terça-feira, 16 de março de 2021


16 DE MARÇO DE 2021
ALMANAQUE GAÚCHO

Um romance da história da imigração italiana

O texto a seguir é uma colaboração da escritora Eliane Tonello.

A história da imigração italiana no Rio Grande do Sul se iniciou no fim do século 18 e começo do século 19, intensificando-se entre 1870 a 1914, com o programa colonizador criado pelo governo brasileiro, que possibilitou a entrada no Rio Grande do Sul de oitenta a cem mil imigrantes. Segundo dados da Universidade Federal de Pelotas, entre 1870 e 1872, o governo imperial decide povoar as áreas da província de São Pedro do Rio Grande do Sul com o objetivo de ocupar territórios vazios. 

A Serra gaúcha foi a escolhida por ser mais próxima da Capital, e pela semelhança do clima e tipo de solo com a Itália, favorecendo a cultura da uva e fabricação de vinho. Em 1874, iniciou a demarcação das Colônias Imperiais, sendo que as primeiras foram: Conde d?Eu (Garibaldi) e Dona Izabel (Bento Gonçalves); Colônia Fundos de Nova Palmira (Caxias do Sul); Colônia Álvaro Chaves (Veranópolis); São Marcos e Antônio Prado. Em 20 de maio de 1875, chegaram em Campos dos Bugres (Caxias do Sul) os primeiros italianos e, a partir desta data até 1914, se processou o primeiro ciclo imigratório. O ponto culminante da imigração, entre 1884 e 1894, alcançou cerca de 60 mil italianos, diminuindo, a partir de então, com o cancelamento da concessão de passagem transoceânica pelo governo republicano.

A viagem de navio durava em torno de quarenta dias. Os viajantes enfrentavam tempestades, fome, sede e doenças. A primeira parada no Brasil era o Rio de Janeiro. Depois, porto de Rio Grande, seguindo então pela Lagoa dos Patos até Porto Alegre. A abertura de estradas fazia parte do trabalho compulsório que durava em torno de semanas até meses, por isso a necessidade de barracões para servirem de abrigo. Com a escassez de alimento, o pinhão salvou muitos imigrantes. Somente mais tarde recebiam do governo o lote de terra, sementes e ferramentas agrárias (machado, facão, enxada e pá). Os italianos trouxeram na bagagem a forte relação de cuidado com a família, a cultura do vinho e o respeito pelos animais. Muitos produtos de sustento básico acabaram por expandir sua comercialização de forma tal que culminou no aparecimento das primeiras indústrias.

Através da religião, os italianos exerceram grande influência na cultura rio-grandense. As comunidades católicas eram centro de encontros. Havia a igreja, a reza do terço, e a capelinha que passava de casa em casa, fatos que facilitaram muitos casamentos.

Herdeira desta cultura e tataraneta de imigrantes, escrevi um romance que se intitula A Espiral de Gerações. É a história do personagem Johann, que inicia antes mesmo de embarcar no Porto de Gênova, na Itália. Depois, relato com minúcias fatos ocorridos durante a viagem e a vida construída no município de Bento Gonçalves, na Serra gaúcha. A chegada à Colônia Dona Izabel ocorreu no ano de 1887, quando poucas eram as moradas.

Os capítulos são curtos e intensos, entrelaçando mundos oníricos, reais e ficcionais que conservam memórias e segredos permeados em gerações. O cachorro "guardião" e o alazão foram companheiros de percurso, bem como o pinhão, que mantinha o personagem vivo. A criatividade acompanha Johann ao cruzar o continente, as costuras, os consertos e a fabricação de utensílios domésticos, lhe possibilitaram a subsistência. As chagas nas mãos e nos pés denotavam a própria essência da liberdade. Através do trabalho com o arado, a construção de taipas de pedras e o cuidado com as videiras, foi-lhe garantida a sobrevivência. No Rio Grande do Sul, Johann constrói sua identidade, uma família e o seu destino.

RICARDO CHAVES


16 DE MARÇO DE 2021
HUMBERTO TREZZI

Legítima defesa da desonra

A TV colorida ainda engatinhava no Brasil, eu era um adolescente rebelde e lembro como se fosse hoje de, num raro momento de pasmaceira, ter parado para assistir ao Jornal Nacional. O vozeirão do Cid Moreira anunciava um dos maiores escândalos da década de 1970: o assassinato de Ângela Diniz, a Pantera de Minas, ex-miss, por seu namorado, o playboy Raul "Doca" Street. O crime aconteceu numa mansão na paradisíaca Praia dos Ossos (hoje município de Búzios-RJ). Os dois tinham discutido, ela o mandou embora. E ele, inconformado, a fuzilou com quatro tiros de pistola Beretta. Isso foi em 30 de dezembro de 1976.

Crianças, o Brasil era outro, outra era a moral. Matar "por amor" ou em descontrole "sob forte emoção" eram argumentos aceitos pelos jurados. Nada muito estranho para um país com hábitos semifeudais em pleno século 20, que misturava rock e pistolagem, sonhava com viagens espaciais, mas desmatava sertões para plantar a soja (Ave Soja, Santa Soja). Até por isso, todos paramos para assistir ao júri do Doca Street, em 1979.

E não é que o playboy saiu livre do fórum? Entre horrorizado e hipnotizado com a oratória, vi o famoso advogado fluminense Evandro Lins e Silva alegar que Ângela era uma "vênus lasciva", que enlouquecera Doca ao desprezá-lo. O playboy pegou sentença de 18 meses de reclusão, mas como já tinha cumprido prisão preventiva pelo equivalente a um terço da pena, foi libertado.

Mas aí o Brasil mostrou que os tempos começavam a mudar. A TV já exibia um seriado chamado Malu Mulher, da época em que Regina Duarte posava de feminista. E mulheres de todo o Brasil começaram a pedir novo julgamento para Doca. Que aconteceu, em 1981. No segundo round dessa peleia, o playboy não escapou: condenado a 15 anos de reclusão, cumpriu quatro em regime fechado.

Aí você pensa que a tal defesa da honra caiu em desuso, né? Ledo engano. Advogados criminalistas continuaram a ter sucesso com essa tese, Brasil afora. Um deles, o gaúcho Lúcio de Constantino. Ele me conta que conseguiu absolver Lucas, um homem que chegou cedo em casa e encontrou a mulher em flagrante adultério. O amante pulou a janela e fugiu. Inconformado, o marido traído matou a esposa a facadas e depois tentou se matar. Foi preso, mas acabou absolvido no júri por 4 a 3.

Ainda em 2016, um sujeito foi libertado em Nova Era (MG), mesmo após ter matado a mulher ao surpreender diálogos de WhatsApp no qual ela falava com outro homem. Ele foi absolvido em todas as instâncias.

Pois na semana passada o Supremo Tribunal Federal (STF), em voto unânime de 11 ministros, decidiu que a tese de legítima defesa da honra não pode mais ser usada pela defesa de homicidas.

Eu e você, modernos que somos, sempre achamos que, se o amor acabou, acabado está. Partir para outra. Mas em mentes arcaicas - e no submundo das gangues - ainda persiste, acredite, a ideia de que é direito executar suas ex-mulheres, muitas vezes por traições imaginadas. Sem direito a defesa.

