Como tática, ficou clara a dobradinha entre os dois candidatos mais à esquerda, Maria do Rosário e Juliana, e os dois mais à direita, Melo e Camozzato, a ponto de concordarem entre si - e se escolherem mutuamente para responder a perguntas na hora do frente a frente.

O tema da enchente deixou pouco espaço para outros assuntos relevantes do dia a dia da cidade, como educação e saúde.

No terceiro bloco, a participação de moradores de Porto Alegre fazendo perguntas trouxe a público os desafios no sistema de transporte público: a qualidade dos ônibus, a privatização da Carris, o preço da passagem e a integração com a Região Metropolitana. Tudo muito "en passant".

Uma das características do formato de debate é a presença de plateia no estúdio. Nos bastidores, era possível perceber duas sensações:

1) Rejeição ao bate-boca, que apareceu no primeiro bloco. O eleitor está cansado de trocas de agressões entre os candidatos.

2) Cobranças por novas ideias e mais profundidade.

Fica o recado para os próximos confrontos entre os postulantes... _

Por que Kamala escolheu Tim Walz

Walz é ex-membro da Guarda Nacional, ponto relevante para os americanos, pelo histórico militar.

Considerado um "democrata moderado" por aliados, vem do meio rural, espaço que o Partido Republicano tem maior aderência. Joe Biden tem pouco contato com esse grupo, e o Partido Democrata vê oportunidade.

Alguns analistas apontam que Walz tem forte ligação com a classe média trabalhadora branca, espaço com o qual Biden também não tem proximidade. Ainda nesse grupo, ele é descrito como um "vovô do meio-oeste" e foi técnico de futebol americano.

Walz é presidente da Associação Nacional de Governadores Democratas e visto como um "político progressista", com pautas voltadas para o direito das mulheres e alinhado com o discurso de Kamala.

A expectativa era de um vice dos "swing states", os chamados "pêndulos". Minnesota é historicamente democrata, porém acredita-se que os republicanos estariam tentando conquistar o local e esse seria outro motivo para a escolha. Minnesota também está ao lado de Wisconsin e Michigan, que, estes sim, são "pêndulos". _

Uma proposta para lidar com as cheias

Trata-se de do engenheiro civil Carlos Tucci, pós-doutor em recursos hídricos pela Colorado State University, que atuou como professor titular do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS. É um dos membros do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Plano Rio Grande, instalado pelo Estado.

Ele é proprietário da Rhama Analysis, empresa de consultoria nas áreas de engenharia e ambiente.

Após o debate, a coluna apurou que o acerto entre prefeitura e a empresa está encaminhado, mas o contrato ainda não foi assinado. O Dmae disse que não poderia dar detalhes sobre valores e especificações do trabalho a ser feito até a assinatura.

Tucci tem relações com o grupo de holandeses que esteve no RS em junho para analisar o sistema de proteção contra enchentes no Estado.

A coluna conversou com Tucci em junho sobre a chuva no RS. _

Veja alguns pontos

INFORME

terça-feira, 6 de agosto de 2024


06 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

A felicidade dos brasileiros

Em qualquer parte da nação, houve gritaria, houve explosão de fogos de artifício, houve urros de felicidade. Assim como Guga fez com o tênis e Ayrton Senna fez com o automobilismo, Rebeca Andrade transformou a ginástica artística em esporte nacional. Todo brasileiro aprendeu as regras, entendeu como funciona a pontuação, para torcer melhor.

Se o collant da genial Simone Biles é bordado com 5 mil cristais Swarovski, o collant despojado e azul de Rebeca entrou no centro da nossa bandeira e atraiu estrelas.

Segundo Biles - lenda estadunidense com 11 medalhas olímpicas, sendo sete de ouro -, a atleta brasileira exigiu dela mais do que qualquer outra adversária ao longo de sua carreira. Chegou a brincar que ela estava dando cansaço. O duelo mexeu com os deuses gregos.

Agora o busto de Rebeca será eternizado em mármore na nossa história. Jamais esqueceremos o seu olhar gráfico, delineado em dois tons: um dourado com glitter, aplicado no canto externo e acima da pálpebra móvel, e um preto no estilo "gatinho", que segue para o canto interno.