Em tempo: Doca Street, ao sair da prisão, foi vender carros usados e operar no mercado financeiro. Morreu no ano passado, de ataque cardíaco e sem novos episódios sangrentos na sua biografia. Aos 86 anos.

HUMBERTO TREZZI | INTERINO

16 DE MARÇO DE 2021
OPINIÃO DA RBS

TROCA SEM GARANTIA DE MUDANÇA

A chegada do cardiologista Marcelo Queiroga para substituir Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde não elimina a questão central: pouco adianta trocar um general por um médico se a diretriz também não for mudada, com a pasta passando a ser guiada pelo bom senso e os ditames da ciência. Sem isso, o Brasil continuará sofrendo com a má gestão da crise sanitária, que resulta no prosseguimento da escalada desenfreada de mortes. Se ao fim e ao cabo prevalecer a submissão às crenças do presidente Jair Bolsonaro, o resultado não será diferente, com o país - hoje o epicentro global da pandemia - se transformando cada vez mais em fonte de preocupação mundial.

Os ministros anteriores a Pazuello, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, também eram médicos reconhecidos, mas não resistiram às sabotagens presidenciais ao viés técnico que tentaram implementar. Já Pazuello sequer conseguiu fazer jus à fama de especialista em logística. Mostrou-se apenas apegado à obediência, sem margem para decidir e ineficiente na compra de imunizantes, como provam o atraso brasileiro na aquisição de doses e os desentendimentos com a Pfizer, que fez várias ofertas para o país desde meados do ano passado, todas recusadas pelo governo federal.

A consequência é que o Ministério da Saúde, que deveria ter um papel central no combate à pandemia, demonstra até agora um desempenho sofrível, quando não com decisões equivocadas com desenlaces ainda mais graves, como no caso da falta de oxigênio em Manaus. Sucessivas promessas foram descumpridas, alimentando a perda de credibilidade. O resultado se materializa em um número absurdo de mortes, hospitais em colapso, vacinação a passos de tartaruga e oposição a medidas que diminuam a circulação nas cidades. A situação desesperadora faz governadores e prefeitos correrem atrás da compra de vacinas, escassas no mundo, porque compreenderam que não podem confiar no governo federal, e enfrentarem sozinhos o desgaste por medidas restritivas necessárias.

A esperança seria de que a nomeação de Marcelo Queiroga não significasse apenas uma troca de nome, mas de orientação. Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o quarto ministro desde o início da pandemia, no entanto, já manifestou estar afinado com as ideias de Bolsonaro. E o próprio presidente sinalizou ontem à noite que a intenção é de manter a linha de atuação do ministério com Pazuello à frente. Mesmo assim, é justo aguardar suas primeiras medidas no comando da pasta. Seria urgente uma guinada na política atual, buscando a implantação de forma harmoniosa de boas práticas, com alinhamento dos três entes federados. Sem uma unificação das orientações, no sentido de incentivar toda a população a comportamentos que quebrem a cadeia de transmissão do vírus, será mais difícil conter a elevação do número de contágios, enquanto se aguarda a tão esperada imunização em massa. Presidente sinalizou que a intenção é de manter a linha de atuação de Eduardo Pazuello.


16 DE MARÇO DE 2021
DADOS DO RS

Disparam casos de covid-19 nas prisões

O recrudescimento da pandemia nas últimas semanas no RS tem apresentado reflexos no sistema prisional. O total de presos contaminados aumentou quase quatro vezes nos primeiros 70 dias de 2021. Conforme o boletim da Secretaria da Administração Penitenciária (Seapen), eram 25 infectados em 1º de janeiro, contaminação que avançou para 93 presos em 11 de março, crescimento de 272%. Atualmente, 25% das 152 casas prisionais têm casos confirmados ou suspeitos de covid-19 - em janeiro, 15% das unidades estavam nessa situação.

Em um ano pandemia, foram 2.158 detentos infectados, dos quais 11 morreram. A letalidade do vírus nas prisões é de 0,5%, quase um quarto do percentual da letalidade que o vírus tem na população em geral do RS, que chega a 2%.

Em todo o país, conforme o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 147 presos morreram por coronavírus até 8 de março, sendo que 46,9% dos casos ocorreram no Sudeste e 17% foram registrados no Sul. O RS é o terceiro Estado com maior número de presos mortos pela doença no Brasil, atrás de São Paulo (38) e Rio de Janeiro (16). É o sétimo com maior quantidade de contaminados nas cadeias desde o começo da pandemia, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso.

O avanço da covid-19 no sistema prisional gaúcho acompanha o agravamento da doença fora dele, na opinião do secretário adjunto da Seapen, Pablo da Cruz Vaz. Um exemplo é a situação do Presídio Estadual de Cruz Alta que até a terceira semana de fevereiro havia registrado apenas um caso e, segundo o boletim epidemiológico de 11 de março, havia se tornado a casa prisional com o maior número de infectados no RS: 21 contaminados e 30 casos suspeitos.

- Houve aumento de casos extramuros, na sociedade como um todo, e infelizmente entrou dentro do presídio, mesmo sendo tomadas todas medidas, com sanitização duas vezes por semana. O funcionário tem uma vida lá fora, tem família, vai no mercado, na farmácia, acredito que a entrada do vírus tem ocorrido dessa forma, pois só tivemos visitas em uma semana em janeiro. O preso está isolado aqui - afirma o chefe de segurança do presídio, Altemir da Silva.

Ontem, o total de contaminados no Presídio de Cruz Alta subiu para 43. A atualização dos infectados, que ainda não consta no boletim epidemiológico da Seapen, revela que 21,6% de todos 199 presos contraíram a doença nas últimas semanas. A Vara de Execuções Criminais suspendeu por 14 dias os horários de recreação e a entrada de advogados e oficiais de Justiça. Só está permitido o acesso de servidores da Susepe e de profissionais de saúde.

Testagem

O Instituto Penal Feminino de Porto Alegre chegou a ter 20 casos simultâneos em fevereiro mas, segundo a Seapen, conseguiu zerar. Em 11 de março, outros infectados estavam concentrados em prisões de diferentes regiões: Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves (10), Penitenciária Estadual de Santa Maria (5), Presídio Regional de Santa Cruz do Sul (5) e Presídio Estadual de Quaraí (5).

Apesar da multiplicação das infecções, a Seapen afirma que a pandemia está controlada nas casas prisionais e aposta na alta testagem para conter a letalidade. Até 11 de março, 72,5% dos 5 mil servidores da Susepe e 48% dos 41.199 apenadas já haviam sido testados.

Todo preso que entra no sistema é submetido a uma quarentena preventiva de 14 dias e, no final deste período, é testado. Na Região Metropolitana, há mais de 1,3 mil vagas destinadas exclusivamente ao isolamento preventivo de novos detentos: 700 no Complexo Prisional de Canoas e 600 na Penitenciária Estadual de Sapucaia do Sul.

Os que já estão em presídios e penitenciárias e apresentam sintomas são isolados e fazem o teste RT-PCR. A testagem de contactantes ocorre segundo critérios da Secretaria Estadual da Saúde. Visitas de familiares não são permitidas nas bandeiras pretas e vermelhas.

- Nunca trabalhamos com risco zero nem temos pretensão disso. O isolamento preventivo do preso tem a fonte de contágio muito mitigada. O próprio servidor que convive em sociedade, pode, eventualmente, contrair a doença fora do sistema. Outra fonte são os terceirizados e as famílias, com entrega de sacolas com itens de higiene e comida. Todos os cuidados que tomamos não são infalíveis - diz o secretário adjunto da Seapen.

Maior cadeia do Estado, o Presídio Central, em Porto Alegre, teve a primeira contaminação por coronavírus em julho de 2020. Depois, chegou ao pico de cem testes positivos simultâneos, mas conseguiu baixar o total de infectados e, segundo o diretor do presídio, tenente-coronel Carlos Magno, a contaminação ficou zerada por três meses. Desde o começo da pandemia, três presos morreram devido à doença quando já estavam no hospital. Na sexta-feira passada, havia seis detentos isolados aguardando resultado do exame PCR e três casos positivos.

Após chegar a quase uma centena de infectados, parecia improvável atingir números tão baixos em um espaço projetado para 1,8 mil pessoas que abriga 3,5 mil. Magno afirma que foram aplicados protocolos de higiene em grande escala e qualquer deslocamento para fora das galerias é restrito e, quando ocorre, é exigido que os presos usem máscara.

JENIFFER GULARTE


16 DE MARÇO DE 2021
INFORME ESPECIAL

RS ganhará centenas de novos técnicos de saúde

O Conselho Estadual de Educação deve autorizar essa semana que alunos de cursos técnicos da área da saúde se formem antes do prazo no Rio Grande do Sul e, com isso, ajudem a aliviar a pressão em hospitais e postos de saúde. Só em Porto Alegre, serão cerca de 500 técnicos em enfermagem, radiologia, nutrição e análises clínicas.

A Lei 14.040, de 18 de agosto de 2020, que estabeleceu normas educacionais excepcionais a serem adotadas durante a pandemia, prevê a possibilidade de formação antecipada de técnicos na área da saúde que já tenham cumprido 75% da carga horária dos estágios, desde que autorizada pela autoridade competente. O pedido foi encaminhado pelo Sindicado do Ensino Privado do RS no final do ano passado e, diante do agravamento da crise e da falta de pessoal, a sinalização é de que o ok venha até sexta-feira.

O outro lado

Alexandre Dias Abreu, diretor do Sindicato dos Municipários da Capital (Simpa), explica a sua posição sobre a reforma da previdência pública em Porto Alegre. Alexandre considera que, ao contrário do que alega o Executivo, a previdência não é deficitária.

Argumenta que o valor gasto atualmente para complementar o pagamento das aposentadorias e pensões não é déficit, mas sim uma dívida do município referente à cota patronal. Alexandre ressalta que o sindicato se mantém aberto ao diálogo, mas "não tem como, neste momento, realizar discussões de análises com a categoria que está sobrecarregada com a tarefa de atender a população, principalmente nos pronto-atendimentos, nas unidades de saúde e nas diversas atividades essenciais, frente à grave crise da pandemia".

Por isso, defende a retirada do projeto.

Marco

Há 10 anos, no verão de 2011, o Brasil erguia o seu primeiro laboratório no centro da Antártica, a Criosfera 1. A plataforma automática e multidisciplinar segue ativa e utiliza somente energia limpa para o uso de seus equipamentos e envio de dados via satélite. A expedição foi coordenada pelo Dr. Jefferson Cardia Simões, professor da UFRGS. Atualmente, uma equipe se desloca anualmente até o módulo para manutenção da plataforma que realiza o monitoramento da composição química da atmosfera e coleta dados meteorológicos.

Solidariedade

A Casa do Menino Jesus de Praga está precisando de ajuda:

Máscara cirúrgica descartável

Toucas descartáveis

Luvas de procedimentos P e M

Álcool 70º

Óculos de proteção

Papel toalha interfolha

As doações podem ser entregues em qualquer dia e horário na sede da entidade, que tem portaria 24 horas. Rua Nelson Zang, 420. Doações em dinheiro podem ser feitas pelo PIX chave (CNPJ) 89621767000141. WhatsApp para informações: (51) 99572 8124.

Em trânsito

O projeto de lei que prevê a aplicação de multa pelo repasse de fake news relacionados à pandemia de coronavírus foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia/RS no ano passado, e agora aguarda parecer da Comissão de Segurança e Serviços Públicos. O projeto foi apresentado pelos deputados Juliana Brizola (PDT) e Mateus Wesp (PSDB).

Do bem

Parceria firmada entre os programas Mesa Brasil, do Sesc, e Prato para Todos, da Ceasa, pretende ampliar o acesso a uma alimentação saudável em Porto Alegre e Região Metropolitana. Os alimentos e materiais de higiene recebidos pelos programas serão doados mutuamente, chegando a 50 toneladas de produtos em 2021, podendo beneficiar até 200 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A campanha Amor que Movimenta fará a troca de lacres de alumínio e tampinhas plásticas rígidas por cadeiras de rodas e fundos para custeio de despesas de entidades sociais. O objetivo é ajudar pessoas com mobilidade reduzida ou carência financeira. A ação promovida pela Imobiliária Guarida também recolherá doações de equipamentos como muletas, andadores e cadeiras de banho em bom estado . Os materiais arrecadados serão encaminhados para o Educandário São João Batista, AAPPAD e Rotary São Geraldo.

TULIO MILMAN


segunda-feira, 15 de março de 2021


15 DE MARÇO DE 2021
DAVID COIMBRA

Houve uma vez um verão

Entre essas andanças tantas, dirigi a primeira rádio totalmente jornalística de Santa Catarina, a Eldorado, de Criciúma. Naquele tempo, anos 1990, a rádio fechava a programação às duas da madrugada para retornar às cinco, com o programa Rádio Rural, apresentado pelo jovem Silmar Vieira.

Era preciso, portanto, escolher um tema para o encerramento das atividades. Tinha de ser uma música nostálgica, de despedida, que rodaria enquanto o locutor informava, com brevidade, que a programação seria interrompida. A melodia deveria prosseguir ainda por alguns minutos, produzindo no ouvinte a sensação mansa de que um dia estava acabando, mas que outro logo viria para substituí-lo.

Eu queria a música perfeita. Para encontrá-la, fui para a discoteca da rádio, chamada de Discoteca do Bolacha. O Bolacha era um antigo radialista da cidade, um tipo engraçado, bem-humorado, que se apresentava fazendo troça com o próprio nome:

- Eu sou o Osvaldo Costa, aquele de quem toda mulher gosta. Na verdade, todos, homens e mulheres, gostavam do Bolacha. Ficamos, eu e ele, algum tempo fuçando nas pilhas de discos, até que achei a música que procurava.

- É essa! - gritei para o Bolacha. - É essa!