Seus olhos são fulgores de concentração. Pedras eternas. As mais brilhantes. As mais carismáticas. Ela conquistou o ouro na final do solo na manhã de ontem, na Bercy Arena, em Paris, e hoje é a nossa maior medalhista de todos os tempos, ultrapassando os cinco pódios dos velejadores Robert Scheidt e Torben Grael.

Foi a quarta medalha da ginasta nas Olimpíadas 2024 e a sexta em sua trajetória. Só ela nos trouxe um ouro, duas pratas e um bronze na edição francesa dos Jogos, carregando o Brasil nas costas. Caso Rebeca Andrade fosse um país, ela estaria na 27ª colocação no quadro geral de medalhas, ao lado da Geórgia, logo atrás da Espanha e na frente da Suíça e da África do Sul.

Nem o roubo que a tirou do pódio da trave de equilíbrio, deixando-a em quarto lugar após realizar uma série sem nenhum erro, ofuscou a sua jornada. Na mesma manhã, deu o troco. Vingou-se com a perfeição.

A redenção veio com cravadas ao fim de cada acrobacia de uma apresentação graciosa e inventiva. Alcançou prodigiosos 14.166 pontos (precisou pôr os óculos para acompanhar a contagem) e talvez tenha que repensar o seu canto de cisne. Pois a ginasta confessou, nos últimos dias, que poderia abandonar o solo, alegando que cobra muito esforço de suas combalidas pernas.

Certamente não imaginava que se tornaria a nova campeã olímpica da modalidade, fundindo os nossos funks Movimento da Sanfoninha, de Anitta, e Baile de Favela, de MC João, com End of Time, de Beyoncé.

É a letra de Beyoncé que traduz o que estamos sentindo por ela: "I will love you so deeply" (eu te amarei tão profundamente). Enquanto sua mãe, dona Rosa, nas arquibancadas, migrava seu suor em lágrimas, reprisando os sacrifícios feitos na vida - como empregada doméstica em Guarulhos (SP), sustentou sozinha uma casa com oito crianças -, Rebeca convertia três cirurgias de ligamento no joelho em motivação e planava no ar.

Ninguém é capaz de supor, pelos seus voos e piruetas corajosos, o quanto sofreu para firmar os pés no chão novamente. Rebeca não demonstra nervosismo, tensão, medo. É tão simpática, tão sorridente que nem parece que está competindo em alta performance. Parece que ela está dançando para o mundo. _

CARPINEJAR

06 de Agosto de 2024
EMOÇÕES FINAIS

EMOÇÕES FINAIS

Emoções finais - Renascer

O que esperar do último mês da novela

Refilmagem da trama de Benedito Ruy Barbosa está prevista para chegar ao fim em 6 de setembro, com reprise no dia seguinte. Reta final deve trazer novidades em relação à história original, como a inserção de nova personagem, romances inesperados e um alento nos desfechos trágicos

Camila Bengo

Mais de seis meses se passaram desde que vimos José Inocêncio, então vivido por Humberto Carrão, ter a pele arrancada pelos jagunços do Coronel Firmino (Enrique Diaz) no primeiro capítulo da nova versão de Renascer. Hoje, o remake entra em seu último mês de exibição, com previsão para terminar em 6 de setembro (e reprise no dia 7).

Escrita por Benedito Ruy Barbosa, Renascer foi exibida pela primeira vez em 1993. Em 2024, a trama ganhou uma repaginada assinada pelo neto dele, Bruno Luperi, responsável também pela bem-sucedida regravação de Pantanal (2022).

Apesar de manter-se alinhada ao âmago do roteiro original, Renascer passou por inovações e mudanças bastante significativas. Confira, a seguir, o que se pode esperar nesta reta final.

Desfecho de José Inocêncio

Após romper de vez com Mariana (Theresa Fonseca), José Inocêncio (Marcos Palmeira) engatou um romance com Aurora (Malu Mader). O desfecho do casal ainda é incerto, mas há indícios de que a relação possa ser mais duradoura do que foi na primeira versão.

Na trama original, o fazendeiro rejeitava a ideia de ter algo mais sério com Aurora. Agora, José Inocêncio está disposto a se entregar ao relacionamento, o que indica que os dois podem, sim, acabar juntos. Se isso acontecer, significa que Mariana não conseguirá retornar ao convívio com Inocêncio - diferentemente do que ocorreu na versão original.

Entretanto, o desfecho principal do personagem não deve ser alterado: José Inocêncio morre no último capítulo da trama, após pedir desculpas e declarar o seu amor a João Pedro (Juan Paiva), o filho que sempre rejeitou. No plano celestial, ele finalmente reencontra Maria Santa (Duda Santos), o grande amor de sua vida.

João Pedro reencontra Sandra

O mais provável é que o caçula dos Inocêncio tenha o mesmo fim da versão original. Assim, João Pedro ficará com Sandra (Giullia Buscacio), mas terá um caminho difícil até o final feliz. Nos capítulos recentes, Sandra não quer enxergar o ex-marido nem pintado de ouro, enquanto ele se vê cada vez mais apaixonado por ela.

Já Mariana deve ter um raro momento de bom senso e parar de insistir em um romance com o jovem. O esperado é que, assim como ocorre anteriormente, ela vá embora da região após a morte de José Inocêncio.

Final feliz para Tião Galinha

Tião Galinha (Irandhir Santos) terá um final bem melhor do que visto em 1993, em que comete suicídio após ser preso por um crime que não cometeu. Nesta refilmagem, Tião já foi preso uma vez e, em breve, vai parar atrás das grades novamente. Mas ele conseguirá se livrar das injustiças sofridas e conquistará o tão sonhado pedaço de terra. Resta saber se isso será suficiente para salvar o casamento com sua amada Joaninha (Alice Carvalho).

Na primeira versão da novela, com a morte de Tião, Joana engata um romance com o padre Lívio, personagem de Breno da Matta na refilmagem, que abandona a batina para segui-la. No entanto, há grandes chances de que o final dela seja ao lado de Zinha (Samantha Jones) - que, na versão passada, era Zinho. Isso romperia com a história original, mas agradaria uma ala dos espectadores que torce para que a filha de Jupará (Evaldo Macarrão) consiga encontrar o amor.

Nova personagem

Se não ficar com Joana, Zinha pode acabar com Lilith (Lucy Alves). Trata-se de uma nova personagem, que deve chegar à trama na próxima semana. Ela, que é sanfoneira e usa o nome artístico de Jacutinga, será descoberta por Rachid (Almir Sater) e Norberto (Matheus Nachtergaele). Lilith vai mexer com os sentimentos de várias pessoas ao chegar à vila, incluindo Zinha.

Um romance entre as duas faria sentido, pois, na versão original, Zinho ficou com uma personagem que também surgiu na reta final. No entanto, muita coisa pode acontecer. Bruno Luperi já mostrou que não fica restrito ao roteiro original e, certamente, fará de tudo para fisgar os espectadores neste último mês. _


EDITORIAL - Atenção à cota de gênero

Atento a uma irregularidade recorrente no país, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) promete dar atenção especial neste ano às fraudes nas cotas de gênero. Será uma das prioridades, ao lado do combate às fake news. Trata-se de uma iniciativa meritória, voltada a assegurar o respeito à norma criada para incentivar uma maior participação feminina nas Casas Legislativas. As mulheres são 51,5% da população brasileira, conforme dados do Censo Demográfico de 2022. Mas, no último pleito municipal, em 2020, conquistaram apenas 16% das vagas nas Câmaras de Vereadores, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há muito a avançar em termos de representatividade.

A legislação prevê que pelo menos 30% das candidaturas lançadas por partidos, coligações e federações nas disputas proporcionais devem ser femininas. Tem se verificado no entanto que, para cumprir formalmente a exigência, em alguns locais e ocasiões, siglas têm registrado candidatas mulheres que na prática são postulantes fictícias. Sequer fazem campanha e acabam com votação ínfima .