Era o tema de um dos grandes filmes do cinema, Houve uma Vez um Verão, do francês Michel Legrand.

Lembrei dessa história porque Legrand morreu no fim de semana passado. Ao ver as notícias sobre ele, senti vontade de assistir de novo a Houve uma Vez um Verão. É um filme belíssimo. O protagonista visita a praia em que viveu o ano mais importante da sua adolescência, talvez da sua existência: 1942. Em inglês, o título do filme é, precisamente, O Verão de 42. O narrador da história é um garoto de 15 anos de idade. Ele se apaixona por uma mulher mais velha, que mora sozinha em sua pequena casa desde que o marido foi lutar na Segunda Guerra Mundial.

Vou contar o que acontece, porque não há spoiler se o filme foi lançado há mais de quatro décadas: quando ela descobre que o marido morreu em combate, entrega-se ao menino. Hoje, o autor seria acusado de pedofilia, mas é bem o contrário: trata-se de uma história delicada, de beleza agridoce e cheia de significados. No final, ela vai embora e deixa-lhe uma carta, na qual diz esperar que ele jamais sofra perdas inexplicáveis na vida. Mas a fuga dela já não é em si uma perda? E não é sempre assim? A vida não é, afinal, uma sucessão de perdas? Você opta por uma coisa em detrimento de outra. Você vai deixando pessoas e lugares pelo caminho, enquanto avança e avança. Para onde você avança? Talvez para algum tempo de onde você olhe para trás e, como se ouvisse uma música de Legrand, sinta a vaga saudade de algo indefinido. Então, talvez, você irá recordar, com pesar ou com alegria, que, uma vez, houve um verão.

*Crônica publicada em 29 de janeiro de 2019

DAVID COIMBRA


15 DE MARÇO DE 2021
EM CASA

Requinte em meio à queda de Portugal. Minissérie "Os Maias", de 2001, já pode ser revista no streaming

Romance de Eça de Queioz datado de 1788, Os Maias ganhou uma fiel adaptação para a televisão em 2001. A minissérie estrelada por Fábio Assunção e Ana Paula Arósio pode ser revista a partir de hoje no Globoplay. Todos os 44 capítulos foram disponibilizados na íntegra na plataforma de streaming.

A história de Os Maias, que tem narração de Raul Cortez, é dividida em duas fases. A primeira acompanha a proibida paixão de Pedro da Maia (Leonardo Vieira), filho do patriarca Afonso da Maia (Walmor Chagas), por Maria Monforte (Simone Spoladore). Após viver um longo período de melancolia, ele encontra no romance a possibilidade de uma nova vida, mesmo com a rejeição de Afonso: o pai da moça não pertence à alta roda da sociedade lisboeta. Apesar do desgosto, Pedro se casa com Maria e tem dois filhos, Maria Eduarda e Carlos Eduardo.

A família tem um baque após Pedro ferir, durante uma caçada, o príncipe italiano Tancredo e o convida para se recuperar em sua casa. Maria se apaixona e resolve fugir com ele, levando consigo a filha e deixando o pequeno Carlos aos cuidados do pai. Pedro e o filho voltam para a casa do avô, mas o pai acaba se matando.

A segunda fase é marcada por muitas reviravoltas. Cerca de 25 anos depois, Carlos Eduardo (interpretado por Fábio Assunção na fase adulta) é um bem- sucedido médico em início de carreira, reconhecido nas ruas por seu carisma.

Tudo começa a mudar quando conhece a misteriosa Maria Eduarda (Ana Paula Arósio), que é casada com um rico comerciante brasileiro. O interesse dos dois cresce e eles passam a investir em encontros às escondidas. O que eles não imaginam é que o laço entre ambos é mais antigo do que imaginam.

Os Maias foi gravada durante seis semanas em Portugal, sendo a primeira produção da Globo para a televisão a ser realizada um longo tempo fora do Brasil. A tradicional residênciaa dos Maias teve como fachada um antigo casarão de Lisboa, de 1788, de propriedade particular.


15 DE MARÇO DE 2021
OPINIÃO DA RBS

GRATIDÃO E CONVERGÊNCIA

A homenagem aos profissionais da saúde na sexta-feira à noite é uma prova de que, quando há uma causa nobre merecedora de grande mobilização, os gaúchos sabem se unir. O que se testemunhou em todo o Rio Grande do Sul foi uma corrente de solidariedade e reconhecimento materializada em um grande engajamento na iniciativa Aplauso pela Vida, em homenagem aos profissionais da saúde do Estado. Com a adesão espontânea da população e o apoio de uma série de entidades e personalidades, janelas e sacadas foram tomadas por uma emocionante salva de palmas dedicada aos trabalhadores que, há um ano, desde os primeiros dias da pandemia, dedicam-se incansavelmente à batalha para salvar vidas.

Mais do que um ato de gratidão, a ação também buscou ser uma espécie de injeção de ânimo para médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, radiologistas, psicólogos e demais profissionais, como os das áreas de limpeza, segurança e motoristas de ambulância, há meses submetidos a uma brutal pressão mental e ao esgotamento físico de jornadas extenuantes.

Os resultados da iniciativa têm ainda um significado que extrapola os seus objetivos iniciais. Mostram que, apesar da existência de divergências naturais na sociedade, os gaúchos são capazes de convergir em momentos decisivos. E é desta busca de pontos em comum que o Estado precisa neste período desafiador para vencer a crise que aflige a saúde e a economia.

Além da adesão voluntária nos lares do Estado, a homenagem impulsionada pelo Grupo RBS mobilizou as redes sociais e contou com o chamamento e a participação de entidades políticas, do Judiciário, tradicionalistas, religiosas, empresariais, profissionais, militares, de esportes, entre tantas outras, para agradecer e introjetar energia positiva nos trabalhadores que vivem dias particularmente difíceis neste mês de março. 

Mesmo quem, a esta altura, teve a sorte de não ter sido infectado, possivelmente tem um parente próximo ou alguém do círculo de amizade que foi tocado pelo vírus, adoeceu e, mais do que conhecimento técnico, contou com a dedicação e o apoio no processo de recuperação. De todas as especialidades, os trabalhadores da saúde, desde as unidades básicas aos leitos de UTI, estiveram, estão e estarão sempre a postos para não medir esforços para fazer angústia virar alívio, mesmo que para isso também tenham de se expor a riscos. Nem todas as batalhas foram vencidas, é verdade, mas nunca faltaram entrega e desprendimento, inclusive com custos pessoais.

Inicia-se agora uma nova semana. É mais uma que tende a apresentar números preocupantes da covid-19 no Estado, com elevadas quantidades de casos, internações e mortes. Mais do que aplausos, os profissionais de saúde contam com a responsabilidade de todos os gaúchos para deter a disseminação do vírus e começar a diminuir a pressão sobre os hospitais, onde está a última trincheira dos combatentes da vida, já exaustos. Enquanto não há uma cobertura adequada de vacinação, a mais esperada homenagem será reforçar cuidados e hábitos como evitar aglomerações, usar sempre máscara e fazer a higiene das mãos, para evitar novos contágios. Esse é o ato de heroísmo que todos os rio-grandenses estão aptos a fazer, mostrando ser possível confluir quando interesses maiores estão em jogo.