Para enfrentar este problema no Estado, o TRE-RS instaurou no início do mês passado, de forma pioneira no país, o Comitê de Enfrentamento à Fraude à Cota de Gênero. A intenção é assegurar uma participação feminina efetiva na eleição municipal deste ano, impedindo que mulheres sejam usadas apenas como "laranjas". Na sexta-feira, no evento Diálogos Eleitorais, em Caxias do Sul, o presidente do tribunal, desembargador Voltaire de Lima Moraes, ressaltou que o objetivo é fiscalizar o cumprimento da legislação, mas também orientar os partidos sobre a observância da regra. O caráter educativo, para evitar a burla, é tão relevante quanto a punição após a ilegalidade ser flagrada e provada.

Também vigilante, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou em maio uma súmula sobre fraude à cota de gênero nas disputas proporcionais. À época, o presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, lembrou que essas irregularidades ocorrem em maior número nos pleitos municipais em relação às eleições gerais - a norma vale também para as candidaturas às Assembleias Legislativas e à Câmara dos Deputados. Somente em 2023, o plenário presencial do TSE confirmou 61 ocorrências de práticas de fraude à cota. Neste ano já foram 20. Em um julgamento virtual, em fevereiro, a Corte reconheceu casos em 14 municípios de seis Estados. Decidiu-se pela cassação dos mandatos de todos os vereadores das legendas envolvidas nestas cidades, além da anulação dos votos recebidos pelos seus partidos.

A súmula aprovada pelo TSE serve para julgar casos semelhantes. Aponta como sinais de fraude votação zerada ou inexpressiva, movimentação financeira da candidatura irrelevante, prestação de contas sem giro de recursos, ausência de atos de campanha e apoio a outro postulante ao cargo. Os partidos estão bem avisados. Espera-se que, de fato, trabalhem para diminuir a gritante desigualdade de gênero na política. Democracia também é uma representatividade mais à semelhança da população. 



06 de Agosto de 2024
GPS DA ECONOMIA - com João Pedro Cecchini

Rafael Vigna - GPS da Economia

O que influencia a alta do dólar além de EUA e Japão

Na quinta-feira passada, um dia após a disparada da cotação do petróleo, o dólar teve forte alta de 1,43%, para R$ 5,735, motivada pelo aprofundamento do cenário global de aversão ao risco. Na ocasião, a moeda norte-americana rompeu a barreira fixada pelo maior nível desde 21 de dezembro de 2021, quando fechou em R$ 5,738. Ontem, voltou a avançar 0,56%, cotada a R$ 5,741.

Agora, somam-se novos elementos ao rali especulativo. O principal destaque fica por conta da notícia do início da manhã de ontem, indicando o estopim de uma suposta crise nos mercados da Ásia, cujo epicentro seria o Japão, onde o índice Nikkei fechou em queda de 12,4%.

Ao longo do dia, a moeda norte-americana chegou a romper a cotação de R$ 5,86, a mais alta desde outubro de 2020, mas foi acomodada durante a tarde. Na B3, assim como na maioria dos mercados globais, as pressões sobre o dólar se intensificaram na sexta-feira, quando os dados do emprego nos Estados Unidos apontaram para o aumento da taxa de desemprego e a redução da renda do trabalho, aprofundando o temor de eventual recessão naquele país, que este ano irá às urnas pra escolher seu novo presidente.

Por outro lado, analistas apontam questões da agenda doméstica com peso e influência sobre o câmbio. Valter Bianchi Filho, sócio-diretor da Fundamenta Investimentos, lista entre esses fatores o que chama de "incapacidade do governo" em demonstrar compromisso firme com o equilíbrio fiscal.

Segundo ele, isso é acrescido da expectativa de inflação futura desancorada, o que aumenta a percepção de risco no Brasil e acelera a desvalorização do real.

Pressão externa

A queda de commodities representativas na pauta de externa do Brasil, sobretudo a soja e o minério, atrapalha o fluxo de dólares. Apesar do resultado das contas (exportações - importações + fluxo de investimento para cá) estar positivo, a retração recente da cotação dessas destas commodities impacta as expectativas sobre eventual deterioração dessas contas. _

Com a escalada do risco de intensificação dos conflitos no Oriente Médio, os mercados emergentes, dentre os quais o Brasil, tendem a sofrer mais com a desvalorização das moedas nacionais - nesse caso, do real ante o dólar.

Vendas de pé de moleque viram doações

A partir deste mês, o pé de moleque em versão crocante de 140 gramas da DaColônia ganha nova embalagem. Também recebe nova forma de distribuição, com cada unidade do doce embalada individualmente. Parte da arrecadação com a venda de produtos será transformada em ajuda ao Rio Grande do Sul. O verso da embalagem ainda tem QR code que facilita doações via Pix, em qualquer valor. Os valores vão ser destinados ao Instituto Cultural Floresta. A DaColônia investiu cerca de R$ 1,2 milhão para produzir a nova linha. _

Carlos Macedo, divulgação

Entrevista - Carlos Bortoli - Diretor da Profill, empresa de engenharia consultiva

"Todos sabem o que precisa ser feito, agora é planejar"

Os temas do Fronteiras do Pensamento mais próximos do RS

GPS DA ECONOMIA

06 de Agosto de 2024
IMPACTO DA ENCHENTE - Bruna Oliveira

IMPACTO DA ENCHENTE

Alimentos e calçados lideraram demissões

Conforme o Caged, desligamentos superaram admissões pelo segundo mês seguido no RS. Apenas a construção contratou mais do que os demais segmentos.

A fabricação de calçados e de produtos alimentícios são dois dos os ramos que mais demitiram no RS em junho. Com quedas em toda a indústria de transformação, os segmentos derrubaram as contratações formais do setor fabril. A indústria foi a que mais dispensou funcionários no mês, com baixa de 3,9 mil empregos com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).

Exceto a construção, todos os demais setores tiveram dados negativos. Mas os resultados são considerados comedidos diante do cenário.

Quando pensamos que a enchente alagou 80% do RS, não vejo que seja preocupante e sim um momento de adequação - destaca a economista e professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Maria Carolina Gullo.

Para o Ministério do Trabalho e Emprego, os números vieram melhor do que o esperado, dada a dimensão do impacto da cheia.

Atenção aos recursos

Excluindo a indústria de tabaco, que tradicionalmente dispensa trabalhadores neste período, os segmentos da indústria de transformação como fabricação de artigos de couro, alimentos, máquinas e confecção lideram as perdas. A fabricação de produtos alimentícios desligou 382 funcionários no mês. Muitas empresas do ramo, apesar de não fecharem por completo durante a cheia, tiveram problemas no recebimento de matéria-prima e na logística.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação e Bebidas (Siab RS), Marcos Oderich, diz que a morosidade na obtenção dos recursos destinados à recuperação econômica é o maior desafio para a retomada neste momento. Na indústria calçadista, a fabricação manteve uma das principais baixas, mas reduziu o ritmo de demissões em relação a maio e a junho do ano passado. A queda é sazonal, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, e os efeitos da enchente no setor são indiretos, pois houve dificuldade logística. _

Na contramão dos demais setores econômicos, a construção contratou 0,4% a mais no mês (saldo positivo de 546 postos). Foi o único setor no azul e o saldo positivo também pode ser relacionado à enchente. A tendência é de que o setor permaneça aquecido por alguns meses.

- É exatamente o que estamos vendo neste momento: a necessidade de obras e reformas, tanto em residências e locais comerciais quanto em estradas - diz a economista Maria Carolina Gullo. O setor de serviços teve o menor saldo no fechamento de postos (-451), já indicando retomada. Muitas atividades pararam completamente durante a enchente, sobretudo as ligadas ao turismo.

A partir do momento que a locomoção voltou a ser possível, o turismo de proximidade, em geral feito de carro, ganhou força. Para os especialistas, o desempenho do setor vai contribuir nos próximos meses para dados de emprego e de Produto Interno Bruto (PIB).



Viva ao contraditório

Há várias formas de aferir a capacidade de um candidato a um cargo público e um dos modelos são as entrevistas, que nos últimos anos têm se tornado mais incisivas - afinal, nesses 39 anos de democracia brasileira, a população está cansada de respostas vazias ou promessas descoladas das realidades dos orçamentos. É nelas que nós, jornalistas, estamos preocupados mais com o "como fazer" do que com "o que fazer". Há também o horário eleitoral; o acompanhamento do dia a dia do candidato, em persona; a análise de seus planos de governo; e, mais recentemente, sua interatividade nas redes sociais.