15 DE MARÇO DE 2021
CLÁUDIA LAITANO

Uma vila em chamas

No início dos anos 1980, na antiga União Soviética, a escritora e jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch começou a recolher depoimentos de ex-combatentes da II Guerra Mundial. Em um regime que sufocava qualquer manifestação que destoasse do patriotismo triunfante e laudatório, a jornalista queria contar a história da guerra a partir de personagens anônimos. Só não sabia exatamente como.

Foi então que topou com um livro chamado Eu Venho de uma Vila em Chamas, composto pelas vozes de pessoas comuns submetidas a situações excepcionais. "Achei o que estava procurando", conta a ganhadora do Nobel de Literatura de 2015 no prefácio do seu livro A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), coleção de depoimentos que transportam o leitor para a realidade menos épica do front. "O que nos parece mais interessante e próximo não são os grandes feitos e o heroísmo, mas aquilo que é pequeno e humano."

Os relatos que a repórter Larissa Roso vem publicando em seu perfil no Twitter (@larissaroso) nas últimas semanas filiam-se à linhagem de narrativas que colocam o que é "pequeno e humano" sob uma lente de aumento - com a diferença de que estão vindo à luz enquanto os soldados ainda estão nas trincheiras e o número de baixas não para de crescer. 

Depois de passar quase um ano cobrindo a pandemia nas páginas de Zero Hora, Larissa entrou em férias justamente quando sua vila foi tomada pelas chamas: seu último dia de trabalho foi no final de semana em que metade do Estado entrou em bandeira preta. O bom senso sugeria que a repórter descansasse antes de voltar ao front da redação, mas Larissa não conseguiu. Usando as armas que tinha à disposição, a escrita e a escuta, decidiu voltar ao combate.

Narradas por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, as histórias que Larissa tem postado no Twitter colocam em primeiro plano os sentimentos que vêm à tona quando a morte deixa de ser uma abstração: o terror nos olhos de um paciente, as despedidas, a exaustão psicológica. O objetivo não é apenas comover os leitores, mas levá-los a agir - e reagir.

Muitos de nós talvez tenham, no futuro, a chance de transformar a experiência de viver em uma vila em chamas em memórias. Este é o momento de decidir se queremos ser lembrados como bombeiros ou como incendiários.

CLÁUDIA LAITANO

domingo, 14 de março de 2021


Só umas palavras

Elas têm altos e baixos e podem ir pra sarjeta sem nunca terem subido à ribalta

13.mar.2021 às 23h15
EDIÇÃO IMPRESSA

As palavras, como as pessoas, têm seus altos e baixos. Às vezes os baixos são tão profundos que elas morrem. Ou ficam hibernando “em estado de dicionário”, como diria Drummond. Poucas causas são mais decisivas pro desmoronamento vernacular do que uma ascensão meteórica. “Glamour” era glamouroso quando eu nasci. Hoje soa como um figurino do Casal 20, esquecido no fundo de um armário. Já “armário” era um termo neutro, que foi ficando mais simpático quando dele pessoas puderam começar a sair. Hoje, ao pensar em armário, penso no hambúrguer do Ritz, na parada gay, num filme do Almodóvar.

Há termos que vão pra sarjeta sem nunca terem subido à ribalta. Depois da ocupação nazista, na França, “colaborador” (collaborateur) ficou para sempre sujo na praça, como todos aqueles que aceitaram sem revolta a invasão.

Em português, “colaborador” também tem sido uma palavra colaboracionista. Ao fingir que os empregados de uma empresa são seus “colaboradores”, o mercado (de bens e de símbolos) ajuda a dar a impressão de que essa selvageria trabalhista é uma Finlândia da Legoland. Não, queridão, o motoboy do aplicativo de entrega que não tem contrato, direitos, banheiro, água ou um salário decente não é “colaborador” da empresa, é um explorado. (“Explorado” é um termo que envelheceu mal. Foi uma vítima colateral da derrocada do PT. Uma pena, porque a exploração continua comendo solta no Brasil e no mundo. Quem sabe se a anulação das condenações do Lula no STF não ajuda como um “rebranding” de “explorado”?).

O politicamente correto, que trouxe grandes avanços, mas parece um tanto zureta nos últimos tempos, tem uma relação particular com as palavras. No início, coibia o uso de termos que soassem ofensivos a certos grupos. Faz todo o sentido. “Negão” ou “negrinho” ou “crioulinho” são usados majoritariamente de forma preconceituosa —começando pelo fato de se escolher a cor para definir a pessoa. Ultimamente, no entanto, estamos chegando num ponto em que nomear um grupo oprimido é ser opressor. Em inglês já não se deve mais dizer “judeus” (“jews”) e sim “jewish people”. É um paternalismo cujo tiro sai pela culatra. Ao proibir “judeus”, os ativistas da língua inglesa dão a entender que há algo de feio em “judeus”.

“Judeus” me leva à diáspora e daí pras línguas latinas: findo o império romano, as palavras pegaram suas trouxinhas e foram morar em outros lugares, ganharam outros status, sentidos e conotações. “Todavía” em castelhano é “ainda”. Em português é “contudo”. Carro em italiano é “machina”. Às vezes, chacoalhando nas viagens, as letras se embaralhavam. O erre de crocodilo, em português, foi parar lá na frente do “cocodrilo” castelhano.

Ou terá sido o contrário?

Um dia resolvi ler o Dom Quixote. Comprei um em castelhano, com notas de rodapé para os termos mais antigos e em desuso. Comecei a ler e me surpreendi ao descobrir que a maioria das notas era pra explicar termos que morreram no espanhol, mas seguem vivos no português. “Yantar”, explicava uma nota, era “cenar” (jantar). Tinha até um “luego luego” do Sancho Pança, com a explicação de que significava “daqui a pouco”. Óbvio, entendi ali: quanto mais vamos pro passado num tronco linguístico, mais nos assemelhamos.

Era só isso, mesmo. Não chego a conclusão alguma sobre qualquer assunto. Eu estava com saudades de escrever uma “crônica, crônica”, sem rumo, sem razão de ser e sem as palavras “Bolsonaro” ou “genocida” ou “desespero”. Quase consegui.

 

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sábado, 13 de março de 2021


13 DE MARÇO DE 2021
LYA LUFT

Em todo começo, a sua magia

Quase na metade da tradução de mais um Hermann Hesse (em tempos idos traduzi vários), com esse delicioso título, minha alma atormentada nestes tempos de preocupação e notícias tristes sente um certo refrigério, que doce título, que doce expressão.

Nem todo começo é assim, claro, muitas coisas na vida começam terríveis, vão adoçando, e viram um idílio - ou só pioram. Ou, pelos menos, são suportáveis. Mas, se formos menos céticos, realmente em cada novo encontro, novo trabalho, novo amigo ou novo amor existe um toque de magia que, se não formos grosseiros ou bobos demais, não há de se desfazer. Mas permanece, e se, regado com afeto e alegria, ou solidariedade e emoção, nos ilumina, se torna um jardim onde conseguimos passear nossas aventuras emocionais mais inocentes, ou menos, não faz mal.

Por algum motivo hoje me encantei, com atraso (isso às vezes me acontece, distraída que sempre ando), com a ternura desse título do livro, que fala em boa parte de memórias de infância do autor, juventude, relações familiares. Há nele um tom melancólico, e enorme encantamento com a natureza. Os tons das árvores, das montanhas, do capim, dos vestidos das irmãs, a bondade discreta da mãe, a autoridade bondosa do pai, o terror de alguns professores, por fim a descoberta de um mentor, aquele mestre admirado embora fosse uma figura excêntrica e cheia de manias. Todos, quase todos, conhecemos essa figura que em algum momento nos marcou com força, e lembramos mesmo depois de décadas, pela importância que teve. Modelo, proteção, janelas e portas abertas para a vida, estrada e conhecimento, qualquer coisa.

Então está sendo uma alegria tranquila traduzir este Hesse, sem maiores dificuldades exceto que, naturalmente, não tenho mais a resistência física antiga, de trabalhar várias horas seguidas de manhã, e a mesma coisa de tarde. Cansa-se o corpo, mas a mente continua no seu giro de lembrar, inclusive, belezas semelhantes da minha vida, e infância.

Árvores, tons infinitos de verde, chuva nas lajes, cheiro de terra molhada, passos do pai no corredor, voz da mãe cantando na sala, brincadeiras com o irmãozinho, sabor de comida em panelas de ferro, e as histórias, muitas vezes sinistras, que as empregadas adoravam me contar porque deviam ver meu pavor estampado nos olhos, e riam de mim: tudo mentirinha, sua boba.

Estamos talvez precisando, sim, de momentos de leveza, como uma amiga querida contando que nasceu mais um netinho, contrapondo-se à dor de ligar o celular de manhã e receber a notícia da morte ou adoecimento de mais uma pessoa querida, a sombra da Peste por toda parte, a tentativa de equilíbrio entre medo e calma, receio e prudência, as notícias desanimadoras ou que causam indignação, que também precisamos equilibrar, porque os tempos (que tempos!) exigem de nós o máximo de sensatez.

Então, essa magia de um novo começo me ilumina quando fico mais triste, ou tensa, e não importa que começo for, porque sempre há tantos, ainda que seja de um trabalho, um livro, uma nova pessoa, uma música que traz encantamento, ah sim, porque também precisamos disso.

LYA LUFT

13 DE MARÇO DE 2021
MARTHA MEDEIROS

Minhas influenciadoras

Estamos no Mês da Mulher e eu, que em outros tempos já demonizei a data, hoje reconheço que é mais uma oportunidade para reafirmar nossos valores, denunciar abusos e homenagear as mulheres que abriram caminhos para nós. Mães, avós e professoras iniciaram nossa formatação, mas não foram as únicas. Você teve suas desbravadoras, eu tive as minhas.

Não seria quem sou se Rita Lee não tivesse me dado colo nas vezes em que me considerei a ovelha negra da família (quem nunca?). Se Marília Gabriela não transformasse suas entrevistas em sessões de psicanálise, sempre mantendo a classe e a firmeza diante de qualquer entrevistado. Se não contássemos com o gigantismo sereno de Fernanda Montenegro, nosso farol. Se Marina Colasanti não tivesse escrito A Nova Mulher e Mulher Daqui Pra Frente, dois livros que foram a minha bíblia: me abriram os olhos sobre a importância da independência feminina e revelaram a aventura que estaria ao meu alcance, se eu ousasse sair da bolha.

Não seria quem sou se não tivesse recebido o apoio, no início da minha carreira literária, em Porto Alegre, de Tania Carvalho, Lya Luft e Irene Brietzke. Se não tivesse conhecido a obra de Maria Adelaide Amaral, se Elisa Lucinda não tivesse me envolvido com a intensidade de sua poesia, se Leila Ferreira não tivesse me ajudado a dar um cavalo de pau numa dor de estimação, se Isa Pessoa não tivesse editado o Divã e se grandes atrizes como Lilia Cabral, Cissa Guimarães, Ana Beatriz Nogueira, Cristiana Oliveira e Julia Lemmertz não tivessem dado voz e graça às minhas palavras no palco - há outras, são muitas, um grande elenco.

De repente, a pandemia. O estupor. Mas o mundo não parou. Hoje, mantenho a busca por mais consciência e representatividade através do trabalho de Eliane Brum, Djamila Ribeiro, Teresa Cristina, Zélia Duncan, Luiza Trajano e outras grandes artistas, filósofas, jornalistas, empreendedoras. Não faltam mulheres atentas ao momento presente e que estão sempre nos incentivando a ser mais atuantes. Nada contra seguir perfis de influenciadoras de moda, maquiagem, musas fitness - ser vaidosa é saudável, mas a cabeça continua sendo nossa bússola e força: sem lucidez, pouco adianta o cabelo, o botox, a magreza.

Amo os homens da minha vida e devo muito a eles também, mas é uma mulher que inspira outra mulher a crescer, a evoluir e a realizar seus desejos. Nesse time, incluo minhas duas filhas, que antes dos 30 já me ofertam o seu melhor, um olhar aberto e renovado, estimulando que eu enxergue esse planeta com amplitude, e não com visibilidade restringida. Que todas as mulheres encontrem o seu lugar, apoiando-se em exemplos notáveis - e de mãos dadas com a coragem, nossa melhor amiga.

MARTHA MEDEIROS

13 DE MARÇO DE 2021
CLAUDIA TAJES

Quem vê máscara vê coração

Agora é oficial. Diante de tudo o que está acontecendo, quem não usa máscara bom sujeito não é.

Ou é ruim da cabeça ou só é ruim, mesmo. Toma tenência, demonho.

Pior que a gente continua vendo muitos e muitas sem máscara por aí. Até então, eu pensava que correr sem ela era a única situação aceitável. Quem tenta manter a sanidade na solidão do seu esporte sabe que correr de máscara é dose - ainda que não seja insuportável. Mas uma reportagem publicada nessa semana (veja em gzh.rs/exerciciosrua) me fez ver que eu estava dando uma de tia do Zap. A máscara é, sim, obrigatória enquanto você corre. Ou caminha ou pedala ou se exercita ao ar livre. Atividades, segundo a matéria, recomendadas nesses tempos de confinamento, desde que de máscara e com a devida higienização de mãos, corpos e roupas ao voltar para casa.

Faz sentido quando se sabe que a máscara reduz em 87% a chance de contrair covid-19.

Lembra do anúncio de cartão de crédito, não saia de casa sem ele? Hoje em dia, melhor sair sem o cartão do que sem a máscara.

Sou da ala que sai pouquíssimo, sempre com fins utilitários. Em geral para ir ao supermercado, porque nem sempre dá para pedir tudo online. Nessas poucas escapadas, independentemente do supermercado a que for, os taxistas do ponto - qualquer ponto - quase sempre estão aguardando seus clientes fora dos carros, conversando sem máscara. Opinião: é o maior espanta freguês que existe. Quem quer ficar dentro de um táxi com um motorista que, minutos antes, estava livre, leve e solto, ao alcance dos perdigotos?