Debates alavancam campanhas ou as detonam: um exemplo recente foi o duelo na CNN com Donald Trump, em que ficou exposta em rede nacional a decadência cognitiva do presidente Joe Biden.

Mas o que importa, no final das contas, é mesmo o que o candidato tem a dizer, o conhecimento sobre a cidade, sua capacidade de refletir sob pressão, de ouvir o adversário, evitar provocações e, ao fim, explicar suas ideias.

Relatório apontará ações de prevenção

As conclusões da visita dos técnicos holandeses que estiveram no RS em junho para avaliar o sistema de proteção contra enchentes serão apresentadas no próximo dia 19.

Esses especialistas integram o programa de Redução de Risco de Desastres, com sede em Haia, na Holanda. A comitiva veio a Porto Alegre para compreender as causas, avaliar a estrutura, formular um diagnóstico e elaborar sugestões.

A coluna apurou à época que o documento deve recomendar, a curto prazo, melhor previsibilidade do nível de elevação dos rios e uma governança relacionada à gestão hídrica.

Emergencialmente, a Capital precisará elevar sua capacidade de previsão das cheias do Guaíba. Também deve ser recomendada uma melhor precisão das medições do nível do lago.

Depois da apresentação do relatório, será realizada, entre 20 e 22, uma conferência de "cocriação" para "repensar o sistema de proteção contra enchentes no delta metropolitano de Porto Alegre". Estão confirmados 10 especialistas de diversas organizações holandesas que debaterão com profissionais do Estado e de outras partes do país.

O encontro contará com técnicos do BNDES e do Banco Mundial (Bird). 

Kamala Harris deve anunciar hoje o seu vice. Quem são os nomes? Kamala Harris deve anunciar hoje o seu vice. No domingo, ela se reuniu com três possíveis nomes para compor a chapa.

Mark Kelly é senador pelo Arizona. Militar reformado, foi piloto da marinha e astronauta pela Nasa. Político de primeiro mandato, ele é "pulso firme", segundo aliados, e costuma abordar temas de segurança pública e imigração. Além disso, o Arizona é considerado um swing state, logo um Estado cobiçado pelos candidatos.

Ex-membro da Guarda Nacional, Tim Walz é governador de Minnesota. Considerado um "democrata moderado", vem do meio rural, onde os republicanos têm maior aderência. Recentemente chamou Donald Trump e o vice, Vance, de "estranhos".

Governador da Pensilvânia, Josh Shapiro já foi procurador-geral. Após a desistência de Joe Biden, foi um dos primeiros democratas a apoiar Kamala. Shapiro, que é judeu, já criticou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mas afirmou que o país tem direito à autodefesa. _

Porto Alegre e o apoio a Trump

A eleição dos EUA chegou a Porto Alegre. A coluna recebeu a foto de um carro estacionado em uma das ruas do bairro Petrópolis com um adesivo de apoio ao candidato do partido republicano Donald Trump.

No adereço, colado no para-choque, está escrito "Trump, pegue a América de volta". Ainda mostra a face do ex- presidente com a bandeira do Brasil. _

Venezuela cada vez mais isolada

Com a Venezuela cada vez mais encapsulada, jornalistas credenciados para cobrir a eleição do 28 de julho estão encontrando dificuldades para retornar a seus países. Boa parte das conexões do Brasil com o território de Nicolás Maduro passa por Peru e Panamá, nações com as quais o regime rompeu relações. Resultado: os voos foram cancelados. Um jornalista precisou ir à Turquia para regressar ao Brasil. Outra viajou a Madri para voltar para sua base, em Buenos Aires. _

Grupo do Senado doa R$ 70 mil para duas escolas no Sarandi

A Liga do Bem do Senado, um grupo de voluntários do órgão e da comunidade em geral, destinará R$ 70 mil para duas escolas municipais do bairro Sarandi, em Porto Alegre. A unidade Major Miguel José Pereira receberá R$ 23,7 mil, que serão aplicados para a aquisição de computadores e impressoras, recuperação da áre de lazer e aquisição de livros.