Uns chamam de paranóia. Eu chamo de propaganda errada em tempos de clientes escassos.

Há um ano, quando tudo começou e a gente ainda se iludia com a ideia de que logo a normalidade estaria de volta, as crianças não usavam máscaras. Iam pela mão de seus pais mascarados com a cara no sol e no vento, como deve ser. Até isso mudou. Hoje você vê aqueles toquinhos de máscara de bichinho, de herói, de heroína, e dá um aperto. Assim como a gente contou para os filhos que, um dia, as crianças brincavam na rua sem medo, os nossos filhos vão contar para os filhos deles que, um dia, as crianças brincavam sem medo e sem máscara.

E é isso ou o vírus vai continuar se transmitindo e lotando as UTIs e aumentando a contagem dos mortos. Porque a vacina, meus queridos, essa vai demorar. Custa cada um colaborar?

Enquanto tantos se recusam a um cuidado tão simples, vou seguir aqui, martelando.

Água mole em cabeça dura tanto bate até que fura.

Antes só do que mal acompanhado por alguém sem máscara.

Não deixe para amanhã a máscara que você pode usar hoje.

Quem avisa sobre a máscara amigo é.

Quem tem máscara vai a Roma.

Uma máscara vale mais do que mil palavras.

Quem vê máscara vê coração. E, se não vê, é porque a coisa é feia.

No caso, o coração.

A pandemia provocou o aumento da violência doméstica contra as mulheres no Brasil em 2020. Foram 105.821 denúncias no ano passado, segundo relatório oficial divulgado pelo governo. Agora o e-commerce O Amor É Simples está apoiando a Casa de Referência Mulheres Mirabal, que acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade social e violência doméstica em Porto Alegre, com a venda da ecobag Mulheres que Empoderam Mulheres. Para comprar e contribuir com as mulheres Mirabal, é só entrar no site.oamoresimples.com.br.

CLAUDIA TAJES

13 DE MARÇO DE 2021
LEANDRO KARNAL

PARA DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES

MINHA AVÓ ADVERTIA: ?SORTE COM FLOR, AZAR NO AMOR?. ENTRISTECIA-ME SABER QUE MEU DOM COM AS PLANTAS TINHA UM CUSTO: EU NUNCA SERIA FELIZ NO AMOR. A SABEDORIA DOS DITADOS POPULARES É TOTAL E NÃO PODE SER CONTRARIADA.

Maurice Druon (1918-2009) é escritor consagrado da língua francesa. Foi militante da resistência contra os nazistas. Tornou-se um controverso ministro da Cultura no pós-guerra. Como secretário da imponente Academia Francesa, resistiu à presença da primeira mulher naquela casa de letras, a escritora Marguerite Yourcenar (1903-1987). Gaullista histórico, é conhecido por seu talento, alguma misoginia e por suas críticas aos comunistas.

No Brasil, o membro da Academia Francesa foi muito conhecido pela coleção dos Reis Malditos, contando o colapso da dinastia dos Capetos e a extinção dos Templários no século 14. Foi um sucesso estrondoso de público. George R. R. Martin confessou que tinha lido e se inspirou nela para escrever o que seria a base da aclamada série Game of Thrones.

Os livros sobre Filipe IV e seus filhos são um vício. Sempre que os emprestava a alguém, advertia: "Você está com tempo?". Até hoje, os títulos povoam minha imaginação: O Rei de Ferro, A Loba de França, Os Venenos da Coroa e outros. Tive de estudar muito aquele momento para poder dar aulas sem confundir a imaginação de Druon com fatos históricos.

A série sobre os reis é muito boa. Porém, hoje volto minha memória a outro livro de Maurice: Tistu, o Menino do Dedo Verde (Tistou les Pouces Verts).

Tistu tinha um dom. Colocava o dedo em um lugar e as flores germinavam. O velho jardineiro Bigode percebeu o talento incomum e com ele teve conversas instrutivas sobre o dom do "polegar verde".

Tistu semeou flores nos muros e paredes da comunidade mais pobre, bem como no hospital e até na prisão. A cidade de Mirapólvora foi sendo transformada em Miraflores.

O livro critica a escola formal, as guerras, as cidades frias e cinzentas e a falta de imaginação de muitos adultos. Há trechos com ecos do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry. Surge uma escada de flores na cidade que leva ao céu. Ao subir nela, acabamos sabendo que o pequeno do dedo verde era, na verdade, um anjo. Será que alguma criança ou jovem ainda lê esses livros?

Eu achava possuir o "dedo verde", mesmo sem nunca ter sido anjo. Tudo o que eu plantava florescia com força. Li uma biografia de Santa Rita de Cássia e descobri que ela recebera ordens da superiora para regar um galho seco diariamente. Maldade da freira mais velha para testar obediência. A videira verdejou e lançou suas gavinhas fortes para crescer. Da mesma forma, a roseira que a agostiniana plantou fornecia flores mesmo sob a neve do inverno. Teria Rita também um "dedo verde"?

Porém, sempre existe um porém, minha avó advertia: "Sorte com flor, azar no amor". Entristecia-me saber que meu dom com as plantas (abaixo de Tistu e de Santa Rita, claro) tinha um custo: eu nunca seria feliz no amor. Ou se achava a pessoa perfeita ou se tinha flores. Felicidade ou rosas! Boa vida a dois ou vergéis. Os campos floridos sob meus pés seriam para eu andar sozinho, profetizava a mãe da minha mãe. A sabedoria dos ditados populares é total e não pode ser contrariada. Nada do que eu fizesse poderia impedir a sina. Eu seria um homem solitário, cercado de cravos e de ranúnculos. Choraria em casa tomada de heras lindas. Seria a solidão com o suave perfume de magnólias viçosas.

Há poucos meses, durante o apogeu do recolhimento da pandemia, minha esperança aumentou. Ganhei um bonsai muito bonito. Decidi cuidar dele com minha conhecida habilidade, meu indefectível dedo verde e a certeza da minha harmonia com plantas. Borrifava água filtrada, levava para a melhor luz e testava diariamente todos os cuidados. O resultado? O pequeno pinheiro morreu de forma lenta e progressiva, indiferente aos mimos. No lugar da planta renitente, coloquei um asplênio jovem e promissor. Evitei deslocar o vaso, quem sabe fosse isso que tivesse matado o antecessor... A planta, que se usa em jardins verticais em condições mais complexas, ainda não morreu, mas está quase partindo para o paraíso das samambaias ou para o purgatório das epífitas.

Desolação. Foi um bonsai baixado à cova e um asplênio agonizante em um curto período. Eu tinha perdido o dom de Rita e da personagem de Maurice Druon... Logo... Sorte no amor! Posso sair à rua e, quando houver chance, confraternizar em bares indagando sobre plantas mortas ou agonizantes. Claro! A pessoa em questão deve também ter muito "azar" com plantas, ou ela será uma má companhia. Talvez seja o caso de levar até uma pequena violeta para a vida noturna. Oferecer no primeiro encontro. Já observar se a florzinha, sob nova administração, permanece viçosa até o fim do encontro. Se houver um segundo, perguntar: "E o vasinho? Floresceu? Como está?". Um novo teste de namoro, um termômetro de compatibilidade.

E as pessoas que têm o dom de Rita e do menino do livro? O que fazer com os pobres pouces verts? Já sabemos que a sorte com a flor indicaria desastre no amor. Então, ela procurará alguém também com o dom e, assim, serão infelizes em um lindo jardim com plantas que causarão inveja ao casal, como sabemos, condenado à infelicidade. Não se pode ter tudo! Amor ou flor? O importante é ter esperança em alguma primavera à frente.

LEANDRO KARNAL

13 DE MARÇO DE 2021
FRANCISCO MARSHALL

DUELO

A palavra latina duellum é uma forma arcaica de bellum, guerra, e decorre da raiz proto-indo-europeia *dau ou *deu, machucar, destruir, queimar. Uma etimologia popular valoriza o número latino duo (II, ou 2), e, por conseguinte, o par de oponentes que se enfrenta. Assim, o duelo seria um desafio de dois contendores, como Gilgamesh e Enkidu, no clássico sumério, Heitor e Aquiles diante de Troia, ou como no famoso duelo que vitimou o poeta russo Aleksandr Pushkin (1799-1837), com o oficial francês Georges d?Anthès, em disputa erótica. O embate pode ser também verbal ou desportivo, e costuma envolver defesa da honra; as regras podem levar às últimas consequências, como no duelo de morte. Muitas vezes proibido, a que vem, hoje, a lembrança desse antiquado costume?

No dia 09/03 p.p., um general da reserva lançou a provocação, ao reagir a recente ato soberano do Supremo Tribunal Federal e declarar que o ex-presidente Lula é "criatura deplorável", e, ato contínuo, ameaçar com as Forças Armadas para impor sua vontade política, ora travestida de zelo cívico. A inaceitável ameaça funda-se em poder usurpado e reitera a desordeira e subversiva mania de muitos oficiais, na história do Brasil, de quererem usar para seu interesse político, privado ou corporativo, o poder que a sociedade delega ao Estado e às forças militares para outros fins, especialmente a defesa de nossas fronteiras. 

Essa tentativa de usurpação do poder ergue a questão: despido dos aparatos que nós, cidadãos brasileiros, um dia lhe emprestamos, a dispendiosa estrutura das Forças Armadas, o que é e o que poderia um general, aposentado ou ativo? Por que se presume dotado de poderes para ameaçar a República, querendo deturpar sua função e recursos atribuídos, quando contrariado? Para aferir que armas de fato tem e como as maneja o aludido golpista, resta lançar-lhe esta chamada para um duelo. Como cidadão comum e na plenitude de meus direitos, assumo a honra da República, ultrajada, para cobrar do agressor o merecido reparo.

Como proceder ao duelo? Descartada a forma violenta, comum em duelos do passado mas imprópria no trato civilizado, resta-nos o desafio intelectual. Não é assimétrico, pois o general em pauta possui doutorado, como eu. Poderá ter, portanto, argumentos para defender quem é deplorável, o ex-presidente ou aquele que ameaça a paz e quer romper a ordem jurídica. Será boa ocasião para escrutinarmos o que vêm a ser o civismo e a cidadania do povo brasileiro, se a defesa da lisura judiciária (anda que tardia) e da democracia ou a subversão da lei e do poder da Justiça, para fins políticos e ideológicos? Poderemos, em contenda retórica, determinar o que precisa a pátria para ter um futuro mais digno, se o enfrentamento da iniquidade social ou a garantia de injustiças e casuísmos pelo uso impróprio da força, e discutir, por que não, o que é uma nação e quem a honra, quem a envergonha.

A carta remetida a um general lúcido foi devolvida, como, creio, ficará sem resposta este duelo. Em era cacofônica, há silêncios reveladores, e o desafio das palavras necessárias.

FRANCISCO MARSHALL

13 DE MARÇO DE 2021
CRISTINA BONORINO

OS OUTROS

Quando Joe Biden assumiu a presidência dos EUA, sua meta era chegar a 100 milhões de vacinados para a covid-19 em cem dias de governo. Alcançou esse número em 50 dias. Duplicou a meta. O número de casos diários, que estava em ascensão desde 12 de setembro de 2020, caiu de 250 mil para 50 mil em dois meses. Isso é o que acontece quando um governo se dedica a amparar e proteger a população.

Governo existe para proteger os mais frágeis e garantir vida harmônica em sociedade. Sempre haverá pessoas em situação de fragilidade frente a algum desafio. Cabe ao governo auxiliá-las, dar exemplo de conduta e garantir que medidas que protejam a todos sejam seguidas. Tem sido o exemplo também de Alemanha, Inglaterra, Argentina, Chile, Israel.

Do governo dos EUA vêm investimento para vacinas e pesquisas necessárias para sua otimização em todos os segmentos da população. Mas de nada servem as vacinas, mesmo otimizadas, se não controlarmos a circulação do vírus. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, agora reabilitado e trabalhando muito, divulgou pesquisas sobre a otimização de medidas preventivas de circulação do vírus - sobretudo o uso de máscaras. Em dupla camada, se usadas cobrindo o nariz e a boca, bem aderidas ao rosto, elas podem reduzir em mais de 90% a chance de troca de partículas virais entre duas pessoas - se ambos usarem.

A máscara protege principalmente uma pessoa já infectada de transmitir o vírus. É um instrumento de consideração com os mais frágeis. Da maneira como vivemos hoje no Brasil, um número cada vez maior de pessoas está infectada e não sabe; e está transmitindo o vírus. Embora não tenham sintomas, elas estão contribuindo para a circulação do vírus, deixando que ele alcance as pessoas mais suscetíveis. Essas são sabidamente os idosos - que, mesmo tendo se isolado desde o início da pandemia, neste momento precisam sair de casa.

Há muitos relatos de idosos que se infectaram ao sair para tomar a primeira dose de vacina. Isso ocorre porque a imunização demora ao menos uma semana para ter efeito; o vírus está circulando em uma velocidade assustadora, as variantes surgindo em resposta ao sistema imune dos infectados. Além dos idosos, há outros grupos vulneráveis. Alguns possuem comorbidades já conhecidas, como doença cardíaca e câncer, mas outros ainda não identificamos - esta é uma doença nova. Estamos aprendendo quem são os mais frágeis ao SARS-CoV-2 todos os dias. Este é um momento de agir racionalmente, pensando: "Mesmo sem saber, posso estar infectado. Posso prejudicar alguém. Vou pensar em outros além de mim - vou me isolar. Protegendo os outros, estou protegendo a mim mesmo".

Gestores que estão apoiando essas medidas agora entendem que isso é maior do que o indivíduo. Isso é um pensamento de cidadania responsável. O que aconteceu até aqui já é trágico demais. Podia, e pode para o futuro, ser evitado - e todos sabemos como.

CRISTINA BONORINO