Já a escola Cristóvão Colombo receberá R$ 47 mil, valor que será utilizado para a recuperação do laboratório de biologia e química, além da instalação de computadores em diversos setores.

Os recursos são remanescentes da campanha realizada pela Liga desde o início da enchente, que arrecadou mais de R$ 350 mil. _

INFORME ESPECIAL 

segunda-feira, 5 de agosto de 2024


05 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

O chavismo morreu

Nicolás Maduro é o típico ditador latino-americano. Uma caricatura terrível e repulsiva. Repete a sina de Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, que adulterou a votação de 2021, com a prisão de diversos opositores e com o resultado rejeitado pela grande maioria da comunidade internacional.

Da mesma forma, Maduro simula eleições, os venezuelanos votam, e ele finge que é o vencedor. Depois de executar o golpe de Estado, ele inverte a realidade como se fosse vítima de um complô, diz que vem sofrendo tentativa de golpe das nações que não aceitam as irregularidades do pleito e age com truculência para abafar dissidências.

Ou alguém que ganha as eleições limpamente não iria querer ostentar a contagem das urnas, seção por seção? Se Maduro tivesse vencido com justiça, ele mostraria tudinho. Até as suas roupas íntimas.

A questão é que ele brinca que está numa democracia. Desde 2013, o país não conhece urnas livres e legítimas. São 11 anos de tirania. E ninguém faz nada. E ninguém o remove da encenação canhestra. E o presidente Lula não se posiciona firmemente. Qual a solução por vias institucionais, se até o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral estão atrelados ao Executivo?

Enquanto não ocorrer independência entre os poderes, enquanto o Legislativo e o Judiciário permanecerem como marionetes da mão de ferro presidencial, jamais veremos uma Venezuela democrática novamente. Pois todo julgamento tem a insídia oculta da perseguição ideológica.

Trata-se de uma omissão injustificável do governo brasileiro, que vive opinando sobre os conflitos da Ucrânia ou de Israel. No meu entendimento, omissão significa apoio, chapa-branca. Lula está dando tempo para a situação se tornar irreversível. A sede da oposição acabou de ser vandalizada por anônimos encapuzados. Precisa de mais algum sinal?

O diálogo é impossível, o escândalo é evidente na vizinha Venezuela. O chefe da diplomacia da Casa Branca, Antony Blinken, denunciou fraude e afirmou que havia "evidência esmagadora" da vitória do opositor Edmundo González Urrutia nas eleições presidenciais de 28 de julho.

É um "conto de fados" que Maduro tenha conseguido a reeleição, com 52% dos votos contra 43% de González, candidato da aliança opositora Plataforma Unitária Democrática - isso após tirar do caminho sua candidata original, María Corina Machado. Há indícios de que ele perdeu por 67% a 30%.

Agora, começam o terror, a violência, a opressão. Qualquer um que se declare contrário será preso. Já assistimos a esse filme várias vezes. Nicolás Maduro trancafiou 1,2 mil pessoas insatisfeitas com o regime em prisão de segurança máxima. Promete capturar outras mil. O destino é o silêncio total dos presídios Tocorón e Tocuyito. Os manifestantes, chamados por ele de "quadrilhas das novas gerações", ficarão enclausurados com quem cometeu crimes hediondos e dificilmente vão sobreviver dentro das facções carcerárias.

Como de costume, haverá uma "Marcha da Vitória". Aqueles que marcham serão soldados do Exército, jamais sociedade civil. Parece mais tropa de choque do que apoio popular. Existe um numeroso inventário dos crimes contra a humanidade praticados na autocracia venezuelana. Os direitos básicos de cidadania são sucessivamente vilipendiados, ontem e hoje.

O chavismo morreu (Hugo Chávez é um fantasminha camarada), o que vigora é o antigo e indisfarçável fascismo de todas as horas. Se Maduro tivesse vencido com justiça, ele mostraria tudinho. Até as suas roupas íntimas

CARPINEJAR